O círculo na praia que ninguém quis interromper
Quando o sol começou a cair, nenhuma das duas mulheres mandava com palavras: bastava um olhar para que cada mão soubesse onde devia pousar.
Quando o sol começou a cair, nenhuma das duas mulheres mandava com palavras: bastava um olhar para que cada mão soubesse onde devia pousar.
Ela passara metade da vida desejando aquele homem dez anos mais velho. Naquela tarde, baixou a porta de ferro, apagou as luzes da loja e decidiu que não ia esperar mais.
Quando desci a mão para me tocar, o que encontrei entre as pernas não era o que eu fora me deitar para dormir. E o pior foi que eu não quis tirá-la de lá.
Quatro mãos a ergueram sobre a areia enquanto o círculo inteiro prendia a respiração, esperando ver até onde ela ousaria ir naquela tarde.
Por trás de cada máscara havia um convite que ninguém ousava dizer em voz alta, e naquela noite você resolveu aceitá-lo sem me pedir permissão.
Nunca havia cruzado o limiar de um círculo assim, mas naquela tarde, com a pele coberta de óleo e sal, Daniela entendeu que certos desejos só existem quando são compartilhados.
Fechei a porta com chave e foi como apertar um interruptor: pela primeira vez eu ia me despir diante da câmera para que alguém, do outro lado, me desejasse.
Reservei dois ingressos para uma sala quase vazia e dei um deles a uma desconhecida que me lia. Eu não sabia se ela viria, até vê-la procurar o assento na penumbra.
O espelho do camarim devolvia uma mulher que ela não reconhecia. Em minutos, dezenas de desconhecidos a veriam nua. E, mesmo assim, ela decidiu atravessar a cortina.
Quando as portas do elevador se fecharam, ninguém mais fingia. Marina procurou minha mão e a guiou sob a saia enquanto você me beijava sem tirar os olhos delas.
Marcela me olhava pelo retrovisor com um sorriso que não era de uma mãe tranquila. Eu não sabia que aquela tarde mudaria tudo entre nós.
Entrei no quarto de olhos vendados, quase nua sob o casaco, sem saber quem me esperava do outro lado da música. Só a voz do meu marido me guiava.
Ajoelhei-me diante da janela sem imaginar que um deles já tinha contornado a casa e me observava em silêncio pela porta dos fundos.
Peguei a primeira saída da rodovia sem pensar. O que ela tinha acabado de me contar não me deixava dirigir, e eu ainda não tinha confessado o que realmente queria.
Quando voltamos ao quarto, já não aguentávamos esperar. Então a porta tocou: o presente que eu tinha preparado acabava de chegar, e você não sabia de nada.
Llevávamos dois horas bebendo quando ele me contou, meio de brincadeira, o que eu vinha imaginando havia anos. Ele riu. Eu não.
Dancei colada a um desconhecido de máscara até que sua voz me perguntou ao ouvido se eu ainda o lembrava. E meu corpo respondeu antes de mim.
Eu ia com pouca roupa, quase nua, quando algo enorme e úmido se soltou da mata e me prendeu os braços antes que eu pudesse gritar.
«Só existe uma forma de descobrir», disse ele, aproximando-se do cavalete. Eu tinha ido para ele me tirar a cenoura, não para gozar na frente de um desconhecido de jaleco.
Quando vi a foto dela, soube que aquela noite não dormiria: despirei-a com a mente e deixei minha imaginação cruzar os quilômetros que o corpo não podia.