O verão em que minha cunhada começou a me olhar diferente
A casa de campo pertencia aos pais de Javier havia décadas, e naquele fim de semana de julho cheirava a lavanda e terra seca. Marcos chegou na sexta-feira à tarde com Lucía na moto, sem avisar, como era seu costume. O irmão e a cunhada já estavam instalados, e Sofía saiu para recebê-los com um sorriso ensaiado que esfriou por um segundo assim que viu Lucía descer do banco traseiro, tirar o capacete com o cabelo desgrenhado e os olhos brilhantes, e aproximar os lábios da bochecha de Marcos com a naturalidade de quem não precisa provar nada.
O sábado amanheceu com aquele calor branco que achata o tempo e apaga as intenções. Javier recebeu uma ligação antes do café da manhã e apareceu na cozinha abotoando a camisa, contrariado.
— Tenho que ir à cidade. Um problema com os documentos da herança que não pode esperar — disse, beijando Sofía na testa sem olhá-la. — Volto ao meio-dia.
Ninguém protestou. Sofía preparou café em silêncio enquanto Lucía descascava uma laranja apoiada no balcão. Marcos observava as duas da mesa, com aquela atenção tranquila que às vezes deixava desconfortável quem não o conhecia bem. O motor do carro de Javier desapareceu pela estrada, e a casa ficou em silêncio.
***
Às onze, já estavam junto à piscina. Sofía escolheu o maiô que sempre a fazia se sentir mais segura, azul-marinho com um detalhe dourado no decote, e se deitou na espreguiçadeira com óculos de sol enormes e um romance que não chegou a abrir. Lucía passou creme nos ombros e se deitou em silêncio, sem mais protocolo ou artifício. Seu corpo era resultado de meses de treino: firme, sem enfeites, sem necessidade de aprovação.
Marcos, em sua espreguiçadeira, acompanhava o fio da conversa sem participar muito. Sofía falava de viagens, de restaurantes na cidade, da última exposição que visitara. Falava bem, com a precisão de quem sabe que suas palavras têm peso. Mas, cada vez que esperava a aprovação de Marcos, ele desviava o olhar para Lucía.
Com um gesto quase imperceptível, Marcos indicou algo a ela. Lucía entendeu sem que uma palavra fosse dita: ergueu-se ligeiramente e desamarrou a parte de cima do biquíni, deixando-a cair ao lado da espreguiçadeira. Sofía a viu por trás dos óculos e não disse nada. Seus seios pequenos e firmes pareceram encolher um pouco mais sob o maiô.
— Você não vai se animar? — perguntou Marcos, olhando para Sofía com um meio sorriso.
Ela forçou uma risada breve e baixou as alças do maiô pelos ombros, deixando o torso à mostra com um gesto que tentava parecer natural. Não era. Sofía tinha o corpo que o exercício constante lhe dera: simétrico, firme, sem nada a esconder. Mas, ao lado de Lucía, a comparação era implacável, não tanto pelo físico, mas pela indiferença com que a outra se movia, como se o sol e os olhares fossem coisas que simplesmente lhe pertencessem. Marcos brincou em voz baixa e Lucía riu, e Sofía também, embora seu sorriso guardasse algo que não era riso de jeito nenhum.
A tarde se estendeu preguiçosa. Para Lucía, ficar assim sob o sol era uma questão de naturalidade: movia-se com confiança, segura do próprio corpo e do olhar de Marcos, que a percorria de vez em quando com uma posse tranquila. Sofía, por outro lado, sentia-se presa numa contradição. Tinha cedido a algo que não quisera ceder, e essa concessão não lhe trazia paz, mas uma irritação cujo nome ela não encontrava.
***
Lucía entrou para buscar água fresca, e Sofía aproveitou o momento. Aproximou-se de Marcos por trás, ainda com o torso nu, úmida de protetor solar, e o envolveu pelos ombros com os braços.
— Marcos... — murmurou, com a voz mais baixa que de costume.
Ele não se afastou. Segurou-a pela cintura com as mãos firmes e, quando ela ergueu o rosto procurando algo que não sabia exatamente como pedir, ele inclinou a cabeça e deixou os lábios roçarem os dela. Foi breve, úmido, sem urgência, mas inconfundível. A língua de Marcos avançou entre os lábios de Sofía por apenas um segundo, o bastante para que ela sentisse seu gosto, e uma das mãos dele desceu pela cintura até apertar uma nádega por cima do tecido do maiô. Sofía soltou um gemido minúsculo, involuntário, e sentiu a boceta umedecer imediatamente, com aquela reação instantânea e traidora que não tivera com Javier havia meses.
— Vai haver um momento — disse ele em voz baixa, antes de soltá-la. — Vou foder você até você esquecer seu nome. Mas não agora.
Sofía engoliu em seco. Sentiu o mamilo pulsar contra o maiô ainda meio abaixado e um fio quente escorrer pela parte interna da coxa. A palavra foder ressoou em sua cabeça como uma promessa e uma ameaça ao mesmo tempo.
O som dos passos de Lucía no corredor os separou com a rapidez dos culpados. Sofía voltou à espreguiçadeira com o coração acelerado e uma mistura de alívio, raiva e algo mais sombrio que preferia não examinar de muito perto.
***
Javier chegou ao meio-dia, cansado, com papéis debaixo do braço e vontade de comer. O jantar foi tranquilo, com vinho da região e uma conversa que fluía sozinha, sem que ninguém precisasse forçá-la. Depois, enquanto os homens discutiam o que colocar na televisão, as mulheres recolheram a louça.
Sofía lavava os pratos com a eficiência mecânica de quem precisa manter as mãos ocupadas para não pensar. Lucía os secava em silêncio, com uma expressão tranquila que, sem saber bem por quê, parecia quase insultante para Sofía. Quando se aproximaram da sala, Lucía aguentou vinte minutos do filme antes de se levantar.
— Vou para a cama — disse, dando um beijo na têmpora de Marcos. — Não demorem.
Javier e Marcos continuaram vendo o filme. Sofía também ficou, cruzando as pernas com deliberada indiferença, embora sua atenção estivesse completamente voltada para o perfil do cunhado. Quando os créditos terminaram, cada um se dirigiu ao próprio quarto sem mais cerimônia.
***
Marcos empurrou a porta do quarto de hóspedes sem fazer barulho. Lucía dormia de lado, com um braço estendido para o lado vazio da cama. Ele a observou por um momento da soleira, com aquela calma que não era indiferença, mas uma forma particular de atenção.
Levantou o lençol, acariciou suas costas com a palma da mão e, antes que ela terminasse de acordar, deu-lhe uma palmada seca nas nádegas. O estalo da mão contra a carne ecoou abafado no quarto. A marca rosada surgiu instantaneamente na pele branca da bunda de Lucía.
Lucía abriu os olhos com uma expressão sonolenta e protestou com um murmúrio.
— Me deixa dormir mais um pouco...
— Primeiro você tem uma tarefa — disse ele, com uma voz que não admitia discussão, mas tampouco era cruel. — Tem que conquistar o sono chupando meu pau.
Ela suspirou, reconhecendo o tom, e se sentou devagar. Marcos deu-lhe outra palmada, depois mais uma, firmes e calculadas, cada uma mais sonora que a anterior, até as nádegas de Lucía ficarem marcadas com o contorno nítido de sua mão. Depois, colocou-a como queria: deitada de costas, com a cabeça pendendo pela borda da cama, a garganta completamente esticada, completamente exposta. Era uma posição que Lucía conhecia bem e que sempre a deixava naquele estado particular de vulnerabilidade que ele buscava deliberadamente.
Ele a recompensou com carícias lentas antes de se aproximar. Suas mãos percorreram o corpo dela com aquela mistura de posse e cuidado que ela reconhecia como exclusivamente dele: beliscou seus mamilos até deixá-los duros, desceu pelo ventre liso e abriu suas coxas para passar dois dedos por sua boceta, que já estava molhada pelo próprio ritual de saber-se prestes a servi-lo. Quando abaixou a cueca e tirou o pau, duro e grosso, deixou-o cair sobre o rosto de Lucía e passou a glande por seus lábios fechados, marcando-os com uma camada brilhante de líquido pré-ejaculatório.
— Abra — ordenou.
Lucía separou os lábios e estendeu a língua. Começou por baixo, com a calma de quem conhece o ritual de cor: lambeu as bolas dele uma a uma, tomou-as na boca com cuidado, subiu pela veia inchada da parte inferior do pau com a ponta da língua e, quando chegou à glande, envolveu-a com os lábios e desceu devagar, engolindo o que conseguia naquela posição invertida, que deixava sua garganta como um canal reto.
Marcos segurou seu seio enquanto ela trabalhava, apertando com uma firmeza que beirava a dor. Ela protestou com um gemido abafado, movendo as mãos compulsivamente em direção às dele.
— Dói? — perguntou, num tom entre a curiosidade e a satisfação.
— Sim — respondeu ela, quase inaudível, com o pau entrando e saindo de sua boca.
— Um pouco mais — disse ele, apertando sem acrescentar crueldade, mas sem ceder, até os olhos de Lucía se encherem de lágrimas.
Quando considerou que já era suficiente, deu-lhe acesso completo. Lucía abriu a boca o máximo que pôde, e Marcos começou a foder sua garganta com estocadas ritmadas, segurando sua cabeça com as duas mãos. As bolas batiam em seu nariz a cada avanço. Ela controlava os reflexos de vômito com a prática de meses, engolindo a saliva e o líquido pré-ejaculatório que se acumulava em sua boca, deixando que ele usasse sua garganta como se usa uma boceta. De vez em quando, Marcos enterrava-se até o fundo e permanecia ali por alguns segundos, sentindo o pescoço dela se avolumar por dentro com o formato de seu pau, antes de retirá-lo inteiro para deixá-la respirar. Um fio espesso de saliva pendia do queixo de Lucía até seus seios.
— Boa garota — murmurou ele, passando o polegar pelo lábio inchado dela. — Assim.
***
A menstruação de Lucía a impedia de se oferecer do modo habitual, e essa circunstância era uma mudança de rumo que ambos conheciam sem precisar negociá-la. Marcos a colocou no chão, com uma almofada sob a cabeça e os ombros, as pernas dobradas para cima até os joelhos quase tocarem suas orelhas, o peso do corpo apoiado na nuca e a bunda apontada diretamente para ele. Era uma posição desconfortável que deixava seu cu completamente exposto. Ela sabia disso, e ele também.
Marcos se agachou e cuspiu sobre o buraco dela duas vezes, espalhando a saliva com o polegar e empurrando a ponta para dentro a fim de prepará-la. Lucía cerrou os dentes quando sentiu o dedo abrindo caminho. Ele acrescentou mais saliva, depois lubrificante de um frasco que trouxera, e começou a dilatá-la com um dedo, depois com dois, girando-os devagar até o esfíncter ceder o suficiente.
— Respire — disse ele.
Quando encostou a ponta do pau contra a bunda dela e começou a empurrar, os olhos de Lucía imploravam por mais tempo, mas Marcos não cedeu. O caminho foi difícil no início, marcado pela resistência do corpo dela: a glande grossa lutou contra o anel apertado até conseguir atravessá-lo, e Lucía mordeu os lábios para não fazer muito barulho naquela casa de paredes finas. Um gemido abafado escapou mesmo assim quando ele avançou mais alguns centímetros. Pouco a pouco, ele avançou com paciência, entrando e saindo em movimentos curtos, conquistando terreno a cada estocada, até se enterrar até a base e senti-la rendida sob seu controle, com a bunda pulsando ao redor do pau e o ventre estremecendo. Então retirou tudo de uma vez, deixando o ânus de Lucía aberto por um segundo antes de se fechar, e voltou a entrar num único movimento brusco e definitivo.
Lucía perdeu o controle. Suas mãos bateram instintivamente nas coxas dele, tentando deter algo que já não podia deter, e o som que saiu de sua garganta ameaçou percorrer a casa inteira. Marcos tirou a calcinha do chão com uma mão, sem parar de penetrá-la, e enfiou o tecido em sua boca com calma, quase com ternura. O gesto era prático, e ela agradeceu: ajudava-a a conter o que sozinha não conseguia conter.
— Muito bem. Olhe para mim — disse ele em voz baixa, quando a sentiu se acalmar.
Ela fixou os olhos nos dele e não os desviou mais. Marcos começou a fodê-la de verdade, com estocadas longas e profundas que sacudiam seu corpo inteiro. O som úmido do pau entrando e saindo da bunda dela misturava-se aos gemidos abafados pelo tecido. Ele segurou suas pernas dobradas para mantê-la encolhida, e ela sentiu todo o peso de Marcos se descarregar sobre seu ventre cada vez que ele se enterrava até a base. A posição era brutal, a falta de ar começava a deixá-la tonta, mas justamente aquela combinação de asfixia, dor e humilhação era o que a dissolvia por dentro.
Marcos acelerou o ritmo quando percebeu que estava perto. Tirou o pau da bunda, ajoelhou-se sobre ela e gozou em jatos sobre os seios e o pescoço de Lucía, em três, quatro, cinco ejaculações densas que mancharam sua pele e chegaram até o queixo. Um fio de esperma entrou em sua boca pela borda da calcinha, e ela o engoliu sem pensar.
Quando terminou, não se afastou imediatamente. Manteve-a consigo, beijando-a com o gosto da própria porra nos lábios, mordiscando seus seios manchados com a firmeza de que ela gostava, até arrancar gemidos que misturavam a dor com algo muito mais difícil de nomear. Seus dedos desceram entre as pernas e, evitando a boceta ensanguentada, concentraram-se no clitóris inchado. Ele o esfregou com dois dedos, rápido e preciso, enquanto com a outra mão apertava o pescoço dela sem chegar a cortar-lhe o ar. Lucía arqueou-se no chão com o orgasmo atravessando-a como uma descarga, tremendo da cabeça aos pés, a bunda ainda se contraindo ao redor do vazio deixado por Marcos.
Exausta e trêmula, ela permaneceu um momento em silêncio, com o esperma secando sobre a pele e aquela paz estranha que só encontrava naquele lugar e naquele papel. Ser o brinquedo de Marcos era, à sua maneira, uma plenitude que nada mais em sua vida sabia igualar.
***
Na suíte principal, a noite teve outro ritmo.
Javier a puxou para a cama sem muita conversa prévia. Sofía deixou que ele fizesse, embora sua cabeça continuasse na piscina, no breve beijo daquela tarde junto à espreguiçadeira, na voz de Marcos dizendo vou foder você até você esquecer seu nome antes de soltá-la. O corpo do marido sobre o seu era familiar e confortável, e isso, de algum modo que não sabia articular, a irritava. Javier baixou sua calcinha e enfiou dois dedos na boceta dela com o gesto de sempre, verificando se estava pronta, e surpreendeu-se ao encontrá-la encharcada. Não sabia que aquela umidade não era para ele.
Ele separou suas coxas, acomodou-se entre elas e a penetrou de uma só vez. Sofía fechou os olhos e deixou-se foder, permitindo que o pau do marido entrasse e saísse dela no ritmo que conhecia de cor. Estava tão molhada pela lembrança de Marcos que Javier gozou em menos de dois minutos e precisou se conter, afastando-se e respirando pelo nariz.
Quando tentou avançar para algo que ela nunca acabava de aceitar — passou o polegar pelo cu dela, pressionando com a intenção clara de enfiá-lo ali —, seu corpo se tensionou involuntariamente. Ele grunhiu entre os dentes, frustrado, e com um gesto brusco colocou-a de joelhos sobre a cama, com o rosto contra o travesseiro e a bunda empinada. No começo, Sofía continuou rígida quando o pau de Javier voltou a entrar em sua boceta por trás. Mas o corpo do marido, o impulso constante batendo contra suas nádegas, foi arrancando dela gemidos que escapavam sozinhos, pequenos e incontroláveis, e algo dentro dela começou a relaxar. Imaginou que era Marcos quem a mantinha naquela posição, que era Marcos quem segurava seus quadris e a penetrava até o fundo, e, de repente, sua boceta se contraiu ao redor do pau do marido com uma força nova.
No momento mais inesperado, tomou a iniciativa: virou-se, empurrou-o para trás e acomodou-se sobre ele, posicionando o pau na boceta com a mão e descendo de uma vez até empalá-lo inteiro. Foi ela quem ditou o ritmo. Javier olhou para ela de baixo, surpreso e satisfeito. Levou as mãos aos seios dela com fome.
— Eles me deixam louco — murmurou, beliscando seus mamilos com firmeza. — Sempre me deixaram louco.
— Olhe como eles se mexem enquanto cavalgo em você — disse ela, com uma voz que não reconheceu como sua. — Olhe como eu enfio seu pau em mim.
Aquele gesto específico, aquela atenção à parte de seu corpo que horas antes sentira em desvantagem junto à piscina, libertou-a de algo que carregava desde a tarde. Sofía fechou os olhos e, pela primeira vez durante todo o dia, esqueceu-se de Marcos, de Lucía, das comparações e das humilhações. Cavalgou com força, subindo e descendo sobre o pau de Javier, sentindo a glande roçar um ponto dentro dela que a deixava louca. Quando o orgasmo a atravessou de um extremo ao outro, soltou um grito abafado, que amorteceu contra o ombro do marido, e sua boceta apertou o pau dele em espasmos longos, um atrás do outro.
Depois, foi ela quem tomou a iniciativa de lhe retribuir algo. Deslizou para baixo pelo corpo de Javier e segurou com a mão o pau molhado de seus próprios fluidos, lambendo-o da base à ponta antes de enfiá-lo inteiro na boca. Chupou devagar, brincando com a língua ao redor da glande, tirando-o por completo para cuspir sobre ele e voltar a enfiá-lo, masturbando-o com a mão ao mesmo tempo. Javier a observou com ternura e um toque de espanto, acariciando seus cabelos, enterrando os dedos em sua nuca sem forçá-la.
— Me avise — murmurou ela, travessa, com os lábios brilhantes, e ele soltou uma risada breve e abafada.
Quando chegou o momento, ela tirou o pau da boca e segurou-o apontado para si, e ele encheu seus seios de porra com dois jatos grossos que escorreram pelo decote até o ventre. Sofía espalhou o esperma sobre a pele com a mão, misturando-o ao suor, numa combinação de intimidade e brincadeira que tinha mais cumplicidade que paixão desbordante. Depois descansaram, respirando no mesmo ritmo, lado a lado.
Javier adormeceu imediatamente, com o corpo pesado e a expressão satisfeita. Sofía, porém, permaneceu acordada, com os olhos fixos no teto, o esperma do marido ainda secando entre os seios e a boceta pulsando por outras razões, presa numa trama de pensamentos que não a deixava descansar. Por um lado, a humilhação da tarde junto à piscina despertara nela um desejo proibido que não ousava confessar: desejava-o, precisamente porque ele a fizera sentir-se pequena, e não conseguia parar de imaginar o pau de Marcos abrindo sua boceta com a mesma violência com que abrira a boca de Lucía atrás da parede. Por outro, as mãos de Javier haviam lembrado que ela ainda era desejada, que seu corpo podia ser celebrado sem zombaria ou comparação. Esse contraste a desarmava. Só quando o cansaço a venceu ela se entregou a um sono leve e turbulento, povoado por imagens confusas nas quais os dois homens se misturavam, sem que ela conseguisse distinguir de quem era o pau que a penetrava em cada cena.
***
Lucía levantou-se em silêncio quando Marcos adormeceu e foi ao banheiro limpar-se. Sentou-se no bidê e abriu a torneira com cuidado, deixando a água morna correr entre suas pernas para lavar o resto de lubrificante e esperma que escorria pela bunda e pelas coxas.
Então ouviu: do outro lado da parede fina, o murmúrio inconfundível de alguém fazendo a mesma coisa. Reconheceu a respiração contida de Sofía, os movimentos breves e cuidadosos de quem tenta não fazer barulho, o jato do bidê lavando o esperma alheio. Lucía fechou a torneira até deixá-la num fio e terminou em silêncio, sem se denunciar. Não disse nada. Não fez nada. Apenas soube que a outra estava ali, do outro lado da parede, com a porra de um homem escorrendo pelas coxas assim como acontecia com ela, e que nenhuma das duas precisava de palavras para entender o que aquilo significava.
Por um instante, as duas mulheres compartilharam o mesmo ar, a mesma intimidade posterior, separadas por apenas alguns centímetros de gesso. Depois disso, a casa ficou em silêncio, embora aquele silêncio guardasse coisas diferentes atrás de cada porta fechada.
***
Na manhã seguinte, a moto partiu antes que Javier e Sofía terminassem o café. Lucía colou-se às costas de Marcos enquanto a estrada se abria diante deles, com o vento no rosto e a tranquilidade de quem sabe exatamente qual é o seu lugar.
Pararam num posto de gasolina no meio do caminho. A moça que atendia no balcão era jovem, com o cabelo preso num coque alto e um sorriso direto que pousou um pouco tempo demais em Marcos. Lucía percebeu. Não disse nada. Fazia parte do acordo com um homem como ele: não era possível controlá-lo, apenas escolher ficar ou não, e ela vinha escolhendo ficar havia muito tempo.
De volta junto à moto, antes de partir, Marcos pegou o celular e conferiu as mensagens. Havia uma de Sofía, enviada menos de uma hora antes:
«Ainda sinto nos lábios o que aconteceu junto à piscina. E ainda estou com a boceta molhada pensando no que você me prometeu. Não devia ter acontecido. Faça de novo.»
Ele sorriu de lado e guardou o telefone sem responder. Deu partida na moto, e Lucía o abraçou pela cintura sem perguntar nada, alheia a cobranças e dúvidas, feliz por ser dele enquanto o motor ronronava e a tarde se estendia diante deles como um terreno sem limites.
***
Na cidade, Javier carregava as sacolas do mercado ao lado de Sofía. Caminhavam devagar pela rua principal quando ele falou sem olhá-la, com a voz grave e sem acusá-la diretamente:
— Que jeito intenso de se despedir do meu irmão hoje de manhã.
Não acrescentou mais nada. Não precisava.
Sofía não respondeu. Engoliu em seco e continuou caminhando, com os olhos fixos na calçada. A culpa pesava, mas também ardia algo dentro dela que não era inteiramente culpa: era a lembrança daquele beijo brevíssimo junto à espreguiçadeira, a mão de Marcos apertando sua nádega por baixo do maiô, a voz prometendo um momento que ainda não chegara e a certeza inquietante de que aquela história não terminara ali. Que, na verdade, mal havia começado.
O silêncio que ficou entre eles era suficiente. Suficiente para saber o que nenhum dos dois ainda ousava dizer em voz alta.