Minha namorada me deixou com um assunto pendente naquela manhã
—Não sei por que me sinto como uma menina que vai levar uma bronca. Não estamos fazendo nada de errado —disse Valeria, apertando com força a mão de Daniela enquanto caminhavam em direção ao terraço do restaurante.
—Sejamos justas: eles não parecem zangados —respondeu Daniela, parando de repente para olhá-la—. Você está na defensiva e ainda não sabe o que eles querem perguntar. Eles procuraram você, não o contrário.
Ela a beijou devagar e segurou seu braço. Valeria voltou a procurar sua mão para entrarem juntas, dedos entrelaçados, como quem se agarra a um cabo antes de saltar.
Ernesto Carvajal levantou-se assim que as viu se aproximar. Pegou a filha pelas duas mãos, beijou sua testa e a envolveu num abraço longo. Sua esposa, Beatriz, cumprimentou Daniela com dois beijos nas bochechas e depois repetiu o gesto com a filha, desta vez acrescentando um abraço. Sentaram-se: Valeria perto do pai, como sempre, deixando Daniela ao lado de Beatriz.
—Achamos que vocês demorariam mais, então pedimos algumas entradas —comentou Beatriz.
—Vocês estão bem —respondeu Daniela.
Valeria pegou a taça do pai, fingindo que era uma mimosa, convencida de que um gole não lhe faria mal de estômago vazio. O garçom retirou a taça, e ela aproveitou para pedir uma rodada para todos.
—Quando vocês chegaram? —perguntou Daniela, evitando ir direto ao ponto.
—Hoje. Passamos alguns dias na capital e saímos esta manhã —disse Ernesto—. E você?
—Ontem à noite. O voo atrasou, mas cheguei a tempo. —Ao dizer isso, virou-se para olhar Valeria e acariciou seu braço. Valeria retribuiu o olhar com mais amor e brilho do que seus pais haviam visto nela em anos.
Para Ernesto e Beatriz, aquele detalhe dizia tudo. Pela primeira vez, percebiam na filha algo honesto, sem as máscaras dos últimos tempos.
Fizeram o pedido do café da manhã e continuaram com trivialidades, embora Beatriz morresse de vontade de ver como elas se tratavam fora dos termos de Arquiteta e Engenheira. Em certo momento, Valeria comentou que a panqueca de gotas de chocolate de Daniela parecia melhor que a sua, de frutas; Daniela cortou um pedaço e deu a ela para provar na boca. Valeria franziu o nariz, brincalhona e terna ao mesmo tempo.
—Desde quando vocês estão juntas? —disparou Beatriz, sem que a pergunta soasse desconfortável.
Valeria estava esperando por ela desde que se sentara. Sorriu nervosa e procurou a mão de Daniela, que não a deixaria sozinha.
—Oficialmente, depois que terminei com Carolina. E antes que vocês imaginem coisas: Dani e eu nos amamos há muito tempo. Ela percebeu primeiro; eu demorei mais para dar nome ao que sentia. —Apertou sua mão com mais força—. Ela é minha namorada.
—Daniela —começou Beatriz—, você sabe que tenho um carinho especial por você. Conheci sua mãe, lembro de você criança. Tudo o que me importa é que você a faça feliz e que vocês não se machuquem. —Fez uma pausa—. Minha preocupação, Valeria, é que você deixou Sebastián, depois Carolina, e talvez não tenha se dado um tempo para pensar no que quer.
Daniela mexeu as sobrancelhas para incentivá-la. Valeria respondeu com o mesmo gesto, e as duas acabaram sorrindo.
—Sempre foi ela, mãe. Eu sei o que quero, e está aqui, ao meu lado. Se eu tivesse sido mais corajosa com o que sentia, isso teria acontecido há muito tempo. O que sinto por Dani é a única coisa da minha vida de que tenho certeza.
—Obrigada, Beatriz —acrescentou Daniela—. Entendo sua preocupação, mas posso garantir que não quero machucá-la. Estou muito apaixonada pela sua filha, e isso não aconteceu de uma hora para outra.
—Tudo muito bonito, minhas meninas —interveio enfim Ernesto—. Mas há um problema: vocês trabalham juntas. Daniela, você já é peça-chave na produção da vinícola. O pessoal e o profissional deveriam ficar separados, e vocês não fizeram isso. —Olhou para as duas com uma repreensão carinhosa—. Pedir que não misturem as coisas já não adianta, mas espero que não diminuam o ritmo. Estamos num momento importante e, se essa relação tivesse alguma complicação, preocupa-me que o trabalho seja o dano colateral.
—Senhor, o senhor tem a minha palavra: aconteça o que acontecer no âmbito pessoal, isso não afetará meu trabalho —respondeu Daniela.
—Espero nunca ter que lembrar vocês disso. E, dito o que era sério, brindemos ao relacionamento de vocês, que já não é segredo. —Ergueu a taça.
Despediram-se, combinando de se reunir na semana seguinte na capital, onde ficavam os escritórios centrais.
***
O resto do dia elas foram apenas mais duas turistas, algo incomum para quem quase só se conhecia entre a vinícola, o escritório e a cama. Terminaram comendo pizza e bebendo cerveja num lugar escondido, conversando sobre tudo e sobre nada, e chegaram em casa para se aconchegar diante de um filme antigo que nenhuma das duas terminou de assistir.
O dia seguinte foi quase idêntico, exceto pelo fato de terem tomado café da manhã com Adrián e ficado numa boa rodada de gim. Daniela teve que voltar à vinícola à tarde; seu coração se partia, mas ela sabia que o reencontro estava próximo: na semana seguinte, ambas teriam de apresentar os balanços.
Aquela semana chegou, e todo mundo trabalhou a todo vapor. Valeria saiu mais tarde do que o previsto e chegou ao hotel perto das duas da madrugada, sorrateira como uma ninja para não acordar Daniela. Tirou a roupa, tomou banho em silêncio e só a incomodou ao se deitar para abraçá-la e beijá-la. Levantou-se cedo: sua primeira reunião começava às oito e meia e ocuparia o dia inteiro. Os Carvajal eram exigentes; desde o caso de Méndez, já não deixavam nada à interpretação, destrinchavam cada número, cada entrada e cada saída.
—Oi, meu amor —atendeu Valeria ao telefone no fim do expediente.
—Como está tudo? Você já está livre? —respondeu Daniela.
—Por hoje, sim. Antes que você me distraia: tenho ingressos para uma exposição interativa. Vamos?
—Tudo bem. A que horas?
—Daqui a uma hora. Passo para pegar você em vinte minutos.
Enquanto isso, Valeria conversava por mensagem com Sebastián sobre alguns ajustes no orçamento. Quando chegou ao hotel, saiu do carro sem esperar o motorista, e Daniela já atravessava as portas para encontrá-la. Sem dizer uma palavra, Daniela deu-lhe o beijo pelo qual esperara o dia inteiro, correspondido com a mesma vontade.
—Oi, estranha. Eu já estava com saudade —disse-lhe, roçando os lábios.
—Que estranho soa “estranha” —riu Valeria—, mas concordo. Eu também.
A exposição não foi grande coisa, embora tenha servido para distraí-las, e depois elas jantaram. De volta ao hotel, Valeria abriu o computador para continuar trabalhando. Daniela observava seus olhos se moverem de um monitor para o outro, marcando plantas com canetas coloridas, murmurando baixinho. As costas curvadas, a tensão cravada nos ombros.
Daniela admirava o quanto ela era organizada, o compromisso com que assumia cada responsabilidade; de outro modo, aquele ritmo de vida seria impossível. Decidiu esperar por ela acordada, mas o sono a venceu. Mal sentiu alguém cobri-la e se deitar ao seu lado, sem outra intenção além de dormir.
***
Na manhã seguinte, acordou sozinha. Pegou o telefone: sete horas. Valeria saiu do banheiro vestida com uma calça azul-índigo impecável e uma blusa branca, os cabelos alisados e penteados de lado.
—Que bom que você acordou. Eu não queria acordá-la; você fica muito bonita dormindo.
—Bom dia, vem aqui, me abraça —pediu Daniela, mais dormindo que acordada, estendendo os braços.
—Bom dia, dorminhoca. —Escondeu o rosto no pescoço dela e começou a distribuir beijos que logo subiram até os lábios—. Pedi o café da manhã para você. Antes de ir embora, quero que se sente para comer. O motorista pega você às oito e vinte no saguão.
Valeria tentou se sentar, mas Daniela a puxou de volta para a cama e, com um movimento habilidoso, ficou por baixo dela. Daniela segurou seus pulsos, olhou para ela com descaramento e a beijou de um jeito carnal, cobrando com a boca o abandono de carícias a que fora submetida durante toda a semana. O que parecia resistência em Valeria era apenas vontade de tocá-la à vontade. A posição era perfeita para esfregar-se contra sua coxa, e Daniela sabia disso. Abriu-lhe as pernas com o joelho e se ajeitou de modo que a costura da calça de Valeria pressionasse exatamente sua boceta, ainda por cima da calcinha, e começou a se mover em círculos lentos, apertando o clitóris contra o tecido.
—Olhe para você —sussurrou Daniela, ofegante em seu ouvido—. Toda penteada, toda formal, e vai sair para essa reunião com a calcinha encharcada por minha causa.
—Dani, sério, eu preciso… —Valeria não terminou a frase porque Daniela soltou um de seus pulsos só para enfiar a mão por dentro da calça, sob a renda, e encontrá-la já molhada. Deslizou dois dedos entre os lábios de sua boceta, abriu-os e brincou com o clitóris inchado.
—Precisa de quê? —perguntou, mordendo-lhe o pescoço—. Diga, meu amor, você vai me pedir para parar quando está tão molhada assim? Sua boceta está dizendo outra coisa.
Valeria arqueou os quadris e procurou os dedos com desespero, mas Daniela os retirou justamente quando ia enterrá-los nela. Levou-os à boca e chupou-os devagar, com o olhar cravado no dela.
O momento foi interrompido pela batida na porta: o serviço de quarto. Daniela levantou-se como se nada tivesse acontecido e foi abrir, deixando Valeria agitada, excitada, sem entender o que havia acontecido. Sentou-se para tomar café enquanto a outra ajeitava a roupa, os cabelos e a maquiagem, assediada pelo próprio olhar no reflexo do espelho, ainda com os dedos apertando-se entre as pernas.
—Eu realmente preciso ir —disse Valeria—, mas o que aconteceu não vai ficar assim. Vou foder você esta noite até você não conseguir andar.
—Espero mesmo que não —respondeu Daniela, disfarçando o sorriso—. Quer dizer, espero que sim. Que você me foda até eu nem lembrar meu nome.
***
O dia de trabalho foi longo. Valeria apresentou os balanços junto com os pais e, no meio da tarde, também fechou seu primeiro projeto próprio com Sebastián: um contrato assinado, um adiantamento depositado. Quando ele a convidou para comemorar com algumas margaritas num bar de música ao vivo, ela aceitou: algo fora dos negócios da família não acontecia todos os dias. Escreveu para Daniela se juntar a eles.
Daniela chegou, mas acompanhada dos Carvajal. Sebastián pediu margaritas para quebrar o gelo, e eles contaram o que haviam conseguido. Ernesto quase explodia de orgulho. Mais tarde, Renata chegou, a amiga que apoiara Sebastián e que claramente se interessava por ele em outro sentido. Brindaram, jantaram, dançaram. Ernesto tirou Beatriz para dançar; Daniela concedeu a Sebastián a honra de dançar com Valeria quando tocou uma de suas músicas favoritas.
Com o álcool correndo solto, Valeria não teve nenhum pudor em demonstrar seu amor por Daniela, que retribuía sem vergonha. A segurança da família se dividiu para levar cada um ao seu destino. As duas, ao hotel.
Assim que entraram na van, Daniela montou em cima de Valeria e a beijou como não podia fazer diante dos pais dela. Valeria, desinibida, levou as mãos às nádegas dela e apertou-a contra si, enfiando os dedos por baixo da saia até agarrar a carne nua da bunda, sem calcinha no caminho: havia tirado a peça no banheiro do bar meia hora antes, e fez isso ficar claro apertando as mãos dela.
—Sua puta —murmurou Daniela contra sua boca, entre surpresa e louca de tesão—, você não está usando nada por baixo.
—Estou escorrendo desde esta manhã. Não aguentei o tecido grudado.
Daniela tentou se afastar, constrangida por causa do motorista.
—Não se preocupe com eles —murmurou Valeria—. Eles assinaram um acordo de confidencialidade. —Daniela assentiu, já sem reservas, e enfiou a língua na boca dela enquanto apertava um de seus seios por cima do vestido, encontrando o mamilo duro através do tecido.
—Senti sua falta —disse Daniela, mostrando-lhe o pescoço—. Aqui. —Valeria cobriu-o com um beijo profundo—. E aqui. —Levou a mão dela ao centro do peito—. E aqui —acrescentou, com a voz abafada, deslizando-a mais para baixo, até a mão de Valeria afundar entre suas pernas e comprovar o quanto estava encharcada.
—Dessa parte eu cuido daqui a pouco —respondeu Valeria, enterrando um dedo por cima do vestido e pressionando-o contra o clitóris até Daniela gemer baixinho, mordendo o lábio para não gritar.
O trajeto pareceu interminável. Comportaram-se no elevador, embora a tensão só aumentasse. Ao entrarem no quarto, fundiram-se num beijo voraz, espalhando bolsas, sapatos e roupas pelo caminho. Caíram na cama e, ao tentarem se beijar, bateram os dentes; explodiram em risadas, em parte por causa da tequila.
Valeria montou em Daniela, desabotoou o sutiã e o mandou voar para algum canto. Os seios ficaram à altura do rosto de Daniela, os mamilos rosados e eretos apontando para sua boca. Daniela ergueu a cabeça e capturou um deles, chupando-o com fome, mordiscando-o até Valeria soltar um gemido gutural.
—O que eu disse no carro que estava morrendo de vontade de fazer? —perguntou Valeria, com a voz trêmula.
—Mmm, eu disse muitas coisas —respondeu Daniela, brincando, ainda com o mamilo entre os lábios.
Valeria beijou seu ombro, a clavícula, percorreu o pescoço com a ponta do nariz e inalou seu perfume. Depositou um beijo acompanhado de uma mordida suave que fez Daniela apertar as mãos sobre ela. Subiu pelo pescoço até o ouvido e, com a voz rouca, sussurrou:
—Eu disse que estou com vontade de percorrer seu corpo inteiro, beijar você toda, mas sobretudo morder seus mamilos, chupá-los até você me pedir para descer e comer sua boceta. Posso?
—Você pode fazer comigo o que quiser —ofegou Daniela—. Eu sou sua. Foda-me como quiser.
Como se obedecessem à declaração, os mamilos de Daniela endureceram ainda mais. Sem dizer nada, ela segurou o rosto de Valeria e o guiou até onde queria ser beijada, agarrando-a com firmeza. Para ela, o tempo sem ser tocada com desejo parecera uma eternidade, e aquilo não bastava: queria mais, precisava de mais. Valeria segurou os dois seios com as mãos, apertou-os, juntou-os e passou a língua de um ao outro, alternando, chupando cada mamilo até deixá-lo vermelho e brilhante de saliva. Mordeu-os com vontade, naquela mistura exata de dor e prazer que fez Daniela apertar as pernas e arquear as costas em busca de mais.
—Desça, por favor —suplicou Daniela, com a voz quebrada—. Enfie-se entre minhas pernas de uma vez, não aguento mais.
Valeria empurrou-a contra o colchão com mais decisão que força. Segurou os dois seios, apertou-os e desceu pelo corpo, tirando a última peça de renda que imaginara a tarde inteira. A calcinha estava tão molhada que grudara na pele; Valeria a descolou devagar, levou-a ao nariz e inspirou profundamente, olhando-a nos olhos.
—Sua boceta está uma fonte, meu amor. Olhe só como você está.
Abriu-lhe as pernas com as mãos, o máximo que elas permitiram, e ficou olhando a boceta aberta e brilhante, com os lábios inchados e o clitóris aparecendo entre eles. Soprou devagar sobre ele, e Daniela deu um salto. Beijou a parte interna das coxas, uma e outra, deixando marcas vermelhas com os dentes enquanto subia sem pressa em direção ao centro. Abriu caminho com a língua pelos lábios internos, chupou-os um por um e, por fim, capturou o clitóris entre os lábios e o sugou de leve. Daniela suspirou fundo e ergueu os quadris contra sua boca. Valeria repetiu a operação, desta vez percorrendo-a lentamente, inteira, de baixo para cima, enterrando a língua na entrada da boceta para lamber seus fluidos antes de voltar ao mesmo ponto.
—Você é deliciosa —murmurou Valeria contra ela—. Sua boceta tem gosto de glória. Eu poderia comer você a noite inteira.
Daniela tentou conter o gemido e não conseguiu; Valeria sorriu contra ela e continuou, introduzindo a língua e movendo-a com as melhores intenções enquanto os quadris de Daniela se elevavam. Enfiou dois dedos de uma vez, até o fundo, e os curvou em busca daquele ponto interno que fazia Daniela perder a cabeça. Tirava-os e voltava a enfiá-los, fodendo-a com a mão enquanto chupava seu clitóris sem lhe dar trégua. Por alguma razão, ela se empenhava em conter a voz, mas os gemidos abafados só deixavam Valeria ainda mais excitada, fazendo-a segurar seus quadris com o braço livre para não deixar nenhuma área sem atenção.
—Goze na minha boca —ordenou, com o queixo brilhando de tanto líquido—. Goze já, meu amor, quero engolir tudo.
Daniela sentiu o orgasmo iminente, segurou a cabeça dela tentando afastá-la em vão, até se render e deixar-se arrastar por tudo o que acumulara, mordendo a própria mão, com a outra cravada na colcha. Gozo com um gemido longo, apertando a boceta ao redor dos dedos de Valeria, tremendo inteira da cintura para baixo, enquanto Valeria continuava chupando seu clitóris depois do orgasmo, absorvendo até a última gota que escorria.
Depois de cumprir seu objetivo, Valeria subiu novamente, beijando-a, e parou por um instante naqueles seios aos quais não conseguia resistir. Os beijos no pescoço ficaram mais calmos, para que Daniela voltasse a si. Quando chegou à boca, beijou-a com os lábios ainda brilhantes, e Daniela provou a si mesma na língua da namorada sem nenhuma vergonha.
—Isso foi intenso —ofegou Daniela.
—Era necessário. Um caso de emergência. Venha me beijar.
Não foi preciso insistir. Beijaram-se com ternura e voracidade ao mesmo tempo. Valeria, ainda por cima, acomodou a virilha contra a dela, boceta contra boceta, os clitóris roçando-se, e começou um movimento lento de quadris. A umidade de uma se misturou à da outra até formar uma única poça morna entre elas. Daniela, por baixo, só tinha as mãos à disposição: abraçou-a pelas costas, puxou-a pelas nádegas, apertou sua bunda, separando-a, enfiando os dedos entre as bandas.
—Assim, meu amor, esfregue-se contra minha boceta —ofegou Daniela—. Me deixe toda molhada.
Num impulso brusco, Valeria pediu que ela se levantasse e, diante da expressão confusa, apontou para a própria boca. A confusão virou luxúria, e não houve mais nada a explicar. Daniela subiu sobre o rosto de Valeria, com um joelho de cada lado de sua cabeça, e baixou a boceta até apoiá-la sobre aquela boca aberta que a esperava. Segurou-se na cabeceira da cama para não cair.
Assim que se acomodou, sentiu o nariz de Valeria percorrê-la, afundando-se entre os lábios molhados. Com a língua, naquela posição, trabalhou-a com avidez, penetrando o máximo que conseguia, puxando-a pelos quadris, apertando suas nádegas para grudá-la ainda mais à boca. Lambeu-a de trás para a frente, do ânus ao clitóris, sem deixar passar um milímetro; parou no clitóris para chupá-lo com força enquanto enfiava um dedo nela, depois dois, pela boceta inchada. Algo se soltou dentro de Daniela: seus movimentos bruscos buscavam mais, cavalgava o rosto de Valeria sem restrição e gemia sem conter nada.
—Coma minha boceta, sim, assim, não pare —ofegava Daniela, olhando-a de cima—. Estou montada no seu rosto e adoro isso. Olhe para mim, veja como cavalgo sua boca.
Valeria cravou os olhos nela de baixo, com o queixo e o nariz encharcados, e enfiou a língua tão fundo quanto conseguia, penetrando-a no ritmo marcado pelos quadris de Daniela. Até que o orgasmo iminente —que vinha se formando desde que haviam se despedido naquela manhã— a sacudiu por completo. Daniela agarrou-se a Valeria de maneira voraz, apertou-se contra sua boca sem medo de sufocá-la, e o orgasmo a partiu ao meio: escorreu pelo rosto de Valeria, pelo queixo, pelo pescoço, enquanto Daniela gemia sem ar e com o corpo dormente.
Desceu do rosto da namorada com as pernas tremendo e limpou seus fluidos com beijos longos, chupando seu queixo, o canto da boca, lambendo da boca dela o próprio gozo. Daniela se afastou para beijá-la melhor, porque sentia que gozaria de novo e ainda tinha planos. Levou a mão à boceta de Valeria, brincou com ela e comprovou nos próprios dedos o quanto estava pronta: escorria tanto quanto ela. Acomodou-se por cima, abriu bem as pernas até sentir que a “capturava” —boceta contra boceta outra vez, mas agora com ela por cima— e retomou o movimento dos quadris, lento porém firme, apoiando-se nos seios dela apenas para não cair, apertando-os, beliscando seus mamilos.
—Era assim que eu queria você —ofegou Daniela—, embaixo de mim, com minha boceta sobre a sua. Está sentindo como estamos? Nós duas viramos uma sopa.
Valeria deixava que ela fizesse o que queria: achava excitante a maneira como Daniela reivindicava aquele corpo que já lhe pertencia. Agarrou suas nádegas e ajudou-a a marcar o ritmo, empurrando-a contra a própria pelve para que o atrito fosse mais duro, mais profundo. Os clitóris procuravam-se e encontravam-se a cada movimento, e o som molhado que produziam ao se esfregar preenchia o quarto.
A surpresa veio quando, de repente, Daniela se virou de costas e voltou a buscar seu objetivo. Agora estava de quatro sobre ela, a bunda apontada para seu rosto, e baixou novamente a boceta até a altura da pelve de Valeria para retomar o atrito, mas por trás, montada ao contrário. Algo tomou conta de Valeria ao ver aquelas costas, aquela cintura, a curva da bunda abrindo-se sobre ela, o jeito como se movia. Acariciava o que alcançava de suas nádegas como quem toca argila pela primeira vez, sem querer que aquilo terminasse, certa de que aquela imagem a acompanharia pelo resto da vida. Separou suas nádegas com as duas mãos e ficou olhando o cu e a boceta abertos, brilhantes, entregues sobre ela.
—Meu Deus, que bunda você tem —murmurou Valeria—. Abra-se mais, meu amor, quero ver você inteira.
Daniela obedeceu, arqueou ainda mais as costas e abriu-se sozinha com as mãos por trás, mostrando tudo, enquanto continuava esfregando sua boceta contra a de Valeria num movimento cada vez mais rápido. Valeria passou a língua pelos lábios e deslizou o polegar molhado de saliva pelo cu dela, pressionando de leve sem chegar a enfiá-lo, apenas brincando; com a outra mão, ajeitou o clitóris dela contra o seu para que o atrito fosse exato. Nenhuma das duas gemia alto; eram duas respirações pesadas e o som das bocetas encontrando-se, música para ambas. O polegar de Valeria acabou cedendo à pressão e uma falange afundou na bunda de Daniela, que gemeu abafado e se moveu contra os dois prazeres ao mesmo tempo.
Valeria se deixou levar ao sentir o calor de Daniela cair sobre ela, o gozo descendo por sua pelve. Seu próprio clímax veio logo depois; mordeu o lábio e apertou a bunda dela com as duas mãos até deixar as marcas dos dedos. Mas queria que sua namorada também encerrasse a noite, então, aproveitando o cansaço, virou-a de bruços sobre a cama, abraçou seus quadris por trás com as pernas —tesourando— e encaixou sua boceta encharcada contra a bunda e a boceta de Daniela, apoiando o clitóris exatamente sobre o dela por trás. Começou a se mover, o clitóris roçando de leve no início, depois com mais força, investindo contra ela como se tivesse um pau, pressionando a pelve contra as nádegas a cada movimento.
—Você está me fodendo —ofegou Daniela contra o travesseiro, com a bunda empinada em busca dela.
—Estou fodendo você —confirmou Valeria, sem interromper o movimento—. E vou gozar em cima de você de novo. Você vai sentir como vou deixar você toda molhada.
Enfiou a mão por baixo dela e procurou o clitóris com os dedos enquanto continuava se esfregando contra seu corpo por trás. Com movimentos cada vez mais intensos, gozou novamente, dessa vez garantindo que tudo ficasse ali, sobre a pele de Daniela, o gozo quente escorrendo pelo rego da bunda. Daniela, sem saber se era o atrito contra a cama, os dedos de Valeria em seu clitóris ou Valeria se desmanchando sobre ela, desfrutou aquele último orgasmo que encerrou a noite, mordendo o travesseiro, com os quadris contra a mão da namorada e a boceta pulsando ao redor do vazio.
Desabaram uma sobre a outra, suadas, pegajosas, sem vontade nem forças para ir ao banheiro. Já não importava como amanheceriam. O que importava era que o corpo e a mulher que tinha sobre si acordassem ao seu lado.





