Meus encontros lésbicos em um app de videogame
Há dois anos, quando eu ainda cursava o último ano do ensino médio e meus planos de vida eram claros como água — curso técnico, trabalho, independência —, instalei no celular um jogo de simulação de vida. Era um daqueles jogos em que você cria seu personagem, decora sua casa virtual e pode interagir com outras jogadoras em tempo real. Algo parecido com Os Sims, mas online e com um sistema de mensagens embutido.
Não instalei para conhecer ninguém. Instalei porque estava entediada.
Nas primeiras semanas, só falei de mecânicas do jogo: qual decoração dava mais pontos de estilo, quantas horas levava para desbloquear certa expansão, se valia a pena gastar moedas virtuais na nova coleção de móveis. Coisas sem importância. Mas a comunidade era ativa, e havia algo naquele espaço digital que me parecia mais fácil do que os aplicativos de namoro comuns. As garotas que jogavam não estavam ali procurando uma namorada. Ou, pelo menos, não explicitamente.
Foi isso que me relaxou.
Comecei a reparar nos perfis. Havia de tudo: garotas da minha idade, algumas mais velhas, algumas que moravam na mesma cidade e outras que estavam em países que eu nem tinha localizado no mapa. Algumas tinham fotos em festivais de música, com o cabelo tingido de cores diferentes ou tatuagens aparecendo acima do ombro. Outras usavam avatares e nunca mostravam o rosto. Mas nas mensagens, na forma como escreviam, nos momentos em que mandavam um áudio de voz de madrugada com uma risada que soava como se estivessem sozinhas e com vontade de conversar, era fácil intuir quem eram.
Com algumas, a conversa nunca passou do superficial. Com outras, por outro lado, alguma coisa foi esquentando aos poucos.
Eu sempre fui clara quando chegava esse momento. Se a conversa começava a ficar pessoal, se as mensagens iam ficando mais tardias e se estendiam além do necessário, eu dizia sem rodeios: não estou procurando um relacionamento, tenho outras prioridades agora, mas se você quiser marcar de transar e ver no que dá, eu posso ficar disponível para isso.
A maioria levou numa boa. Algumas não.
***
Valentina foi a primeira que me fez entender que ser honesta desde o começo nem sempre evita confusão.
Ela tinha vinte e um anos, estudava design gráfico e morava a quarenta minutos de metrô. Durante três semanas, trocamos mensagens todos os dias. Primeiro sobre o jogo, depois sobre nossas vidas, depois sobre coisas que nenhuma de nós duas tinha contado a ninguém em muito tempo. Ela tinha uma inteligência rápida de que eu gostava, e uma forma de brincar que fazia o tempo passar sem eu perceber.
Expliquei o que eu queria na segunda semana. Ela disse que achava bom, que também não estava procurando nada sério.
Marcamos um sábado à tarde num bar no centro. Ela chegou com um vestido verde-escuro e me cumprimentou com dois beijos como se nos conhecêssemos havia anos. Ficamos duas horas conversando, bebendo cerveja, e em algum momento, quando ela se inclinou para pegar alguma coisa na mesa, percebi que o decote era baixo e que ela não estava de sutiã. Os peitos dela marcavam contra o tecido toda vez que respirava. Quando me disse que o apartamento dela ficava a três quarteirões dali, não houve necessidade de falar mais nada. Pagamos e saímos.

Mal fechou a porta do apartamento, ela me empurrou contra a parede da entrada e enfiou a língua na minha boca com uma fome que deixou claro que ela já tinha chegado ao bar decidida. Uma mão apertou meu peito por cima do vestido, a outra agarrou minha bunda e me colou contra o quadril dela. Retribui o beijo com a mesma força, mordi o lábio inferior dela e enfiei a mão por baixo do vestido, subindo pela coxa até confirmar que ela também não usava calcinha.
— Filha da puta — eu disse contra a boca dela.
— Queria ir leve — respondeu, rindo.
Empurrei-a até o sofá da sala, ajoelhei entre as pernas dela e levantei o vestido até a cintura. A boceta já estava encharcada, brilhante, com os lábios inchados de tantas horas guardando aquela decisão. Mergulhei entre as coxas dela sem cerimônia, lambendo de baixo até o clitóris com uma passada longa que a fez arquear e soltar um gemido seco. Ela tinha gosto de sal, vinho e daquele cheiro cru que só uma boceta quente tem, e eu me comi ela como se estivesse há três semanas com fome, separando os lábios com os dedos para entrar mais fundo.
— Mais fundo, porra — ela gemeu, agarrando meu cabelo e empurrando meu rosto contra ela.
Enfiei dois dedos sem avisar. Ela estava tão molhada que entraram até o fundo de uma vez, e comecei a foder ela com a mão enquanto continuava chupando o clitóris. Valentina abriu as pernas o quanto pôde, ergueu os quadris contra minha boca e me deixou fazer. Acrescentei um terceiro dedo quando a senti se tensionar, curvando-os contra o ponto que a fez soltar um grito abafado. Eu a ouvia gemer cada vez mais alto, repetindo “sim, sim, assim, não para”, e aumentei o ritmo até sentir a boceta se contrair ao redor dos meus dedos e ela gozar, encharcando minha mão e meu queixo.
Quando ergui o rosto para olhá-la, ela já estava tirando o vestido pela cabeça. Não tinha recuperado o fôlego e já queria mais.
Ela me arrastou até o quarto sem me dar trégua. Tirou minha roupa com uma eficiência que denunciava prática, me jogou na cama e se acomodou em cima de mim em 69. Enfiou meu rosto outra vez entre as coxas dela enquanto enterrava a boca na minha boceta e começava a me comer com uma técnica que me fez fechar os olhos e arquear as costas. Agarrei as nádegas dela com as duas mãos, abrindo-as, e voltei a enfiar a língua enquanto passava o polegar no buraco do cu dela, pressionando sem chegar a entrar.
Valentina gemeu tão alto que senti o corpo dela vibrar contra meu clitóris. A língua dela ficou mais rápida, mais suja. Ela me chupava como se quisesse me deixar seca, alternando lambidas longas com sucções curtas que arrancaram de mim um orgasmo que eu vinha guardando havia semanas. Gozei na boca dela enquanto continuava comendo ela, e um minuto depois senti ela gozar pela segunda vez no meu rosto, soltando líquidos quentes que escorreram pelas minhas bochechas até o pescoço.
Ficamos assim um tempo, ofegantes, sem nos separar de todo. Depois ela se largou ao meu lado e me beijou com o gosto das duas misturado na boca.
Fizemos de novo antes de eu dormir, dessa vez ela montada na minha coxa, esfregando a boceta na minha pele enquanto eu apertava um peito e mordia o mamilo até deixá-lo avermelhado. Ela gozou com a testa apoiada no meu pescoço, sem soltar um gemido, só respirando rápido. Quando finalmente ficamos quietas, eram quase quatro da manhã e eu estava destruída no melhor sentido.
O problema veio depois.
As mensagens seguintes mudaram de tom. Valentina começou a perguntar sobre meus planos de fim de semana, a mandar fotos do que estava comendo, a escrever coisas como “ei, você também ficou pensando depois do que rolou ontem?”. Não era nada agressivo, mas era exatamente o que eu tinha dito que não queria.
Falei com cuidado. Ela entendeu, pelo menos na superfície. Mas as mensagens continuaram frequentes demais por mais uma semana, até que eu pedi espaço de forma mais direta.
Depois disso, não voltamos a nos falar.
Não me arrependo do que aconteceu com Valentina. Talvez eu me arrependa de ter esperado demais para colocar o limite de novo no lugar. Mas aprendi uma coisa útil: clareza no começo não dispensa precisar repetí-la depois.
***
Camila entrou no jogo em maio, quando eu já estava havia meses na comunidade e entendia bem como tudo funcionava.
O perfil dela não tinha foto. Só um avatar com cabelo preto e uma descrição de três linhas dizendo que ela gostava de design de interiores, gatos e “pessoas que não fazem a gente perder tempo”. A última parte me fez rir, e eu mandei uma mensagem dizendo isso.

Ela respondeu em dez minutos com um “que bom que te fiz rir, porque eu também não tinha muita saída com esse perfil”.
Foi assim que começamos.
Conversamos por duas semanas. Camila tinha vinte e três anos, trabalhava num ateliê de artesanato e morava sozinha desde os dezenove. Era direta de um jeito que parecia natural, não performático. Quando perguntei se ela já tinha saído com alguém do jogo, demorou menos de um minuto para responder: sim, duas vezes, e as duas tinham sido experiências das quais não se arrependia.
Perguntei se ela era bissexual.
— Sou o que me dá vontade em cada momento — disse. — E agora você está me dando vontade.
A tensão que vinha crescendo aos poucos ficou óbvia naquela noite. As mensagens ficaram mais longas, mais concretas, menos sobre o jogo. Ela me fez perguntas que ninguém me faz numa primeira conversa. Eu respondi tudo. Às duas da manhã, perguntei se ela queria marcar algo.
— Quando? — ela escreveu.
— Esta semana.
— Amanhã — respondeu.
***
Camila morava num apartamento pequeno no bairro antigo, no quarto andar sem elevador. Cheguei às oito com uma garrafa de vinho que ela não tinha pedido, mas que me pareceu o certo. Ela abriu a porta descalça, com um jeans escuro e uma camiseta de algodão arregaçada até o cotovelo. Tinha o cabelo preto liso e uma expressão que não era nervosa. Era mais a de alguém que já sabe como a noite vai acabar e não vê problema nenhum nisso.
— O vinho foi uma boa ideia — disse, e me fez entrar.
O apartamento era exatamente como eu tinha imaginado: livros empilhados em qualquer lugar, plantas na janela, uma mesa de trabalho com materiais de cerâmica meio secos. Sentamos no sofá com as taças e conversamos um tempo sobre nada importante. Era uma forma de nos darmos permissão para relaxar, imagino. Ou de checar se o que funcionava nas mensagens também funcionava pessoalmente.
Funcionava.
Quando ela apoiou a taça na mesinha e virou para mim, eu já sabia o que vinha. Olhou para mim por um segundo antes de fazer qualquer coisa, como quem pergunta. Eu me movi na direção dela antes que terminasse de formular a pergunta.
O primeiro beijo foi tranquilo. Um daqueles beijos em que ainda existe um pouco de teste, em que as duas bocas se reconhecem antes de decidir quanta pressão aplicar. Mas demorou pouco para ficar assim. Camila pôs a mão na minha nuca com uma firmeza que deixou claro que não havia nada de tentativo no que ela estava fazendo. A outra mão desceu pelo meu peito, apertou um peito por cima da camiseta e depois entrou por baixo, procurando minha pele direto.
Eu gostei disso. Gostei muito.
Fomos para o quarto sem pressa, sem aquele tipo de urgência que às vezes transforma os primeiros encontros em algo desajeitado. Ela sabia o que estava fazendo. Tirou minha camiseta devagar, me olhou por um momento com uma expressão que não era avaliativa, mas apreciativa, e então passou a boca pelo meu ombro esquerdo com uma lentidão que me fez fechar os olhos.
— Fica quieta um momento — disse.

Fiquei.
O que veio depois foi metódico no melhor sentido da palavra. Camila não tinha pressa. Desabotoou meu sutiã com os dedos e deixou o tecido cair com calma, como se quisesse ver cada reação no meu rosto. Ficou olhando meus peitos por um segundo inteiro antes de baixar a cabeça e levar um mamilo à boca, chupando devagar enquanto passava o polegar no outro. Desceu pelo meu pescoço, mordeu de leve a clavícula e depois continuou com beijos úmidos pelo peito, parando nos meus mamilos com uma dedicação que me fez arquear as costas e soltar um gemido que eu não esperava tão cedo. As mãos dela percorriam minha cintura, meus quadris, minha bunda, apertando só o suficiente para deixar claro que ela estava me medindo e aproveitando cada curva com total descaro.
Quando ela tirou meu jeans e minha calcinha, não houve solenidade nem vergonha. Só aquela atenção suja e precisa de quem sabe que o corpo alheio é melhor explorado com paciência. Ela se agachou na minha frente, abriu minhas pernas com as duas mãos e ficou olhando minha boceta por um segundo antes de fazer qualquer coisa, como se quisesse memorizar o que tinha diante dela.
— Você está encharcada — disse, quase num sussurro.
— Faz duas semanas que eu estou pensando nisso — respondi.
Ela riu contra minha coxa e apoiou a boca onde eu já estava molhada. Lambeu devagar primeiro, separando meus lábios com a língua, e depois com mais fome, alternando a ponta da língua no clitóris com chupadas firmes que me cortavam o fôlego. Agarrei a borda da cama porque senti meu corpo tremer inteiro. Ela enfiou a língua dentro de mim, fodendo-me com ela enquanto segurava meus quadris para eu não escapar, e voltou ao clitóris para chupá-lo com uma sucção que quase me fez gozar ali mesmo.
— Assim, não se mexe — murmurou, e o tom da voz dela me incendiou mais do que a língua.
Pus a mão no cabelo dela, sem empurrar, só para tê-la mais perto. Ela percebeu e não mudou o que estava fazendo. Enfiou dois dedos enquanto continuava lambendo meu clitóris, curvando-os para dentro até encontrar o ponto que me fez gemer mais alto. Entrou mais entre minhas coxas, me segurou pelos quadris e continuou me comendo com uma constância que me desmontava por dentro. Quando percebeu que eu estava no limite, soltou uma risada curta contra minha pele e aumentou o ritmo dos dedos e da língua até o orgasmo subir de repente, quente e violento, me deixando sem ar e com as pernas tremendo.
Depois foi minha vez.
Camila se deitou de costas e me deixou fazer. Eu também fui com calma, porque gostava de vê-la. Levantei a camiseta dela por completo, me distraí com os peitos, primeiro com a ponta dos dedos, depois com a boca, chupando os mamilos até endurecerem enquanto ela gemia sob mim. Havia tatuagens no lado direito do corpo dela que eu não tinha conseguido ver com a roupa, e em algum momento me distraí seguindo-as com a língua antes de voltar ao que estava fazendo. Ela riu um pouco. Não reclamou.
Quando baixei o jeans e a calcinha dela, encontrei-a encharcada. O tecido da calcinha estava grudado na boceta de tão molhada que ela estava. Abri suas pernas e me acomodei entre elas, primeiro com a mão, testando a umidade com dois dedos que entraram sem resistência, depois com a boca, porque eu queria vê-la perder o controle aos poucos. O cheiro de sexo já enchia o quarto e eu gostava daquela mistura de vinho, suor e pele quente. Lambi de baixo, percorrendo seus lábios um por um, chupando o clitóris até deixá-lo inchado e vermelho. Camila agarrou minha nuca, me fez subir e descer, pediu com a voz quebrada para eu não parar, e eu continuei, chupando-a e fodendo-a com três dedos ao mesmo tempo, até senti-la se tensionar sob minha boca e gozar com um gemido longo, apertando minha cabeça entre as coxas. Chupei meus dedos na frente dela, olhando nos olhos dela, e a vi morder o lábio.
Depois disso nos beijamos outra vez, com a boca úmida e o gosto das duas misturado. Camila se levantou um momento, foi até a gaveta da mesa de cabeceira e voltou com um arnês de couro preto e um dildo grosso de silicone escuro, já marcado pelo uso. Ajustou-o sem dizer nada, com a naturalidade de quem faz isso sempre, e a imagem me atingiu o estômago de um jeito inesperado: ela nua, ainda com os peitos vermelhos da minha boca, ajustando as correias ao redor dos quadris com aquele pau apontado para mim.
— Vem aqui — disse.
Ajoelhei na beirada da cama e chupei sem que ela pedisse. Eu sei que o silicone não sente, mas a cara que ela fez quando me viu enfiá-lo até o fundo da boca valeu a pena. Ela me agarrou pelo cabelo e começou a mexer, fodendo minha boca devagar, olhando para mim com uma calma que era mais obscena que qualquer estocada.
— Assim você deixa ele bem molhadinho pra mim — murmurou.
Tirei-o da boca com um som úmido e olhei para ela.
— Enfia logo.
Camila me virou com uma facilidade que me surpreendeu e me deixou de barriga para cima, abrindo minhas pernas com uma segurança que não deixava espaço para dúvidas. Ela se acomodou sobre mim e enfiou o dildo devagar, olhando meu rosto enquanto entrava centímetro por centímetro, como se quisesse saborear o momento exato em que minha respiração se partia. O pau era grosso e no começo me custou, embora eu estivesse tão molhada que ele acabou entrando inteiro. Quando ficou todo dentro, ela parou por um segundo, enterrado até o fundo, me deixando senti-lo por completo.
— Assim você gosta? — perguntou, com a voz baixa.
— Mais devagar primeiro — disse, quase sem ar.
Ela sorriu e começou a se mover com um balanço firme, primeiro lento, depois mais fundo, batendo o quadril de forma que cada estocada me arrancava um gemido. As mãos dela seguravam meus punhos contra a cama. Eu a via se inclinar sobre mim, o cabelo caindo no rosto, a mandíbula cerrada, os peitos balançando no ritmo, e pensava que não havia nada suave nela, nem precisava haver. Cada movimento era pura safadeza e controle. Ela desceu uma mão até meu clitóris e começou a esfregá-lo com o polegar enquanto continuava me fodendo, e senti que meus ossos iam se dobrar.
— Você fica uma puta linda assim — disse no meu ouvido. — Toda aberta pra mim.
Mordi o ombro dela em resposta.
Quando mudou de posição, ficou pior, no melhor sentido. Me pôs de lado, dobrou uma perna contra o peito e continuou me fodendo por trás, entrando com mais profundidade, roçando o ponto exato que me fazia perder a cabeça. Pedi mais forte, mais fundo, e ela respondeu enfiando dois dedos na minha boca para me calar enquanto continuava me comendo por trás, o som úmido do pau entrando e saindo, o dos nossos corpos se chocando, enchendo o quarto inteiro. Eu estava encharcada, sensível, tremendo, com os lençóis já cheirando a sexo, e ainda assim queria mais. Chupei os dedos dela como se fossem o pau dela e a ouvi soltar um rosnado baixo.
Camila me trocou de posição de novo na beirada da cama, me fez ajoelhar com a bunda empinada e o rosto contra o colchão, e me tomou por trás com uma mão na cintura e a outra enterrada no meu cabelo, me fodendo duro enquanto me obrigava a me sustentar. O ritmo ficou cada vez mais brusco, mais animal. O colchão rangia, os vasos na janela tremiam a cada golpe e eu não conseguia pensar em outra coisa além da pressão do pau entrando até o fundo, da fricção contra meu clitóris quando ela baixou a mão de novo para esfregá-lo, da forma como estava me levando outra vez ao limite. Senti o polegar da outra mão dela se apoiar no buraco do meu cu, sem entrar, só pressionando, e a sensação extra me arrancou um grito.
— Goza pra mim — ela disse, ofegante contra minha nuca. — Vai, quero sentir.
Cheguei ao orgasmo com uma clareza que raramente tenho sozinha. Daqueles que vêm devagar e ficam, com a boceta se contraindo ao redor do pau e um gemido longo que eu não consegui controlar.
Camila não parou. Continuou se movendo, me estocando ainda mais rápido, até senti-la se tensionar também, cravando as unhas no meu quadril. Ela tirou o pau por um segundo, arrancou o arnês com uma urgência estranha para ela, e esfregou a boceta na minha bunda, roçando o clitóris contra minha pele até gozar quente, deixando os fluidos escorrerem pela parte de trás da minha coxa.
Ela se largou ao meu lado, ainda tremendo, com o peito subindo e descendo rápido. Eu também me larguei, de bruços, com a boceta pulsando e o rosto enterrado no lençol, que cheirava às duas de nós.
Depois, ambas ofegantes, ficamos em silêncio por um momento, ouvindo o quarto se ajeitar ao nosso redor.
— Isso foi bom — disse ela.
— Foi — concordei.
***
Fiquei até depois da meia-noite. Antes de ir embora, fizemos de novo, mais preguiçosamente, ela deitada de costas e eu por cima, me esfregando na coxa dela enquanto nos beijávamos, dois orgasmos lentos que vieram quase sem avisar. Depois tomamos o resto do vinho, conversamos sobre coisas sem importância e, quando fui embora, me despedi com um beijo breve na porta.
Nos dias seguintes, trocamos algumas mensagens. Sem a frequência de antes, sem o peso de quem espera algo. Era uma conversa fácil, sem subtexto. Falamos sobre coisas do jogo, sobre algo que tinha acontecido com ela no ateliê, sobre um filme que as duas tínhamos visto.
Depois a frequência foi diminuindo naturalmente, como a água baixa quando não sobra mais nada.
Com Camila continuei falando esporadicamente por alguns meses. Nunca voltamos a sair, não porque tivesse acontecido algo ruim, mas porque nenhuma de nós propôs e as duas sabíamos o motivo. Tinha sido exatamente o que tinha que ser.
O jogo continuou sendo minha forma de conhecer garotas naquele ano. Houve outras conversas, algumas que não levaram a nada, uma ou duas que sim. Cada uma funcionou dentro dos próprios termos.
O que aprendi com esse período não tem a ver só com sexo, embora o sexo fizesse parte disso. Tem a ver com saber o que você quer e dizer isso sem pedir desculpas. Com entender que o temporário não é menos real do que o permanente. Com que uma única noite, bem fodida, vale mais do que meses de alguma coisa que não te convence.
Terminei o ensino médio. Comecei o curso técnico. Continuei com meus planos.
E, de vez em quando, quando o jogo me notificava que alguém novo tinha enviado um pedido de amizade, eu olhava o perfil antes de responder.
Nunca aceitava de olhos fechados.