A atriz madura que me levou para a sua suíte
Para muitos, sou um jogador de futebol qualquer que teve sorte na hora certa. Venho de um bairro onde o futebol é a única coisa que te tira dali, e durante anos me contentei em ser uma opção válida em times medianos. Aos vinte e dois, eu ainda era um reserva frequente em um clube que, a cada temporada, lutava para não cair de divisão. Não reclamava: tinha um salário, um apartamento em Palermo que teria parecido um sonho ao Rodrigo de quinze anos, e as redes sociais me tinham dado uma visibilidade que compensava a falta de troféus.
Meu nome é Rodrigo. Não vou dizer o sobrenome porque o que vem depois não precisa de mais dados do que os necessários.
Tudo começou num domingo.
Diana Marston chegou à Argentina para filmar cenas externas do novo filme dela. Tinha cinquenta e tantos anos — embora alguns na imprensa se atrevessem a dizer sessenta —, era norte-americana e já fazia três décadas que era um dos rostos mais reconhecíveis do cinema de ação internacional. Cabelo loiro, maxilar firme, aquele jeito de se mover que as pessoas têm quando sabem que estão sempre sendo observadas. Quando saiu para o campo antes da partida — dizem que quis ver futebol argentino por curiosidade —, o estádio enlouqueceu por vários minutos.
Naquele domingo, fiz três gols. O primeiro foi o melhor da minha carreira até então. O segundo foi digno. O terceiro entrou no rebote, mas os três contam igual no placar. A imprensa me colocou como destaque nas matérias de segunda-feira, mas em muitas dessas matérias também aparecia uma foto de Diana na arquibancada, aplaudindo com os braços erguidos e um sorriso que os fotógrafos deviam agradecer.
Nessa noite, no meu apartamento, com as pernas doloridas e o ego mais inflado do que nunca, fiz o que qualquer garoto de bairro faria com três gols no corpo e uma atriz famosa no histórico de seguidores do Instagram: mandei uma mensagem para ela.
Não esperava resposta. Mandava mensagens para muitas mulheres sem esperar resposta. Mas, duas horas depois, enquanto esquentava alguma coisa para jantar, o ícone avisou que alguém tinha me respondido.
Ela.
Abri o chat com o coração batendo mais rápido do que eu gostava de admitir.
— Oi, Diana. Sou o Rodrigo, o dos três gols de hoje. Vi que você estava no estádio. Não é todo dia que uma mulher do seu nível se senta no meio da torcida de um time como o nosso.
— Ah. O garoto do momento. Sim, eu estive lá. Foi interessante.
Interessante. Como se tivesse ido ver uma exposição de arte moderna que ainda não a convencia. Respondi no mesmo tom.
— No bom sentido ou no “isso é pitoresco” de turista?
— No sentido de que eu não esperava ver futebol de verdade aqui. Nem aquela partida da sua parte.
— Quer jantar amanhã? Eu pago. Conheço um lugar em Palermo que não tem toalha de linho, mas tem a melhor carne que você vai provar nesta cidade.
Houve uma pausa longa. Pensei que aquilo terminava ali.
— Está bem. Mas eu escolho o restaurante. E chegue pontual. Eu não espero ninguém.
***
O lugar que ela escolheu era uma cantina italiana pequena e cara em Recoleta, sem música ambiente e com mesas separadas por biombos de madeira escura. Discreta. Elegante sem ostentação. O tipo de lugar onde as pessoas vão para conversar sem que ninguém as ouça.
Cheguei dez minutos antes. Quando ela apareceu na entrada, levei um segundo para processar o que estava vendo. Não era a mulher das fotos de tapete vermelho. Era ela mesma: sem aparato de maquiagem nem equipe de produção, só Diana com um vestido azul-marinho, o cabelo preso num coque rápido que deixava o pescoço à mostra e uns brincos de ouro simples. Parecia mais jovem e mais real do que em qualquer imagem que eu tivesse visto antes. E, por algum motivo, mais intimidadora.
— Rodrigo — disse, com aquele sotaque inglês que soava caro.
— Diana.
Entramos. Pedimos vinho sem discutir. Ela provou com calma, assentiu e me olhou por cima da taça.
— Por que você me mandou aquela mensagem?
— Porque você é a pessoa mais famosa que seguiu minha conta no ano inteiro e me pareceu uma bobagem não te cumprimentar.
Ela soltou uma risada curta, quase involuntária.
— Diretos, os argentinos.
— Prefere que eu minta?
— Prefiro que você me surpreenda.
O jantar foi diferente do que eu esperava. Eu tinha me preparado para sustentar uma conversa entre mundos muito distintos, para navegar a diferença com alguma graça. Mas ela não precisava que ninguém se esforçasse. Fazia perguntas objetivas. Escutava de verdade. Não olhou o celular uma única vez durante a noite.
Contei sobre o bairro, sobre como entrei nas categorias de base aos doze anos, sobre a temporada que passei na segunda divisão pensando que nunca mais voltaria à primeira. Contei sem enfeite, como teria contado a um colega de vestiário, com crueza e sem filtro. Ela não interrompia. Quando terminei, ficou alguns segundos em silêncio e me fez uma pergunta que eu não esperava.
— Você tem medo de que tudo isso acabe e você volte a ser o garoto do bairro?
Fiquei olhando para ela. — Tenho mais medo de nunca ter tentado de verdade, gata.
Ela assentiu, lentamente. E, pela primeira vez naquela noite, um sorriso genuíno cruzou o rosto dela. Era um sorriso cansado, de alguém que tinha visto de tudo e que, de repente, encontrava algo novo para olhar.
O jantar continuou e a tensão entre nós foi mudando de forma. Já não era a curiosidade distante do começo. Era outra coisa: mais quente, mais direta. Toda vez que nossas mãos se aproximavam ao pegar o saleiro ou a garrafa de vinho, algo se esticava no ar. Quando ela me olhava, eu sentia que estava calculando algo. Não com frieza, mas com uma atenção que me parecia mais intensa do que qualquer elogio. Debaixo da mesa, em um momento, senti o pé descalço dela roçar minha panturrilha e subir apenas, apenas, até o joelho, e ficar ali. Ela não disse nada. Eu também não.
Paguei a conta. A volta foi diferente da ida. O silêncio agora vinha carregado de algo mais denso, mais palpável.
***
Ela morava numa torre de vidro em Puerto Madero, daquelas que se veem de qualquer ponto da orla. Estacionei em frente à entrada e deixei o motor ligado. Ela não se mexeu.
Virou-se para mim. Na penumbra do carro, os olhos dela estavam mais escuros do que durante o jantar.
— Sobe um pouco?
— Para tomar uma bebida?
— Para o que for.
Desliguei o motor.
O elevador era todo de vidro e subia em silêncio pelo centro do prédio, mostrando a cidade transformada em um mapa de luzes aos meus pés. A suíte era enorme e quase fria na sua organização: móveis brancos, paredes de vidro, o Rio da Prata se estendendo lá fora como se o quarto fosse uma nave prestes a decolar. Cheirava limpo, a alguma coisa cara sem nome.
Ela foi até o bar, pegou uma garrafa de uísque e serviu dois copos com um gelo em cada um sem perguntar. Me entregou o meu. Nossos dedos se roçaram. Dessa vez, nenhum dos dois ignorou.
— Aos que não sabem quando desistir — disse, erguendo o copo.
— Às que se cansam de esperar que alguém as surpreenda.
Bebemos. O uísque era bom, daqueles que aquecem devagar. Me aproximei mais um passo.
— Você está tensa — eu disse.
— Eu sempre estou tensa.
— Dá para ver na mandíbula. No jeito de andar. Como se você esperasse que alguma coisa desse errado a qualquer momento.
Ela se apoiou no bar e me olhou fixo. — Tenho trinta anos de imprensa esperando que eu cometa um erro. É um hábito que não sai fácil.
— E isso te faz bem?
— Me mantém viva.
— Ou te mantém sozinha.
Silêncio. Não o silêncio incômodo de quem não sabe responder, mas o de alguém a quem acabaram de dizer algo que ela já sabia e que ninguém tinha se dado ao trabalho de apontar.
A mão dela subiu devagar e tocou minha bochecha. Os dedos estavam frios por causa do copo, mas firmes.
— Eu não devia fazer isso — sussurrou.
— Por quê?
— Porque amanhã eu vou embora.
— Então é agora ou nunca.
Ela soltou uma risada baixa. E então me beijou.
Não foi um beijo hesitante. Foi o beijo de alguém que já tomou a decisão e não pensa em voltar atrás. Os lábios dela se abriram contra os meus e a língua me procurou lá dentro com uma urgência que me desmontou. Eu a beijei de volta com tudo o que tinha: a adrenalina da partida, o vinho do jantar, a tensão de toda a noite concentrada naquele único ponto. Mordi o lábio inferior dela, puxei um pouco, e ela soltou um gemido grave contra minha boca. Minhas mãos agarraram a bunda dela por cima do vestido, eu a ergui um pouco e a sentei na borda do bar. Ela abriu as pernas e me puxou contra si, e senti, através do tecido, como ela estava, como o calor subia dali de baixo.
— Porra — murmurou em inglês, depois em espanhol —. Vem.
Quando nos separamos, os dois estávamos ofegantes. Ela me olhou com os olhos escuros e passou o polegar pela minha boca, limpando a si mesma no meu rosto.
— Vem — disse, pegando minha mão.
***
O quarto tinha as mesmas paredes de vidro. A cama era enorme, coberta por lençóis brancos que pareciam perfeitos demais para tocar. Ela parou no centro do quarto, de costas para mim, e esperou.
Desci o zíper do vestido dela devagar, dente por dente, encostando a boca na nuca à medida que o tecido cedia. O vestido caiu aos pés dela. Ela se virou para mim. Restavam apenas uma lingerie preta — sutiã de renda e uma calcinha minúscula combinando — e os brincos de ouro, e a luz da cidade entrando pelo vidro. O corpo dela era firme e trabalhado, com aquela espécie de perfeição que não vem da juventude, mas do tempo e do cuidado. Os seios empurravam a renda para cima, os mamilos marcados sob o tecido, a curva da cintura, as coxas duras de anos de academia. Olhei sem disfarçar, de cima a baixo e de baixo a cima, sem pressa.
— O que você está esperando? — perguntou, com um sorriso que não tinha nada de inocente.
— Que você perceba que eu vou te chupar inteira antes de te comer.
Escapou dela uma gargalhada baixa, surpresa, quase suja.
— Vai.
Tirei a camisa de uma vez e o cinto. Ela se aproximou e baixou o zíper da minha calça me olhando nos olhos, sem parar de me olhar, e enfiou a mão ali dentro. Quando agarrou meu pau por cima da cueca, ele já estava duro como pedra. Ela apertou, pesou, mordeu o lábio.
— Nada mal, jogador.
— Depois você me conta.
Eu a peguei no colo e a deitei na cama. Ela soltou uma risada baixa, de surpresa genuína, com as pernas ainda enroladas na minha cintura. Tirei o sutiã num movimento só, puxando o fecho de trás sem cerimônia, e os seios dela caíram sobre mim. Comecei pelo pescoço: beijei aquela pele que cheirava a jasmim e a alguma coisa mais quente por baixo, mordisquei com cuidado no ponto onde o pulso batia, e senti como ela arqueava as costas contra mim. Um som grave e curto escapou da garganta dela. Nada forçado. Totalmente real.
Desci pela clavícula, mordi devagar, deixei a língua marcando o caminho até o começo dos seios. Levei um mamilo inteiro à boca, chupei com força, puxei com os dentes, enquanto minha mão alcançava o outro e o apertava entre os dedos. Ela enterrou os dedos no meu cabelo e me pressionou contra si sem dizer uma palavra, me pedindo mais só com as mãos. Troquei de seio, fiz o mesmo do outro lado, deixei uma marca vermelha ao redor do mamilo direito de tanto chupar.
— Isso — murmurou. — Assim. Mais forte.
Mordi o mamilo um pouco mais forte e ela gemeu de boca aberta, com a cabeça jogada para trás contra o travesseiro. Soltei os seios e comecei a descer. Beijei o estômago liso, enfiei a língua no umbigo, mordi a pele acima do quadril. Prendi a calcinha com os dentes, puxei devagar, fui baixando assim, sem usar as mãos, até as coxas, e dali tirei o resto com os dedos, lentamente, curtindo o momento.
Ela ficou totalmente nua. Loira até ali também, depilada quase por completo, com apenas uma linha curta em cima. Abri as pernas dela e me ajoelhei entre elas. Estava brilhando, molhada de verdade, com a carne rosada e aberta me esperando. Assoprei por cima, sem tocar, só para vê-la tremer.
— Não faz isso comigo — disse com a voz quebrada.
— O que você quer que eu faça?
— Chupa.
Enfiei o rosto sem mais aviso. Passei a língua inteira de baixo para cima, devagar, saboreando todo o percurso, e terminei com um beijo apertado no clitóris. Ela deu um salto e soltou um “puta merda” que escapou no meio do caminho entre dois idiomas. Comecei a me mover devagar, aprendendo o ritmo que o corpo dela pedia. Chupei o clitóris, mordisquei, puxei com os lábios fechados, depois voltei a passar a língua lisa de cima a baixo. Os quadris dela se ergueram sozinhos. As pernas se fecharam ao redor da minha cabeça, me prendendo contra ela como se tivesse medo de que eu fosse embora.
— Meu Deus — soltou, entre os dentes. Depois, mais alto: — Não para, não para, não para.
Enfiei dois dedos enquanto continuava com a língua. Encontrei aquele ponto lá dentro, na frente, aquela aspereza que faz todas saltarem, e comecei a massageá-lo enquanto seguia chupando o clitóris. Senti os músculos dela responderem, a respiração se partir em suspiros curtos e incontroláveis, o corpo começando a se apertar em volta dos meus dedos. Enfiei um terceiro dedo. Ela arqueou o corpo todo e me apertou a cabeça com as coxas.
— Vou gozar — ofegou —, vou gozar, não para, não para, porra.
Não parei. Aumentei o ritmo, mantive a língua no clitóris fazendo círculos rápidos, os dedos entrando e saindo com firmeza. Quando ela estava perto, me agarrou o cabelo com força, a ponto de doer. Tudo nela se soltou. O corpo inteiro primeiro ficou rígido e depois começou a tremer em ondas, e ela encharcou meus dedos e a boca e senti na língua como pulsava por dentro. Um gemido longo, gutural, saindo de um lugar onde já não havia controle.
Quando ela baixou, eu a olhei de entre as pernas dela, com o queixo brilhando. Ela riu fraco, respirando com dificuldade.
— Agora — disse, com a voz quebrada —. Sobe agora. Me come.
Subi sobre ela, mas antes de entrar ela me parou com a mão no peito.
— Espera.
Ela se virou na cama e ficou de bruços com o rosto na altura da minha cintura. Me olhou de baixo, com aqueles olhos claros que agora estavam escuros, e agarrou meu pau com a mão. Pesou, passou o polegar pela ponta, levou-o à boca e chupou, me olhando. E então me colocou inteiro dentro.
Tudo em mim embaralhou. Quente, apertada, a língua trabalhando por baixo, enquanto com uma mão ela agarrava minhas bolas e com a outra segurava a base. Começou a se mover, num ritmo lento e sujo, me tirando até a ponta e me engolindo de novo até o fundo, com aqueles olhos sempre me encarando de baixo. Em algum momento ela me pegou pela bunda e me fez empurrar. Eu a comi pela boca, devagar, cuidando para não sufocá-la, mas ela me puxava mais para dentro e me fazia entender que queria mais. Engasgou um pouco, os olhos se reviraram, e continuou.
— Chega — eu disse quando senti que não aguentava mais —, não quero acabar na sua boca ainda.
Ela me tirou com um ruído úmido, limpou o canto da boca com o dedo e sorriu.
— Você vai me fazer gozar onde eu mandar, garoto.
Ela se deitou de novo de barriga para cima, abrindo as pernas. Agarrei os quadris dela, me posicionei e a penetrei de uma vez, devagar, até o fundo. Ela soltou um gemido longo que encheu todo o quarto. Fiquei quieto por um segundo, sentindo o calor ao meu redor, como ela se apertava e afrouxava por dentro. Depois comecei a me mover.
No começo, devagar e fundo, deixando cada movimento contar, saindo quase inteiro para voltar a mergulhar até as bolas. As pernas dela se enrolaram na minha cintura, me apertando, me obrigando a ficar dentro. Nossos corpos se encaixavam de um jeito que nem sempre acontece, mesmo quando se quer. As unhas dela subiram e desceram pelas minhas costas, depois ela cravou as unhas na minha bunda e me puxou contra ela.
— Mais — pediu. — Mais forte, vai, me come forte.
Acelerei. Agarrei os quadris dela e me movi com mais força. O som das minhas bolas batendo nela começou a encher o quarto misturado aos gemidos dela. Cada investida arrancava dela uma lufada de ar e um gemido mais agudo. Agarrei um seio e apertei sem cuidado. Desci a boca e chupei o mamilo enquanto continuava me movendo, e ela agarrou minha cabeça e me prendeu ali.
— Assim — ofegou. — Assim, não para.
Saí. Ela soltou um som de protesto.
— Vira.
Ela se virou na hora. Se ajeitou de joelhos, com a bunda levantada e o rosto no travesseiro, me olhando por cima do ombro. Aquela bunda firme, as costas arqueadas, a umidade brilhando entre as pernas. Quase gozei só de vê-la assim.
Me posicionei atrás. Passei a ponta para cima e para baixo, entre os lábios, sem entrar, até ela empurrar para trás tentando enfiá-lo sozinha.
— Me mete — rosnou.
— Pede direito.
— Me mete, por favor, vai, mete tudo.
Enfiei inteiro de uma vez. Ela deixou sair um gemido rouco contra o travesseiro. Agarrei os quadris dela e comecei a me mover forte, sem cuidado. Dessa posição, pude vê-la por completo: como a bunda batia contra minha cintura, como os seios se moviam por baixo dela, como a mão descia para tocar o clitóris enquanto eu continuava sem parar. Dei uma palmada na bunda dela, não forte, só para marcar. Ela soltou um ofegar diferente.
— Outra — pediu.
Dei outra, mais forte, e deixou uma marca vermelha. Ela se apertou ao meu redor e soltou um “puta que pariu” rouco.
— Isso — repetiu, em voz baixa, com uma certeza absoluta —. Exatamente assim. Assim, vai, não para.
Inclinei-me sobre ela, cobrindo as costas dela com o peito, e agarrei o cabelo solto com uma mão. Puxei só um pouco, o suficiente para ela erguer a cabeça. Com a outra mão, fui buscar o pescoço dela pela frente, não para apertar, para sustentar. Falei no ouvido dela enquanto continuava a comer.
— É assim que você gosta, né? Que um garoto do bairro te mande tudo para dentro.
Ela riu com o pouco ar que ainda tinha, se apertou mais.
— Cala a boca e continua.
Soltei. Voltei a agarrá-la pelos quadris com as duas mãos e meti com força, mais forte do que antes, saindo quase inteiro e cravando de novo, uma e outra vez, até que o som das peles se chocando se tornou a única coisa que se ouvia na suíte. Ela começou a tremer. Os dedos entre as pernas se moviam rápido. Senti como ela começava a se apertar ao meu redor em uma série de espasmos que começaram lentos e foram se fechando até fazê-la gritar. Um grito contido e gutural que, quando se soltou, sacudiu todo o corpo dela numa onda longa. Ela me espremeu por dentro de um jeito que quase me fez gozar ali mesmo.
Segurei-a até o último tremor percorrer o corpo dela. Depois a virei outra vez, deixei-a de barriga para cima, abri suas pernas e voltei a entrar. Ela estava vermelha, inchada, sensível, e cada movimento arrancava um gemido agudo. Segurei suas pernas por baixo dos joelhos e as levantei para apoiá-las nos ombros dela, dobrando-a quase ao meio. Dali eu chegava até o fundo em cada investida.
— Meu Deus, meu Deus, assim, vai — gemia, com o rosto transformado —. Goza dentro de mim, goza onde quiser, vai.
— Onde você quer?
— Nos seios — ofegou. — Goza nos seios.
Continuei mais alguns golpes, profundos, sentindo que não aguentava mais nada. Saí a tempo, subi sobre ela, segurei meu pau com a mão e gozei em dois jatos sobre os seios dela, sobre o pescoço, um jorro longo que atravessou o peito dela e outro que caiu perto da boca. Ela passou o dedo pelo pescoço, ergueu-o e o levou à boca sem parar de me olhar.
— Nada mal, jogador — sussurrou.
Depois me deitei ao lado dela. Os dois olhamos o teto por um momento sem dizer nada. O único som era nossa respiração baixando aos poucos, e lá fora o rio quieto sob as luzes da cidade. Ela se esticou para pegar um lenço na mesa de cabeceira e se limpou sem pressa, sem vergonha.
Ela se virou para mim. Me beijou devagar, sem urgência. Um beijo diferente de todos os anteriores, sem necessidade de provar nada.
— Nem você, a atriz — respondi.
***
Acordei com a luz do rio entrando pelas janelas enormes. A cama ao meu lado estava vazia, mas ainda morna. O ar cheirava ao perfume dela misturado com o cheiro da noite anterior, aquele cheiro de sexo e uísque misturados. Sobre o bar havia um cartão pequeno de hotel, escrito com uma letra inclinada e precisa: “Saí cedo. Uma ligação de trabalho. Foi uma noite muito boa. D.”
Sorri. Era exatamente o que eu esperava dela: direta, sem exageros sentimentais nem promessas que não fosse cumprir. Vesti a roupa da noite anterior, que agora cheirava a perfume alheio e ao meu próprio suor. O paletó estava amassado. Não importava.
No elevador de vidro, enquanto a cidade surgia abaixo de mim com sua luz da manhã, entendi uma coisa: eu não ia voltar a saber de Diana Marston. Não porque a tivesse decepcionado, mas porque o mundo dela funcionava assim. Uma noite sem promessas nem dívidas, e depois cada um para o seu lado. Não fiquei triste. Achei honesto.
Mandei uma mensagem para ela naquela tarde, por garantia. Duas linhas de agradecimento, sem drama. Não houve resposta. Uma semana depois, vi-a na imprensa, já de volta a Los Angeles, posando diante das câmeras com aquele sorriso que eu sabia que não era o verdadeiro dela.
A vida seguiu. Meu rendimento em campo continuou alto. Consegui um contrato melhor, mais dinheiro, mais visibilidade. Saí com outras mulheres. Mas nenhuma me ensinou o que aprendi naquela noite: que existem encontros que não precisam de continuação para serem completos. Que às vezes a melhor versão de algo é a que termina na hora certa.
De vez em quando, penso naquela suíte, no Rio da Prata visto de cima, nos dedos frios dela por causa do copo de uísque tocando meu rosto antes do beijo. Em como ela subiu em mim com o cabelo solto caindo sobre os seios, em como disse “goza nos seios” com aquela voz de atriz acostumada a dar ordens. No jeito que ela me olhou durante o jantar, como se tivesse encontrado algo inesperado e não soubesse bem o que fazer com aquilo.
Não a esqueci. Ela virou meu capítulo secreto, o tipo de história que a gente não conta num vestiário, mas que também não precisa contar. A gente tem, e basta.
