Um ano de cibersexo e, finalmente, quis ver o rosto dele
Havia quase um ano que nos despíamos diante da câmera sem nos conhecermos. Quando entrei na cafeteria e me sentei ao lado dele, nós dois ficamos sem ar.
Havia quase um ano que nos despíamos diante da câmera sem nos conhecermos. Quando entrei na cafeteria e me sentei ao lado dele, nós dois ficamos sem ar.
Demorou quarenta e oito horas para chegar. Quarenta e oito horas em que cada roçar do tecido na minha pele me lembrava do que vinha a caminho.
«Coloque a música que eu disse e comece a se despir devagar. Não tenha pressa: esta noite quem manda sou eu, mesmo a centenas de quilômetros.»
Se o seu pau não respondesse, ele pegaria emprestado o de outro. Bastava encarar um homem nos olhos e sussurrar a sugestão certa para chegar à cama da esposa.
Levei anos para entender o que meu corpo me pedia. E, quando finalmente entendi, não consegui mais voltar atrás nem me contentar com pouco.
Ele vinha pensando nisso havia semanas. A caixa chegou numa terça qualquer, sem remetente, e Adrián a escondeu no armário até a casa ficar em silêncio.
Ele estava a milhares de quilômetros e eu acordei pegando fogo. Abri o notebook, li o que meus leitores fantasiavam comigo e deixei minhas mãos fazerem o resto.
Voltei para o meu quarto tremendo, me coloquei nua diante do espelho e deixei que a lembrança dele guiasse cada um dos meus dedos. Não consegui parar até o fim.
No começo era só uma travessura debaixo da água quente. Depois eu precisei de mais, e um dia, com dois desconhecidos na porta, dei a volta de parafuso que mudou tudo.
São duas da manhã, não consigo dormir e estou sozinho. O calor aperta, a cama me queima e minha mente começa a vagar por nomes e corpos que eu achava esquecidos.
Naquela noite não pensei em ninguém. Apaguei a luz, me olhei nua na penumbra e entendi que o corpo que tantas vezes entreguei aos outros também podia ser só meu.
Eram duas da madrugada quando me rendi ao sono. Não imaginei que algo fosse deslizar entre meus lençóis e despertar um desejo que eu achava adormecido.
Estendi uma toalha sobre a cama, abri as pernas e segui as instruções do vídeo. Meia hora depois, entendi que meu corpo guardava um segredo.
Chegaram numa caixa sem remetente. Não imaginei que naquela mesma noite eu acabaria trancada no meu quarto, mordendo o travesseiro para ninguém me ouvir.
O relógio marcava três da manhã e o sono não vinha. Então me lembrei daquela publicação e abri a gaveta onde eu escondia meu segredo melhor guardado.
Eu ia esperá-lo de joelhos com o conjunto novo. O que eu não imaginei foi até onde eu iria sozinha, diante do espelho, antes que ele chegasse.
Não fui à praia para nadar. Fui para lembrá-la, centímetro por centímetro, até a lembrança ficar tão real que o corpo respondeu sozinho.
Pela primeira vez em anos eu não precisava morder os lábios nem conter um único gemido. A casa era minha, e meu corpo também, sem testemunhas.
Há dez anos ninguém me tocava com aquelas intenções. Naquela tarde, de bruços na maca, descobri que meu corpo ainda sabia exatamente o que queria.
Estacionei atrás das árvores, estendi a toalha no banco de trás e achei que estava completamente sozinho. Não imaginava o que veria ao ligar os faróis.