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Relatos Ardientes

A avenida onde deixo que me olhem ao anoitecer

A avenida estava quase vazia àquela hora, banhada pela luz cansada do fim da tarde. Era aquele trecho comprido, ladeado por jacarandás, onde a cidade parecia esquecer de si mesma e só deixava passar os poucos que saíam para correr quando o calor baixava. Estacionei junto ao meio-fio, desliguei o motor e esperei.

Vê-los chegar pelo para-brisa era sempre assim: torsos brilhando de suor, respirações entrecortadas, passadas firmes que ecoavam no asfalto. Eu permanecia imóvel por fora, uma mulher qualquer atrás de um vidro. Por dentro, era outra coisa.

Não estava ali por acaso. Procurava um olhar. Procurava alguém que, ao passar pela minha janela, descobrisse o que acontecia dentro do carro: como meus dedos se perdiam lentamente entre minhas coxas, como meu corpo se acendia só com a presença daqueles desconhecidos que nem sequer sabiam meu nome.

Não precisava de palavras. Só do instante exato em que uns olhos se desviassem para mim, surpresos, presos na pequena cena que eu lhes oferecia como quem lança um anzol suave e irresistível.

Sou a que olha e quer ser olhada, pensava. Aquela avenida solitária tinha se tornado meu refúgio proibido. Eu era a caçadora que não saía do carro porque não precisava: bastava um cruzar de olhares, um fôlego contido, um passo que diminuísse, para que minha fantasia ganhasse corpo.

E então aconteceu.

A brisa trouxe primeiro o cheiro: suor salgado e terra morna, o sinal de que um deles vinha chegando perto. Meus dedos se retesaram e minha respiração ficou tão leve que eu mal a sentia. Não era um homem maduro, mas um rapaz de pouco mais de vinte anos, de pernas longas e firmes, com o cabelo escuro colado na testa. A camiseta cinza, ensopada, grudava num torso definido, desenhando cada relevo a cada passada.

Justo quando pensei que ele passaria direto, que seria só mais um no meu desfile anônimo, o ritmo dele mudou. Mal, quase imperceptível, mas diminuiu. Não de repente: afrouxou o passo como se a cabeça mandasse seguir em frente e um ímã invisível o obrigasse a virar o pescoço para mim.

Nossos olhos se encontraram através do vidro. O meu foi um reflexo sereno; por dentro, o motor em mim já disparara. Ele me viu. Viu a mim, sentada ali, com aquele meio sorriso de culpa satisfeita, e viu também o movimento discreto das minhas mãos. Não houve no rosto dele o susto de quem descobre algo sujo, nem julgamento. Só uma curiosidade intensa, faminta.

Ele parou de vez, a poucos metros da janela. Sustentou meu olhar. O músculo do maxilar se contraiu. O rapaz havia entendido e, em vez de acelerar, escolheu ser um cúmplice mudo.

O silêncio se tornou espesso, quebrado apenas pela respiração funda dele e pelo meu arquejo contido. E então ele sorriu. Não foi um sorriso debochado nem arrogante. Foi o de uma fogueira recém-acesa, um gesto fugaz que dizia: eu te vejo, e gosto do que vejo.

Deu dois passos largos e se inclinou, apoiando uma mão no teto do carro para se firmar, o rosto a poucos centímetros do vidro. Queria ver melhor.

Meu coração batia como um tambor frenético. Senti uma vertigem feita de poder e de entrega absoluta. Mantive o contato visual enquanto minhas mãos, que até então se moviam em segredo, subiam até os botões da minha blusa. Com uma lentidão deliberada, pura provocação, desabotoei os dois de cima.

O tecido se abriu só o suficiente. Eu não usava sutiã. Meus seios despontaram na penumbra do interior, macios ainda, adormecidos mas expectantes, como se cada fibra da minha pele aguardasse a eletricidade de uma permissão que ainda não vinha.

O olhar dele se cravou ali. Vi o piscar de surpresa e desejo em suas pupilas, a língua que umedeceu os lábios, a boca que se curvou numa careta de pura insolência.

Ele não tinha pedido nada e eu já lhe dera. O jogo subira de nível. Ele estava tão perto que eu sentia o calor que seu corpo irradiava, o calor que agora queria atravessar minha pele. Permaneceu imóvel, observando a promessa da minha carne, esperando.

O silêncio entre nós se tornou insuportável, carregado da corrente que saía dos olhos dele e do desejo que me queimava por dentro. Ele esperava, quieto. Eu decidia.

E eu decidi.

Meus dedos deixaram a blusa e foram até o interruptor da janela. Apertei o botão. O motorzinho do vidro começou a zumbir, um som mecânico que rompeu a bolha da rua vazia e que, para mim, foi o anúncio da minha própria rendição.

O vidro desceu, primeiro devagar, revelando mais do meu rosto, e depois de uma vez, abolindo a última barreira entre o ar frio do meu segredo e o calor cru do corpo suado dele. A corrente fresca tocou minha pele, mas ficou ofuscada pela onda morna que vinha dele.

Agora ele estava ao meu alcance. Eu podia senti-lo pelo cheiro: suor, terra e algo mais, algo puramente animal. Ele não se moveu, paralisado pela nova proximidade, os olhos buscando nos meus uma confirmação. O rapaz não hesitou mais um segundo. Sua mão, larga e áspera do exercício, tremendo apenas um pouco, se desprendeu do teto.

Entrou pela janela aberta.

A ponta dos seus dedos roçou o tecido da blusa e depois, com pontaria certeira, a tepidez do meu seio. O contato foi uma descarga. No instante exato em que tocou a ponta sensível do meu mamilo, senti um choque que percorreu meu corpo do esterno ao ventre. Meu corpo reagiu como uma mola: endureceram de imediato, rígidos e dolorosamente tensos sob a pressão do seu roçar atrevido.

Um gemido escapou dos meus lábios.

Ele se inclinou mais, até que seu hálito quente chegou ao meu ouvido. Sua voz foi um sussurro carregado de uma urgência mal contida.

—Posso provar? —perguntou.

A pergunta, tão direta e sem enfeites, atravessou-me como uma flecha. Todo o meu corpo se tornou um tremor doce e furioso. A adrenalina do proibido se misturou ao desejo que já ardia dentro de mim. Ele não perguntava se podia continuar tocando: perguntava se podia tomar tudo.

Cerrei os dentes, incapaz de articular uma palavra, mas minha resposta não precisava de som. O clique metálico do trinco ao se soltar foi o segundo sinal da minha entrega.

Sem pensar mais, impulsionada pelo desejo, empurrei a porta para fora. O rapaz se endireitou, surpreso com minha ousadia, mas só por um segundo. O sorriso insolente voltou e ele deu um passo à frente. Já não tinha acesso à janela: ele tinha a mim.

Puxei a alavanca sob o banco e o encosto cedeu para trás, me reclinando numa postura de oferta. A blusa, já aberta, escorregou pelos meus ombros e ficou na altura dos cotovelos. Meus seios ficaram totalmente expostos, os bicos eriçados apontando a convite. Fiquei ali, reclinada, tremendo, indefesa e completamente entregue.

Ele olhou para baixo, para o meu corpo, e depois para meus olhos, esperando a permissão final. O tremor me percorreu uma última vez, agora de pura impaciência. Ergui os braços livres e, com uma determinação febril, agarrei-o pela nuca, justo onde o cabelo molhado se unia ao pescoço, e o puxei para mim com uma força que eu não conhecia.

Ele não resistiu. Deixou-se cair sobre mim com a voracidade de um predador a quem acabavam de dar permissão para caçar. O calor da sua boca, úmido e ardente, cobriu minha pele. Não houve sutileza: ele cumpriu a promessa da pergunta. Com a paixão transbordante e a impaciência crua de seus vinte e poucos anos, devorou meus seios.

Senti o roçar da sua barba por fazer, a sucção precisa, o jogo da língua quente contra a ponta endurecida. Ele mordeu e lambeu com o ímpeto de quem não teme castigo e só busca recompensa. As mãos dele se agarraram ao meu torso, amassando a blusa, sustentando-me nessa posição de oferta.

Um grito mudo de prazer me sufocou na garganta. Era mais do que eu tinha imaginado: a fantasia convertida em invasão perfeita, sem pedir licença. Não existia vergonha; só restava o deleite desatado de ser a presa devorada.

Enquanto a boca dele me trabalhava, fechei os olhos e me concentrei no movimento dos meus dedos entre as pernas, sentindo que o clímax que eu buscava há tanto tempo chegava agora com a mesma fúria com que ele me tomava. Eu me contorcia no banco, as mãos urgentes, acompanhando o ritmo selvagem da boca dele.

E então ele percebeu.

Sem me soltar, sentiu o vaivém rítmico sob o tecido do meu short. Sentiu a iminência do meu orgasmo, a forma como meu corpo se preparava para explodir. De repente, com uma interrupção brusca que me fez arfar, ele afastou a boca do meu peito e ergueu a cabeça. Os olhos escuros e brilhantes se cravaram no meu rosto. Os lábios estavam úmidos e a respiração, entrecortada.

O olhar dele desceu de imediato para meus quadris, onde minhas mãos se perdiam. E ele tomou uma decisão. Num gesto rápido e dominante, as mãos deixaram meu torso, deslizaram para baixo e agarraram meus pulsos. O contato de sua pele áspera e quente foi firme. Com uma força inesperada, afastou minhas mãos de entre minhas pernas, deixando-me vulnerável.

Fiquei imóvel, o corpo em tremor agônico. E, sem me dar tempo de reagir, o vazio do meu próprio prazer foi preenchido pela invasão do prazer alheio: a palma dele pressionou diretamente sobre a zona mais sensível através do tecido fino. Não foi um toque delicado, mas um aperto de posse, uma fricção sem trégua que se ajustava à voracidade da idade dele.

O olhar dele não saiu do meu. Ele me tocava, me olhava e me reivindicava num só movimento. A mudança foi tão repentina que o grito já não consegui conter. Os dedos dele se moviam com uma cadência experiente, sem piedade, levando-me a um êxtase quase doloroso. Minhas costas se arquearam, a respiração virou uma sequência de arquejos curtos. Eu estava a um toque de cair no precipício.

E então ele parou.

Sem aviso, retirou a mão de repente. O vazio foi um choque frio e brutal. Um gemido de frustração escapou de mim. Abri os olhos, inundados de lágrimas de prazer meio consumado, e o encarei com uma expressão de súplica e raiva silenciosa. Ele me observou com um sorriso que era mistura de triunfo e descaramento. Estava me negando o final, desafiando meu controle.

Depois se endireitou e, com graça felina, terminou de abrir a porta que eu havia empurrado pela metade. Saiu do carro e parou na calçada, bem à minha frente, emoldurado pelo vão da porta, me olhando reclinada e meio nua no banco.

A mão dele foi devagar até a cintura do short esportivo. Os olhos não se desgrudaram dos meus enquanto ele deslizava o tecido. Com um movimento lento e deliberado, ele se libertou. Estava completamente ereto, pulsando com vida própria: uma declaração descarada da intenção dele, a prova física do desejo que eu havia acendido. Ele me oferecia isso sem dizer palavra, como a última etapa do jogo.

Fiquei sem fôlego, meu prazer meio cozido agora diante daquela imagem. Ele sabia que me tinha hipnotizada. Sem pressa, mas com autoridade absoluta, inclinou-se um pouco mais, agarrou meu pulso direito — o que permanecia ao lado do corpo, trêmulo — e o guiou, com uma precisão metódica, até a ereção dele. Não perguntou: fez.

O contato foi outro choque. Minha palma, que segundos antes trabalhava meu próprio prazer, encontrou a pele quente e tensa dele. O espanto da temperatura e da dureza me fez arfar de novo. Ele me obrigou a envolvê-lo, a sentir o tamanho dele, num ato de exibição pura: a evidência da juventude, do vigor, da resposta que eu havia provocado. Eu tinha sido a caçadora, mas ele havia virado o jogo, e agora eu tremia sob seu feitiço.

A sensação na minha mão era intensa demais para manter a passividade. Meus dedos se agarraram a ele, sentindo o pulso ardente sob a pele. Parei de tremer e me enchi de uma decisão crua. Sem deixá-lo me guiar mais, assumi o controle da minha própria mão e comecei a movê-la, lenta e firme. Um sorriso, dessa vez de desafio e promessa, se desenhou nos meus lábios.

Sentei um pouco mais ereta, inclinando-me para a frente, encurtando a distância. Meus olhos não se afastaram dos dele. Soltei um gemido baixo e, com a mesma lentidão com que ele me mostrara sua arma, aproximei a boca da ponta dele. O primeiro roçar foi suave, morno. Ele soltou um rosnado e eu o senti se tensionar, o controle prestes a ceder.

Abri a boca e o recebi, não para engoli-lo, mas para saboreá-lo, provando o gosto salgado e singularmente masculino da excitação dele. Meu gesto foi o gatilho. Senti o peso da mão dele pousar perto da minha nuca, os dedos se enredando no meu cabelo. Não foi um toque terno: foi um guia firme. E, sem palavras, com toda a força do instinto, ele empurrou o quadril, deslizando um pouco mais para dentro, obrigando-me a levá-lo mais fundo do que eu esperava.

Com um gemido de esforço, ele me afastou de repente, separando o corpo dele do meu com a mesma brusquidão. Olhou para mim, o fôlego agitado, os olhos em brasa.

—Não tão rápido —murmurou, com a voz grave.

Sem me dar tempo de protestar, agarrou-me pela cintura e me ergueu do banco reclinado. Eu era um peso morto de desejo. Ele me virou e me empurrou para o interior do carro.

—Assim —ordenou, enquanto me baixava o short de um puxão até as coxas trêmulas.

Forçou-me a ficar de joelhos no assoalho do carro, o tronco e os cotovelos apoiados no banco do passageiro, ainda reclinado. Fiquei de quatro, exposta e oferecida, os quadris elevados em direção à porta aberta e a ele, que continuava em pé no asfalto. O ar fresco da tarde bateu na minha pele nua, mas eu o ignorei. Toda a minha atenção estava na mão dele, que se aproximava.

Meu sexo, já ensopado pelo jogo prolongado, o recebeu quando o dedo dele encontrou a entrada escorregadia. Com uma calma que era pura provocação, ele começou a empurrar, primeiro um, depois um segundo, me abrindo com a audácia da sua penetração. Era uma sensação de preenchimento inesperado que me arrancou outro arquejo. E, sem me deixar acostumar, um terceiro se somou aos dois. Eu estava no limite da minha capacidade, indefesa, à mercê do ritmo dele.

Ele começou a me bombear com os três dedos, os olhos fixos na curva das minhas costas e no tremor das minhas nádegas. Sabia exatamente onde pressionar. Os movimentos ficaram mais rápidos, mais profundos, atingindo um ponto que me fez arfar desesperadamente. A visão se encheu de manchas de luz.

Gritei, o único som honesto possível naquele momento. Meu corpo se retesou numa rigidez convulsiva. Ele tinha conseguido: o orgasmo me sacudiu da cabeça aos pés, apertando meus músculos internos ao redor dele com uma força espasmódica. Agarrei-me ao banco enquanto as ondas de prazer se sucediam. Ele manteve os dedos dentro por mais um instante, saboreando o poder da minha liberação, e então os retirou com um som úmido.

Senti o frio do ar e o peso do corpo dele se ajustando ao meu. Ouvi-o respirar fundo antes de a ponta do sexo dele, molhada pelos meus fluidos, se apoiar na minha entrada. Ele me penetrou com uma expiração. A entrada foi lenta e profunda. Meu corpo, ainda pulsando pelo orgasmo recém-passado, o recebeu como se esperasse por aquele momento a vida toda. Ele soltou um som de satisfação total ao se sentir encaixado.

Agora ele se movia. O carro se sacudia com o ritmo de cada investida. Ele avançava com uma potência indomável, a cadência brutal e perfeita, e eu gritava a cada sacolejo. Sentia o final se aproximando; a respiração dele havia se tornado um rugido no silêncio da avenida.

Por fim, com uma investida que me arqueou as costas até o limite, ele soltou um longo gemido e se esvaziou por completo, uma descarga final que me preencheu até o fundo. Desabou sobre mim, o peso quente e suado me esmagando contra o banco, ainda enterrado no meu corpo convulso.

Ficamos imóveis, exaustos. O silêncio voltou à avenida, quebrado apenas por nossas respirações tumultuadas. A tarde tinha ido embora por completo e os postes começavam a acender, iluminando a cena da nossa rendição. Éramos duas feras saciadas, dois segredos respirando juntos.

De repente, um clarão. Uma luz amarela e forte cortou a penumbra do final da rua: os faróis de um carro que se aproximava devagar, um intruso inoportuno que ameaçava nos expor.

O rapaz percebeu primeiro e ficou rígido sobre mim. O pânico nos atingiu ao mesmo tempo. Ele se afastou com uma agilidade surpreendente, se endireitou e, com movimentos mecânicos e urgentes, puxou o short de volta, mal amarrando o cordão. Eu me levantei desajeitada, ajeitei a blusa com as mãos trêmulas, abotoando-a sem olhar, me importando apenas em cobrir os seios. Puxei o encosto para colocar o banco na vertical.

O rapaz me olhou por um segundo, os olhos cheios da mesma adrenalina. Não houve despedida, só um aceno de cumplicidade febril. Inclinei-me e, com um baque surdo que parecia gritar nossa culpa, fechei a porta. Ele não saiu da calçada. Liguei o motor, acelerei e o carro disparou, deixando para trás o rapaz e o intruso que naquele instante apenas passava ao nosso lado, sem suspeitar de nada.

Pelo retrovisor, vi sua silhueta na escuridão, ajustando a camiseta enquanto me via partir. Afastei-me em alta velocidade, deixando para trás o trecho de avenida solitária que se tornara meu refúgio proibido e a testemunha muda da minha fantasia tornada realidade. O segredo se fechava outra vez. Fui embora levando o cheiro de suor e a promessa de que, talvez, em outra tarde eu voltaria a caçar.

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