Minha noite de infidelidade com a mulher do trem
Eu já levava metade da vida com a mesma mulher quando aquela desconhecida de estampa de leopardo sentou ao meu lado e me olhou como ninguém me olhava havia anos.
Eu já levava metade da vida com a mesma mulher quando aquela desconhecida de estampa de leopardo sentou ao meu lado e me olhou como ninguém me olhava havia anos.
Há meses eu mentia para Mateo e, quando ele entendeu que já sabia de tudo, eu não desmoronei. Vesti o vestido azul, saí de casa e atravessei a cidade para encontrar Adrián.
Quando a vi descer do ônibus com a mochila rosa no ombro, entendi que ela já tinha decidido tudo e que eu só ia cumprir a minha parte do combinado.
Saí para fumar no escuro e vi: agachado atrás da palmeira, com o olhar cravado na janela onde ela se despia sem saber que estava sendo olhada por dois.
Desci do táxi a meia quadra do hotel, como sempre. A recepcionista já não me perguntava o nome: estendia a chave do 304 sem me olhar.
Ele mantinha o aplicativo aberto havia meses sem escrever nada. Na noite em que finalmente respondi, havia um hotel discreto e um homem chamado Iván me esperando.
Quando a vi entrar no trabalho com as mesmas leggings pretas do dia anterior, soube que aquela jornada não terminaria como as outras. Nem como eu imaginava.
Ela aceitou o programa como uma fantasia única, mas nunca imaginou que aquele desconhecido a levaria a descobrir orgasmos que nem sabia que existiam no corpo.
Llevábamos dos noches mirando sin tocar. La tercera, mientras dos parejas se mezclaban a un metro de nosotros, mi novia me apretó el brazo y me susurró algo.
A proposta veio na terceira taça: a cada noite, um dos quatro mandaria no quarto do outro. Disseram que começávamos naquela mesma noite.
Abri a porta do quarto e lá estava Renata: exatamente como nas fotos, mas com os nervos à flor da pele que nenhuma imagem captura.
Um vídeo de poucos segundos foi o bastante para fazer minhas pernas tremerem. Desde então, ensaio cada detalhe na mente: o quarto, ele e o que vem depois.
Ele me esperava havia anos e eu não percebi até ser tarde demais. Quando me confessou no fim, entendi por que tudo tinha sido tão diferente.
Ela tinha namorado. Dizia que era hétero. E ainda assim, naquela tarde na piscina do hotel, o pé dela buscou o meu debaixo d’água e eu não o afastei.
Passei meses beijando-a às escondidas sem que nada além disso acontecesse; naquela tarde, com a garrafa quase vazia, foi ela quem me arrastou até a janelinha do motel.
Cheguei primeiro ao quarto, de boné e óculos, e me sentei na beirada da cama sem saber o que ia fazer quando aquele desconhecido tocasse a porta.
Dividimos quarto para economizar. Eu era casado, pai de dois filhos. Até aquela noite no hotel, quando ele decidiu que seríamos outra coisa.
Minha esposa queria me ver sendo fodido, não o contrário. O que descobri naquela noite na suíte do hotel ainda me obriga a me perguntar coisas que não ouso responder.
Fechei a porta do hotel, olhei para as mãos trêmulas dele e soube que aquele desconhecido estava tão assustado quanto eu. E nenhum dos dois pensava em ir embora.
Quando o vi entrar no dark room atrás de mim, soube que a noite não terminaria na minha cama. Ele tinha o corpo que só se vê em revista.