Dois jovens flagrados na casa da vizinha madura
Mônica tinha quarenta e quatro anos e os carregava sem pedir licença. Morava sozinha na casa da esquina, aquela com o jardim bem cuidado e as persianas sempre semiabaixadas, como se o mundo não merecesse vê-la por inteiro. O marido a havia deixado cinco anos antes por alguém mais jovem, e ela, em vez de murchar, floresceu de um jeito que desconcertava a vizinhança. Caminhava diferente. Ria diferente. E nos dias de calor, quando a temperatura subia e o algodão grudava, dispensava sutiã com uma indiferença capaz de derrubar qualquer homem num raio de cem metros.
Rodrigo e Matías a observavam desde o verão em que completaram vinte anos. Moravam em casas contíguas, eram amigos desde a infância, e a obsessão por Mônica era a única coisa que os unia mais do que o futebol e as noites de videogame. Não era um desejo obsceno, ou pelo menos era isso que diziam a si mesmos. Era algo mais complicado: admiração, curiosidade, e aquela vontade de entender o que existe por trás de uma mulher que parece ter resolvido tudo. Embora também, quando estavam sozinhos, eles se masturbassem pensando nela. Os dois. Sem contar um ao outro.
—Ela deve usar perfume caro — disse Matías certa tarde, olhando da janela enquanto Mônica regava as plantas da varanda.
—Por que você diz isso?
—Porque ela cheira a uma coisa que eu não sei nomear, mas que não me sai da cabeça.
Rodrigo não respondeu. Ele tinha razão, mas admitir isso em voz alta seria demais.
A ideia surgiu numa quinta-feira de agosto, sem qualquer premeditação. Matías comentou que Mônica costumava tomar banho no meio da tarde e que, se alguém prestasse atenção, a porta dos fundos do jardim nunca ficava totalmente fechada. Disse isso como quem comenta o tempo, mas os dois sabiam o que havia por trás da observação. Houve um silêncio. Depois outro. E então, sem que nenhum dos dois dissesse explicitamente sim, se viram caminhando na direção da casa da esquina.
O jardim estava vazio. A porta, entreaberta. Lá dentro, o som da água correndo confirmava que o palpite deles estava certo.
—Isso é uma loucura — sussurrou Rodrigo.
—Eu sei — disse Matías. E continuou andando.
O quarto de Mônica cheirava a lavanda e a algo mais íntimo que eles não souberam identificar, um cheiro de buceta limpa e pele de mulher que se instalou na cabeça dos dois. A cama estava arrumada com aquela limpeza meticulosa de quem vive sozinha e tem tempo para fazer tudo direito. Sobre a cadeira do canto havia roupas dobradas: um vestido de linho claro e, embaixo, quase como um convite involuntário, uma calcinha de seda preta. Rodrigo a pegou do chão sem pensar. Segurou-a entre os dedos. Levou-a ao nariz sem conseguir evitar, e o cheiro dela, da buceta dela, deixou seu pau duro na hora contra o tecido da calça.
Matías, por sua vez, havia encontrado um sutiã de renda cor de caramelo pendurado no encosto. Pegou-o com a mesma reverência desajeitada com que alguém toca algo que não lhe pertence. Olhou as taças grandes e imaginou os peitos que as preenchiam.
Foi então que a água parou de correr.
Os dois ficaram imóveis. O silêncio que se seguiu era daqueles que pesam. Ouviram passos no chão de madeira, a porta do banheiro se abrindo, e então, no batente do quarto, apareceu Mônica. Ela usava uma toalha branca enrolada no corpo, o cabelo escuro colado aos ombros, os olhos ainda semicerrados pelo vapor. Demorou dois segundos para processar o que via. Deu um pequeno passo para trás.
—O que vocês estão fazendo aqui?
Ela não gritou. Isso foi o que mais os desestabilizou: ela não gritou. A voz era firme, mas também tinha algo estranho, como se a pergunta lhe custasse mais do que deveria.
Rodrigo deixou a calcinha cair. Ela caiu no chão. Ninguém a pegou.
—Desculpa — começou Rodrigo—. A gente não ia... quer dizer, não pensava em fazer mal nenhum. É que você...
—É que eu o quê? — interrompeu Mônica. A ironia na voz era suave, quase gentil.
Matías colocou o sutiã sobre a cadeira com uma desajeitada que teria sido cômica em outras circunstâncias. O rosto dele estava em chamas. Rodrigo também não estava melhor, e o volume na calça os denunciava sem remédio.
—É que você é muito gostosa, Mônica — disse Rodrigo por fim, com aquela honestidade desesperada de quem já não tem nada a perder—. Estamos meses olhando pra você. E acho que essa era a única maneira que encontramos de chegar perto. Eu sei que é uma estupidez.
Mônica os observou por um tempo que se estendeu além do confortável. Primeiro para Rodrigo, depois para Matías, depois de novo para Rodrigo. Ela se deteve por um segundo no volume na virilha dele e um pequeno sorriso escapou pelo canto da boca.
—Essa é a coisa mais estúpida que ouvi em muito tempo — disse por fim.
—É — admitiu Rodrigo.
—E também a mais honesta.
Outro silêncio. Mônica soltou um pequeno suspiro, como quem deixa ir algo que vinha segurando havia tempo. A toalha continuava no lugar, mas sua postura havia mudado. Ela já não estava em guarda. Estava avaliando.
—Quantos anos vocês têm?
—Vinte — disse Matías.
—Vinte. — Ela repetiu como se estivesse medindo—. E nunca transaram com uma mulher de verdade?
Os dois ficaram em silêncio, e esse silêncio foi resposta suficiente.
Mônica cruzou o quarto devagar. Parou diante deles, tão perto que podiam sentir o calor do banho ainda preso à pele dela. Sem pressa, sem teatralidade, desfez o nó da toalha. O tecido caiu no chão com um suspiro suave.
Rodrigo prendeu a respiração. Matías olhou sem saber para onde, e no fim olhou, porque era impossível não olhar. O corpo de Mônica era exatamente o que tinham imaginado durante meses e também, de algum modo, mais do que isso. Os peitos eram grandes e pesados, com os mamilos escuros e já duros pelo ar fresco depois do vapor. A cintura marcada, os quadris largos, e entre as pernas um triângulo preto recortado com cuidado que mal cobria os lábios de sua buceta. A pele tinha o calor de quem acabou de sair da água quente. Nada pedia desculpas.
—Se vão ficar aqui — disse Mônica—, então vamos foder direito. Tirem a roupa. Os dois. Agora.
Rodrigo e Matías se despiram à pressa, tropeçando nas calças, sem tirar os olhos dela. Quando ficaram nus, os dois estavam com os paus duros e erguidos contra a barriga, pulsando no ritmo do coração. Mônica foi primeiro até Rodrigo, passou a mão aberta pelo peito dele, desceu pelo ventre e agarrou o pau com uma firmeza que o fez gemer sem querer. Pesou, apertou, puxou o prepúcio para trás com o polegar e passou o dedo pela glande úmida.
—Bonito — disse, como se estivesse avaliando fruta madura. Depois se virou e fez o mesmo com Matías, que se estremeceu ao primeiro contato.
Ela se ajoelhou diante deles sobre o tapete do quarto. Pegou os dois paus, um em cada mão, e os observou com uma calma que tirou o fôlego dos dois. Começou por Matías: colocou-o inteiro na boca de uma só vez, até o nariz encostar nos pelos do púbis. Matías soltou um som abafado, meio gemido, meio súplica. Ela o tirou devagar, deixando um fio de saliva pendurado, e sem dar trégua se virou e enfiou a boca no pau de Rodrigo, com a mesma profundidade, com a mesma calma.
—Olhem um para o outro — murmurou Mônica, enquanto tirava Rodrigo da boca e voltava a masturbar Matías com a mão cheia de saliva—. Vocês estão tremendo. Os dois.
Ela chupava um enquanto masturbava o outro, alternando, mudando o ritmo, cuspindo sobre as glandes e misturando saliva com as mãos. Quando percebeu que Rodrigo começava a se tensionar, desacelerou, apertou a base do pau dele com dois dedos e o olhou de baixo, os olhos brilhando.
—Devagar. Tudo o que é bom vai devagar. Se você gozar agora, vai se aguentar. Vai me foder mesmo assim, com o pau duro ou mole, mas vai se aguentar.
Rodrigo assentiu sem conseguir falar. Ela o colocou de volta na boca, agora mais lentamente, com a língua trabalhando o freio, com as duas mãos ocupadas: uma nos ovos de Rodrigo, a outra masturbando Matías no mesmo compasso. Os dois gemiam sem disfarçar, e Mônica sorria com a boca cheia de pau.
Depois se levantou, limpou o canto da boca com o dorso da mão e os guiou até a cama. Deitou-se de costas, abriu as pernas e mostrou tudo: os lábios rosados, já inchados e brilhantes de umidade, o clitóris exposto sob o capuz. Com dois dedos se abriu ainda mais e arqueou o quadril.
—Matías, vem. Você primeiro. E usa a língua antes de enfiar. Aprende a comer uma buceta direito, que depois você vai agradecer pra vida toda.
Matías se enfiou entre as pernas dela com desajeito. Ela agarrou a nuca dele com firmeza e o guiou: pra cima, pra baixo, mais suave, um pouco mais fundo. Matías lambia com fome acumulada, com o rosto encharcado, e quando encontrou o clitóris e Mônica gemeu de verdade pela primeira vez, algo acendeu dentro dele. Começou a chupá-lo com mais segurança, enfiando dois dedos ao mesmo tempo, curvando-os para cima como ela indicou ao apertar seu pulso.
—Aí. Bem aí. Não para de mexer a língua. Não para.
Rodrigo, ajoelhado na beira da cama, observava fascinado, com o pau na mão. Mônica percebeu e virou a cabeça para ele.
—Põe na minha boca. Não fica aí só olhando.
Rodrigo se aproximou e ela o recebeu, engolindo o pau inteiro enquanto Matías continuava comendo sua buceta. Foi assim, com a boca cheia de um pau e o rosto de Matías entre as pernas, que Mônica gozou pela primeira vez naquela tarde, com um tremor longo que sacudiu suas coxas e a fez fechar a mão nos lençóis.
—Agora — arfou, empurrando suavemente Matías pelos ombros—. Me fode. Devagar no começo. Sente como entra.
Matías se acomodou entre as pernas dela, segurou o pau com a mão e o passou pelos lábios encharcados antes de empurrar. Entrou num movimento contínuo, lento, e os dois gemeram ao mesmo tempo. Ele ficou quieto por um momento, lá dentro por inteiro, com a testa colada à dela.
—Se mexe — disse Mônica—. Tira quase tudo e enfia de novo. Assim. Outra vez. Agora um pouco mais rápido.
Matías obedeceu. As primeiras investidas foram desajeitadas e depois encontrou o ritmo, com Mônica agarrando o bumbum dele com as duas mãos, marcando o compasso. Ela o olhava nos olhos, o recebia por dentro a cada empurrão, e quando Matías começou a acelerar sem conseguir se controlar, ela não o freou. Deixou que ele terminasse. Matías gozou com um gemido quebrado, afundado até o fundo, e ficou ali por alguns segundos, respirando forte contra o pescoço dela.
—Bom — disse Mônica, acariciando o cabelo dele—. Muito bom. Da próxima vez você aguenta mais. Sai, com cuidado.
Matías se retirou e um fio espesso escorreu pelo interior da coxa de Mônica. Ela não se deu ao trabalho de limpar. Virou a cabeça para Rodrigo, que estava ao lado da cama com o pau duro até doer, apertando a base para não gozar só de vê-los.
—Sua vez. Me põe de quatro. Quero sentir você por trás.
Rodrigo se moveu como em transe. A ajudou a virar. Mônica se pôs de quatro, com a bunda voltada para ele, e arqueou as costas. Rodrigo ficou um segundo olhando a buceta encharcada e o olho do cu brilhando entre as nádegas, e então cuspiu na própria mão, se masturbou duas vezes e colocou a glande na entrada.
—Enfia inteira de uma vez — disse Mônica, olhando por cima do ombro—. Já estou pronta.
Rodrigo empurrou de uma vez e ela soltou um gemido longo, gutural, que lhe arrepiou a nuca. Ele começou a se mover devagar, segurando-a pelo quadril, vendo o pau entrar e sair da buceta de Mônica, brilhante da porra de Matías e da própria umidade dela. A cena era demais. Ele se obrigou a diminuir o ritmo, a respirar, a não gozar ainda.
—Mais forte — disse Mônica, empurrando o bumbum para trás para encontrá-lo—. Me fode mais forte. Eu não vou quebrar.
Rodrigo obedeceu. Começou a meter com toda a força do quadril, fazendo pele bater em pele, e o barulho encheu o quarto. Mônica gemia a cada golpe, com o rosto afundado no travesseiro, agarrando os lençóis com os punhos. Matías, que havia se recuperado antes do esperado, aproximou-se do outro lado da cama, ajoelhou-se diante do rosto de Mônica, e ela não precisou pedir nada: abriu a boca e engoliu o pau dele de novo, já meio duro, e em poucos segundos ele voltou a ficar de pedra dentro da boca dela.
Os três encontraram um ritmo quase coreografado. Rodrigo a metia por trás enquanto Matías lhe fodía a boca devagar, puxando o cabelo dela, vendo o amigo abrir a buceta da mulher que desejavam havia meses. Mônica controlava os dois: chupava com fome, empurrava o bumbum para trás, gemia com a boca cheia e às vezes tirava o pau de Matías para respirar e dizer coisas.
—Assim. Os dois. Mais forte, Rodrigo. Mais fundo.
Rodrigo aguentou o máximo que pôde. Quando sentiu que não havia mais, disse isso entre os dentes, e Mônica cravou o olhar por cima do ombro.
—Dentro. Goza dentro. Quero sentir você.
Rodrigo gozou com três estocadas finais, afundado até o fundo, agarrando a cintura dela com tanta força que deixou marcas dos dedos. Ficou ali, tremendo, respirando contra as costas dela. Matías saiu da boca dela e se masturbou duas vezes diante do rosto dela, e Mônica pôs a língua para fora e recebeu a segunda porra nos lábios e no queixo, sem fechar os olhos, olhando para ele enquanto ele olhava para ela.
Quando terminaram, os três ficaram em silêncio sobre a cama desfeita, jogados em posições aleatórias, com as peles pegajosas e a respiração lenta. Lá fora, os grilos começavam a cantar. Alguém, na rua, passou de bicicleta.
—Estão bem? — perguntou Mônica, com a voz rouca.
—Sim — disse Rodrigo. E soou sério demais, o que fez Matías rir, o que finalmente fez os três rirem.
Mônica beijou a testa de cada um, com uma ternura que não tinha nada de maternal.
—Da próxima vez — disse enquanto pegava a toalha do chão e se limpava entre as pernas com calma—, toquem a campainha. A porta também abre por fora.
***
No dia seguinte, Rodrigo e Matías cruzaram com Mônica na rua. Ela levava uma sacola do supermercado e caminhava com aquela pressa tranquila de quem tem a tarde organizada. Viu os dois, e um sorriso pequeno, quase imperceptível, cruzou seu rosto antes que pudesse evitar.
Rodrigo ergueu a mão num cumprimento desajeitado. Matías disse “Boa tarde” com uma formalidade ridícula que não combinava em nada com o que havia acontecido no dia anterior. Mônica respondeu com um “Boa” e continuou andando sem parar.
Os dois se olharam quando ela já não podia mais vê-los. Não disseram nada. Não precisava.
***
Quatro dias depois, Rodrigo tocou a campainha da casa da esquina às cinco da tarde. Matías estava um passo atrás, com as mãos nos bolsos.
Mônica abriu a porta com um robe de algodão e o cabelo preso. Olhou para os dois sem surpresa. Abriu a porta toda e se virou sem esperar resposta.
—Achei que demorariam mais — disse lá de dentro.
Entraram. A porta se fechou. O bairro seguiu com sua tarde como se nada tivesse acontecido.
Lá dentro encontraram algo diferente da primeira vez: mais calma, mais confiança e aquela sensação particular de saber, ainda que um pouco, quem está à sua frente. Mônica havia colocado música baixa na sala. Havia dois copos d'água sobre a mesinha. Pequenos detalhes que diziam, sem dizê-lo, que aquilo não era um acidente nem uma concessão. Era uma decisão.
Essa segunda tarde foi mais longa. Mônica tirou o robe no corredor, antes de chegar ao quarto, e caminhou nua à frente dos dois com uma naturalidade que os enlouqueceu. Mandou que se despissem na sala. Ajoelhou-se no tapete e chupou os paus dos dois até deixá-los duros, um em cada mão, sem pressa, comentando entre lambidas qual gostava mais de cada um. Depois os levou ao quarto, subiu em cima de Rodrigo, cravou o pau dele até o fundo e começou a cavalgar enquanto Matías, atrás dela, lambia seu cu e enfiava a língua entre as nádegas até fazê-la gemer sem controle. Em algum momento trocaram: Matías embaixo, Rodrigo por trás metendo no cu dela enquanto ela chupava Matías. Os três gozaram, um de cada vez, com Mônica dirigindo cada movimento, cada troca, cada posição.
Entre um encontro e outro ela lhes falava, fazia perguntas, ouvia com atenção genuína. Não era só o corpo que oferecia: era também aquela habilidade, própria de certa maturidade, de estar presente sem perder nada de si mesma, mesmo com sêmen escorrendo pela coxa.
Para Rodrigo e Matías, o que começou como uma obsessão adolescente havia se tornado algo que ainda não sabiam nomear, mas que tinha peso. Mônica lhes havia ensinado coisas que iam além do físico: que a impaciência é inimiga do prazer, que uma buceta se come antes de foder, que é preciso aguentar a gozada até a mulher terminar primeiro, que a experiência não tira nada, só acrescenta.
E para Mônica, aqueles dois garotos desajeitados e honestos haviam trazido algo que fazia tempo ela não tinha: a certeza de ser desejada de verdade, sem cálculo nem estratégia. Apenas o desejo bruto, direto e um pouco ridículo de quem ainda não sabe disfarçar, e dois paus duros cada vez que ela abria a porta.
Ninguém falou sobre o que aquilo era, nem sobre o que seria. Não era necessário. O verão ainda tinha muito pela frente.