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Relatos Ardientes

Minha fantasia mais secreta, eu a realizei estando sozinha

Não me lembro do dia exato em que a ideia entrou na minha cabeça. Foi uma daquelas ideias que aparecem sem pedir licença, enquanto eu lavava roupa e pendurava as peças no varal. Eu tinha uma prendedor entre os dedos, apertei-o distraidamente contra a ponta do dedo e senti aquela fisgada breve, aquela mordidinha pequena. E então pensei algo que me fez rir sozinha no meio do quintal: como seria em outra parte?

A ideia não foi embora. Ficou rondando o dia inteiro, dando as caras nos momentos mais bobos. Enquanto eu cozinhava. Enquanto eu tomava banho. À noite, quando me deitei e a casa ficou em silêncio, ela ainda estava ali, insistente, me aquecendo devagar.

Sou curiosa por natureza. Sempre fui. Não gosto de ficar com dúvida em relação às coisas, e aquela dúvida em particular tinha um peso especial entre as pernas. Então me levantei, fui até o cesto dos prendedores e escolhi dois. De madeira, dos antigos, com a mola mais macia que os de plástico.

De volta ao quarto, tirei a camiseta e fiquei sentada na beira do colchão, observando-os como se fossem falar comigo. Ri de mim mesma de novo. E então, antes de pensar demais, abri um e o deixei se fechar sobre meu mamilo esquerdo.

O primeiro instante doeu. Uma dor aguda, elétrica, que me fez prender o ar. Quase tirei na mesma hora. Mas esperei. Respirei. E descobri que a dor aguda se transformava em outra coisa, num calor surdo que pulsava no ritmo do meu pulso e que, por algum motivo que eu não entendia direito, se ligava diretamente a um formigamento entre as coxas.

Experimentei com o outro. Dessa vez soube esperar. Aprendi que, se eu o colocasse um pouco mais acima, na borda da aréola em vez do centro, a pressão era firme, mas não cruel. Uma mordida constante, presente, impossível de ignorar.

Deitei-me com os dois prendedores no lugar e me toquei.

Não precisei de mais nada. Levei a mão para baixo, encontrei meu clitóris já inchado e comecei a esfregá-lo em círculos rápidos. Cada movimento dos meus dedos lá embaixo parecia puxar um fio invisível que ia parar nos meus seios, e toda vez que eu me remexia na cama, os prendedores se apertavam um pouco e mandavam aquela descarga de calor por todo o meu corpo. Dor e prazer deixaram de ser duas coisas separadas. Se misturaram, se confundiram, e eu gozei mais forte do que me lembrava de ter gozado em muito tempo.

Fiquei estirada, com o coração golpeando minhas costelas e um sorriso idiota no rosto. Eu tinha acabado de descobrir algo. Ainda não sabia o quanto.

***

Alguns dias se passaram. A rotina me engoliu, como sempre, mas a ideia não desapareceu: apenas se transformou. Se um prendedor em cada mamilo tinha sido tão bom assim, minha mente curiosa e safada começou a se perguntar o que mais eu podia experimentar. A imaginação é um animal faminto, e o meu já tinha provado sangue.

Aquela noite, tranquei a porta mesmo morando sozinha, por puro ritual, pelo prazer de sentir que aquilo era um segredo que pertencia só a mim. Apaguei a luz principal e deixei acesa a luminária de cabeceira, aquela luz morna e alaranjada que torna tudo mais íntimo.

Comecei pelo que já conhecia. Os dois prendedores nos mamilos, colocados com a paciência de quem já sabe o que está fazendo. Mas, desta vez, eu tinha um plano mais ambicioso. Tirei da gaveta meu vibrador, o de formato realista, aquele que guardo enrolado num lenço como se fosse um tesouro vergonhoso.

Ajoelhei-me sobre a cama, com o peito para baixo e o quadril para cima, e me dediquei a um território que até então só tinha tocado de raspão por acidente. Passei bastante lubrificante, muito, sem economizar, e comecei a pressionar o brinquedo contra meu ânus.

No começo, o corpo resiste. É um instinto, um fechamento automático. Mas aprendi a respirar devagar, a soltar a tensão na expiração, a não ter pressa. E de repente cedeu. O vibrador entrou alguns centímetros e eu soltei um gemido contra o travesseiro que me surpreendeu até a mim mesma.

Não doía. Ou doía, mas era aquela dor da qual eu já tinha me tornado viciada, aquela que vive exatamente na fronteira do prazer. Comecei a movê-lo devagar, para dentro e para fora, e cada empurrão acendia uma nova área do meu corpo, um nervo que eu não sabia que tinha. Os prendedores puxavam meus mamilos a cada vai e vem. Era demais e não era o suficiente, tudo ao mesmo tempo.

Joguei-me de costas, ofegante, com o brinquedo ainda dentro. E então me ocorreu a loucura definitiva.

***

Eu tinha mais dois prendedores na gaveta. Peguei-os com os dedos trêmulos.

Com as pernas abertas sob a luminária, com o vibrador ainda enterrado no meu cu, afastei os lábios da vulva com uma mão e, com a outra, fui colocando um prendedor em cada um deles. Devagar. Com cuidado. Esperando entre um e outro para que o corpo se acostumasse.

O efeito foi imediato e brutal. Eu tinha o corpo inteiro ligado em sensações por todo lado: a fisgada constante dos mamilos, a pressão que abria meu sexo e o mantinha exposto, o peso do brinquedo me preenchendo por trás. Nunca me senti tão aberta, tão oferecida, ainda que não houvesse ninguém olhando. Ou talvez justamente por isso. Porque era eu me entregando a mim mesma, sem pudor, sem testemunhas, sem precisar pedir permissão nem dar explicações.

Liguei o celular e procurei um vídeo, qualquer um, só pelo som, pelas vozes, pela ideia de que em algum lugar do mundo havia outros corpos fazendo a mesma coisa que eu. E comecei a tocar meu clitóris enquanto mantinha todo o resto no lugar.

O que veio depois não tenho palavras justas para descrever. Foi um avalanche. Cada terminação nervosa do meu corpo gritava ao mesmo tempo, e eu continuava me esfregando, cada vez mais rápido, cada vez mais desesperada, até que o prazer se acumulou num ponto impossível de sustentar e explodiu.

Gozei com tanta força que precisei morder o lençol para não acordar metade da vizinhança. Minhas pernas tremiam sozinhas, fora do meu controle, e um líquido morno encharcou o colchão sob mim. Nunca tinha acontecido algo assim. Nunca tinha chegado a esse lugar.

Fiquei destruída, com o corpo mole e a respiração quebrada, tirando os prendedores um a um. Cada vez que eu abria um, o sangue voltava de uma vez à região e isso também tinha seu próprio pequeno prazer, aquele formigamento da volta. Tirei o brinquedo com cuidado e me deixei cair de lado, abraçada ao travesseiro.

***

Fiquei muito tempo assim, acordada na penumbra, repassando o que acabara de descobrir sobre mim. E a conclusão veio clara, sem rodeios: eu gostava mais por trás do que por diante.

Pensei nisso e dei risada, porque soava como uma confissão escandalosa, e acho que era mesmo. A vida toda eu tinha dado por certo que o prazer seguia um caminho, e o meu tinha atalhos que eu nem suspeitava. A penetração anal, aquela que tanta gente olha de lado, aquela de que se fala em sussurros, era o que me deixava com a cabeça em branco.

Mas, claro, eu tinha chegado a essa conclusão brincando sozinha, com um pedaço de silicone e a minha própria paciência. E a curiosidade continuava ali, aquele animal que nunca dorme, me fazendo a pergunta inevitável: será igual com alguém de verdade? Seria diferente o peso de um corpo real sobre o meu, o calor de outra pele, uma respiração na minha nuca marcando o ritmo? Eu gostaria ainda mais, ou a excitação murcharia assim que deixasse de ser meu segredo?

Eu não tinha resposta. E, sinceramente, parte do prazer estava justamente nisso, em não tê-la, em imaginar todas as versões possíveis daquela noite com um protagonista diferente a cada vez. A fantasia vivia precisamente nesse espaço entre o que eu já sabia e o que ainda não me atrevia a experimentar.

Levantei-me para beber água, nua, atravessando a casa no escuro com uma nova calma no corpo. Eu me sentia diferente. Mais minha. Como se tivesse aberto uma porta que ficava fechada havia anos e, atrás dela, em vez de um monstro, tivesse encontrado uma versão de mim de que eu gostava bastante.

Voltei para a cama e guardei os prendedores na gaveta, junto com o vibrador enrolado no lenço. Meus pequenos cúmplices. Sorri no escuro pensando na próxima vez, porque, sem dúvida, haveria uma próxima vez, e em todas as que viriam depois.

Há quem precise de companhia para se descobrir. Eu me bastava, numa noite qualquer, com um punhado de prendedores de varal e a coragem de não tirar a mão quando o corpo me pedia mais. E se aprendi alguma coisa naquela noite é que a curiosidade, aquela que tantas vezes nos ensinam a calar, às vezes é a melhor amante que uma mulher pode ter.

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