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Relatos Ardientes

A aventura de segunda-feira que meu namorado jamais soube

4.5 (50)
Ilustração do conto erótico: A aventura de segunda-feira que meu namorado jamais soube

No domingo à noite, Ramiro me escreveu para me lembrar que passaria para me buscar antes das dez. Fazíamos semanas que não nos víamos, desde aquela festa em que acabamos dançando perto demais e ele me sussurrou no ouvido coisas que não deveria ter me dito. Era o homem da minha primeira vez, de anos atrás, e tinha essa habilidade de aparecer sempre nos momentos errados.

Combinamos que ele me levaria à praça para resolver uns pagamentos e depois tomaríamos café da manhã juntos. Simples. Sem pretensões. Era isso que eu me dizia naquela manhã enquanto procurava o que vestir.

Escolhi uma saia curta, uma blusa leve e meu tênis de sempre. Para a lingerie fui prática: faltavam poucos dias para descer, então coloquei minha calcinha grande de tecido macio, bege, daquelas que não apertam nem julgam. Eu não estava com ânimo para nada sofisticado naquela manhã.

Às nove e meia, a buzina soou em frente à minha casa.

Ramiro tinha o mesmo jeito de sempre quando me via entrar no carro: aquele olhar de cima a baixo que nem tenta disfarçar. Me cumprimentou com o apelido que me deu quando a gente era mais novo, um que ninguém mais usava, e isso foi o suficiente para me apertar o cu sem pedir licença.

Ele saiu sem dizer muita coisa. No primeiro semáforo, percebi que ele tinha desabotoado a calça. Dirigia com uma mão enquanto com a outra tirava o pau da cueca, devagar, sem pressa nenhuma, olhando para a frente como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Ele estava inchado, grosso, com a cabeça arroxeada e brilhante aparecendo entre os dedos.

—Olha como eu acordei —disse, sem nem olhar para si mesmo, passando a mão devagar de cima a baixo.

—Esse é o seu problema, não o meu —respondi, mas não tirei os olhos do para-brisa.

Mentira. Já era meu problema também.

A verdade é que eu vinha há semanas no automático com meu namorado: as mesmas rotinas, os mesmos silêncios, a mesma cama morna sem surpresas. Ramiro, por outro lado, tinha aquela qualidade irritante de acender tudo o que devia estar quieto, e sempre aparecia quando mais fazia falta. De relance eu via como ele se masturba­va, como o prepúcio subia e descia revelando aquela cabeça grossa, e como uma gota de pré-gozo brilhava na ponta.

—Toca —disse, sem exatamente pedir—. Só sente como está.

Estendi a mão sem pensar. O pau encheu a minha palma, quente e duro como um ferro envolto em pele. Apertei da base até a ponta, sentindo-o pulsar sob meus dedos, e ele soltou o ar pelo nariz como se estivesse se segurando havia horas.

—Isso, caralho —murmurou—. Olha como ele te lembra.

Eu o soltei antes que piorasse. Limpei os dedos grudados na saia e olhei pela janela, fingindo que não estava molhada até os joelhos.

No café da manhã dentro da praça ele não parou. Falava baixinho, com a boca roçando minha orelha, descrevendo com uma precisão quase clínica o que faria se estivéssemos sozinhos: como ia abrir minhas pernas, como ia enfiar a língua em mim até me tirar o caldo, como ia me foder contra a parede até eu esquecer meu nome. Pedimos ovos e café. Eu mal provei o meu.

—Já chega —disse em algum momento, olhando para as outras mesas.

—Não consigo —respondeu, completamente tranquilo—. É que suas pernas com essa saia me deixam louco. Tô com vontade de enfiar isso até o pescoço.

Senti um calor subindo da nuca. E mais embaixo também: o cuzinho pulsava sob a calcinha, e eu notava como o tecido tinha ficado pegajoso de tanto ouvi-lo. Isso eu não disse.

Fizemos os pagamentos numa janela do segundo andar. Ele ficou atrás de mim o tempo todo, com as mãos nas minhas coxas quando achava que ninguém estava vendo, e, num descuido, encostou a pica dura no meu traseiro por cima da saia, uma única vez, esfregando devagar. Quando terminamos, em vez de ir para a saída, ele me segurou pelo pulso e me levou para o estacionamento subterrâneo.

—Para onde vamos? —perguntei, embora meu corpo já desconfiasse.

—Conheço um canto que está sempre vazio. Vou te comer ali mesmo.

O nível dois do estacionamento cheirava a concreto úmido e motor desligado. Havia um canto no fundo, longe das câmeras, com o teto baixo e pouca luz. Ele estacionou e desligou o motor.

Pediu que eu baixasse a saia. Só isso, só para me ver um instante, disse. Olhei para os lados, não havia ninguém, e cedi. Baixei a saia até metade da coxa e me ajeitei de lado no banco do passageiro, com as pernas bem fechadas.

—Perna não, mamita —disse, com aquela voz rouca que ele ficava quando já não aguentava mais—. Abre.

Separei as pernas devagar, mordendo o lábio. Ele olhou minha calcinha encharcada e soltou uma risada baixa.

—Olha só. Se você está pingando, sua safada. E ainda quer bancar a digna.

Ele se inclinou a partir do próprio banco, vindo sobre mim. Puxou minha calcinha sem muita cerimônia, deslizando-a pelos meus quadris até deixar presa num joelho. Enterrou o rosto entre minhas pernas antes que eu pudesse reagir e passou a língua de baixo para cima, longa e plana, lambendo meu cuzinho inteiro, parando no clitóris para chupá-lo com os lábios. Eu me arqueei contra o encosto e soltei um gemido que ecoou no teto do carro.

—Cala a boca, que vão ouvir a gente —disse, sorrindo contra o meu sexo, sem parar de me lamber.

Ele enfiou dois dedos de uma vez, até os nós, enquanto chupava meu clitóris com saliva sobrando, e começou a movê-los curvando-os para cima, procurando aquele ponto que ele sabia de cor. Eu me agarrei ao painel, ofegando de boca aberta, sentindo o cuzinho me apertar ao redor dos dedos dele e a umidade escorrendo até a entradinha. Quando me deixou bem encharcada e latejando, se endireitou, tirou o pau da calça outra vez —duro, inchado, pronto— e empurrou a ponta grossa contra a minha entrada.

Ele enfiou de uma só vez, cravando tudo, sem aviso nem delicadeza. O carro rangeu quando ele se acomodou sobre mim, colando o quadril ao meu, e eu senti como me preenchia de repente, me esticando por dentro com aquela mistura de dorzinha e prazer sujo que faz a gente ficar quieta só para deixá-lo entrar melhor.

—Ah, filho da puta —gemeu baixinho, agarrando meus ombros—. Mais devagar.

Cena 3 do conto: A aventura de segunda-feira que meu namorado jamais soube
Entre clases y confidencias

—Mais devagar porra nenhuma —bufou, e saiu até a ponta para enfiá-lo de novo de um golpe só—. Foi isso que você queria desde a festa, não se faça de idiota.

Ele era curto, mas grosso. Cada botada era completa e profunda, e a cabeça me acertava no fundo com um som seco que me arrancava um gemido toda vez. Ele me segurou pela cintura com os dedos apertados e se moveu num ritmo que não demorou a se desmanchar: a trepada passou de marcada e constante a brutal, as molas do banco chiando, os vidros embaçando, meus peitos pulando dentro da blusa a cada investida.

Ele rosnou contra meu pescoço.

—Isso, caralho —murmurou, quase entre os dentes, enquanto me cravava a pica até o fundo e saía só um pouco para enfiá-la de novo com força obscena—. É assim que você gosta, né, putinha? Bem aberta, bem empalada. Me diz que gosta.

—Eu gosto —ofeguei, sem reconhecer minha própria voz—. Me come, me come direito.

—Mais forte, fala mais alto.

—Mais forte, me come mais forte.

Eu apertei as coxas ao redor da cintura dele, sentindo a ponta me bater por dentro de novo e de novo, roçando onde eu estava mais sensível. O ar do estacionamento ficou curto. Ramiro me agarrava com força, como se quisesse me deixar marcada, e toda vez que se enterrava até o fim soltava uma respiração áspera que vibrava na minha nuca. Ele mordeu meu pescoço, chupou um mamilo através da blusa até deixar o tecido transparente de saliva, e voltou a afundar em mim com o pau me estourando por dentro.

—Vou gozar, mamita —rosnou—. Vou gozar dentro.

—Não, não aqui —cons­egui dizer, mas já era tarde e nós dois sabíamos disso.

Senti o calor lá dentro antes de entender direito o que tinha acontecido: espesso, abundante, ficando ali dentro. O corpo dele se tencionou com vários espasmos curtos, e o pau continuou empurrando enquanto ele gozava, soltando o sêmen em pulsos profundos que me preencheram por completo. Cada jato eu senti de um jeito diferente, quente, batendo no fundo, até que não lhe restou mais nada e ainda assim ele continuou se movendo, se esfregando em mim, espalhando bem a gozada por todas as paredes da buceta.

Fiquei respirando pela boca, sentindo aquilo escorrer por dentro, quente e pegajoso, enquanto ele ainda se movia um pouco mais, como se quisesse ter certeza de não deixar uma gota sequer para fora. Quando finalmente tirou o pau, uma fileira branca caiu pela minha virilha até o tecido do banco.

—Gozei dentro —disse, como se estivesse me informando, segurando-me ainda com a mão para esvaziar as últimas gotas na entrada da minha buceta.

—Já percebi —respondi, ainda com a respiração quebrada—. Agora você vai me comprar o que me deve.

—Claro, claro —disse, já se recompondo.

Peguei minha calcinha pelo tornozelo e a vesti sem me limpar. Senti todo o sêmen se espalhar no tecido assim que a coloquei. Eu não tinha gozado. Isso também eu não disse.

Saímos do estacionamento sem falar muito mais. Ele me deixou em frente à entrada da escola vinte minutos depois, a alguns quarteirões do parque do bairro. Caminhei em direção ao portão sentindo aquele peso morno entre as pernas, infiltrando-se devagar no tecido da calcinha, me lembrando a cada passo do que tinha acabado de acontecer.

***

A escola de design era um prédio de tetos altos com luz fluorescente, que fazia tudo parecer durar mais do que o necessário. Cheguei bem na hora da primeira aula e me sentei no fundo, como sempre.

Sebastián estava ao meu lado. Era meu colega mais próximo desde o primeiro semestre: alto, magro, com óculos de tartaruga e aquele costume de falar baixinho quando dizia algo que valia a pena ouvir. Ele era abertamente gay, todo mundo sabia, o que lhe dava uma espécie de carta branca que os outros não tínhamos.

No meio da tarde, enquanto terminávamos de ajustar um manequim juntos, contei o que tinha acontecido. Não todos os detalhes, mas o bastante: que um amigo tinha me levado à praça, que acabamos no estacionamento, que ele gozou dentro e eu não, e que eu ainda estava com o gozo todo espalhado na calcinha.

Sebastián largou os alfinetes sobre a mesa e me olhou por cima dos óculos.

—Sério? E você ficou assim o dia todo? —perguntou.

—Fiquei assim, sim. Pingando.

Ele fez uma pequena pausa. Depois disse, com total naturalidade:

—Sabe de uma coisa? Passei a manhã inteira pensando que preciso que alguém me chupe. Alguém que saiba fazer direito.

Eu ri. Era o tipo de comentário que só podia vir dele, sem armadilha nem pretensão escondida.

—Você está me pedindo ajuda, sério? —disse.

—Só estou dizendo que, se alguém soubesse, eu agradeceria muito. E acho que você sabe.

A aula tinha terminado. O corredor estava vazio. Fechamos a porta da sala por dentro e coloquei a tranca.

Ajoelhei-me diante dele sobre o piso frio. Abri o zíper da calça devagar e tirei o pau dele da cueca. O que encontrei me surpreendeu: comprido, fino, com uma cabeça desproporcionalmente grande em relação ao resto, brilhante e pronunciada, apontando levemente para baixo com o próprio peso. Era uma pica estranha e bonita, diferente de qualquer outra que eu tivesse tido na boca.

Segurei pela base e passei a língua devagar desde os ovos até a ponta, parando no freio, dando pequenos lambidos naquela cabeça enorme antes de meter tudo na boca. Comecei a chupá-lo com cuidado, testando as bordas, levando-o mais fundo quando ele soltou um som pequeno que me indicou que eu estava indo pelo caminho certo.

Sebastián pousava a mão sobre minha cabeça com suavidade, sem pressionar, mas os dedos se crisparam no meu cabelo toda vez que eu passava a língua pela fenda. Ele fazia pequenos sons contidos, os de alguém que não quer ser ouvido do corredor.

—Puta merda, que delícia —murmurou—. Olha como você chupa. Não para, por favor, não para.

Eu chupava o pau dele devagar, depois mais rápido, engolindo-o até a cabeça brilhante roçar o fundo da garganta e me dar ânsia. Toda vez que eu sentia que ele inchava mais, tirava-o para cuspir saliva na ponta e tornava a enfiá-lo inteiro. Ele soltava respirações curtas, movendo os quadris só um pouco, enquanto eu passava a língua pela fenda e molhava o prepúcio com saliva. Agarrei os ovos dele com uma mão e os massageei suavemente enquanto, com a outra, bombeava a base em sincronia com a boca.

A pica endureceu ainda mais entre meus lábios e o peso dela encheu minha boca de um sabor salgado e forte, que me fez apertar as pernas sem querer. Sentia minha calcinha se encharcar de novo, misturando o novo com o que eu já tinha de Ramiro. Tirei o pau dele por um momento para chupar os ovos um por um, metendo-os inteiros na boca, e ele soltou um gemido entrecortado e empurrou minha cabeça para que eu voltasse à ponta.

No meio do caminho ele me parou e me olhou com os olhos semicerrados, os óculos um pouco caídos sobre o nariz.

Cena 4 do conto: A aventura de segunda-feira que meu namorado jamais soube
La mesa de siempre

—Me dá mais —sussurrou—. Quero te comer. Só um momento, por favor.

—Pelo cu, não —disse, ainda com a voz pastosa de saliva—. Estou toda cheia.

Sebastián me olhou por um segundo e umedeceu os lábios.

—Pelo outro lado, então.

Engoli em seco. Me levantei. Virei de costas e me apoiei na mesa de trabalho com as palmas abertas. Ele baixou minha saia e a calcinha num movimento lento, e soltou um assobio quando viu como eu estava toda lambuzada por dentro.

—Olha só como te deixaram —murmurou, quase para si mesmo, e, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, senti sua boca em um lugar completamente inesperado: a língua explorando a borda do ânus com uma concentração quase risível de tão metódica que era. Ele separou minhas nádegas com as duas mãos e se enfiou ali, lambendo meu cuzinho com a ponta da língua, rodando em volta, empurrando-a para dentro.

—Não faz isso —disse, mas saiu mais suave do que eu queria.

Ele não me deu ouvidos. Continuou com paciência, sem pressa, enfiando a língua no meu cu e tirando-a para voltar a me lamber inteira, misturando a saliva com o que escorria da buceta. O que eu sentia era uma mistura de vergonha e outra coisa mais difícil de nomear, alguma coisa que ia se abrindo caminho a cada segundo. Eu me apertei contra o rosto dele sem querer, e ele soltou uma risadinha satisfeita antes de me enfiar um dedo lubrificado com a própria saliva.

—Calma —disse, movendo-o devagar—. Vou te abrir bem primeiro.

Enfiou um segundo dedo e começou a girá-los, me abrindo aos poucos, enquanto com a outra mão beliscava um mamilo por baixo da blusa. Meu cu ardia e pulsava, e eu mordia o antebraço para não gemer tão alto. Quando ele perguntou se podia, eu já estava em outro estado. Disse que sim sem terminar de pensar direito.

Ele cuspiu, lubrificou com cuidado aquela cabeça enorme, besuntando-a bem, e cuspiu de novo na mão para espalhar tudo. Encostou a ponta no meu cuzinho e começou a entrar bem devagar. Senti o momento em que a resistência cedeu: doeu com aquela intensidade que queima e surpreende ao mesmo tempo, mas que não faz a pessoa pedir para parar. Cada milímetro daquela cabeça abrindo caminho foi concreto e inequívoco, uma pressão imensa que me partia ao meio.

—Ai, espera, espera —gemei, agarrando a mesa com as unhas cravadas na madeira.

—Aguenta, mamita, já quase entrou tudo —ele ofegou, segurando meus quadris, empurrando um pouquinho mais a cada expiração.

Quando ele entrou por completo, fiquei quieta por um instante, respirando, sentindo aquele membro compridíssimo fincado até o fundo do cu. Era uma sensação que não se parecia com nenhuma outra: o ardor misturado a uma plenitude suja que me fazia tremer as pernas.

Ele começou a se mover. Fundo. Devagar no início, tirando o pau quase todo para tornar a enfiá-lo milímetro por milímetro, depois com mais determinação. Agarrou minhas coxas e foi me empurrando contra a mesa, marcando um ritmo pesado que fazia minhas pernas tremerem. O pau me abria por dentro a cada vai-e-vem, entrando e saindo com um som úmido, sujo, de carne contra carne. Eu tinha as mãos cravadas na madeira e o rosto ardendo, sentindo-me preenchida até o fundo por aquele espessura quente.

—Isso —disse ele, respirando forte—. Isso, não vai se mexer. Quero sentir você bem apertadinha. Deus, que cu gostoso.

Ele levou a mão para frente até enfiá-la entre minhas pernas e começou a esfregar o clitóris no ritmo das investidas enquanto continuava me fodendo por trás. A buceta ainda estava pingando sêmen alheio, e os dedos dele chapinhavam naquela umidade enquanto ele cravava o pau no outro buraco. Era demais: duas sensações diferentes puxando em direções opostas, e eu entre as duas sem conseguir pensar em nada.

Quando ele ficou mais bruto, a pancada do quadril me arrancou um gemido que me obriguei a engolir. Ele continuou, afundando até o fundo, soltando aqueles suspiros contidos que escapavam entre os dentes.

—Vou gozar —disse de repente, com a voz abafada—. Vou gozar, mamita, posso dentro?

—Pode, já, goza —ofeguei, sem conseguir articular mais nada.

Agarrou meus quadris com os dedos e ficou ali, em espasmos, esvaziando-se bem dentro, mais fundo do que qualquer coisa que eu já tivesse sentido naquele lugar. Senti a gozada quente se expandir dentro de mim, espessa e abundante, me preenchendo por trás enquanto a respiração dele ficava entrecortada e o corpo se tensionava sobre o meu. Cada jato eu sentia subir por todo aquele pau comprido até se soltar no fundo, e ele continuava empurrando devagar, gemendo baixinho contra minha nuca, me esvaziando até o fim.

—Meu Deus —murmurou ao sair, com a testa apoiada nas minhas costas. O pau saiu coberto do próprio gozo, e pelo meu cuzinho desceu um fio branco e pegajoso que escorreu pela minha coxa.

Ele me deu um beijo suave na nuca. Pegou a roupa dele e eu a minha. Limpei-me como pude com um pano que encontrei na mesa, mas a sensação de tê-los aos dois dentro de mim não ia embora tão fácil. Nos despedimos na porta sem dizer mais nada, um por um corredor e eu por outro, como se tivéssemos ficado até tarde trabalhando.

Saí para a rua com duas cargas diferentes no corpo e zero orgasmos meus. Era uma estatística que me parecia completamente injusta.

***

O caminho para casa foi longo. Peguei o metrô até o entroncamento e de lá o ônibus. Consegui um assento, o que foi um alívio. Sentia o corpo de um jeito particular, aquela sensação de algo que não termina de se fechar, de espaço cedendo aos poucos. Cada movimento do ônibus me lembrava o que eu tinha dentro.

Cheguei ao meu quarto antes que alguém me visse direito o rosto.

Sobre o balcão da cozinha havia um pepino que já fazia dias esperava seu uso correto. Era grosso, com uma superfície irregular que não era exatamente o que um agricultor imagina, mas que, para o que eu precisava naquela tarde, servia perfeitamente.

Tirei a saia e a calcinha, que naquele ponto já tinham toda a história do dia guardada no tecido: uma mancha amarelada atrás e outra na frente, misturadas. Deitei na cama com as pernas bem abertas e passei um dedo pela buceta para ver o quão encharcada eu ainda estava. Ainda saía de dentro de mim um fio de sêmen morno sempre que eu apertava as coxas.

Chupei os dedos —tinham gosto de Ramiro, de sal e de algo mais forte— e peguei o pepino. Primeiro, passei-o pela minha própria umidade para lubrificá-lo, esfregando-o no clitóris até me escapar um suspiro longo. Depois comecei devagar: enfiando-o pela buceta centímetro por centímetro, sentindo-me abrir com aquela textura áspera, diferente de um pau, mas igualmente satisfatória por ser grossa.

Fui colocando e tirando com cuidado, buscando o ângulo que me dava aquele atrito sujo e profundo que me fazia arquear as costas. A ponta do pepino me batia no fundo a cada empurrão, e eu o apertava com as paredes da buceta, sentindo a umidade escorrer pelos dedos e manchar o lençol embaixo. Com a outra mão comecei a tocar o clitóris com dois dedos, fazendo círculos rápidos, beliscando de vez em quando para sentir aquela faísca de dor que melhora tudo.

Depois o tirei, ainda pingando, e o baixei até o cuzinho. Ele estava aberto, morno, ainda um pouco lubrificado pelo gozo de Sebastián. Rodei a ponta na borda e empurrei devagar para dentro, sentindo o ardor familiar voltar, aquela sensação de plenitude suja. Uma vez lá dentro, movi-o com calma, tirando-o quase por completo para torná-lo a afundar, enquanto continuava a me dar círculos no clitóris cada vez mais rápido.

Com uma mão separei melhor as nádegas e com a outra apertei o pepino contra mim, sentindo a umidade escorregar pelos dedos. Mordi o lábio e continuei, mais rápido, até meu corpo começar a tremer por completo. A pressão foi se acumulando no centro, como um nó que de repente se rompe.

Pensei em Ramiro me conduzindo até o canto escuro do estacionamento com aquela tranquilidade de quem sabe o que quer, em como ele tinha cravado o pau em mim sem avisar e se esvaziado dentro sem perguntar. Pensei na voz de Sebastián dizendo só um momento, e em como aquele momento foi bem mais do que isso, em sua pica compridíssima abrindo meu cu contra a mesa da oficina. Pensei em como nenhum dos dois tinha se preocupado especialmente se eu gozava ou não, em como tinham me usado como uma putinha complacente, e em como isso, de algum jeito que eu não sabia justificar, fazia parte do que tornava tudo excitante.

O que não veio o dia inteiro veio em questão de minutos. Agarrei o travesseiro com a outra mão, apertando o pepino bem fundo no lugar enquanto o orgasmo me sacudia de dentro para fora. A buceta se contraiu em ondas, o cu apertou em torno do pepino, e os dois buracos pulsaram ao mesmo tempo, expulsando o que ainda restava dos dois homens. Gemeu contra o tecido, baixinho, com a porta fechada e a tarde cobrando o que me devia.

Tive um segundo orgasmo quase em seguida, mais curto, mas igualmente forte, quando me imaginei com os dois ali ao mesmo tempo, um de cada lado, me fodendo simultaneamente. Tirei o pepino com cuidado e o deixei sobre um guardanapo. Fiquei um tempo respirando com as pernas ainda abertas, sentindo-me vazia e satisfeita pela primeira vez no dia inteiro.

Depois tomei banho. A água quente foi a coisa mais honesta do dia. Vi tudo indo embora pelo ralo, tudo deles, tudo meu, misturado e desaparecendo.

Vesti o pijama: uma blusa longa e uma calcinha limpa. Desci para jantar.

***

Minha mãe estava pondo a mesa quando entrei na cozinha. Meu pai lia na sala. Minha irmã mais nova olhava o celular sentada na cadeira de sempre.

—Filha, você está com o rosto muito vermelho —disse minha mãe, me olhando com aquela atenção de mãe que não deixa passar nada—. Pegou muito sol?

—Andei bastante —respondi, servindo um copo de água para mim—. Está calor lá fora.

Meu pai entrou e se sentou à minha frente. Jantamos os quatro com a conversa de sempre: a escola, o trânsito, se eu tinha comido direito. Respondi com monossílabos. Em algum momento notei que meu pai me olhava fixo, sem o telefone, com uma atenção que não era a de sempre. Me cobri um pouco e continuei comendo.

Que dia estranho tinha sido.

Ninguém sabia de nada e isso era o mais esquisito de tudo: que alguém podia carregar um dia inteiro cheio de coisas que não deveriam ter acontecido, voltar para casa, sentar-se à mesma mesa de sempre e tudo parecer absolutamente igual.

Minha mãe com sua preocupação com o sol. Minha irmã com o celular. Meu pai com aquele olhar que eu fingia não ver.

E eu, ali no centro daquela mesa, com o dia inteiro guardado por dentro como algo que pertencia só a mim.

Terminei de jantar, dei boa-noite e subi para dormir.

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