Me amarrei à cama e não fui eu quem me soltou
As correias apertavam quanto mais eu puxava. Eu estava amarrada, vendada e encharcada na minha própria cama quando a porta do quarto se abriu e ouvi duas vozes.
As correias apertavam quanto mais eu puxava. Eu estava amarrada, vendada e encharcada na minha própria cama quando a porta do quarto se abriu e ouvi duas vozes.
Não sei quem você é nem onde está, mas enquanto escrevo isto te imagino me lendo, e é essa ideia que está encharcando minha calcinha.
Ele me observava da poltrona enquanto eu me ajoelhava diante do desconhecido que eu tinha escolhido no balcão do bar. Era minha primeira noite sendo puta.
Eu a observava dobrar lençóis com aquelas leggings clarinhas e rezava para que ela não percebesse o volume no meu short. Até que um dia ela virou a cabeça e perguntou por que eu a olhava assim.
Vinte anos casados e cada um escondia seu próprio segredo: ele em banheiros alheios, eu ainda sem saber o que aquela mulher da ioga estava prestes a despertar em mim.
Quarenta minutos antes minhas mãos tremiam. Agora eu seguro o arnês e, pela primeira vez em dezoito anos, sou eu quem decide o que acontece neste quarto.
Mostrei-lhe o vídeo e ela desabou no chão da sala. Mas, quando voltou a se erguer, já não era a mulher que o marido humilhara por vinte anos.
Rubén encheu a cafeteira enquanto, do outro lado da janela, nossas mulheres paravam de disfarçar. Nenhum de nós desviou o olhar, e então a mão dele encontrou a minha.
No carro, com a mão dele no volante e a minha entre suas pernas, entendi que naquela noite as regras seriam minhas. E ele obedeceria a cada uma.
Ninguém ao meu redor desconfia, mas o dia inteiro eu obedeço ordens que só existem na minha cabeça… e cada vez desejo mais que se tornem reais.
Saí do trabalho sem calcinha e com a blusa entreaberta. Só queria sentir o ar entre as pernas. Não imaginava quem encontraria no vagão.
Ninguém sabe. Nem mesmo a pessoa com quem durmo todas as noites. Mas, quando fecho os olhos, me vejo diante do espelho, transformado em outra, pronta para ele.
Minha família estava um andar abaixo e eu, sozinha no meu quarto, com o telefone colado à orelha e a voz dele me mandando fazer coisas que eu nunca tinha ousado fazer.
Achei que estava sozinho entre as árvores, até que um estalo mudou tudo e eu entendi o quanto desejava ser encontrado assim, nu e entregue.
Sempre fantasiei em estar com outra mulher, mas nunca tinha feito isso. Numa noite no apartamento dela, tudo mudou.
Entrei no vestiário sem pensar e saí com as pernas tremendo, olhando para aquelas mulheres nuas como nunca havia olhado para ninguém na vida.
Nunca me atraíram homens, mas aquela figura na tela despertou algo que eu não soube nomear. E então ela se ofereceu para me pagar.
Nunca pensei que um avatar num videogame ia me devolver a vontade de desejar outra mulher, nem que esse desejo ficaria comigo muito depois de desligar o console.
Quero colocar a peruca, me maquiar e me entregar a um desconhecido que tenha lido minhas histórias. Uma única noite, sem compromissos, antes que seja tarde.