Descobri meu corpo sozinho e nada voltou a ser igual
Tudo isso aconteceu quando eu ainda morava com meus pais, em uma colônia tranquila a oeste de Guadalajara. Eu tinha acabado de fazer vinte anos e a cabeça tomada por uma urgência que eu não sabia nomear. Os hormônios me dominavam o tempo todo e, embora por fora eu parecesse um garoto qualquer, por dentro fervia uma curiosidade que eu não confessava a ninguém.
Sempre me considerei heterossexual. Eu gostava de mulheres, sonhava com elas, as procurava com o olhar na rua. Mas houve um detalhe que descobri muito cedo e que me acompanhou durante anos, quase como um segredo de que eu tinha vergonha de admitir até para mim mesmo.
Numa tarde, quando eu era mais novo, estava tomando banho sem pressa. A água quente me relaxava e comecei a percorrer meu corpo sem pensar muito. Sem querer, meus dedos deslizaram entre as minhas nádegas e roçaram uma zona que eu nunca tinha tocado com atenção. A sensação me deixou imóvel sob o jato de água. Era estranha, intensa, diferente de tudo que eu conhecia.
Por que isso se sente assim?
A tara me venceu. Saí do chuveiro, peguei um espelho de mão e me tranquei para observar meu próprio corpo nu com uma mistura de pudor e fascínio. Eu não sabia o que estava procurando, só sabia que aquela curiosidade me acendia de um jeito que eu não entendia.
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A verdadeira descoberta veio por acidente. Em casa tínhamos um daqueles aparelhos de massagem, dos que vibram para aliviar as costas. Um dia, brincando com ele, eu o encostei sem pensar na minha virilha, por cima da calça. A vibração me atravessou inteiro. Foi tão repentino e tão prazeroso que eu fiquei sem ar, com aquela imagem cravada na mente, incapaz de esquecê-la.
Esperei horas. Contei os minutos até a casa ficar vazia. Assim que ouvi o carro dos meus pais se afastando, corri atrás do aparelho como um possesso. Tirei a roupa às pressas, deitei e encostei a vibração diretamente no meu membro, que já estava completamente duro antes mesmo de eu tocá-lo.
A sensação foi deliciosa. Fiquei um bom tempo aproveitando, sem saber até onde podia ir, me deixando levar por uma maré que crescia e crescia. O prazer subiu tanto que, em certo momento, eu não consegui mais controlá-lo. Algo cedeu dentro de mim e eu gozei pela primeira vez na vida.
Eu não fazia a menor ideia do que tinha acabado de acontecer. Não entendia o que era aquele líquido nem por que meu corpo tremia daquele jeito. Só sabia que era o prazer mais intenso que eu já tinha sentido. E como eu mal era um garoto, em menos de cinco minutos já estava pronto de novo, disposto a repetir.
Assim aprendi a me masturbar sem saber que estava aprendendo. Toda vez que eu ficava sozinho em casa, corria atrás do aparelho, me trancava e aproveitava cada minuto antes que alguém voltasse. Era meu ritual secreto, minha fuga, a única coisa que me pertencia por completo.
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Com o tempo, a internet chegou em casa e, com ela, o acesso a vídeos e relatos eróticos que me abriram um mundo inteiro. Finalmente entendi o que acontecia com meu corpo, dei nome às coisas, descobri que eu não era o único que sentia essas urgências.
Minhas sessões mudaram. Parei de buscar terminar rápido. Aprendi a prolongar o prazer, a adiar o momento final, a ficar naquela fronteira deliciosa por minutos eternos enquanto lia ou assistia. Descobri que o desejo podia ser esticado como uma corda tensa, e que quanto mais eu a esticava, mais forte era a explosão.
Numa noite, perdido entre tantas leituras, encontrei um relato diferente. Um homem narrava seu encontro com uma travesti e, por algum motivo, aquelas palavras me acenderam de um jeito que eu não esperava. Acabei em um instante, quase sem me tocar. Mas naquela noite aprendi duas coisas que me marcaram.
A primeira: existiam pessoas que desfrutavam do prazer anal sem pudor, que se atreviam a explorar o que eu apenas roçava com medo. Eu não estava sozinho naquela curiosidade. Aquilo que eu sentia quando me tocava entre as nádegas tinha um nome, e muita gente o buscava com gosto.
A segunda, mais prática: esfregar meu membro com creme ou com alguma coisa que o lubrificasse multiplicava a sensação. A partir daí comecei a me masturbar também com a mão, devagar, descobrindo texturas, e aos poucos fui deixando de lado o velho aparelho de massagem.
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Os meses passaram e minhas buscas foram se concentrando em uma única coisa. Eu era obcecado por sexo anal. Ficava olhando como as mulheres se ofereciam, como se entregavam a essa penetração, e devorava os relatos procurando exatamente esses trechos, o instante exato em que algo entrava num corpo. Eu relia essas linhas uma e outra vez.
Numa tarde, depois de gozar e com o corpo já flácido, eu ainda estava com uma tesão que não passava. Entrei no banho para me acalmar. A água quente corria por mim e, sem pensar muito, me deitei no piso do chuveiro e comecei a me acariciar entre as nádegas, lembrando de todas aquelas imagens.
Mas havia algo diferente naquela vez. Toda a minha excitação tinha se mudado para aquela região. Meu membro voltava a ficar duro, e ainda assim eu não tinha nenhuma vontade de tocá-lo. O único que eu queria era continuar acariciando aquela entrada, pressioná-la, sentir o que acontecia se eu me atrevesse a ir um pouco mais longe.
Decidi. Comecei pelo dedo mais fino, pensando que seria o mais fácil. Não foi. Aquilo estava virgem ali, sem a menor experiência, e meu corpo resistia. Pressionei com paciência, uma e outra vez, até que aos poucos a ponta conseguiu abrir caminho.
A sensação me surpreendeu. Primeiro foi puro espanto. Depois veio uma dor aguda que quase me fez parar. Mas eu me lembrei do que diziam os relatos, que no começo doía, que era preciso ir devagar, que só depois do vai e vem constante a dor cedia e dava lugar ao prazer.
Então eu insisti. Comecei a mover o dedo num ritmo suave e constante, entrando e saindo, esperando aquela promessa. E, para meu espanto, funcionou. A dor foi se diluindo, substituída por algo novo, por uma tara que crescia a cada movimento. Pela primeira vez eu gostava de sentir algo dentro de mim.
Aquela primeira vez eu não cuidei da higiene como devia, e o desconforto depois me ensinou uma lição. A partir de então, investiguei como me preparar direito, porque eu sabia que aquilo não seria um experimento de uma única noite. Era uma porta que eu acabara de abrir e que não pretendia fechar.
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Nos dias seguintes, eu me esqueci do aparelho e do creme. Minha atenção estava em outra parte. Aprendi a usar a mangueira da área de serviço para me limpar por dentro, a encher-me de água e depois expulsar tudo, até ficar em condições perfeitas para me explorar com calma e sem surpresas desagradáveis.
Comecei a me masturbar todos os dias no chuveiro, agora concentrado só nessa nova sensação. Percorria toda a extensão do meu dedo mais longo, o enterrava por completo, brincava por dentro, tirava e enfiava de novo. Com o corpo relaxado, o que antes me doía agora me fazia suspirar.
Depois de muitas tentativas, me propus a colocar dois dedos ao mesmo tempo. Não foi simples, meu corpo reclamava no começo, mas a constância venceu a resistência e eu consegui. Cada nova conquista me deixava com vontade de mais, como se sempre houvesse outro limiar me esperando.
Com o tempo, comecei a procurar objetos pela casa, cada vez mais grossos, para imitar a firmeza de um membro de verdade. Quando meu corpo já aceitava tamanhos consideráveis, minhas sessões viraram um vai e vem entre me acariciar por diante ou sentir algo por trás, conforme a vontade do dia.
O mais estranho e maravilhoso foi descobrir que essas sessões anais eram longuíssimas. Eu não gozava, não ejaculava, simplesmente flutuava num prazer contínuo que parecia não ter fim. Muito tempo depois, eu chegaria a ter orgasmos por essa via tão intensos que meu corpo todo se sacudia, sem necessidade de me tocar por diante.
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Mas a imaginação nunca fica parada. À medida que eu aperfeiçoava meu prazer em solidão, minhas fantasias ficavam mais concretas, mais exigentes. Comecei a me imaginar rodeado de corpos, em encontros em que havia homens e mulheres ao mesmo tempo, em que eu era o centro de todas as mãos. A tesão já não cabia dentro de mim.
Numa noite, depois de uma dessas sessões eternas, ficou claro para mim. Eu estava cansado de fantasiar. Queria que acontecesse de verdade. Queria que alguém me fizesse sentir o que eu vinha imaginando sozinho no chuveiro havia anos.
O lógico, pensei, era que minha primeira vez fosse com uma mulher. Era o que eu mais desejava. Mas, com a pouca experiência que eu tinha, eu não fazia a menor ideia de como propor algo assim a alguém. Entrei em portais de encontros e a realidade me atingiu em cheio: nenhuma mulher parecia interessada num garoto sem estrada. Quase todas buscavam um relacionamento estável ou um homem maduro que soubesse o que fazia.
Foi então, no meio de uma dessas noites quentes, que me veio outra ideia. Se eu estava tão obcecado por penetração, se eu a havia ensaiado tanto sozinho, por que não procurar um homem disposto a me iniciar de verdade? Escrevi aquilo quase como um jogo, sem muita esperança.
A resposta me deixou sem palavras. Havia homens de sobra dispostos a estrear um novato, a guiar alguém jovem e curioso por esse caminho que eu conhecia só pela metade. As mensagens se acumulavam, todas se oferecendo, todas prometendo. E eu, com o coração acelerado, comecei a lê-las uma por uma, tentando decidir qual seria a primeira.
Isso está prestes a deixar de ser uma fantasia.
Mas como eu escolhi, o que aconteceu naquele primeiro encontro e tudo o que veio depois, isso é outra história. Essa eu guardo para a próxima vez.