Acordei encharcada e não consegui parar o dia todo
Acordei com os lençóis úmidos por causa do que sonhei. Me toquei antes de levantar. E o dia inteiro foi assim: o corpo com sua própria agenda.
Acordei com os lençóis úmidos por causa do que sonhei. Me toquei antes de levantar. E o dia inteiro foi assim: o corpo com sua própria agenda.
A primeira vez que o vi soube que era um erro. Um erro que passei três anos evitando, até a noite em que ele bateu à minha porta às duas da madrugada.
Valentina passou o dia inteiro olhando para ela de um jeito diferente. Quando o último convidado foi embora, os três subiram para a suíte e o silêncio disse tudo.
Eu estava há meses sem abrir aquela pasta oculta no celular. Nessa noite, a insônia e o desejo decidiram por mim.
Eu o adicionei sem pensar. Li tudo o que ele publicou. Nunca dei um like. Três anos depois, ainda não ouso escrever para ele, mas penso nele toda noite.
Eu estava andando sozinha quando Ernesto se debruçou pela janela do ônibus e me chamou pelo nome. Eu devia ter seguido em frente, mas algo na voz dele me fez parar.
O calor de julho, uma cerveja gelada e as mãos ásperas deles. Aos quarenta e dois, descobri que o desejo não tem idade nem vergonha.
Quando me inclinei para a janela para descansar um momento, eu os vi na piscina. Nus, se beijando, totalmente alheios ao mundo. Entendi que aquele ano seria muito diferente.