A guerreira que sucumbiu aos guardiões do templo
Ela atravessou meio reino por uma relíquia lendária; o que não esperava era se ajoelhar diante de quem a guardava — nem desejar isso com cada fibra do corpo.
Ela atravessou meio reino por uma relíquia lendária; o que não esperava era se ajoelhar diante de quem a guardava — nem desejar isso com cada fibra do corpo.
«Moro dentro do lago», disse ela sem pestanejar. Damián a tomou por excêntrica e foi mesmo assim. O que encontrou no fundo não era nenhum céu.
Quando abri os olhos, eu não estava na minha carteira: estava nu, amarrado à cadeira do professor, e uns saltos começavam a me rodear na sala vazia.
Eu o vigiei antes de sua falta. Disse que eu era bonita demais para andar entre a lama, sem saber que essa frase o condenava a nunca sair dela.
Nessa noite desci para pegar um copo d'água e ele estava acordado no sofá. O que aconteceu depois na minha cama, com meu padrasto respirando do outro lado da porta, ainda me queima.
Segui um rastro de sangue até uma clareira onde algo me esperava pendurado entre as árvores. Não imaginei que a criatura da floresta me escolheria como presa.
Ela nadou até mim sem deixar de me olhar e, na água morna do entardecer, entendi que aquilo que sentimos quando crianças nunca tinha ido embora de verdade.
A agarrada ao corrimão do vagão, eu só podia olhá-lo de canto e imaginar tudo o que nunca aconteceria entre nós.
Quando abri a mochila que ele me entregou no lobby daquele hotel de quinta, entendi que a reunião não era o que eu imaginava. E já era tarde para voltar atrás.
Subi ao palco sem pensar, diante de uma sala cheia de desconhecidos e de um homem que já não me olhava. Naquela noite, deixei de implorar e comecei a sentir.
Toda a minha vida achei que pertencia só a ele. Na tarde em que ele entrou na direção e me encontrou sobre a mesa, descobri o quanto ele gostava de me ver com outro.
Quando chegou meu último desafio da noite, eu sabia que podia dizer não. O que ninguém esperava era que eu dissesse sim com esse sorriso nos lábios.
Voltava ao confessionário toda semana pelo mesmo motivo, e sempre calava a parte mais importante: o homem do outro lado da grade era dono de todos os seus pecados.
Mal larguei as amarras, soube que aquela tarde não terminaria com um simples passeio: ela já me olhava diferente, com aquele meio sorriso que prometia muito mais.
Há meses eu repito a mesma cena na minha cabeça durante a volta para casa. Hoje, quando o assento ao lado foi ocupado, quase perdi o fôlego.
Saí de bicicleta sem calcinha, com o celular vibrando de mensagens que eu não devia ter aberto. O caminho estava vazio, mas eu me sentia observada por todos.
Fechei os olhos por um segundo e, quando os abri, uma sombra enorme tapava o sol. O que aconteceu depois só existia na minha imaginação… até aquela tarde.
Você olhava para os lados, certa de que estava sozinha, quando ergueu o vestido no meio da garagem. Não viu que, duas vagas adiante, alguém vinha te observando havia tempo.
Cheguei em casa, joguei os saltos pelo ar e deixei minha imaginação fazer o que eu jamais me atreveria a fazer no escritório.
Tinha o coração acelerado e os lençóis encharcados aos sete graus da madrugada. O problema não era o frio: era com quem ele tinha sonhado.