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Relatos Ardientes

Meu marido quis ouvir cada detalhe da minha traição

A casa dos Herrera tinha naquela madrugada uma qualidade nova, um silêncio denso que não era ausência de ruído, mas presença de segredos pesados demais para serem nomeados. Mariana entrou depois das quatro, o frio da estação ainda grudado à jaqueta, um cartão branco com as iniciais «RM» queimando no bolso como um pedaço de gelo. Subiu os degraus de forma mecânica. Ao abrir a porta, não encontrou escuridão: Daniel a esperava no sofá, na penumbra do hall, com duas taças de vinho tinto sobre a mesa baixa.

Seu olhar não era de reprovação pela hora. Tampouco de ansiedade. Era uma calma estranha, uma observação tranquila e constante que parecia absorver cada detalhe de sua chegada: o passo vacilante, a sombra nos olhos, o leve tremor das mãos ao deixar as chaves no prato da entrada.

Daniel havia mudado nas últimas semanas. A tensão nervosa que antes o levava a checar o celular a cada cinco minutos se transformara nessa quietude penetrante. Seus olhos seguiram Mariana até a sala, não com suspeita, mas com uma curiosidade profunda, quase clínica, como se pudesse ler na pele dela tudo o que acontecera longe daquela casa. Como se pudesse sentir o cheiro da gozada alheia ainda secando entre suas coxas.

Ela se largou no sofá à frente dele, ainda vibrando com a energia contraditória que trazia consigo. Esperava reproches, gritos, talvez o fim de tudo. Em vez disso, ele lhe aproximou uma taça.

— Senta direito, Mariana — disse, com a voz serena, sem traço do nervosismo de costume, como se a longa espera tivesse consumido toda a ansiedade.

Ela obedeceu com cautela, afundando no couro como se pudesse desaparecer dentro dele. A taça estava fria entre seus dedos.

— Andei pensando — começou Daniel, tomando um gole. — Pensei na tua distância. Nas tuas saídas à noite. Na maneira como meu pai agora te olha. Em como o Mateo fica vermelho toda vez que você aparece. — Fez uma pausa, deixando as palavras flutuarem no ar úmido da madrugada. — E pensei na minha própria ambição. Em como cedi, em como praticamente te ofereci àquele cliente por um contrato.

Mariana ficou imóvel. Não disse nada. O que acabara de viver naquela mesma noite fazia aquelas velhas confissões parecerem ecos de outro planeta.

— No começo eu quis negar — continuou ele. — Depois quis ficar com raiva. Mas não consegui. Porque, no fim, ao te olhar, ao ver em que você se transformou, só senti uma coisa. — Ele ergueu a vista e a encarou diretamente nos olhos. A luz fraca do abajur capturava algo novo em seu gesto: uma rendição, uma aceitação. — Curiosidade. E uma excitação que eu não sei explicar. Fico duro, Mariana. Fico duro só de pensar nas picas que te comeram esta noite.

Mariana sentiu o chão se mexer sob seus pés. Não era medo de ser descoberta. Era a perplexidade de se sentir entendida, ou pelo menos de que alguém tentasse entender o abismo, justamente pela pessoa de quem ela mais havia se afastado.

— O que você quer, Daniel? — perguntou, com a voz apenas um pouco acima de um sussurro que se perdeu na casa adormecida.

— Quero saber — respondeu ele, e dessa vez havia um brilho diferente nos olhos, um brilho que não era de raiva, mas de um desejo fascinado. — Não quero te impedir. Não quero te julgar. Só quero que você me conte. Tudo. Quero que você venha até mim depois, que se sente ao meu lado nesta cama e me fale do que fez. Do que fizeram com você. De quantas picas enfiaram em você, em qual buraco, quanto sêmen você engoliu, quanto deixaram escorrendo pelo seu cu. Não como uma confissão. Como um relato. Um relato para nós dois.

Ela o observou longamente, procurando a armadilha, a manipulação escondida. Só encontrou uma honestidade brutal. Daniel havia cruzado o próprio limiar. Aceitara um papel que não era o do marido traído, mas o do cúmplice final, o espectador que goza com o espetáculo. Talvez, pensou com um arrepio, fosse o único refúgio possível diante do labirinto em que ela se metera.

— Tudo bem — disse, e havia em sua voz algo parecido com gratidão, ou ao menos com um alívio profundo.

A mentira, enfim, havia terminado. Ou havia se mutado em um pacto novo, um em que a verdade seria a moeda de troca.

***

A partir daquela noite, a dinâmica entre eles mudou por completo. Mariana já não precisava inventar desculpas. Daniel a esperava sempre acordado, às vezes na sala, às vezes na cama. E ela, com a voz baixa e clara, sem emoções exageradas, contava. Descrevia o cheiro de tabaco velho e colônia barata do homem da vez, a forma como umas mãos estranhas abriam suas pernas e beliscavam seus mamilos até deixá-los duros. Detalhava como uma pica grossa e cheia de veias esticara o seu cuzinho até fazê-la gemer, como outro a tinha enchido de porra na boca obrigando-a a engolir até a última gota, como uns dedos desajeitados tinham procurado o seu cu enquanto outra vara entrava e saía dela. Contava a afobação desastrada do jovem inexperiente que gozou em dois minutos, mal lhe roçando os peitos. E, em sussurros ainda mais baixos, falava de Ricardo: do poder frio e absoluto que emanava dele, das ordens que ele lhe dava enquanto a mantinha de quatro, de como a obrigava a chupá-lo olhando nos olhos, das humilhações calculadas — ajoelha, abre a boca, engole tudo, puta — às quais a submetia sem nunca levantar a voz.

Daniel ouvia. Nunca interrompia. Seus olhos não se afastavam dela. E, à medida que Mariana narrava, ele se transformava. A respiração ficava mais funda, as mãos se fechavam sobre os lençóis ou sobre os braços do sofá. A pica se erguia, dura e latente, marcando a calça do pijama sem nenhum disfarce. Não eram ciúmes o que o agitava. Era uma excitação escura, vicária. Ele se acendia com a perda de controle da esposa, com a entrega do corpo dela a outros, com a certeza de que ele, daquele lugar privilegiado, era o único que possuía o relato completo. Era o arquivista da própria desapropriação, e nesse arquivo encontrava um prazer torto e, à sua maneira, libertador.

Uma noite, depois que ela lhe contou com todos os detalhes como tivera de abrir as pernas diante de um velho conhecido de Ricardo — um homem de sessenta anos, barriga mole e uma pica surpreendentemente grossa — para recuperar uma das fotografias; como o sujeito a pusera de quatro sobre a escrivaninha, como cuspira em seu cu antes de enfiar dois dedos, como a fodera por trás enquanto puxava seu cabelo e a chamava de «vagabunda do Ricardo» até gozar dentro, Daniel não conseguiu mais se conter.

— Vem aqui — disse, com a voz rouca.

Mariana se aproximou. Ele a tomou pela mão e a levou para a cama. Não foi como antes, não foi o toque conjugal distante e técnico dos últimos anos. Dessa vez havia uma urgência nova, uma paixão alimentada pela confissão, pela verdade compartilhada, pela cumplicidade no abismo.

***

Ela se despiu diante dele, mas dessa vez não havia ritual, nem roupa escolhida para outro homem. Foi uma nudez simples, oferecida. Sob a luz suave do abajur, seu corpo era um mapa de experiências recentes: um hematoma discreto ali, a marca de uns dedos acolá, uma mordida ainda vermelha na parte interna da coxa, os mamilos um pouco irritados de tanto terem sido chupados e esticados por bocas alheias. Mas, sobretudo, uma presença magnética, uma segurança na pele que antes ela não tinha.

Daniel a contemplou e, pela primeira vez em muito tempo, não viu a esposa que havia perdido, mas a mulher em que ela se tornara: poderosa até em sua submissão, livre em sua entrega, absolutamente real. Baixou a calça do pijama e sua pica saltou para cima, dura como não ficava havia anos, a ponta já úmida de líquido pré-seminal.

Mariana se ajoelhou à beira da cama sem dizer palavra e a enfiou inteira na boca. Fez isso devagar, com uma técnica que Daniel não conhecia, a língua girando em torno da glande, os lábios apertados na base, as bochechas afundadas ao chupar. Ele soltou um gemido abafado e lhe pôs as duas mãos na cabeça. Ela deixou que ele fodesse a boca, sentindo a pica tocar o fundo da garganta, as lágrimas saltarem, um fio de saliva escorrer pelo queixo até os seios.

— Assim — ele arfou. — Me mostra como você chupa ele. Como chupou ele esta noite.

Mariana o olhou de baixo, com a pica ainda metida na boca, e assentiu apenas com os olhos. Tirou a vara com um estalo úmido, cuspiu sobre ela e a segurou com a mão enquanto lambia os ovos um por um, chupando-os com cuidado, puxando-os com os lábios. Depois subiu de novo pelo tronco, lentamente, com a ponta da língua marcando a veia grossa que o cortava, até engoli-lo inteiro outra vez.

Daniel a ergueu pelos cabelos e a deitou de costas na cama. Abriu suas pernas com os joelhos e desceu a boca até seu cuzinho. Nunca antes no casamento ele tinha feito aquilo com tanta fome. Lambia seus lábios abertos, sugava o clitóris até fazê-la arquear as costas, enfiava a língua dentro em busca do gosto dos outros, em busca da prova. Mariana gemia sem pudor, agarrando-se aos lençóis, movendo o quadril contra o rosto do marido.

— Mete logo — pediu, arfando. — Fode-me, Daniel, fode-me como eles me fodem.

Ele se colocou sobre ela e, com uma única investida, a penetrou até o fundo. Mariana soltou um grito seco. Ele começou a se mover forte, cada impulso fazendo as peles se chocarem com um som úmido e obsceno. Agarrou seus seios, apertou-os, beliscou os mamilos sem medo de machucá-la. Ela arranhou as costas dele, cravou os calcanhares nas nádegas dele, pediu mais, mais rápido, mais fundo.

— Me conta — ele arfou sem parar de socar. — Me conta quantos te comeram hoje.

— Três — respondeu ela entre gemidos. — Três paus… um no cu, outro na boca, e o Ricardo… o Ricardo no fim abriu meu cu…

Daniel soltou um grunhido quase animal e acelerou. Ergueu-a pelas ancas, colocou-a de quatro e voltou a enfiá-la por trás. Agarrou-a pelo cabelo, jogou sua cabeça para trás e a fodeu com uma fúria surda, olhando a pica entrar e sair do cu avermelhado da esposa, ouvindo-a gemer com a boca contra o colchão.

— É assim que ele te come? — perguntou, dando-lhe uma palmada que deixou a marca vermelha da mão.

— Sim… sim, assim… mais forte…

Ele a trocou de posição outra vez. Colocou-a por cima, sentada sobre ele, e a deixou marcar o ritmo. Mariana se moveu com as mãos apoiadas no peito do marido, subindo e descendo devagar no começo, depois com investidas fortes que faziam suas coxas baterem contra as dele. Os seios quicavam à altura do rosto dele, e Daniel se ergueu para chupá-los, mordiscar os mamilos, encher a boca com eles enquanto ela o cavalgava.

— Vou gozar — gemeu ele contra a pele dela.

— Dentro — sussurrou Mariana. — Goza dentro, quero que se misture com o deles.

Aquelas palavras o fizeram explodir. Ele a agarrou pelas ancas, a cravou contra sua vara e descarregou dentro dela com um rugido longo, sentindo a porra sair em ondas, juntando-se ao sêmen alheio que ela ainda tinha dentro. Ela gozou ao mesmo tempo, tremendo inteira, apertando a pica com os músculos internos, gritando o nome dele pela primeira vez em anos.

O encontro depois foi lento, fundo, intensamente consciente. Cada carícia posterior, cada beijo, cada nova investida mais suave carregava o peso de tudo o que fora calado durante anos e de tudo o que fora dito nas últimas semanas. Daniel a possuía não como um dono ciumento reivindicando sua propriedade, mas como um homem que redescobria sua companheira através do prisma da própria transformação. E ela respondia com uma entrega que já não tinha a ver com obediência a Ricardo nem com submissão a um jogo alheio, mas com uma escolha presente, visceral, de estar ali, com ele, naquele preciso instante.

Foi a melhor noite de sexo que os dois já haviam tido. Não por técnica, mas por autenticidade. Porque já não havia máscaras. Ela era a esposa usada por outros; ele, o marido que gozava ouvindo e depois a comendo, por cima dos restos de outras picas. E, nesse espaço de verdade descarnada, o desejo floresceu com uma força devastadora.

No fim, exaustos, banhados em um suor compartilhado, com a mistura espessa de dois gozos escorrendo pela parte interna das coxas de Mariana, ficaram enlaçados. O corpo dele, mais macio e familiar; o dela, firme e marcado por outras mãos, fundiam-se na penumbra. Daniel inclinou a cabeça e procurou seus lábios. Foi um beijo longo, lento, profundo. Não o beijo rápido e distraído dos anos de rotina, nem o beijo vazio das reconciliações falsas. Este tinha gosto de verdade, de sal, de sêmen, de fim e de começo. Pela primeira vez em muito tempo, se beijavam como um casal. Um casamento quebrado, reconstruído com materiais perversos, mas um casamento, afinal.

***

Mariana, completamente nua, afundou nos travesseiros, o corpo relaxado numa postura de abandono total, as pernas ainda entreabertas, um rastro brilhante secando na parte interna da coxa. A luz prateada da lua cheia se filtrava pela janela e a banhava, acariciando a curva do ombro, o vale entre os seios, a suave extensão do ventre. Sua respiração ficou regular, profunda. Um sussurro, quase imperceptível, escapou de seus lábios entreabertos: o som de um sono fundo, de paz, talvez a primeira paz verdadeira desde que aquele cartão começou a pulsar na gaveta.

Daniel permaneceu acordado, observando-a. Amava-a naquele momento de um modo mais complexo e doloroso do que nunca. Com infinita cautela, começou a deslizar para fora da cama, milímetro por milímetro, evitando que o colchão rangisse ou que os lençóis sussurrassem demais. Movia-se como um fantasma, treinado por semanas de vigília silenciosa.

Já de pé, sua figura nua recortou-se contra a luz da lua. Cruzou o quarto com passos furtivos até chegar ao móvel da televisão. Com um gesto preciso, seus dedos encontraram um pequeno dispositivo preso com fita dupla face à parte de trás do aparelho, oculto na sombra do canto. Era um gravador de áudio digital, minúsculo, de alta capacidade. Uma luz vermelha intermitente indicava que estivera funcionando por horas.

Ele o apertou na mão, sentindo o plástico frio. Depois, com o mesmo sigilo, voltou para a cama. Deslizou sob os lençóis, de barriga para cima, com o aparelho agora escondido sob o travesseiro. Olhou para o teto, depois virou a cabeça para observar mais uma vez o perfil de Mariana banhado pela luz lunar.

Um suspiro longo e silencioso saiu de seu peito. Em seu olhar não havia triunfo nem traição. Havia uma resolução fria, a de um homem que finalmente encontrara o próprio lugar no jogo. Ele aceitara o papel de corno satisfeito, de espectador, de confidente. Mas também decidira ser algo mais: o cronista. Aquele que guardava a prova.

Fechou os olhos, escutando a respiração tranquila da esposa. O casamento jazia na cama, renovado por uma paixão nascida do abismo e selado por um segredo final, guardado já não numa gaveta, mas na memória digital de um aparelho escondido. O jogo de Ricardo continuava, mas as regras, mais uma vez, acabavam de mudar.

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