O imaginei por inteiro enquanto me tocava sozinha
Fechei a porta do banheiro, deixei o uniforme cair no chão e soube que naquela tarde eu não conseguiria pensar em mais nada além das mãos dele.
Fechei a porta do banheiro, deixei o uniforme cair no chão e soube que naquela tarde eu não conseguiria pensar em mais nada além das mãos dele.
Nenhum homem me fez gozar. Descobri isso tarde, depois de anos de mãos alheias e orgasmos fingidos: o único corpo que sabia exatamente o que o meu queria era o meu próprio.
Prometi a mim mesma não me tocar até chegar em casa, mas entre o trabalho, a academia e um desconhecido bonito demais, meu corpo tinha outros planos.
Eu estava entediada, estressada e excitada quando uma garota de cabelo lavanda apareceu no meu privado e perguntou se eu queria mais que um simples chat de jogo.
Pedi para ela vestir o short mais curto que tinha. Queria ver como os operários olhariam para ela enquanto passava, e como ela aguentaria o dia inteiro com aquela roupa.
Apaguei a televisão quando ela subiu para dormir, mas a cena continuava se repetindo na minha cabeça com o rosto da minha irmã no lugar da atriz.
Achei que seriam só mais algumas fotos em troca de uns dólares. Mas quando me pus de quatro diante da câmera, soube que naquela noite o desejo seria só meu.
Às quatro da manhã, sozinho na padaria, ele descobriu que o divórcio não tinha despertado só as ganas de sempre: tinha despertado outras, com nome de vizinho.
Imagino uma mulher parecida comigo: a mesma pele macia, a mesma boca. Nos acariciamos devagar até não haver mais volta e eu finalmente realizo o que sonhei sozinha por tantas noites.
Quando abri a caixa e encontrei a renda preta e a máscara com a pena, pensei que fosse uma extravagância de Andrés. Levaria meses para entender quem realmente a havia escolhido.
A gente tinha brincado com a ideia depois do cinema. Uma semana depois, minha mulher me deixou um áudio à uma da manhã e o quarto cheirava a outro homem.
Ia para o escritório com o plug no lugar e as meias sob a roupa, sonhando com o que minha mulher faria comigo quando voltasse. Nessa noite, no palco, tudo mudou.
Quando vi minha irmã cruzar o restaurante com aquele balançar novo, soube que o jogo que eu havia inventado para excitar meu amante tinha deixado de ser um jogo para mim.
Tem manhãs em que acordo molhada, com os mamilos duros e um único pensamento fixo. Começou mais uma das minhas semanas de cio e ninguém em casa imagina o que escondo.
Aceitei o desafio sem imaginar que a quinta foto me levaria a uma enseada deserta, diante de um desconhecido deitado sob o último raio de sol.
Ela releu a mensagem quatro vezes e o coração batia como aos vinte. Tinha cinquenta e nove anos e uma desconhecida acabara de despertar algo que ela acreditava perdido para sempre.
Durante meses, repetimos aquilo na cama como um jogo de palavras. Naquela noite, quando voltei do banheiro, já não era brincadeira: eles estavam se beijando no meu próprio sofá.
Ela disse rindo, quase como uma brincadeira: que gostava daquele nosso amigo. Nunca imaginei que nós três acabaríamos no mesmo quarto.
Me maquiei diante do espelho, sorri e voltei para a cozinha com um plano que nenhum deles imaginava. Nessa noite, o cardápio fui eu quem escolheu.
Na penumbra, ele deixou a cena se formar: ele no centro do sofá, a mulher de um lado, a amiga do outro, um beijo impossível.