A garota a quem eu molhei me esperava na cobertura
Eu tinha estragado o vestido dela no começo da festa. Não imaginava que aquela mesma desconhecida me encurralaria no parapeito quando quase ninguém mais restava na cobertura.
Eu tinha estragado o vestido dela no começo da festa. Não imaginava que aquela mesma desconhecida me encurralaria no parapeito quando quase ninguém mais restava na cobertura.
Me vesti para impressionar, mas ao cruzar a porta daquele escritório entendi que eu não ia usar o currículo para conseguir o trabalho.
Baixei o olhar para a janela da frente e entendi que naquela noite, entre caminhões estacionados, ninguém ia fechar as cortinas.
Ela comandava o casamento, mas naquela manhã na areia descobri o quanto ela gostava que um desconhecido dissesse quem mandava, com o marido assistindo.
Eu só queria um lugar para dormir. Não imaginava que um buraco na calça do pijama dela acabaria mudando tudo naquela noite.
Me inscrevi em cima da hora para uma festa no campo onde ninguém tinha namorado e valia uma única regra: o que acontecesse naquela noite, ficava ali. Não imaginava até onde eu chegaria.
“Só os três primeiros níveis”, eu prometi no avião. Nenhum de nós imaginava até onde aquele caderno de desafios nos levaria antes de voltarmos para casa.
Tinha a caneta na mão e a dívida de uma vida inteira sobre a mesa. Tudo o que ele pedia em troca era deixar o orgulho na porta.
A regra era simples: quando as portas do elevador se fechavam, eu deixava de ser uma pessoa e virava parte da mobília dele.
Quando abri os olhos na sauna a vapor, ele já estava me olhando. E eu sabia perfeitamente quem era, embora jamais tivesse imaginado tê-lo tão perto.
Eu tinha nadado três mil metros até a exaustão e só queria a água quente nos ombros. Então ele se virou sob o chuveiro ao lado e eu soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
Passamos pela cortina preta e a escuridão nos engoliu: só duas luzes vermelhas, o pulso do techno e um colchão cercado por sombras que já nos esperavam.
Reconheci o sorriso de demônio encostado no balcão, com a toalha preta e o arnês vermelho, e soube que aquela noite a sauna inteira seria testemunha da nossa história.
Deitei nu sob o último sol de setembro, oferecendo meu corpo a quem quisesse olhá-lo. Então apareceu o único homem que pensei que não voltaria a ver.
A chave girou na fechadura às duas da madrugada e eu ainda estava embaixo dele, sem a menor intenção de me cobrir. Quatro pares de olhos me olharam da porta.
Gosto que me olhem, que me desejem, que o olhar deles se perca quando eu me viro. E ao longo dos anos aprendi a fazer disso uma arte.
Meio milhão de euros por passar cinco dias no Caribe com um desconhecido. Bruno não era gay, mas as dívidas não entendem de rótulos e o jato particular já o esperava.
Começou como um jogo na última fileira do teatro e acabou virando um vício: buscar o canto mais impossível da cidade para perder o controle.
Diziam que o azul do seu macacão dava sorte. Mas naquela noite, sob o chuveiro e os olhares dos companheiros, ele soube que a sorte tinha outro nome.
Eu tinha jurado que íamos só olhar. Mas quando aquele desconhecido pôs a mão no ombro de Eduardo, eu soube que também não conseguiria ficar parado.