Tirei a calcinha no meio do cartório por ele
Dei dois beijos na frente da mãe dele e, sem que ninguém notasse, decidi entrar no jogo até onde nenhum de nós dois imaginava chegar naquela manhã.
Dei dois beijos na frente da mãe dele e, sem que ninguém notasse, decidi entrar no jogo até onde nenhum de nós dois imaginava chegar naquela manhã.
Vi-o me olhar pelo reflexo no espelho do elevador e algo se acendeu. Nessa noite soube que eu não queria só que ele me olhasse: queria que ele visse absolutamente tudo.
Eu nunca tinha contado a ninguém que meu corpo não respondia. Confessei isso à amiga da minha mãe, sem imaginar que ela me ensinaria tudo o que me faltava.
Sou tímida com quase todo mundo, menos com meu marido. Por isso me surpreendi tanto ao desejar aquela desconhecida que se sentou na minha frente, como se me esperasse havia meses.
Esperava um marido mirrado para desprezar. Quando o rei se inclinou para beijar-lhe a mão, a ponta da língua roçou sua pele e ela soube que havia se enganado.
Ela me mandou tirar a roupa na sala e começar a varrer. Naquela tarde eu era só o brinquedo dela, e cada palmada na bunda me lembrava quem mandava.
Chegou ao covil reduzido a pouco mais que um esqueleto acorrentado. A loba prometeu ensinar-lhe o que significava servi-la... e ele aprendeu melhor do que ela esperava.
Sabia que aquela blusa o deixaria nervoso. O que não imaginei é até onde eu estaria disposta a levá-lo naquela tarde, com o apartamento vazio e a porta fechada.
Acordei sem um arranhão numa cama que não era minha, curada por um desconhecido de beleza impossível. O que ele não disse é o que essa cura fez com meu corpo... e meu desejo.
Mal eu chegava à altura do cotovelo quando ele me pegou pela mão. Em seis minutos, descobri que meu corpo não entendia as regras que eu mesma tinha imposto.
Disseram que a noite estava começando e que o apartamento deles ficava a duas quadras. Nenhum dos dois disse não, e isso mudou tudo entre nós.
Ele estava na cadeira, alheio a tudo, com os fones no ouvido. E eu, na cama dele, com uma ideia boba que naquela tarde finalmente criei coragem de realizar.
Acordei certa de que tinha sido só um pesadelo quente. Então vi a caixa sobre a mesinha da sala, igualzinha à do sonho, e o café escorreu da minha mão.
Quando a janela do sótão cedeu ao vento, ele já não viu a criada que servia seu café: viu a mulher ensopada que sustentava seu mundo inteiro.
Ela chega às dez e meia, se encosta no abrigo e cruza as pernas. Ela não sabe, mas na minha cabeça já fizemos tudo o que jamais teríamos coragem de fazer.
Minha amiga achou que a gente tinha ido só tomar ar. Eu já tinha escolhido minha presa: o moreno que brincava com o filho a dez metros de nós.
Ela sabia o que tinham combinado, mas nenhuma palavra a preparou para o que sentiria quando cruzou aquela porta e a sala se fechou atrás dela.
Passei horas buscando uma faísca em olhares alheios e não encontrei nada. Até decidir cruzar o salão e colocar o jogo inteiro em suas mãos.
Antes eu escondia tudo. Naquela noite entrei na sala sem calcinha, com a saia curta e a certeza de que alguém olaria. E eu queria que olhasse.
Quando o trem foi embora sem mim, achei que a noite estava perdida. Então o vi do outro lado da plataforma, imóvel, me olhando como se me esperasse desde sempre.