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Relatos Ardientes

A consulta médica que marquei só para que ele me olhasse

Bastou ver a fotografia do médico naquele folheto da clínica para que eu tomasse uma decisão que nenhuma mulher sensata tomaria. Não sentia dor alguma. Não tinha sintomas. Só queria que aquele homem de mandíbula marcada me visse da maneira que eu havia decidido.

Naquela tarde, escolhi um vestido branco, leve, curto, daqueles que parecem inocentes até a gente se mexer. Por baixo, não vesti quase nada. Marquei o último horário, quando já não haveria mais ninguém na sala de espera.

Quando a porta do consultório se abriu, ele apareceu diante de mim mais alto do que a foto sugeria. Uma fração de segundo bastou para que sua atenção descesse do meu rosto até a barra da saia antes de se recompor num sorriso profissional.

— Entre, por favor — disse ele, e sua voz grave percorreu meu corpo inteiro.

— Obrigada, doutor Solanas — respondi, lendo a plaquinha sobre a mesa.

Ele me estendeu um avental branco dobrado com esmero.

— Pode se trocar atrás do biombo. Vou esperar para começarmos.

Virei-me devagar, deixando que ele visse o caimento do vestido antes de tirá-lo. Eu sabia que ele me observava de soslaio, embora fingisse estar concentrado na tela. Vesti o avental de propósito, de maneira errada: a abertura para a frente, o nó frouxo, insinuando mais pele do que o necessário. Quando voltei para perto dele, ele ergueu os olhos. Seus olhos se arregalaram de leve, uma surpresa controlada, mas não totalmente indiferente.

— Deite-se na maca, por favor — indicou, com uma calma que não chegava ao seu olhar.

Obedeci. O avental se abriu um pouco mais quando me deitei, como se fizesse isso por conta própria, como se meu corpo soubesse exatamente o que eu queria mostrar a ele.

Ele se aproximou. Ajustou a lâmpada de exame, mas eu sentia seus olhos me percorrendo antes que a luz o fizesse.

— Muito bem. Preciso que escorregue um pouco para baixo — sua voz havia ficado mais baixa, mais áspera, a voz de um homem concentrado em não sair do papel.

Deslizei com uma lentidão premeditada. O movimento fez o tecido esticar, revelando a curva da barriga sob a abertura.

— Agora apoie os pés nos estribos — disse, apontando para os suportes de metal polido de cada lado da maca.

Respirei fundo e levantei uma perna. O avental se abriu ao longo da coxa, expondo a pele até o quadril. Quando ergui a segunda, o tecido caiu dos dois lados do meu corpo como duas cortinas esquecidas. Eu estava completamente nua por baixo. Já não havia nada de inocente naquele vestido branco abandonado sobre a cadeira.

Nossos olhos se encontraram. Sua expressão já não era apenas profissional. Havia uma rachadura, um reconhecimento mútuo do silêncio carregado que preenchia o ambiente. Suas pupilas estavam dilatadas, escuras.

— Assim está bom — murmurou, e dessa vez o tom não foi de ordem, mas de uma tensão contida.

Senti-me aberta diante dele, e não apenas no sentido físico. O médico sentou-se no banquinho aos pés da maca, tão perto que eu percebia o ar deslocado por seus movimentos. Suas mãos enluvadas apoiaram-se na parte interna dos meus joelhos, como se ele fosse ajustar minha posição. Mas não o fez. Deixou os dedos ali, uma âncora quente e firme sobre a minha pele.

— Relaxe — pediu, com os olhos fixos nos meus, não na região que dizia examinar. Olhava para a mulher que o havia desafiado com um vestido e um avental mal amarrado.

Então sua mão direita deslizou a partir do meu joelho. Senti o ar frio por um segundo, antes que o roçar de seus dedos avançasse em direção ao centro. O toque não foi clínico, como eu temera, mas deliberado. Não havia pressa mecânica, e sim uma pausa que me dizia que ele estava plenamente consciente da tensão que havíamos construído.

Seus dedos se posicionaram com uma precisão inesperada, afastando suavemente antes mesmo que a luz chegasse. Era um gesto de exploração, mas também de observação. Sua respiração havia se tornado tão superficial quanto a minha. Senti a carícia do látex e como a mínima pressão me fazia arquear levemente as costas. Ele não procurava uma doença: procurava uma resposta.

— Vou colocar o espéculo agora — anunciou, com a voz reduzida a um sussurro profissional.

Com uma formalidade quase cruel, retirou os dedos e pegou o instrumento no carrinho. Metal frio, brilhante. Lubrificou-o generosamente. Quando sua mão voltou, meus músculos se retesaram. Ele percebeu e ergueu os olhos até encontrar os meus outra vez.

— Relaxe, só um pouquinho — disse, e a ordem soou quase como uma súplica.

Antes de continuar, ele fez algo que me pegou de surpresa: seu polegar, agora livre, voltou à minha pele para acariciar a parte interna da coxa, exatamente onde nasce a sensibilidade. Uma distração calculada que me fez tremer. O espéculo entrou então, guiado por aquela carícia, e o clique de sua abertura marcou o fim do prelúdio.

— Pode ser um pouco incômodo — disse, mas seus olhos já não olhavam para o instrumento. Estavam fixos no meu rosto.

Fechei as pálpebras, não por causa do desconforto do metal, mas para me concentrar no que eu acabara de provocar. Aquele roçar na coxa, combinado à pressão do exame, havia desbloqueado alguma coisa. Mordi o lábio para conter um suspiro. O calor se acumulava no meu centro e não havia como disfarçá-lo.

Senti o roçar dos cotonetes e a mínima picada da coleta. Mas, além disso, a fricção e o simples fato de estar exposta diante dele agiam como um detonador. E então aconteceu: uma onda de umidade me inundou, repentina, incontrolável. Abri os olhos de repente, assustada com o quanto era evidente, as faces ardendo. Não era uma secreção sutil, mas uma resposta inegável, um brilho visível sobre a maca.

O médico percebeu no mesmo instante. Sua mão parou. Retirou o espéculo com cautela e ergueu o olhar até o meu rosto em chamas. Não havia deboche nem reprovação em seus olhos. Havia uma intensidade profunda, o reconhecimento de seu triunfo e da minha rendição. Um sorriso mínimo, quase invisível, puxou o canto de sua boca.

— Ora — disse, com a voz mais grave do que nunca, quase num sopro. Era a primeira vez que rompia completamente com a formalidade.

Tirou as luvas com um estalo seco que ecoou no silêncio. Inclinou-se sobre mim, muito mais do que qualquer protocolo justificaria. Seu hálito quente roçou minha testa.

— Parece que meu exame de rotina foi bastante eficaz — disse, e o duplo sentido eliminou qualquer dúvida.

Fiquei paralisada por um instante, respirando com dificuldade.

— Muito bem — acrescentou, já se endireitando. — É hora do exame das mamas. Desça da maca, por favor.

***

Enquanto tirava as pernas dos estribos, o avental se fechou um pouco. Já não importava. Ele havia visto tudo. Sentei-me na beirada e, quando hesitei sem saber como me levantar, ele se aproximou e me ofereceu a mão.

— Com cuidado.

O contato dos nossos dedos pareceu uma descarga, um lembrete de que aquilo estava longe de ser puramente médico. Puxou-me com suavidade até me deixar de pé sobre as pernas instáveis. Ficamos em pé, frente a frente. O avental se abria no centro ao ritmo da minha respiração, e eu me sentia pequena apesar da ousadia que me levara até ali.

— Vamos examinar o peito — anunciou, e dessa vez seus olhos pousaram diretamente nele.

Colocou as mãos dos dois lados do meu torso, sob as axilas, e começou com os movimentos circulares esperados, procurando qualquer irregularidade por quadrantes. A pressão era firme, correta. Mas, à medida que avançava em direção ao centro, o ritmo mudou. Suas palmas envolveram a base de um seio e depois do outro, avaliando-os com uma pressão que não era diagnóstica, mas apreciativa.

A intensidade cresceu quando seus dedos chegaram ao mamilo. Em vez do toque rápido e formal, seus polegares pararam e começaram a traçar círculos mínimos, lentos, deliberados. Senti o seio inchar sob a pressão. Um gemido mudo se formou na minha garganta.

Seu rosto quase roçava o meu, a concentração absoluta, mas já não médica. Viu minhas pupilas se dilatarem. Fechou os dedos sobre o mamilo e esfregou-o suavemente, um gesto atrevido que me fez sentir explorada como uma amante, e não como uma paciente.

— Respire fundo — ordenou, mas era impossível. Eu estava prestes a perder o controle outra vez.

Retirou as mãos com uma lentidão torturante, deixando a pele sensível. Deu um passo para trás, o rosto sério.

— Há um detalhe que preciso verificar — disse, recuperando uma autoridade formal tingida de uma gravidade nova.

— O quê? — perguntei, num fio de voz.

— Uma leve assimetria na postura, provavelmente ligada à tensão que notei. Para avaliá-la bem, preciso ver o alinhamento sem obstáculos. Tire o avental, por favor, e fique reta, com os braços soltos.

Não havia como entender aquilo como rotina. Ele havia me visto nua na maca, mas permanecer de pé diante dele, completamente exposta, era outro nível de entrega.

Minhas mãos tremeram ao desfazer o nó. O tecido branco caiu aos meus pés com um suave sussurro. O médico não piscou, embora seus olhos não perdessem nenhum detalhe da curva dos meus quadris.

— Vire-se e fique de costas para a maca. Reta. Isso — sua voz já era uma mistura de comando médico e fascínio.

Obedeci. Senti o frio do consultório na pele nua e o calor de seu olhar queimando minhas costas. Ele se aproximou por trás. Um cheiro sutil de limpeza e de homem me envolveu, e minha pele se arrepiou.

— Vou apalpar a coluna para descartar pontos de pressão — explicou, e o pretexto soou vazio em meio a tanta tensão.

Seus dedos, sem luvas dessa vez, pousaram primeiro nos ossos do quadril e traçaram um mapa, subindo devagar pela base das costas. O contato era quente demais, lento demais para ser apenas médico.

O exame desceu sem aviso. Suas mãos envolveram minha cintura e pressionaram com firmeza os músculos das nádegas. O pretexto do alinhamento desapareceu: ele não me avaliava, tocava em mim.

— Relaxe os glúteos — ordenou, com o hálito quente contra a minha nuca.

Para obedecer, meu corpo cedeu um pouco e, ao fazê-lo, pressionei-me contra ele. Sua mão respondeu no mesmo instante: a pressão se tornou mais profunda, mais possessiva.

— Preciso verificar a inserção de alguns ligamentos — sussurrou, e embora a frase fosse clínica, o tom era puramente íntimo. — Dobre um pouco os joelhos, como se fosse se sentar, e afaste os pés.

A posição era ainda mais exposta, uma rendição de toda a postura. Minhas coxas tremeram ao se dobrarem. As costas arquearam, projetando a bunda em direção a ele. O roçar de sua mão tornou-se mais ousado, seu polegar delineando o limite da minha anatomia com uma precisão assustadora.

— Muito bem — repetiu. — Agora fique quieta.

Ouvi o silvo de um novo par de luvas sendo ajustado. O som me gelou.

— Vou fazer uma palpação superficial para descartar fissuras; a tensão dessa região pode afetar a coluna — o pretexto era cada vez mais absurdo, mas o que se aproximava me impedia de protestar.

Senti o frio do gel. Seu dedo, úmido e coberto de látex, aproximou-se devagar da borda. O primeiro toque foi uma carícia sobre a área mais sensível, a que me queimou de vergonha e desejo ao mesmo tempo. A pressão aumentou, parando no limiar, sem forçar, apenas o suficiente para que a intimidade do contato fosse inevitável. Mordi o lábio quase até me machucar.

— Respire e relaxe, por favor — disse, com uma voz baixa e tensa que revelava o quanto ele também estava envolvido.

O dedo avançou suavemente. Senti-me invadida, exposta até o último recanto. Minhas mãos se fecharam em punhos e um gemido que tentei sufocar escapou da garganta. Ele não parou, mas manteve a pressão constante e lenta.

— Só mais um pouquinho — murmurou, com o hálito no meu pescoço.

Após alguns segundos eternos, retirou o dedo. Endireitei-me, cambaleante, com as pernas tremendo tanto que precisei me apoiar na maca. Ele, com uma calma quase ofensiva, limpou as mãos. Esperei que dissesse para eu me vestir, que aquilo havia terminado. Mas seu olhar continuava intenso, e seu rosto demonstrava uma frustração controlada.

— Não. Assim não consigo fazer o exame direito — sua voz era baixa, firme, assustadoramente convincente. — A tensão muscular está muito alta nessa posição. Preciso de outro ângulo. Suba novamente e fique de quatro, por favor.

Meu coração disparou. Era o ápice da exposição, a postura da entrega total. Subi na maca sem o avental, oferecendo-lhe as costas arqueadas e todo o resto. Não havia espaço para o profissionalismo naquela imagem.

O médico voltou para o meu lado, os olhos fixos na curva do meu corpo, e colocou um par de luvas novas com a mesma lentidão deliberada de antes.

— Relaxe. Respire. Isto é apenas uma extensão do exame — disse, embora sua respiração estivesse tão entrecortada quanto a minha.

O lubrificante voltou a parecer frio. Senti o toque inicial, um roçar com a ponta do dedo que me fez arquear as costas. E então, sem pressa, o primeiro dedo penetrou. Não foi brusco, mas insistente, movendo-se com uma precisão que não procurava fissuras, e sim provocar, roçando regiões que amplificavam a excitação já fervilhando no meu ventre.

— Você está muito tensa — murmurou.

Mas a tensão era prazer. Um gemido baixo escapou de mim. E então, sem aviso, ele acrescentou um segundo dedo. Senti-me preenchida, sendo esticada. Seus dedos lubrificados começaram a se mover, girando, pressionando para a frente a cada investida. O ritmo aumentou.

— Ah... doutor — foi uma súplica, o reconhecimento de seu poder e da minha vulnerabilidade total.

Ele se inclinou sobre mim, a respiração agitada contra o meu ouvido.

— Shh. É só o exame. Diga onde dói — sussurrou, sabendo perfeitamente que não era dor o que provocava.

A cada movimento, mais profundo, senti a excitação me dominar.

— Sim — gemi, a voz quebrada no ar silencioso do consultório. Eu já não era uma paciente: era um corpo reagindo a um toque proibido.

O médico interrompeu o movimento de repente, e a pausa foi mais eletrizante do que a ação. Senti seus dedos deslizarem para fora. Por um segundo, pensei que tivesse terminado. Mas não.

Sem pretexto dessa vez, sem explicações médicas, levou a mão ao centro do meu desejo, que pulsava úmido depois de toda aquela provocação. Um dedo mergulhou em mim com uma precisão letal. E depois outro. Dois dedos firmes que se curvaram para cima, massageando o ponto exato com uma técnica que não era de exploração, mas de busca por prazer.

O efeito foi instantâneo. Meus gemidos se transformaram em gritos abafados contra a maca, e meus quadris se ergueram do tecido, procurando o ritmo dele. A excitação que o jogo de papéis havia contido explodiu sem controle.

— Mais, por favor — supliquei, com as pernas tremendo.

Ele acelerou, os dedos numa dança habilidosa: entrando, curvando-se, pressionando. Senti os músculos se retesarem ao máximo, um arrepio percorrer meu corpo dos pés à nuca, e o grito se transformar num lamento longo e prolongado.

E então aconteceu. Uma onda de contrações poderosas sacudiu-me. Meus quadris se ergueram e tudo se liberou numa onda quente e incontrolável que encharcou sua mão e pingou sobre a maca. Fiquei ofegante, o corpo frouxo. O médico retirou os dedos com uma lentidão satisfeita e inclinou-se até o meu ouvido.

— Definitivamente, você não tem nenhum problema de lubrificação — sussurrou, com a voz rouca de triunfo. — O exame terminou, por enquanto. Pode virar-se e vestir-se.

***

Virei-me com movimentos lentos e rígidos, peguei o avental e o vesti, dessa vez com a abertura para trás, sentindo uma vergonha tardia enquanto o desejo continuava pulsando como um eco. Desci ao chão com as pernas instáveis e fui até o biombo me vestir.

Enquanto vestia o vestido branco, que agora me parecia uma zombaria, eu não conseguia acreditar no que havia acontecido. Que tipo de exame terminava daquele jeito? Ele diria alguma coisa? Me denunciaria?

Voltei ao consultório. Ele digitava com absoluta calma. Ergueu o olhar, a expressão indecifrável, os olhos guardando uma intensidade que me fez reviver cada roçar.

— Sente-se, por favor.

Sentei-me diante da mesa.

— O exame não mostra nenhuma patologia grave — começou, com a voz neutra e profissional. — A tensão que sentiu na região pélvica é comum; atribuo-a ao estresse. Recomendo que continue levando sua vida normalmente e mantenha os exames anuais.

Assinou um papel e deslizou-o até mim: a receita de um complexo vitamínico e a data da minha próxima consulta, um ano depois. Peguei-o com as mãos trêmulas e me levantei. Eu estava prestes a sair quando sua voz me deteve.

— Senhorita...

Virei-me. Ele se levantou, contornou a mesa e caminhou até mim sem pressa. Tirou uma caneta do bolso e, com um movimento rápido, riscou a data da consulta anual.

— O complexo vitamínico é real. Tome-o. A consulta... não.

Inclinou a cabeça e escreveu algo rapidamente sob sua assinatura, cobrindo-o com a mão para que eu não pudesse ler.

— Esta é uma instrução pessoal, não médica. Siga-a à risca se quiser evitar complicações.

Devolveu-me a receita. Peguei o papel; a tinta ainda estava fresca.

Saí do consultório com uma mistura confusa de alívio e desejo. Ao chegar ao carro, desdobrei o papel. Lá estavam as vitaminas, meu nome, sua assinatura... e abaixo, com uma caligrafia firme, li: «Ligue para 644 21 80 93 e peça uma consulta de acompanhamento urgente para as nove da noite desta terça-feira. Venha sem o vestido branco».

Não era uma consulta médica. Era um convite para continuar o jogo, uma prescrição para o desejo. O doutor Solanas não havia me dispensado: havia marcado um encontro comigo fora do prontuário. O verdadeiro exame não aconteceria dentro de um ano. Começaria na terça-feira.

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