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Relatos Ardientes

Me animei a provar sozinha o que tanto imaginava

A ideia ficava rodando na minha cabeça havia dias. Não era algo novo, na verdade: eu havia pensado nisso muitas noites, antes de dormir, quando a casa ficava em silêncio e eu permanecia olhando para o teto com aquela inquietação morna entre as pernas. Mas pensar e fazer eram coisas diferentes, e até aquela tarde de domingo eu nunca tinha me animado de verdade.

Eu tinha um brinquedo guardado no fundo da gaveta, embaixo de uma pilha de roupas que eu nunca usava. Tinha comprado pela internet meses antes, num impulso de curiosidade, e desde então o olhava mais do que o usava. Era em formato de pênis, nem grande demais nem pequeno demais, na medida certa para a ideia me intimidar um pouco. Naquela tarde, finalmente, decidi parar de olhar para ele.

Eu estava sozinha. Minhas colegas de apartamento tinham ido embora no fim de semana e só voltariam na segunda-feira. Eu tinha a casa toda para mim, todo o tempo do mundo e, acima de tudo, a certeza de que ninguém iria me interromper. Tranquei a porta do meu quarto com a tranca, mais por costume do que por necessidade, e senti o coração acelerar antes mesmo de começar.

A primeira coisa foi me preparar. Entrei no chuveiro e deixei a água quente relaxar meus ombros, que sempre carregam a tensão da semana. Me lavei devagar, com calma, aproveitando o momento como se fosse um ritual. Eu sabia que queria experimentar algo que nunca tinha conseguido de verdade, e não queria me apressar. Queria fazer direito.

Levei meu tempo com a higiene. Se fosse brincar com o meu cu, queria estar tranquila, sem nada para me tirar do momento depois. Usei água morna, paciência e várias passadas até ficar satisfeita. Depois lavei o brinquedo com sabão neutro, enxaguei bem e o deixei secando sobre uma toalha limpa. Cada passo me deixava um pouco mais nervosa e um pouco mais excitada ao mesmo tempo.

Ainda no banheiro, tentei me abrir um pouco com os dedos. Apoiei-me na pia, respirei e fui devagar. Mas meus dedos são finos e, por mais que eu insistisse, não conseguia sentir o que buscava. Então experimentei com a ponta do brinquedo, apenas um roçar, e doeu. Parei na hora. Não é assim, pensei. Não com pressa, não em pé, não com as costas frias contra os azulejos.

Voltei a lavá-lo, me sequei e fui para o quarto. Ali eu ficaria mais confortável, mais eu, e meu corpo responderia melhor.

***

Deitei na cama, de barriga para cima, com dois travesseiros sob as costas para me apoiar um pouco. A luz da tarde entrava filtrada pela cortina e deixava o quarto numa penumbra dourada de que eu gostava. Estiquei a mão até a mesinha e peguei o lubrificante. Dessa vez eu não pensava em economizar.

Coloquei uma boa quantidade nos dedos e comecei a me tocar por fora, sem entrar, só acariciando, deixando o corpo se acostumar com a ideia. Fechei os olhos. Deixei a respiração ficar mais lenta e mais profunda. Pouco a pouco, o primeiro dedo entrou sem resistência, e dessa vez não doeu. Dessa vez foi bom.

Brinquei assim por um tempo, sem pressa, ouvindo a minha própria respiração. Quando senti que estava pronta, peguei o brinquedo, passei mais lubrificante do que achava necessário e o encostei devagar. Empurrei só um pouco. A ponta entrou. Esperei. Empurrei mais um pouco, e depois mais um pouco, recuando quando o corpo se tensionava, avançando quando relaxava. Era uma dança de paciência e desejo.

E então, quase sem perceber, ele entrou por completo.

Minhas pernas tremeram. Não exagero: senti-as tremer de verdade, uma corrente que subiu das coxas até o ventre. Fiquei quieta por alguns segundos, surpresa comigo mesma, por ter conseguido, por como aquela sensação de preenchimento se sentia bem, algo que eu nunca tinha alcançado antes. Soltei o ar que nem sabia que estava prendendo e ri sozinha, contente, quase incrédula.

Comecei a movê-lo devagar. Vai e vem, suave, descobrindo o ritmo de que eu gostava. Tentei formas diferentes: mais fundo, mais superficial, mais rápido, mais lento. Cada variação me arrancava uma sensação distinta. Mas o que mais me acendeu foi outra coisa.

Ergui-me e sentei sobre o brinquedo, deixando meu próprio peso afundá-lo em mim. Com uma mão eu me sustentava, com a outra comecei a tocar o clitóris em círculos lentos. A combinação me cortou a respiração. Era demais e era perfeito. Liguei o celular, procurei um vídeo e me deixei levar enquanto na tela uma garota gemia entre dois homens.

Subi e desci sobre o brinquedo no meu próprio ritmo, marcando eu mesma o compasso, dona de cada movimento. Os dedos não paravam de desenhar círculos sobre o meu clitóris, cada vez mais rápido, cada vez com mais pressão. Sentia o calor se concentrando, se acumulando num ponto, pronto para explodir.

O orgasmo me veio como uma onda sem aviso. Apertei-me contra o brinquedo, joguei a cabeça para trás e deixei o corpo inteiro ser sacudido, com as coxas tremendo de novo e um gemido que escapou sozinho. Demorei a me recuperar. Quando consegui, fiquei estirada na cama, suada, ofegante e com um sorriso bobo que não saía do rosto. Naquela noite dormi como fazia tempo não dormia.

***

Não tirei a ideia da cabeça durante a semana inteira. Todas as noites, antes de dormir, eu voltava a essa lembrança, a esse tremor, e novas coisas me vinham à mente. A curiosidade, uma vez despertada, não volta a dormir tão fácil. E eu tinha outro brinquedo esperando na gaveta.

No domingo seguinte repeti o ritual. O banho longo, a calma, a limpeza paciente. Mas dessa vez eu tinha um plano mais ambicioso: queria saber como era ter algo em cada lugar ao mesmo tempo. Eu havia imaginado isso tantas vezes que quase já conhecia a sensação, embora nunca a tivesse vivido.

Preparei as coisas sobre a cama. O brinquedo em forma de pênis, o lubrificante e umas bolas chinesas que eu tinha comprado no mesmo impulso que o resto e que também nunca tinha estreado de verdade. Fiquei um tempo olhando para elas, pesando a ideia. Depois respirei, sorri e me disse que era para isso que eu estava sozinha em casa.

Comecei como da vez anterior. Nessa segunda vez meu corpo já sabia o caminho; não havia mais medo nem dor, só vontade. Coloquei bastante lubrificante e, dessa vez, o brinquedo deslizou com uma facilidade que me surpreendeu. Entrava e saía como se fizesse isso a vida inteira. A sensação era completamente diferente da primeira vez: agora tudo era escorregadio, fácil, fluido.

Me ocorreu virar de posição. Fiquei de lado e depois de bruços, deixando o brinquedo prensado entre o colchão e o meu próprio peso. Assim, toda vez que mexia os quadris, eu o sentia afundar e recuar sem precisar segurá-lo com a mão. Eu tinha as duas mãos livres, e isso abria um mundo de possibilidades.

Foi então que peguei as bolas chinesas. Voltei a me deitar de costas, com os joelhos dobrados, e as introduzi devagar pela vagina, uma por uma, até senti-las dentro de mim, me preenchendo de um jeito novo. Não as movi. Deixei-as ali, paradas, enquanto voltava a balançar os quadris para que o outro brinquedo retomasse seu vai e vem.

A sensação de ter algo em cada lugar ao mesmo tempo me ultrapassou. Era como se todo o meu corpo estivesse ocupado, atendido, desperto. Liguei de novo um vídeo no celular, apoiei-o no travesseiro e comecei a me tocar no clitóris enquanto os sons da tela se misturavam à minha própria respiração entrecortada.

Me movi mais rápido. Os quadris marcavam um ritmo, os dedos outro, e tudo se sincronizava numa espiral que crescia sem parar. Eu sentia as bolas chinesas pressionando por dentro cada vez que eu apertava, e o outro brinquedo respondendo a cada giro dos meus quadris. Não havia um único ponto do meu corpo que não estivesse pedindo mais.

Não vou mentir para vocês: cheguei a um orgasmo ainda mais intenso que o primeiro. Arqueei o corpo sobre a cama, mordi o lábio para não gritar por puro hábito, embora não houvesse ninguém que pudesse me ouvir, e me deixei levar até o fim. Quando tudo passou, fiquei imóvel, respirando forte, com o corpo mole e a cabeça vazia de tudo que não fosse aquela sensação.

***

Demorei bastante para me mexer. Quando finalmente me movi, recolhi minhas coisas, lavei tudo com calma e voltei a guardá-las na gaveta, dessa vez sem escondê-las tanto. Já não eram um segredo de que eu me envergonhava. Eram algo meu, algo que eu havia descoberto sozinha, no meu ritmo, sem pressa e sem ninguém me dizendo como.

Fiquei um tempo deitada, pensando em como eu estava longe daquela primeira tarde em que a ponta me doía e eu parava depois de poucos segundos. Em como o desejo, quando a gente se permite, encontra o caminho. Em tudo o que ainda me restava experimentar.

E era isso que eu queria contar a vocês. O que começou como uma curiosidade guardada no fundo de uma gaveta acabou se tornando uma das melhores formas que encontrei de me conhecer. Às vezes a melhor companhia é a própria pessoa, uma tarde livre e a vontade de descobrir do que seu próprio corpo é capaz quando você deixa de ter medo dele.

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