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Relatos Ardientes

Voltou do hotel com uma fantasia que não podia calar

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Ilustração do conto erótico: Voltou do hotel com uma fantasia que não podia calar

O táxi seguia devagar pela avenida e Adriana não olhava pela janela. Tinha os olhos fixos em algum ponto entre o encosto do banco da frente e a própria respiração, que ainda não tinha recuperado o ritmo normal. A cidade se acendia com as primeiras luzes da noite, mas ela continuava presa naquele quarto do sexto andar, no cheiro de lençóis amassados e sêmen alheio, nas mãos e nas rolas de dois homens que não veria nunca mais.

Apertou as coxas. Por baixo da saia, o cuzinho lhe escorria com uma mistura espessa do próprio gozo e da porra que os dois desconhecidos tinham deixado dentro dela. Sentia o sêmen deslizando pela parte interna da coxa, encharcando a calcinha, e cada solavanco do táxi lhe mandava uma descarga no clitóris inchado, ainda latejando, que a fazia fechar os olhos por um instante e morder o lábio para não gemer na frente do taxista.

Não sentia culpa. Era isso que mais a surpreendia. Tinha imaginado que, ao sair do hotel, alguma espécie de remorso a atingiria, uma voz interna dizendo que o que acabara de fazer estava errado, que Marcos não merecia aquilo. Mas a voz não veio. Em seu lugar havia uma quietude estranha, como a de uma cadela no cio que acabou de ser fodida até o esgotamento e descansa antes de voltar ao próprio território.

O taxista a olhou pelo retrovisor e Adriana se perguntou se dava para notar algo nela. Se o cabelo bagunçado, os lábios avermelhados de tanto boquete ou aquele brilho nos olhos a denunciavam. Provavelmente sim. Provavelmente também cheirava a rola, a suor de homem, a cuzinho recém-fodido. Mas o taxista não disse nada, e ela voltou a fechar os olhos, deixando as lembranças se repetirem como um filme sujo que podia pausar nos melhores momentos.

O primeiro homem — alto, moreno, com uma cicatriz na sobrancelha esquerda — a tinha beijado contra a porta do banheiro antes mesmo de ela terminar de tirar os sapatos. Tinha a empurrado contra a madeira, enfiando a mão por baixo da saia com uma urgência suja, afastando a calcinha para o lado com dois dedos para encontrá-la encharcada, inchada, pronta. "Olha como você está, putinha", sussurrara no ouvido dela enquanto lhe enfiava dois dedos no cuzinho até a junta. "Tá escorrendo antes mesmo de a gente tocar de verdade em você." O segundo esperou a vez sentado na beirada da cama, com a rola já fora da calça, masturbando-a devagar, olhando para ela com uma paciência que era mais obscena que qualquer pressa. Entre os dois a haviam desfeito e reconstruído em menos de duas horas, e Adriana descobrira algo sobre si mesma que já suspeitava havia anos: que era uma safada, uma putinha, e que seu desejo era maior do que qualquer vida que pudesse contê-lo.

O da cicatriz enfiou os dedos no cuzinho dela sem delicadeza, abrindo-a com uma decisão brutal enquanto ela se agarrava à nuca dele e mordia a boca para não gritar cedo demais. A outra mão subiu pelo ventre até os seios, arrancando-lhe o sutiã com um puxão seco, apertando-os com força, fazendo os mamilos rolarem entre o polegar e o indicador até enlouquecê-la. "Que peitos gostosos você tem, cadela", ele rosnava enquanto os chupava e mordia, deixando a pele marcada de saliva. Baixou a calcinha dela até os tornozelos sem paciência, abriu as coxas com o joelho e continuou fodendo-a com três dedos enquanto esfregava o clitóris com o polegar. Adriana gozara primeiro assim, com o rosto colado à porta do banheiro, as coxas tremendo, escorrendo na mão do homem, ofegando "mais, mais, mais" sem lembrar de um só dos seus.

Depois o segundo ocupou a boca dela. Desceu de joelhos diante dela com uma calma insolente, separando-lhe as pernas com ambas as mãos para enfiar o rosto entre as coxas. Lambeu-a devagar no começo, percorrendo-lhe as dobras com a ponta da língua, chupando-lhe os lábios do cuzinho um por um, como se quisesse aprendê-la, e depois com uma fome cada vez mais suja, enfiando a língua até o fundo, fodendo o cuzinho dela com ela, chupando o clitóris com os lábios apertados até fazê-la tremer e chorar de prazer. Enfiava dois dedos ao mesmo tempo em que a lambia, curvando-os para cima, procurando aquele ponto que a fazia soltar a voz. "Goza na minha boca, vadia", ordenava entre uma lambida e outra. Adriana agarrara o cabelo dele, puxando sem piedade, esfregando o rosto dele no cuzinho até encharcar a barba dele, enquanto o outro homem observava da cama com a rola dura, grossa, brilhante de saliva e da própria mão, pesando contra a coxa, esperando o momento exato em que ela dissesse chega ou mais.

Cena 1 do conto: Voltou do hotel com uma fantasia que não podia calar
Volvió cambiada.

Não disse chega. Disse mais, uma vez após a outra, disse fode-me, disse enfiem os dois de uma vez, disse coisas que jamais pronunciara em voz alta e que saíram de sua garganta com uma naturalidade que surpreendeu a ela mesma. Quando a levantaram, ainda com a respiração partida e o rosto molhado do próprio gozo, um a segurou pela cintura e o outro a empurrou contra o colchão de quatro. O da cicatriz abriu-lhe as pernas e se colocou atrás dela, roçando a rola no cuzinho antes de entrar de uma vez, fundo, sem lhe dar tempo de se acostumar, enfiando até as bolas. Adriana soltou um gemido rouco, quase um grito, e cravou as unhas no lençol enquanto sentia ele lhe encher o cuzinho com golpes, abrindo-a por dentro, fazendo-a perder a noção do tempo. "Que cuzinho mais apertado, porra, que gostoso você abre", ele rosnava enquanto a fodia com estocadas longas e secas que a empurravam para a frente. O segundo se colocou à frente, agarrou-lhe o rosto e enfiou a rola na boca de uma vez só, até o fundo da garganta. Adriana engasgou, sentiu as lágrimas e a saliva escorrendo pelo queixo, mas abriu mais a boca e deixou que ele a fodesse, com as mãos enredadas no cabelo dele, marcando o ritmo ao mesmo tempo em que o outro a metia por trás.

A penetração dupla a rasgou por dentro de um modo que nenhum sexo anterior havia sequer roçado. Os dois homens encontraram um compasso, uma sincronia: quando um entrava até o fundo, o outro saía quase inteiro. Eles a empalaram entre os dois durante minutos eternos, rosnando, suando, chamando-a de puta, cadela, gostosa, enquanto ela gozava uma segunda vez com a boca cheia de rola e o cuzinho transbordando de gozo. Depois a colocaram de barriga para cima, ergueram suas pernas até os ombros, e o da cicatriz continuou a fodê-la enquanto o segundo se sentava sobre o rosto dela e enfiava as bolas na boca dela e lhe oferecia a rola para chupar, sem deixá-la respirar mais do que entre uma estocada e outra. Beliscaram-lhe os mamilos, deram tapas no cuzinho, enfiaram os dedos no seu rabo, tudo ao mesmo tempo, até Adriana já não saber que mão a tocava nem que boca mordia seu pescoço.

Terminaram quase ao mesmo tempo. O da cicatriz gozou dentro do cuzinho dela com um rugido animal, despejando jatos quentes de porra enquanto continuava metendo, e o segundo saiu da boca dela para gozar sobre os seios e o rosto dela, com puxões longos da mão que lhe deixaram a pele coberta de leite espesso. Adriana, com os olhos fechados e a boca aberta, pôs a língua para fora e lambeu o que tinha caído perto dos lábios. Sentiu o cuzinho transbordando, a porra do primeiro homem escorrendo em um fio grosso quando ele finalmente retirou a rola, e soube que aquela imagem ficaria com ela para sempre: ela largada numa cama alheia, cheia de sêmen por dentro e por fora, sorrindo.

Quando o táxi parou em frente ao prédio, tirou uma nota da bolsa, não esperou o troco e caminhou até a portaria com as pernas levemente trêmulas e o cuzinho ainda pingando entre as coxas. As chaves lhe custaram duas tentativas.

No elevador, olhou-se no espelho e não reconheceu totalmente a mulher que devolvia o olhar. Tinha o rímel borrado sob o olho direito, uma marca avermelhada na clavícula que não lembrava de ter feito — ou que tinham feito nela com uma mordida —, e a blusa colada ao peito por uma mancha de saliva que tentara disfarçar sem sucesso. Sorriu. Era um sorriso que não pertencia à esposa de Marcos, mas à outra, à putinha que nascera naquela tarde entre os lençóis de um hotel no centro com duas rolas dentro ao mesmo tempo.

***

O apartamento estava em silêncio. Marcos ainda não tinha chegado. Adriana deixou a bolsa na entrada e foi tirando a roupa pelo corredor: primeiro os sapatos, depois a blusa manchada, em seguida a saia. A calcinha deixou sobre o encosto de uma cadeira do quarto, encharcada, cheirando a cuzinho e a porra alheia, como se pouco se importasse caso alguém a encontrasse. Ou como se quisesse exatamente isso.

Abriu a torneira da banheira e se sentou na borda enquanto a água subia. Não ia se lavar por completo. Ainda não. O que queria era que o calor lhe devolvesse cada sensação, que seu corpo lembrasse o que a mente já começava a organizar e classificar. A água fervendo lhe bateu nos ombros quando se afundou, e soltou um suspiro longo, gutural, que não se parecia com nenhum som que ela fizesse habitualmente naquela casa. Abriu as pernas sob a água e passou dois dedos pelo cuzinho inchado: estava aberto, mole, ainda repleto do sêmen do desconhecido. Sentiu a água se turvar ao redor e escapou-lhe uma risada baixa, suja.

Tocou os seios, não com a intenção de se masturbar, mas para conferir se continuavam sensíveis. Continuavam. Os mamilos, duros e doloridos pelas mordidas, reagiram de imediato sob seus dedos molhados, e um latejar desceu direto ao clitóris. As marcas que um deles havia deixado em seu pescoço com a boca já começavam a ficar roxas. Amanhã teria de usar um lenço ou inventar uma desculpa. Mas isso era amanhã.

Fechou os olhos e deixou a água cobri-la até o queixo. Sem pensar, uma das mãos voltou entre as pernas, dois dedos fazendo círculos lentos sobre o clitóris, enquanto mordia o lábio. O que sou agora?, perguntou a si mesma. Não era a mesma mulher que saíra pela porta naquela manhã com um vestido discreto e uma mentira pronta. Era uma puta. Uma vadia feliz. Algo se partira — ou se abrira para foder — naquele quarto de hotel, e ela não estava certa de querer consertar aquilo.

Então ouviu as chaves na fechadura.

***

Marcos entrou chamando-a pelo nome, mas ela não respondeu. Ouviu-o deixar as chaves na tigela da entrada, pendurar o casaco, e depois o silêncio de alguém que descobre um rastro e decide segui-lo. Primeiro os sapatos no corredor. Depois a blusa. A saia. A calcinha sobre a cadeira, ainda úmida, ainda cheirosa.

Quando apareceu na porta do banheiro, Adriana estava de pé na banheira, com a água pingando por todo o corpo, o vapor desfazendo-lhe os contornos, os mamilos eriçados e um brilho ainda escorregadio descendo pela parte interna da coxa. Não se cobriu. Ficou exatamente onde estava, deixando que ele a olhasse, abrindo um pouco mais as pernas para que a visse por inteiro.

— Eu estava te esperando — disse, e sua voz soou diferente, mais grave, como se a tivesse tomado emprestada de outra mulher.

Marcos se aproximou devagar. Ainda estava de camisa do trabalho, a gravata afrouxada, e aquele gesto de cansaço que lhe surgia depois de dez horas no escritório. Mas quando chegou à beira da banheira e lhe pôs a mão no quadril, algo mudou em seus olhos. Ele a cheirou. Não de forma consciente, talvez, mas seu corpo registrou o que havia ali: o sabonete do hotel que não era o seu, um rastro de suor que não lhe pertencia e, por baixo de tudo isso, o aroma inconfundível do sexo recente, aquela mistura metálica e doce de cuzinho fodido e sêmen que nenhum banho elimina por completo.

Adriana viu a mandíbula dele se tensionar. Viu a dúvida cruzar-lhe o olhar, rápida como um relâmpago, e depois desaparecer sob algo mais forte. Algo mais primitivo. Olhou para o volume na calça dele e notou como a rola se marcava contra o tecido, dura, grossa, respondendo ao que a cabeça dele ainda não queria aceitar.

— Você está diferente — disse ele, com a voz quebrada.

— Estou acesa — respondeu Adriana, e não era metáfora. Tomou-lhe a mão e a levou entre as pernas, obrigando-o a sentir o que ela já não conseguia disfarçar —. Toca meu cuzinho, Marcos. Mete. Me diz a que gosto esta noite sua mulher.

Ele não retirou a mão. Afundou-a mais, com dois dedos separando-lhe as dobras, sentindo o cuzinho quente, escorregadio, ainda aberto e mole de tanta rola. Notou algo mais espesso que o normal, algo que não era só fluxo, e um som lhe escapou entre os dentes. Adriana apoiou a testa no ombro dele enquanto ele a explorava com uma urgência que não lembrava das últimas vezes. Marcos estava procurando algo. Uma confirmação. Uma prova. E a encontrava a cada centímetro que seus dedos percorriam dentro dela.

Cena 3 do conto: Voltou do hotel com uma fantasia que não podia calar
La tensión cambió de manos.

— Quem te fodeu? — murmurou, sem tirar os dedos, enquanto os curvava por dentro e a fazia gemer.

— Dois — respondeu ela, sem abrir os olhos—. Pela frente e por trás. Pela boca e pelo cuzinho. E ainda me sobra fome.

Mas, em vez de recuar, ele a agarrou pela nuca e a beijou de boca aberta, com os dedos ainda afundados em seu cuzinho, fodendo-a com eles como se quisesse engolir o que quer que ela tivesse trazido de volta. Adriana respondeu empurrando o quadril contra a mão dele, esfregando o sexo na palma até fazê-lo rosnar, até notar como ele também se endurecia, até vê-lo perder os modos.

***

Ela o tirou do banheiro puxando-o pela gravata. Deixaram um rastro de água pelo corredor até o quarto, e quando chegaram à cama foi ela quem o empurrou sobre o colchão. Não o deixou se despir no próprio ritmo; arrancou-lhe a camisa com uma impaciência que fez dois botões saltarem, baixou-lhe as calças e a cueca de um puxão enquanto ele ainda tentava tirar as meias, e quando o teve nu debaixo dela, com a rola dura apontando para o ventre, parou por um instante.

Queria que ele a visse. Queria que os olhos dele percorressem cada centímetro do corpo dela — as marcas no pescoço, os seios mordidos, a pele brilhante de água e de algo mais, o cuzinho ainda vermelho e inchado de tanto uso — e que ele decidisse se a queria assim, com tudo o que isso significava.

Marcos a olhou. E o que Adriana viu no olhar dele não foi reproche nem dúvida: foi fome. Uma fome escura, territorial, que ela jamais conhecera nele. Ele lhe abriu as pernas com as mãos, mirando o cuzinho aberto como se fosse uma coisa nova, uma promessa suja que queria reivindicar com a boca.

— Senta na minha cara — ordenou, com a voz rouca.

Adriana mordeu o lábio e obedeceu. Subiu a cavalo sobre o peito dele, foi avançando de joelhos até deixar o cuzinho a um palmo da boca dele, e então ele a agarrou pelas nádegas e a puxou de uma vez sobre os lábios dele. Ele a devorou sem nojo, lambendo-a inteira, enfiando a língua até o fundo, chupando-lhe o clitóris com os lábios apertados, comendo o rastro do outro homem sem disfarçar, gemendo contra a carne dela. Adriana se agarrou à cabeceira, jogou a cabeça para trás e começou a se mover sobre o rosto dele, fodendo-lhe a boca, molhando-lhe o queixo, deixando-o lamber tudo o que os outros haviam deixado dentro dela.

— Come tudo — gemeu ela—. Lambuze tudo o que eu tenho aí.

Ele rosnou alguma coisa entre as coxas dela e cravou as unhas nas nádegas, afastando-as, baixando a língua até o buraquinho e subindo outra vez, alternando lambidas longas do cuzinho ao clitóris até Adriana gozar pela terceira vez na noite com um grito agudo, apertando o rosto dele com as coxas, escorrendo na boca dele.

Quando desceu por fim, ofegante, inclinou-se sobre ele e tomou-lhe a rola na boca, devagar, sem pressa, primeiro lambendo a cabeça, percorrendo-a com a língua, saboreando o próprio gosto misturado ao dele, antes de enfiá-la entre os lábios e chupar com fome. Enfiou-a até a garganta, engasgou de propósito, enchendo os olhos de lágrimas, enquanto acariciava as bolas dele com a outra mão. Marcos atirou a cabeça para trás e agarrou-lhe o cabelo com as duas mãos, não para guiá-la, mas porque precisava se segurar em alguma coisa. "Porra, porra, assim, putinha", gemia ele, e o cuzinho de Adriana se contraiu ao ouvi-lo dizer aquela palavra que ele jamais usara com ela. Trabalhou-o até sentir que ele tremia, molhando-lhe a língua de pré-gozo, e então parou. Não ia deixá-lo terminar assim. Ainda não.

Sentou-se sobre ele devagar, guiando-o com a mão, esfregando a cabeça da rola no clitóris antes de baixá-la até a entrada e se deixar cair de uma vez. Quando o sentiu entrar até o fundo, soltou um som que não era um gemido nem um suspiro, mas algo mais parecido com um rugido contido. Seu cuzinho ainda estava sensível pela tarde, inchado, cheio por dentro, cada terminação nervosa em estado de alerta, e a penetração de Marcos foi diferente de todas as vezes anteriores. Mais profunda. Mais dele e mais alheia ao mesmo tempo. O cuzinho se abria e se fechava ao redor da rola dele com uma avidez que a fazia arquear-se, pedir mais sem palavras, até notar que ele já a estava fodendo de baixo para cima com uma dureza que lhe marcava as coxas contra os quadris.

Começou a se mover sobre ele com um ritmo lento, deliberado, apoiando as mãos no peito dele, erguendo os quadris quase até tirar a rola e se deixando cair até o fundo, uma vez após a outra. Levou os dedos à boca, chupou-os, e os baixou até o clitóris, esfregando-o em círculos lentos enquanto o cavalgava. Fechou os olhos e, por um momento, as imagens se misturaram: as mãos de Marcos nos quadris dela se confundiam com as mãos do homem da cicatriz, a respiração ofegante sob ela era a do segundo homem sentado na beirada daquela cama de hotel. Um ménage mental em que sentia as duas rolas ao mesmo tempo, uma no cuzinho e uma na boca, enquanto montava o marido. A fantasia a fez contrair os músculos do cuzinho e acelerar o ritmo sem perceber.

— Olha pra mim — ordenou Marcos, agarrando-a pelo queixo.

Adriana abriu os olhos. Ele estava ali, só ele, com a testa orvalhada de suor e os músculos do pescoço tensos como cordas. Ele a segurou pelos quadris e começou a marcar o próprio ritmo, metendo de baixo para cima mais rápido, mais forte, como se cada impulso fosse a resposta a uma pergunta que nenhum dos dois ousava formular em voz alta. A cama rangia sob o golpe dos corpos, seus seios pulavam a cada estocada, e ela respondeu apertando as pernas nas laterais, cravando os calcanhares nas coxas dele para obrigá-lo a entrar mais fundo.

— Me diz como te foderam — pediu ele, sem parar de se mover, com os dentes cerrados.

— Forte — ofegou ela—. Me enfiaram com força. Um no cuzinho e outro na boca. Me chamaram de puta. Me encheram de leite.

— Porra — rosnou Marcos, e a virou num movimento só.

Ele pôs o rosto dela contra o travesseiro, levantou-lhe o cu e a tomou por trás, com uma mão no quadril e a outra enredada no cabelo dela, puxando o suficiente para que ela arqueasse as costas. Enfiou a rola de uma vez só e começou a fodê-la de cachorrinho, com palmadas no cuzinho que deixavam a nádega vermelha e quente. Adriana cravou os dedos nos lençóis e deixou os sons saírem sem filtro: guturais, entrecortados, cada vez mais agudos, enquanto sentia o corpo se transformar no ponto onde convergiam a tarde e a noite, a lembrança e a realidade, duas rolas e uma só.

— Mais, Marcos — pediu, com a voz quebrada—. Mais forte. Me mete toda.

Ele passou o polegar pelo buraquinho, pressionou de leve, e Adriana soltou um gemido novo quando o sentiu afundar. Marcos a estava fodendo pela frente e tocando por trás ao mesmo tempo, e a sensação era parecida demais com a da tarde, com o preenchimento duplo do hotel. Ela gozou outra vez assim, apertando o cuzinho ao redor da rola dele com espasmos longos, molhando-lhe as coxas, gritando contra o travesseiro.

Marcos se inclinou sobre as costas dela e falou no ouvido enquanto continuava a metê-la:

— Não sei o que você fez hoje — disse, sem parar de se mover—, mas não pare de fazer.

— Não vou parar — ofegou ela—. Goza dentro. Me enche também.

Marcos a acompanhou segundos depois, com um empurrão final que deixou os dois trêmulos, despejando jatos quentes até o fundo. Adriana sentiu o cuzinho se encher de novo, sentiu a mistura do sêmen dele com o pouco que ainda lhe restava do dos outros, e um último orgasmo pequeno a sacudiu quando ele ficou dentro dela, latejando. Os dois caíram sobre os lençóis encharcados, ofegando, com a rola de Marcos saindo devagar e um fio espesso de gozo escorrendo-lhe pela coxa.

***

Depois, o silêncio foi diferente do de antes. Não era o silêncio da casa vazia, mas o de duas pessoas que cruzaram uma fronteira e ainda não sabem nomeá-la.

Marcos a envolveu com o braço e ela se aninhou contra o peito dele, com o cuzinho ainda transbordando e os mamilos ainda pulsando contra o lado dele. Adriana passou os dedos pelo esterno dele, traçando círculos lentos sobre a pele ainda úmida, e desceu até roçar-lhe a rola, mole, brilhante, descansando contra a coxa dela. Ele beijou o topo da cabeça dela e murmurou algo que ela não entendeu completamente, uma mistura de exaustão e algo que soava perigosamente parecido com gratidão.

Não falaram do óbvio. Não fizeram perguntas nem deram explicações. Mas havia algo novo entre eles, um fio tenso e brilhante que não estava ali naquela manhã.

— Marcos — sussurrou ela, quando o sentiu à beira do sono.

— Hm?

— Amanhã quero que você me conte seus próprios sonhos. Os sujos. Os que você nunca teve coragem de me dizer.

Ele não respondeu, mas Adriana sentiu que sorria contra o cabelo dela, e percebeu que a rola, contra a coxa dela, dava um pequeno impulso, um sim silencioso. Ficou acordada mais um pouco, olhando o teto na escuridão, com o sêmen de três homens ainda secando em sua pele, saboreando a certeza de que não precisava escolher entre suas duas vidas. Podia habitar as duas. Podia ser a puta que pegava um táxi de volta com duas rolas dentro, e também a que dormia nos braços do marido, envolta naquela mistura de ternura e ferocidade que acabaram de inventar juntos.

Fechou os olhos. O desejo não tinha se apagado; tinha se transformado em algo maior, mais sujo, mais seu. E a noite, pensou antes de dormir, era só o começo.

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