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Relatos Ardientes

O que ele fazia sozinho no motel da estrada

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Diego vinha trabalhando havia quase três anos como programador em uma consultoria no centro e, nesse tempo, aprendera uma coisa sobre si mesmo: a rotina o asfixiava lentamente se ele não abrisse uma válvula de vez em quando. A dele era discreta, pessoal, inofensiva para qualquer um que não fosse ele. Uma vez por mês, quando o estresse do trabalho e a convivência com os colegas de apartamento se tornavam insustentáveis, ele reservava uma tarde para si mesmo.

Não era complicado. Saía do escritório às seis, pegava o anel viário em direção oeste e dirigia por quarenta minutos até os arredores da cidade. Sem GPS, sem rota marcada: o caminho estava gravado no corpo depois de tantas vezes. Pagava em dinheiro. Subia sozinho. Descia duas horas depois com os ombros baixos e a cabeça limpa, como se tivesse dormido oito horas seguidas.

Era o seu ritual. E ele o protegia como se protege qualquer coisa que funciona.

***

O Motel Ruta 9 não tinha nada que o diferenciasse por fora: uma placa de neon com metade das letras apagadas, um estacionamento de brita, um balcão atendido por um homem de meia-idade que nunca levantava os olhos do celular. Diego encontrara o lugar por acaso, depois que o de sempre fechou para reforma. Uma avaliação num fórum o mencionava de forma lacônica como «equipado para uso privado». Aquela frase bastou.

Na primeira vez entrou desconfiado. Na segunda, curioso. Desde então, o quarto 14 — o do fundo do corredor, longe da máquina de café e do elevador — era quase dele.

Naquela tarde de terça-feira, enquanto o recepcionista lhe devolvia o troco sem olhá-lo, Diego pegou a chave com a naturalidade de quem recolhe a correspondência na caixa de correio. Subiu as escadas, avançou pelo corredor acarpetado e abriu a porta.

O quarto o recebeu com sua escuridão familiar.

As persianas grossas bloqueavam quase toda a luz de fora, e as luminárias de parede emitiam um brilho quente e ambíguo — entre laranja e marrom — que suavizava os contornos dos móveis e fazia tudo parecer mais íntimo do que era. A cama era ampla, com lençóis escuros de aparência limpa. Na escrivaninha do canto havia um console audiovisual: tela plana, leitor de disco, conexão à internet por cabo e um menu de opções que ele já conhecia de cor.

Deixou a jaqueta na cadeira. Tirou os sapatos. Colocou o celular no silencioso e o pousou de bruços no criado-mudo. Ninguém o procurava. Ninguém sabia onde ele estava. Durante as próximas duas horas ele era, enfim, completamente livre.

Despediu-se da roupa com calma. A camiseta primeiro, depois o jeans, as meias e, por fim, a cueca. O pau pendia entre as pernas, já meio desperto pela antecipação, inchado e pesado contra a coxa. Ficou um momento diante do espelho de corpo inteiro que ocupava quase toda a parede do fundo. Olhou-se sem vaidade — apenas conferindo, tomando posse do espaço, o pênis engrossando lentamente sob o próprio olhar — e então se deitou sobre a cama. O tecido frio dos lençóis o recebeu e lhe arrancou um arrepio que lhe enrijeceu os ovos. Fechou os olhos por um instante e deixou que o silêncio do quarto o absorvesse por completo.

Lá fora, o rumor constante da estrada chegava amortecido, quase reconfortante.

Abriu os olhos. Pegou o controle remoto.

***

Descobrira esse tipo de conteúdo por acidente, dois anos antes, durante um daqueles percursos noturnos por fóruns de nicho. Uma categoria que não procurava. Um vídeo que no começo lhe causou incômodo, depois curiosidade, depois algo mais difícil de nomear com precisão. Era a dinâmica, dissera então a si mesmo: a tensão entre o conhecido e o proibido, o tabu como motor do desejo. Não era tão diferente de qualquer outra fantasia que funciona justamente porque existe fora dos limites do cotidiano.

Com o tempo, deixara de buscar explicação. Simplesmente funcionava, e isso bastava.

Naquela tarde escolheu uma compilação nova que aparecera no menu. Mães MILF fodendo com homens jovens. O tema de sempre. Aquele que voltava uma e outra vez com a mesma eficácia inexplicável.

Apertou play. Reclinou-se. Sua mão desceu devagar e se fechou em torno da base do pau, já totalmente duro, pulsando contra a palma.

***

A primeira cena era ambientada em algum lugar do sudeste asiático. Um quarto simples com luz quente, um ventilador de teto girando devagar, cortinas de algodão se movendo com a brisa. Uma mulher de cerca de quarenta anos — pele clara, cabelo preto longo preso de forma imperfeita, como se tivesse sido solto havia apenas um momento — estava sentada na beira de uma cama estreita, com os pés descalços apoiados no piso de madeira. Olhava para a porta com uma expressão que Diego aprendera a reconhecer: não era medo nem dúvida. Era antecipação contida.

O homem jovem que entrou por aquela porta não disse nada. Ela também não. A cena avançava em silêncio nos primeiros minutos, e isso fazia parte do que a tornava eficaz: o silêncio como acordo tácito, como rendição mútua sem palavras. Ela se levantou, caminhou até ele, pousou as mãos abertas no peito dele. Empurrou-o suavemente para a cama.

Diego sentiu o calor familiar se instalar no abdômen. Sua mão encontrou o próprio ritmo, lento no começo, subindo e descendo por toda a extensão do pau com a palma bem apertada.

A mulher na tela ajoelhou-se sobre o colchão e inclinou o tronco em direção ao homem jovem com uma lentidão que não tinha nada de desajeitada. Desabotoou a calça dele sem pressa, baixou a roupa íntima com as duas mãos e deixou à mostra um pau grosso que se ergueu de imediato contra o ventre do rapaz. Ela o observou por um segundo, quase com reverência, e então o enfiou inteiro na boca. A câmera a enquadrou de cima: os lábios fechando-se em torno da base, as bochechas afundando pela sucção, o fio de saliva escorrendo pelo queixo quando ela o tirava para respirar.

Diego apertou os dedos em torno do próprio pau. A mulher chupava com uma entrega que não admitia dúvidas, usando a língua para lamber os ovos do rapaz entre uma investida e outra, brincando com a ponta contra o interior da bochecha para que ele pudesse ver o volume se movendo sob a pele. O rapaz gemia baixo, apoiando a mão aberta na cabeça dela, sem pressionar, apenas sustentando-a ali como se ainda não acreditasse que aquilo estivesse acontecendo.

Quando ela se afastou, levou a mão ao vestido e o ergueu até a cintura. Por baixo não usava nada. A moita de pelos negros entre as coxas já brilhava de umidade. Sentou-se sobre ele, agarrou o pênis duro com dois dedos e foi guiando-o até a boceta. Desceu devagar, e quando o pau entrou até o fundo um gemido longo lhe escapou, fazendo Diego morder o lábio inferior.

A mulher começou a cavalgar com um balanço lento de quadris, as tetas — pesadas, com mamilos escuros e grandes — quicando suavemente no ritmo de cada descida. Ela se inclinava para a frente para que ele pudesse chupar um mamilo, endireitava-se para se afundar mais fundo, girava o quadril em círculos para esfregar o clitóris contra o púbis do rapaz. Todo esse repertório ela executava com a segurança de quem já fodeu muitas vezes e não tem mais nada a provar.

Diego respirou mais devagar. Seus dedos apertaram um pouco mais e ele se forçou a desacelerar. Ainda havia duas cenas e ele não queria gozar agora.

***

A segunda cena era completamente diferente em tom. Exterior, de dia. Um quintal grande com varanda de madeira e vegetação densa, a luz do meio da manhã batendo a pino em tudo. Uma mulher latino-americana — pele morena, cabelo cacheado preso num rabo de cavalo, uns quarenta e cinco anos — estava encostada no parapeito da varanda, com uma xícara na mão, quando o homem jovem apareceu atrás dela. Ela se virou ao ouvi-lo. Nenhum dos dois falou.

O que se instalou entre os dois era mais lento e mais carregado do que qualquer palavra.

Ela o olhava de um jeito específico. Ele lhe devolvia o olhar. E, nessa breve troca, cabia tudo o que a cena não precisava explicar. Caminharam juntos para o interior da casa. A porta de vidro se fechava atrás deles.

Lá dentro, sem o sol, a cena ganhava outra temperatura. Mais escura, mais urgente. Ela apoiou as palmas na bancada da cozinha, com os braços esticados e a cabeça levemente inclinada para baixo. Ele se aproximou por trás sem pressa, circundou a cintura dela com as duas mãos, ergueu a saia até a altura do quadril. Ela não usava calcinha. O traseiro moreno, redondo, tenso, oferecia-se sem pudor. Ele passou a mão aberta por uma nádega e depois pela outra, e enfiou dois dedos na boceta com um impulso seco.

— Assim — murmurou ela, com a voz rouca, virando o pescoço para trás para olhá-lo de lado.

Aquele olhar direto — sem filtro, sem atuação — foi o que sacudiu o peito de Diego. E o pau. Sentiu-o pulsar sob os dedos, apertado ao máximo, a ponta inchada e brilhante.

O rapaz tirou os dedos, enfiou-os na boca da mulher para que ela provasse o próprio sabor, e então baixou a calça. O pau apareceu comprido, curvado para cima, com as veias marcadas. Esfregou-o entre as nádegas dela primeiro, deslizando para cima e para baixo pela fenda, e depois o encaixou na boceta com um empurrão limpo que a fez arquear sobre a bancada e soltar um gemido gutural.

Começou a fodê-la assim, contra a fórmica. Sem pressa no começo, com investidas longas que faziam o pau sair quase por inteiro antes de voltar a enterrá-lo até os ovos. Ela arfava a cada golpe, empurrando o traseiro para trás para recebê-lo melhor, as tetas comprimindo-se contra o frio da bancada. Ele agarrou o rabo de cavalo dela, puxou com firmeza para fazê-la erguer a cabeça e acelerou o ritmo. O som dos quadris do rapaz chocando-se contra o rabo da mulher encheu a cozinha, um estalo úmido e regular ao qual se somavam os gemidos entrecortados dela.

Ajustou a posição na cama. O ritmo da mão se acelerou levemente, a palma escorregando pelo pau lubrificado de líquido pré-ejaculatório, um fio espesso pingando da ponta até os ovos.

A cena se prolongava de um jeito que ele apreciava: sem cortes bruscos, sem mudanças de ângulo desnecessárias. A mulher se endireitou, virou-se e empurrou o peito dele para deitá-lo de costas no chão de madeira. Sentou-se por cima, desta vez de costas para o rapaz, com os joelhos dobrados e os pés apoiados no chão. Começou a quicar sobre ele como uma amazona, o rabo moreno subindo e descendo ao longo de toda a extensão do pau, a câmera acompanhando por trás cada descida, cada aperto. O rapaz agarrava as nádegas dela com as duas mãos, abria-as para ver melhor como o pau entrava e saía, e dava tapas secos que deixavam a pele avermelhada.

De vez em quando ela continuava a olhá-lo por cima do ombro, e eram esses olhares que mais afetavam Diego. Não apenas a mecânica explícita dos corpos, mas esse contato visual sustentado, sem pudor, sem fingimento, enquanto se deixava foder por um rapaz vinte anos mais jovem.

***

A terceira cena era a mais longa do conjunto. Europeia, a julgar pela arquitetura visível pela janela: telhados escuros, céu nublado, a luz acinzentada de uma tarde de inverno. O interior do quarto compensava esse frio com excesso: luminárias de piso acesas, uma cama com cabeceira alta e antiga, roupa de cama cor de creme levemente amassada.

A mulher tinha cerca de quarenta anos, cabelo castanho-claro preso num coque imperfeito, com aquela beleza tranquila de quem não se esforça para tê-la. Estava lendo, deitada na cama, quando o homem jovem entrou. Ela ergueu os olhos do livro. Não se surpreendeu.

— Fecha a porta — disse —. E tira a roupa. Toda.

Ele obedeceu. Despiu-se de pé, desajeitado no começo, e, quando terminou, a mulher o percorreu inteiro com o olhar, detendo-se sem qualquer vergonha no pau que começava a se erguer só de ser observado daquele jeito.

— Vem aqui. De joelhos.

O rapaz se aproximou, ajoelhou-se ao lado da borda da cama. Ela deixou o livro no criado-mudo, se incorporou e abriu lentamente o robe que usava. Por baixo estava nua: seios generosos com mamilos rosados e eretos, ventre macio, um triângulo de pelos castanho-claros entre as coxas. Agarrou a cabeça do rapaz com as duas mãos e o guiou até a boceta.

— Me come. Devagar. Eu te aviso quando puder acelerar.

O rapaz enterrou o rosto entre as coxas dela e começou a lamber. A mulher afastou mais as pernas, recostou-se sobre os cotovelos e foi dando instruções com a voz baixa, precisa, sem nenhuma pressa.

— A língua reta. Mais em cima. Isso. Não, não enfia os dedos ainda. Só a língua.

Diego lambeu os lábios sem perceber. Sua mão subia e descia num ritmo firme, apertando abaixo da glande a cada passada. Adorava aquela dinâmica: a mulher tomando o controle, marcando o compasso, corrigindo cada movimento. Não com agressividade, mas com a autoridade tranquila de quem tomou uma decisão e já não tem mais nenhuma dúvida sobre ela.

Depois de vários minutos assim, quando a respiração do rapaz já começava a ficar entrecortada, a mulher puxou-o pelos cabelos para cima e lhe fez erguer o rosto. A boca e o queixo dela brilhavam de fluido. Ela se lambeu, como se degustasse antecipadamente, e se virou para ficar de quatro sobre o colchão.

— Agora. Mete até o fundo. Não se contém.

O rapaz subiu na cama atrás dela, agarrou-lhe os quadris com as duas mãos e lhe enfiou o pau com um único empurrão. Ela soltou um gemido longo, quase triunfal, e enterrou o rosto no travesseiro. Ele começou a fodê-la com investidas profundas, todo o peso do corpo inclinado para a frente, o som das bolas batendo contra o clitóris dela marcando cada golpe.

A mulher erguia o rosto do travesseiro para dar instruções entre arfadas:

— Mais forte. Puxa meu cabelo. Isso, assim. Não para.

O rapaz puxou-lhe o coque até soltá-lo, passou o braço por baixo do pescoço dela e a ergueu parcialmente até colar as costas dela ao peito, sem deixar de fodê-la por trás. Nessa posição, ela podia levar a mão ao clitóris e esfregá-lo enquanto ele a metia com força. Os dois corpos já se moviam num ritmo que Diego sentiu quase como seu.

Percebeu que a respiração ficara mais superficial. O calor no abdômen subira em direção ao peito. Apertou os dedos. Sua mão voou, escorregando pelo pau encharcado, os ovos se contraindo contra a base, prontos.

Na tela, a mulher se deitou de costas, abriu as pernas o máximo que pôde e disse ao rapaz para gozar dentro. Ele aguentou mais alguns segundos, fodeu-a com investidas rápidas e desesperadas e, quando chegou ao orgasmo, afundou até o fundo e ficou ali, tremendo, enquanto ela lhe arranhava as costas e gemia sentindo-o jorrar dentro dela. Quando o rapaz saiu, um jato espesso de sêmen escorreu da boceta da mulher sobre o lençol creme.

***

O orgasmo de Diego chegou sem aviso prévio, como sempre chegavam os melhores. Não foi um acúmulo gradual, mas uma ruptura: um instante em que o corpo deixou de obedecer e tomou o controle por conta própria. Sentiu primeiro a contração profunda no abdômen — uma pressão intensa que lhe roubou o fôlego — e depois o calor subindo depressa pelo interior do pau, irreversível. Goçou com força, jato após jato, o primeiro disparando até o peito, os seguintes escorrendo quentes pelos nós dos dedos e descendo até os ovos. O corpo se sacudia em espasmos curtos e densos, a mão sem parar, espremendo o pênis até a última gota, até que cada contração se esgotou por si só e restou apenas o pulso residual, surdo, na base.

Depois ficou imóvel.

O peito subia e descia. O pau, ainda duro, pulsava sobre o abdômen besuntado de sêmen. A tela continuava reproduzindo, mas o som lhe chegava distorcido, como vindo de outro quarto. A luz quente das lâmpadas banhava o teto, e Diego o fitou fixamente por vários minutos sem pensar em nada concreto. Essa era a parte que mais valorizava no ritual: aquele silêncio posterior, aquela sensação de ter esvaziado o ruído da cabeça junto com todo o resto.

O corpo leve. A mente, quieta pela primeira vez em semanas.

***

Se limpou sem pressa, usando os lenços umedecidos que o motel deixava sempre no criado-mudo — havia um pequeno pacote premium, como se o estabelecimento soubesse exatamente para que as pessoas vinham. Passou um no abdômen, outro na mão, um terceiro no pau, já mole e sensível ao toque. Vestiu-se devagar: cueca, jeans, camiseta, meias. Pegou o celular e o desbloqueou. Quatro notificações do trabalho, uma mensagem da colega de apartamento perguntando se ele ia trazer leite. Nada urgente. Nada que não pudesse esperar dez minutos a mais.

Olhou a tela do console uma última vez antes de apagá-la. O menu inicial, com suas categorias e miniaturas estáticas, a promessa muda de outra tarde como aquela.

Saiu do quarto, fechou a porta e devolveu a chave na recepção. O recepcionista murmurou algo que poderia ter sido «boa noite» ou simplesmente um som. Diego respondeu com um leve aceno de cabeça e empurrou a porta de vidro para fora.

O ar da noite estava fresco e cheirava a terra molhada. Tinha chovido enquanto ele estivera lá dentro. As poças do estacionamento refletiam o neon quebrado da placa. Caminhou até o carro, sentou-se ao volante e esperou um momento antes de dar partida, sem razão concreta, apenas deixando que o silêncio do carro se assentasse sobre ele.

Olhou para o motel de onde estava: a fachada sem graça, as janelas com as persianas fechadas, a placa que piscava em intervalos irregulares. Não era um lugar bonito. Não precisava ser. Era um lugar funcional, discreto, sem perguntas. Isso era exatamente tudo o que ele precisava.

Ligou o motor e entrou na estrada. Quarenta minutos de volta, o trânsito já mais tranquilo àquela hora. No rádio, um programa de entrevistas que ele não ouviu. Tinha a cabeça limpa, os ombros baixos, o corpo pesado daquele jeito gostoso que só se tem depois de dormir bem ou de ter gozado até o fim.

Enquanto entrava na rodovia, já sabia quando voltaria. Não naquela semana nem na seguinte. Mas em breve. Cada vez que fazia aquilo pensava, quase por hábito, que talvez um dia deixasse de precisar. Que encontraria outra saída ou que o costume se dissolveria sozinho. Mas o mês passava, o estresse voltava, e a ideia do motel retornava com a mesma clareza de sempre, pontual e sem apologia.

Então ele voltaria. O quarto estaria igual: escuro, silencioso, com os lençóis recém-trocados e a tela esperando. E ele chegaria no horário, pagaria em dinheiro e subiria as escadas sem olhar para ninguém. Duas horas sozinho, completamente livre de tudo o que o mundo esperava que ele fosse. Nada mais. Nada menos.

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