Eu me rendi no sofá e ela fez o resto
Há encontros que ficam flutuando na cabeça durante dias. O último com Cristina tinha sido um desses: eu não conseguia parar de pensar nela, no jeito como se movia, no calor da pele, em cada detalhe que havia me deixado querendo mais. Tentei me livrar daquilo despejando tudo em palavras, escrevendo para fechar o ciclo. Mas, enquanto escrevia, percebi que o efeito era exatamente o contrário. Quando terminei o último parágrafo, estava com o pau duro contra o zíper da calça e o desejo era tão físico e concreto que não tive outra opção senão ligar para ela.
Disse o que precisava. Sem rodeios, porque entre nós os rodeios já sobravam havia muito tempo.
— Preciso que você chupe meu pau até me esvaziar — falei. — Nada mais. Só isso.
— Posso estar pronta em uma hora — respondeu, e havia algo em sua voz que reconheci na mesma hora: a mesma vontade —. Venha com o pau já pensando na minha boca.
Combinamos que aquela tarde seria diferente. Nada dos jogos que havíamos deixado pendentes, aqueles que exigiam mais tempo e calma. Cristina deixou isso claro antes que eu chegasse: estava com vontade de se demorar, de ir devagar, de aproveitar sem correr para lugar algum em particular.
— Quero deixar você duríssimo — disse —, ficar uma hora com seu pau na mão, se for preciso, e depois ficar olhando você gozar. Nada mais.
Para mim, estava ótimo. Mais que ótimo, na verdade.
***
Quando cheguei ao apartamento dela, Cristina abriu a porta usando um roupão curto de felpa. Por baixo, vestia um conjunto creme que eu conhecia bem: sutiã de renda fina que levantava os seios e marcava os mamilos escuros sob o tecido, calcinha combinando, tudo naquele limite exato entre o íntimo e o deliberadamente provocante. Ela me mostrou sem fazer drama, simplesmente abrindo o roupão por um instante antes de fechá-lo outra vez, como se não fosse nada demais.
Não era nada demais. Para mim, nunca era. Fiquei duro só de olhar para ela.
Nós nos beijamos ali mesmo, de pé no corredor, com a porta ainda entreaberta às nossas costas. As mãos dela subiram pela minha nuca, e as minhas encontraram sua cintura através do tecido macio. Beijei-a devagar, sem urgência, saboreando o momento, enfiando a língua até o fundo da boca dela, até ouvi-la gemer bem baixinho. Depois a beijei no pescoço, mordi o lóbulo de sua orelha, e ela jogou a cabeça para trás, de olhos fechados. Baixei uma das taças do sutiã com dois dedos e capturei seu mamilo entre os lábios, chupando-o até ficar duro como uma pedra. Cristina soltou um gemido e apertou minha cabeça contra o peito.
Fiz com que ela se virasse contra a parede. Enfiei a mão por dentro do roupão, por baixo da calcinha, e encontrei exatamente o que esperava: a boceta encharcada antes mesmo de eu fazer qualquer coisa de verdade. Acariciei-a bem devagar com os dedos, desenhando círculos sobre o clitóris, sentindo sua respiração se transformar, sentindo seus quadris buscarem mais contato sem que ela dissesse nada em voz alta. Enfiei dois dedos até o fundo, e ela se abriu um pouco mais, apoiando a testa na parede. Estava tão molhada que meus dedos entravam e saíam com um ruído úmido que preenchia o corredor. Procurei o ponto acima, aquele que a deixa louca, e pressionei com a ponta do dedo enquanto continuava trabalhando o clitóris com o polegar.
Parei antes que ela chegasse aonde queria. Tirei os dedos, brilhantes, e passei-os pelos lábios da boca dela.
— Ainda não — sussurrei em seu ouvido. — Chupe o seu gosto primeiro.
Ela abriu a boca e lambeu meus dedos um a um, sem tirar os olhos dos meus. Soltou um som entre a reclamação e a concordância. Eu gostava de ouvir aquilo. Gostava de saber que o desejo se acumulava nela da mesma forma que em mim, que quanto mais eu a deixava naquele ponto de tensão sem resolução, mais intenso seria tudo o que viesse depois.
Ela passou a mão para dentro da minha calça antes que eu a tirasse completamente. Segurou meu pau com os dedos por cima da cueca, bem devagar, avaliando o volume duro que já se destacava contra o tecido. Depois deu um tapinha na glande com a palma, suave mas calculado, e riu quando fiz uma expressão de falsa reclamação.
— Para — falei, embora não quisesse que ela parasse.
— Você vai ter que aguentar muito mais do que isso — respondeu, apertando meu pau inteiro com a mão aberta. — Vou fazer com você o que eu quiser.
***
Fomos para a sala. Tirei a calça e a cueca, e o pau saltou duro, apontando para o teto, com a glande já brilhando de líquido pré-ejaculatório. Deitei no sofá, com os braços abertos e as pernas separadas, completamente à mercê dela. Cristina levou um instante para entender a posição e então sorriu daquele jeito que não precisa de explicação.
— Estrelinha-do-mar — disse.
— Estrelinha-do-mar — confirmei.
E foi assim que fiquei. Quieto, com a pica rija apontando para o ar, sem interferir, deixando que fosse ela a tomar cada decisão.
Ela começou pelas mãos. Foi buscar ao banheiro um frasco pequeno de óleo corporal e voltou sem pressa, ainda de sutiã e calcinha. Primeiro passou o óleo nas minhas coxas, com movimentos lentos e deliberados que não eram exatamente uma massagem, mas também não eram exatamente outra coisa. Os polegares subiam pela parte interna das minhas pernas e paravam a um centímetro dos ovos, sem chegar a tocá-los, deixando meu pau pulsando sozinho contra o ventre. Ela repetia o trajeto várias vezes, variando a pressão, mudando o ângulo, até que parei de tentar antecipar o que faria depois e simplesmente me entreguei à sensação, com a pica pingando pré-gozo sobre o umbigo.
Cristina tem mãos que sabem o que fazem. Não é algo que se possa fingir nem aprender de qualquer jeito.
Quando finalmente subiu, foi com uma suavidade que contrastava com tudo o que eu já havia acumulado. Ela pegou meu pau entre as duas palmas, ainda mornas por causa do óleo, uma mão de cada lado, e começou a fazê-lo rolar entre elas, como se estivesse me aquecendo. O primeiro contato foi tão preciso e calculado que precisei cerrar os dentes para não gozar cedo demais. Depois fechou uma mão em torno do tronco, apertou-o com força, e com o polegar da outra começou a fazer círculos ao redor da coroa da glande, espalhando o líquido que já escapava de mim. Ela me olhava enquanto fazia isso. Esse sempre foi um dos detalhes de que eu mais gostava nela: ela olhava, gostava de olhar, e naquele momento seu prazer era real, não encenado. Dava para notar no modo como seus lábios se entreabriam, no jeito como apertava as pernas cruzadas contra a própria boceta.
— Devagar — falei.
— Sim — respondeu, e fez tudo ainda mais devagar, descendo o punho até a base com uma lentidão desesperadora, apertando os ovos com a outra mão ao mesmo tempo.
Seus dedos se moviam numa cadência que beirava o desespero sem atravessá-lo. Subiam até a glande, giravam com suavidade, desciam com firmeza até a base. De novo e de novo, com a paciência de quem tem todo o tempo do mundo e nenhuma pressa de chegar a lugar algum. Fiquei quieto, ainda com os braços abertos, o pau palpitando nas mãos dela, e deixei que a sensação me preenchesse sem empurrar contra ela. Em certo momento, inclinou-se e cuspiu sobre a glande, um fio de saliva que escorreu pelo tronco e ela espalhou com a palma, misturando saliva e óleo.
É isso que significa ser a estrelinha-do-mar: receber sem conduzir, existir no prazer sem administrá-lo. Não é tão fácil quanto parece para alguém acostumado a ditar o ritmo.
***
Quando inclinou a cabeça, fez isso sem aviso. A língua encontrou a glande com a precisão de quem conhece bem o caminho, e o primeiro contato foi quase uma pergunta: assim? A resposta que saiu de mim não foi das que a gente planeja.
— Assim — falei. — Chupe exatamente assim.
Ela sorriu com os lábios ainda em contato. Eu percebi. Depois pôs a língua para fora e me lambeu dos ovos até a ponta, uma lambida longa, plana, deliberada. Repetiu o trajeto três vezes, parando a cada vez na coroa para dar uma volta completa com a ponta da língua. Depois enfiou a glande inteira na boca e a manteve ali, imóvel, trabalhando apenas com a língua contra o freio. Senti suas bochechas se inflarem ao chupar, senti formar-se uma sucção constante que subia pela minha coluna.
O que veio depois não foi rápido. Cristina aplicou a mesma lógica da massagem: explorar antes de concluir, construir a tensão antes de resolvê-la. Desceu devagar, engolindo-me até a metade, e continuou descendo pouco a pouco, até eu sentir a garganta dela se abrir ao redor do pau. Ficou assim por alguns segundos, sem tossir, com o nariz quase tocando meu ventre, e, quando subiu, fez isso com uma lentidão teatral, arrastando os lábios apertados por todo o tronco e deixando um fio de saliva pendurado no queixo.
A língua desenhava trajetos que eu não teria conseguido prever, voltava ao mesmo ponto e depois o abandonava, alternava a pressão, mudava o ritmo justamente quando eu achava ter encontrado o padrão. Às vezes tirava meu pau inteiro da boca só para cuspir nele e voltar a enfiá-lo até o fundo. Às vezes deixava-o para fora e lambia meus ovos um por um, colocava-os na boca com cuidado e puxava bem de leve.
Com uma mão, continuava se movendo devagar, dois dedos na base como um anel apertado enquanto os lábios trabalhavam acima. Com a outra, acariciava a parte interna da minha coxa, sem pressa, ou descia para brincar com os próprios seios por baixo do sutiã, beliscando os mamilos enquanto me chupava, como se o tempo fosse um detalhe menor.
Em algum momento, parei de pensar na técnica e simplesmente fiquei ali, de boca aberta e olhos semicerrados, vendo o pau desaparecer e reaparecer entre os lábios dela.
— Para — falei, quando senti o limite se aproximar demais, quando meus ovos já começavam a ficar tensos. — Ainda não.
Ela levantou a cabeça e me olhou. Seus lábios estavam inchados, úmidos de saliva e de mim, e sua expressão era difícil de definir. Concentração, talvez. Ou o prazer próprio de quem está no controle. Provavelmente as duas coisas ao mesmo tempo. Um fio de saliva ainda ligava sua boca à ponta do meu pau.
— Quanto tempo mais? — perguntou, passando a língua pelo canto da boca. — Porque para mim também está ficando demorado. Estou com a boceta encharcada só de olhar para você.
— Só mais um pouco — respondi.
E ela aceitou sem questionar. Enfiou uma mão dentro da calcinha, sem parar de me olhar, e começou a se acariciar enquanto esperava. Eu gostava disso também: ela entendia o jogo, encontrava o próprio prazer em construir o meu daquele jeito tão lento e deliberado.
***
Ela voltou com a mão. O polegar sobre a glande, movimentos circulares muito suaves e oleosos, como se desenhasse algo que só ela podia ver. A sensação era diferente de antes: mais concentrada, mais intensa num único ponto. Ergui os olhos para o teto e senti algo relaxar nos meus ombros, na mandíbula, em todos os lugares onde guardo tensão sem perceber. O pau pulsava sozinho sob o polegar dela, dando pequenos saltos que ela observava com um sorriso satisfeito.
— Como você está se sentindo? — perguntou, sem parar, apertando o punho devagar na base e soltando-o no ritmo das minhas pulsações.
— Muito bem — falei, e era a resposta mais insuficiente que eu havia dado em muito tempo.
— Quero que você goze na minha boca — acrescentou, muito tranquila. — Tudo. Não guarde nada.
Ela riu baixinho e voltou a se inclinar. Dessa vez foi direta: tomou meu pau inteiro na boca e desceu com uma lentidão calculada até a base, engolindo-me até o nariz se apertar contra meu ventre; depois subiu com a mesma deliberação. Para cima e para baixo, encontrando um ritmo quase hipnótico, chupando com força na subida, relaxando a boca na descida. Seus dedos continuaram trabalhando ao mesmo tempo, sincronizados com a boca, enquanto a outra mão embalava meus ovos, apertando-os bem de leve. O conjunto foi tão completo e exato que perdi toda a capacidade de pensar em qualquer outra coisa.
— Não para — falei, agarrando o cabelo dela pela primeira vez em toda a tarde. — Eu vou gozar. Não para.
Ela não parou. Acelerou só um pouco, o suficiente, e enfiou um dedo entre minhas nádegas, pressionando naquele ponto exato atrás dos ovos que me fez erguer os quadris do sofá.
O fim chegou com uma clareza que raras vezes sinto: não de repente, não de forma inesperada, mas como algo que se constrói durante muito tempo e chega exatamente quando tem que chegar. Senti-o subir de algum lugar profundo enquanto ela continuava se movendo, sem alterar o ritmo, sem se apressar, e, quando chegou, foi longo, físico e completamente real. Gozei em jatos dentro da boca dela, um espasmo após o outro, e senti como ela engolia cada descarga sem tirar meu pau da boca, como sua garganta se movia ao redor da glande cada vez que um jorro de sêmen saía bombeando. Quatro, cinco vezes. Não sei quantas. Só sei que ela não se afastou, que engoliu tudo, que continuou chupando bem devagar mesmo quando já não saía mais nada, tirando de mim até a última gota.
Ela esperou. Continuou com a mão muito suave no tronco, prolongando o momento, a boca ainda fechada ao redor da glande hipersensível, até o último tremor passar. Não parou antes da hora. Isso ela também fez direito. Mais que direito.
Quando finalmente me soltou, deu um pequeno beijo molhado na ponta. Ela limpava os lábios com as costas da mão enquanto eu ainda estava de olhos fechados. Ouvi-a se levantar, sair por um instante e voltar. Depois senti uma toalhinha úmida na pele, passando com cuidado pelo meu pau ainda sensível, pelos ovos e pela virilha.
***
Quando abri os olhos, Cristina estava sentada ao meu lado, com as pernas cruzadas e aquela expressão tranquila de quem acabou de fazer algo bem feito e sabe disso. Ainda usava a calcinha, com uma mancha escura de umidade marcada no centro, denunciando que ela também tinha aproveitado. Limpou-me sem dizer nada, com a mesma calma com que havia feito todo o resto. Depois me deu um beijo na boca, curto e sem pressa, e ainda senti o gosto de mim nos lábios dela.
— Tudo bem? — perguntou.
— Muito bem — falei outra vez. Dessa vez a resposta era menos insuficiente.
Fiquei deitado por algum tempo sem me mexer, ainda com os braços abertos, olhando para o teto da sala. Lá fora, a tarde continuava igual ao que era antes. Lá dentro, tudo tinha aquele peso satisfeito das coisas que saem exatamente como a gente precisava que saíssem.
Pensei que não havia feito nada durante toda a tarde além de ficar quieto e receber, e que justamente isso tinha sido o mais difícil. Parar de administrar. Parar de antecipar. Confiar que o que ela quisesse fazer seria suficiente, mais que suficiente, melhor do que eu teria planejado.
Não sei muito bem quem aprendeu mais naquela tarde. Mas sei que Cristina, sentada ao meu lado com os braços apoiados nos joelhos e aquele sorriso que nunca desaparece por completo, tinha aproveitado tanto quanto eu. À maneira dela, no ritmo próprio, encontrando prazer em cada pequena decisão que havia tomado sozinha. Em certo momento, levou a mão para dentro da calcinha, quase por distração, e a tirou brilhante. Colocou-a sob o meu nariz sem dizer nada.
— Da próxima vez — falei, depois de lamber seus dedos um a um — você é a estrelinha-do-mar. E vou comer sua boceta até você me implorar para parar.
Ela mordeu o lábio. Não disse nada, mas em seu silêncio havia uma resposta completa.
Eu conto quando chegar a hora. Prometo que vai valer a pena.