O círculo na praia despertou minha maior fantasia
Quatro mãos a ergueram sobre a areia enquanto o círculo inteiro prendia a respiração, esperando ver até onde ela ousaria ir naquela tarde.
Quatro mãos a ergueram sobre a areia enquanto o círculo inteiro prendia a respiração, esperando ver até onde ela ousaria ir naquela tarde.
Por trás de cada máscara havia um convite que ninguém ousava dizer em voz alta, e naquela noite você decidiu aceitá-lo sem me pedir permissão.
Nunca havia cruzado o limiar de um círculo assim, mas naquela tarde, com a pele coberta de óleo e sal, Daniela entendeu que certos desejos só existem quando são compartilhados.
Tranquei a porta e foi como apertar um interruptor: pela primeira vez eu ia me despir diante da câmera para que alguém, do outro lado, me desejasse.
Reservei dois ingressos para uma sala quase vazia e dei um deles a uma desconhecida que me lia. Eu não sabia se ela viria, até vê-la procurar o assento na penumbra.
O espelho do camarim devolvia uma mulher que ela não reconhecia. Em minutos, dezenas de desconhecidos a veriam nua. E, mesmo assim, ela decidiu atravessar a cortina.
Quando as portas do elevador se fecharam, ninguém mais fingia. Marina procurou minha mão e a guiou sob a saia enquanto você me beijava sem tirar os olhos delas.
Marcela me olhava pelo retrovisor com um sorriso que não era de uma mãe tranquila. Eu não sabia que aquela tarde mudaria tudo entre nós.
Entrei no quarto de olhos vendados, quase nua sob o casaco, sem saber quem me esperava do outro lado da música. Só a voz do meu marido me guiava.
Ajoelhei-me diante da janela sem imaginar que um deles já tinha contornado a casa e me observava em silêncio pela porta dos fundos.
Peguei a primeira saída da rodovia sem pensar. O que ela acabara de me contar não me deixava dirigir, e eu ainda não tinha confessado o que realmente queria.
Quando voltamos ao quarto, já não aguentávamos esperar. Então a porta tocou: o presente que eu tinha preparado acabava de chegar, e você não sabia de nada.
Llevávamos dois horas bebendo quando ele me contou, meio de brincadeira, o que eu vinha imaginando havia anos. Ele riu. Eu não.
Dancei colada a um desconhecido de máscara até que sua voz me perguntou ao ouvido se eu ainda o lembrava. E meu corpo respondeu antes de mim.
Eu ia com pouca roupa, quase nua, quando algo enorme e úmido se soltou da mata e me prendeu os braços antes que eu pudesse gritar.
«Só existe uma forma de descobrir», disse ele, aproximando-se do cavalete. Eu tinha ido para ele me tirar a cenoura, não para gozar na frente de um desconhecido de jaleco.
Quando vi a foto dela, soube que aquela noite não dormiria: despirei-a com a mente e deixei minha imaginação cruzar os quilômetros que o corpo não podia.
Corri sob o temporal até a minha porta achando que já estava segura. Não percebi que ele tinha entrado atrás de mim até sentir a mão dele nas minhas costas.
Faltava pouco para fechar quando o sininho tocou. Entraram ele e ela, pediram renda preta e, sem saber, me ofereceram a tarde com que eu vinha fantasiando sozinha havia meses.
Sei que não deveria, mas toda vez que caminho sozinha de madrugada eu o procuro com os olhos: aquele desconhecido que me encurrala contra a parede e não pede permissão.