As quatro o amarraram no porão e começou o castigo
Quando a anestesia passou e ele abriu os olhos, já estava nu, algemado a uma cadeira e cercado por quatro mulheres que esperavam por esse momento havia um mês.
Quando a anestesia passou e ele abriu os olhos, já estava nu, algemado a uma cadeira e cercado por quatro mulheres que esperavam por esse momento havia um mês.
Achei que tinha a situação sob controle. Achei que um velho sem forças não podia me fazer nada. Esse foi meu primeiro erro da manhã.
Cheguei às duas da manhã com a boca seca e uma única ideia na cabeça: naquela noite eu não colocaria limite nenhum, acontecesse o que acontecesse entre os pavilhões.
Eu a observava dobrar lençóis com aquelas leggings clarinhas e rezava para que ela não percebesse o volume no meu short. Até que um dia ela virou a cabeça e perguntou por que eu a olhava assim.
Sou uma travesti de armário. Passei meses obedecendo aos seus e-mails quando ele me escreveu que viria à minha cidade, e eu soube que naquela tarde ele faria comigo tudo o que me tinha ordenado.
Quarenta minutos antes minhas mãos tremiam. Agora eu seguro o arnês e, pela primeira vez em dezoito anos, sou eu quem decide o que acontece neste quarto.
Mostrei-lhe o vídeo e ela desabou no chão da sala. Mas, quando voltou a se erguer, já não era a mulher que o marido humilhara por vinte anos.
Ele me ligou no fim da tarde para avisar que chegaria tarde. Naquela altura, eu já tinha começado a me preparar: a peruca, a maquiagem, o plug. Só faltava ele.
Eu a mantive enjaulada ao lado da mesa, de quatro, enquanto meus amigos comiam e jogavam as sobras no chão metálico. Era só o começo.
Naquela semana eu tinha me comportado como uma insolente, e ele me advertiu: veríamos se eu continuaria tão arrogante quando o tivesse de frente, de joelhos.
Eu tinha dezessete anos e uma namorada caidinha por outro. Levei um ano para entender que essa traição, longe de me ferir, era o que mais me excitava.
Ele vinha treinando há anos uma expressão que não revelava nada. Mas naquela tarde, no saguão do hotel, os olhos o denunciaram com o único sentimento que não deveria ter por ela.
Quando a campainha tocou, Babacar mandou que ele abrisse a porta usando só aquela tanga ridícula. O amigo entrou sorrindo, e Tomás soube que aquela noite não pertencia mais a ele.
Saí daquela reunião com o sangue fervendo. Nessa noite eu não queria brincar de leve: queria destruir os dois meninos que me esperavam de joelhos no colchão.
Três dias na praia, cinco amigas e um celular que nunca desligou. Eu achava que estava entre risadas inocentes; outros viam um espetáculo.
Naquela manhã de setembro, vi entrar a garota mais tímida da sala. Levei duas semanas para entender que a tímida da sala não era ela, era eu.
Quando empurrei a porta de metal, achei que ia encontrá-lo sozinho, como sempre. Mas sob aquela lâmpada pendurada havia mais quatro homens, e nenhum parecia ter pressa.
Três semanas sem notícias dele e eu não aguentei mais. Mandei «oi» e a resposta me lembrou a única coisa que eu era para ele: sua puta obediente.
Meu namorado chamava o eletricista que arrumava a fiação de “Bigodinho”. Naquela tarde, quando todos saíram, fui eu quem pediu desculpas a ele na sala.
Mordi o travesseiro quando ele pronunciou aquele nome. E então tudo o que eu tinha escondido durante anos começou a se desfazer entre os lençóis, golpe a golpe.