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Relatos Ardientes

Eu tomava sol nua para que meu vizinho me visse

As últimas semanas tinham sido tão exaustivas que cheguei a pedir horas extras no escritório só para manter a cabeça ocupada. A ideia era não pensar, não ficar sozinha no quintal, não olhar para a casa dos vizinhos. Mas a vida tem um jeito próprio de bagunçar tudo quando menos esperamos.

Um motorista não respeitou a placa de dê a preferência e atingiu meu filho Tomás, que voltava de bicicleta. Tíbia e fíbula fraturadas, uma contratura cervical. Os médicos prometeram uma recuperação completa em sete ou oito semanas, então eu estava ali, afastada do trabalho para cuidar dele, dividindo com meu marido as idas à reabilitação. A única coisa que importava era que o garoto melhorasse.

Naquela tarde, o calor estava espesso, pegajoso. A rotina finalmente começava a se acalmar. Gonzalo tinha ido com Tomás à consulta e minha filha Lucía estudava na biblioteca. Depois de duas semanas sob tensão, eu havia conquistado algumas horas para mim.

Fingi hesitar, mas já estava decidido desde antes de subir as escadas. Eu estava louca para me deitar ao sol. Além disso, os vizinhos dos fundos estavam de férias no litoral, então não precisaria me preocupar com nenhum olhar indiscreto.

Vesti o menor biquíni que tenho, três triângulos vermelhos unidos por tiras que não deixavam quase nada à imaginação. Olhei-me no espelho e gostei do que vi: na minha idade, eu continuava firme onde importava, com a pele lisa e dourada de quem ama o sol.

Então me ocorreu uma loucura. A casa ao lado vazia, eu sozinha, o jardim fechado. Podia me deitar completamente nua. Peguei uma toalha, o creme, uma garrafa de água gelada e saí antes que me arrependesse.

Eu estava nervosa. O que ia fazer era uma transgressão e, se alguém descobrisse, seria o fim da minha reputação no bairro. Conferi a varanda da casa vizinha: ninguém. Respirei fundo, soltei a parte de cima e baixei a calcinha, sem vergonha, antes de me estender na espreguiçadeira.

Abri o romance que Gonzalo me dera de presente de aniversário, uma história tempestuosa entre uma mulher da classe alta e um homem do bairro. Li alguns capítulos com o coração acelerado, até que o tesão me obrigou a entrar e tomar uma ducha fria. Voltei, deitei de bruços para bronzear as costas e adormeci me sentindo mais viva do que em anos.

***

No domingo, saí novamente. Aquilo estava se tornando um hábito. Embora, dessa vez, eu tivesse decidido ficar apenas de topless, por causa de um resto de pudor que ainda não ia embora. Corria uma brisa leve, muito mais agradável que o abafamento do dia anterior. Acomodei-me com o livro e me deixei levar pela história.

Eu estava tão absorta na leitura que o tempo voou. Ao virar uma página, algo se moveu entre os arbustos e atraiu meu olhar. Não eram as flores. Levantei os olhos para a varanda dos vizinhos e lá estava ele.

Damián.

Meu coração deu um salto e voltei a fixar os olhos no livro, fingindo ler. Os pais dele deviam ter viajado sem ele. Fazia sentido: o rapaz devia ter uns vinte e quatro anos, estudava em outra cidade e voltara para passar o verão em casa. Era lógico que preferisse ficar a viajar três semanas com os pais. Repreendi-me por não ter previsto isso.

Mas então percebi algo mais inquietante. No dia anterior, quando me deitei nua, olhei para a varanda e não havia ninguém. Se ele me vira, fora de trás de uma janela ou da sebe. Estivera me observando o tempo todo.

Respire. Acalme-se. Ele já viu tudo. Sou uma mulher adulta, disse a mim mesma; vivi demais para me esconder de um rapaz de vinte e poucos anos. Voltar para dentro teria sido tão covarde quanto suspeito. O jardim era meu, e eu pretendia desfrutá-lo como bem entendesse.

Mais que isso, fascinava-me pensar que ele estivesse me olhando naquele exato momento. Senti aquele formigamento familiar nascer lá embaixo e subir por todo o corpo, e meu coração acelerou com uma ideia perversa: eu podia lhe dar um espetáculo. Podia ser o melhor momento do verão dele. Enquanto fingisse ignorar que ele me observava, eu seria inocente de qualquer coisa.

Sem pensar duas vezes, inclinei-me para pegar o creme. Endireitei-me e comecei a passá-lo nos braços, devagar, lançando olhares de soslaio por cima dos óculos. Ele continuava ali. Besuntei as pernas com uma lentidão calculada, dos tornozelos até o alto das coxas, da maneira mais sensual que consegui. Eu sabia o que estava fazendo, e meu corpo respondia: o pulso forte, a boceta já molhada pulsando entre minhas coxas, os mamilos rijos como se o próprio ar os estivesse lambendo.

Chegou o verdadeiro número. Coloquei creme na palma da mão e espalhei-o sobre os peitos, amassando-os com as duas mãos, apertando-os até uni-los, certa de que o tinha hipnotizado. Belisquei os mamilos com um sorriso travesso, puxando-os e girando-os entre os dedos até que um suspiro escapou de mim. Depois baixei os dedos até a barriga e a borda da calcinha, roçando o sulco por cima do tecido, e abri um pouco as pernas para que ele distinguisse a mancha escura de umidade que se formava ali embaixo. Imaginei Damián com o pau para fora, batendo uma punheta naquele instante enquanto me olhava, e a simples ideia me fez perder o controle.

Afastei a calcinha para o lado e me expus inteira ao sol e ao olhar dele. Lambuzei um dedo e levei a mão à boceta, percorrendo os lábios já inchados, separando-os devagar para que ele visse como brilhavam. Comecei a esfregar o clitóris em círculos lentos, cerrando os dentes para não gemer alto demais. Enfiei dois dedos em mim e o efeito foi imediato, como se fosse exatamente o que me faltava: senti-os deslizar para dentro sem resistência alguma, encharcados. Tirei-os e levei-os à boca para chupá-los, sabendo que ele acompanhava cada gesto. Voltei a baixá-los e, dessa vez, enfiei-os até o fundo, fodendo a mim mesma com a mão enquanto, com a outra, apertava um peito. Levantei os quadris da espreguiçadeira, oferecendo-lhe a boceta aberta, e acelerei os dedos até a palma bater molhada contra o púbis. Deixei escapar um gemido rouco e fiquei paralisada por um instante, com os músculos da barriga tremendo, antes de desabar, repetindo em silêncio um agradecimento dirigido a ele.

Quando entreabri os olhos, o que vi me fez arquear as sobrancelhas. O pau do meu vizinho aparecia por cima da balaustrada, grosso, duro, e da ponta pendia um fio espesso de gozo que não chegava a cair. Ele também gozara, olhando para mim, batendo uma punheta no mesmo ritmo dos meus dedos. Pisquei, incrédula e eufórica, sabendo-me a única responsável por aquela ejaculação que pingava entre as grades. E então ele desapareceu da varanda sem dizer uma palavra.

Será que vai contar a alguém? Vai me denunciar? Fechei os olhos, obriguei-me a me acalmar e, contra todas as expectativas, adormeci. Quando acordei, não havia ninguém. Recolhi minhas coisas e entrei, apoiando-me no balcão da cozinha com uma bebida gelada, ainda sorrindo pelo que acabara de acontecer.

***

Cinco dias depois, eu estava no supermercado, distraída, com a sensação de estar esquecendo alguma coisa que não conseguia identificar. Enchi o carrinho, paguei e voltei para casa convencida de que tinha comprado tudo.

Enquanto guardava as compras, percebi: os ovos. Não os comprara, e precisava deles para o bolo de aniversário de Lucía, que no dia seguinte completaria vinte e dois anos. Praguejei baixinho. Voltar ao supermercado de carro por causa de simples ovos era absurdo. Melhor pedir a algum vizinho.

Damián surgiu na minha cabeça no mesmo instante. Descartei a ideia, claro, mas não tinha vontade de bater à porta de nenhum outro: nunca me dei bem com o resto do bairro e, sobretudo, desde aquela tarde não parara de pensar nele, nem no pau pingando da varanda.

Pensando melhor, eu podia perguntar a ele. Não tinha por que acontecer nada, e seria divertido ver a cara que faria ao abrir a porta. Era isso que bons vizinhos faziam, não? Eu sempre poderia fingir que o ocorrido no jardim fora apenas uma brincadeira. A emoção já decidira por mim.

Subi ao quarto, abri a última gaveta da cômoda e procurei no fundo. Depois de tanto tempo, girei aquele objeto entre os dedos, surpresa com o quanto eu fora atrevida na juventude. Era um plug anal preto, com base larga e corpo cônico, maior do que eu lembrava. Lubrifiquei-o com saliva e um pouco de creme, baixei a calcinha, inclinei-me sobre a cama e fui enfiando-o no cu devagar, respirando fundo cada vez que o alargamento me detinha. Quando a base ficou apoiada contra as nádegas, endireitei-me sentindo aquela pressão me preenchendo, uma coceira que julgava extinta, e olhei para mim no espelho.

Eu usava uma blusa branca e uma saia cinza comprida, um traje discreto que não chamaria a atenção de ninguém na rua. Venci o impulso de trocar de roupa: era melhor assim. Mas passei pelo banheiro para retocar a maquiagem, passei um batom vinho e algumas gotas de perfume. Querer estar bonita não é crime. Meus olhos verdes brilhavam e o cabelo castanho caía graciosamente sobre os ombros. Por baixo, o plug me lembrava a cada passo o que eu ia buscar.

Calcei sapatos bonitos e saí. O calor havia diminuído, e agradeci por isso. Dei a volta no quarteirão disfarçando a ansiedade, procurando não deixar ninguém suspeitar de onde eu ia ou com que intenção. Meu Deus, só vou pedir alguns ovos. Subi os degraus, respirei fundo e toquei a campainha.

Passaram-se alguns segundos. Ninguém. Toquei novamente, contrariada, torcendo para que ele estivesse em casa. Quando já descia o primeiro degrau, ouvi a porta.

—Sim?

Virei-me. Damián estava ofegante, recém-chegado correndo. Jeans gastos, camiseta de uma banda de rock, meias. Vestira-se às pressas.

—Oi, Damián —disse.

—Oi, senhora —respondeu, mais expectante que surpreso.

—Vim pedir ovos à sua mãe. Esqueci de comprá-los e preciso deles para um bolo.

—É… sim. Quer dizer, não, ela está viajando —explicou atropeladamente—. Mas eu tenho. Espere. Sim, sim, tenho. Entre, se quiser, vou buscá-los.

—Não corra, não há pressa —disse, já no hall.

Havia anos que eu não entrava naquela casa, mas tudo continuava igual. Segui-o até a cozinha, onde havia caixas de pizza e pratos na pia.

—Apartamento de solteiro —brinquei.

—É que eu gosto de pizza —respondeu, encabulado—. Quantos você precisa?

—Oito bastam.

Ele me entregou os ovos e, pela primeira vez, olhou-me nos olhos. Havia algo nele que me fascinava. Pedi um copo de água só para prolongar o momento e, ao me entregá-lo, seus olhos escorregaram por uma fração de segundo pelo meu decote. Vejam só. O peixe mordeu a isca.

Bebi devagar, provocando um silêncio que o deixava cada vez mais nervoso. Conversamos sobre as férias dos pais dele, a cidade onde estudava e o que fazia para se distrair. Contou-me que gostava de fotografia. Apoiei a mão sem disfarçar em seu ombro, comentando como ele era responsável. Eu me sentia à vontade, estava me divertindo.

—Você é muito gentil. Salvou minha vida —disse, inclinando-me para lhe dar um beijo na bochecha.

O beijo o deixou paralisado, com os braços meio erguidos, sem saber o que fazer. Em vez de ir embora, fiquei diante dele, sustentando seu olhar.

—Você me mostra alguma foto? —pedi, procurando uma desculpa para não sair daquela casa.

—Claro. Tenho algumas na sala.

Segui-o. Ele tirou um envelope da gaveta e tentou selecionar quais me mostraria, mas aproximei-me tanto que meu peito roçou seu braço. A primeira era uma paisagem montanhosa com uma árvore solitária. Bonita, de verdade, embora eu esperasse algo mais picante. Quanto mais fotos eu via, mais impressionada ficava. Ele tinha talento de sobra.

—Você é muito bom nisso. Já participou de algum concurso?

—Ainda não, senhora… Marisa —corrigiu-se, corando.

Peguei uma foto de suas mãos, com a desculpa de observá-la contra a luz, e deixei-a escorregar como por descuido. Agachei-me para pegá-la antes dele e, em vez de me levantar, ergui o olhar. Damián tinha os olhos cravados no meu decote: era incrível como uma simples blusa mudava só com um botão aberto. Daquele ângulo, ele devia ver meus peitos inteiros, sem sutiã, pendendo dentro da blusa.

Ele ficou pasmo, exatamente como eu esperava. Em vez de me erguer, levei uma mão ao seu cinto e, com a outra, baixei o zíper. Ele arregalou os olhos.

—Não me importo nem um pouco em lhe mostrar mais —murmurou, ganhando confiança—. Fico feliz que você se interesse por fotografia. Minha mãe já está cansada das minhas fotos.

A comparação com a mãe dele me incomodou, e reagi bruscamente. Eu não sou a mãe dele. Para que não restasse dúvida, enfiei a mão dentro da cueca boxer e forcei até tirar seu pau para fora. Era firme, reto, grosso, muito maior do que eu via em casa havia anos. Percebi que fazia um quarto de século que não me deparava com uma pica assim, capaz de encher minha palma com aquela dureza vibrante. Esfreguei-a algumas vezes, da base até a glande, e uma gota transparente brotou da ponta.

—Você gosta? —perguntou com uma sinceridade desarmante, como se tivesse dificuldade de acreditar.

Em resposta, ajoelhei-me, pus a língua para fora e limpei a gota com uma lambida lenta. Olhei para ele de baixo, com o pau apoiado contra minha bochecha.

—É claro que eu gosto —disse—. Mas o importante é você saber usá-lo.

Abri a boca e engoli-o até a metade, fechando os lábios em torno do tronco e chupando com força ao me afastar. Ele próprio segurou a base e roçou a glande nos meus lábios com calma, desenhando o contorno da minha boca com a cabeça inchada antes de voltar a empurrar. Fiquei excitada ao sentir como ele prendia meu cabelo num rabo de cavalo improvisado e começava a guiar minha cabeça, marcando o ritmo. Eu já fizera aquilo antes, mas com Gonzalo era uma obrigação. Com Damián era outra coisa: excitavam-me suas roupas, seu sotaque desafiador, como ele era diferente do meu marido, o gosto salgado que enchia minha língua cada vez que ele chegava ao fundo.

Afrouxei a mandíbula e deixei que empurrasse mais profundamente, até a ponta bater na minha garganta e as lágrimas turvarem meus olhos. Ele tirou o pau, deixando um fio de saliva pendurado entre meus lábios e sua glande, e voltou a enfiá-lo com uma estocada seca. Agora era ele quem fodia minha boca, e eu o deixava fazer, gemendo ao redor do pau, apertando as coxas com o plug cravado no cu, lembrando-me de como eu também estava cheia por trás. Lambi suas bolas, chupei-as uma por uma e voltei a subir pelo tronco, lambendo-o inteiro e marcando-o com meu batom vinho.

E então uma lembrança se infiltrou na minha cabeça. Vinte e cinco anos antes, outro homem fizera exatamente aquilo comigo, em pé diante de uma garota que era eu, com a mochila jogada ao lado de um sofá parecido com aquele. Aquele homem era o pai de Damián. Eu soubera assim que ele abrira a porta, pelo corte da mandíbula, pelo jeito de olhar. Eu reconhecia a linhagem.

Damián pediu que eu parasse, dizendo que não aguentaria muito, mas eu estava excitada demais. Enfiei uma mão por baixo da saia, afastei a calcinha e encontrei a boceta encharcada, escorrendo pelas coxas; eu também não duraria muito. Esfreguei o clitóris com dois dedos enquanto continuava chupando-o, massageando suas bolas com a outra mão e sentindo como ficavam tensas na minha palma.

—Você não pretende parar —rosnou, quase suplicando, com a voz rouca.

Não apenas não parei: acelerei a mão entre minhas pernas para gozar primeiro, enterrando três dedos dentro de mim e pressionando o clitóris com o polegar. Um espasmo forte percorreu-me inteira, a boceta se apertando ao redor dos meus dedos, e, antes que eu apagasse completamente, voltei-me a ele justo quando seu corpo se contraía. Senti o primeiro jorro de gozo bater no meu palato, quente e espesso, seguido por outros três ou quatro, um atrás do outro, enchendo minha boca de sêmen até ameaçar transbordar. Apertei as coxas, deliciando-me com cada sacudida do pau nos meus lábios, e gozei novamente enquanto engolia tudo o que ele despejara dentro de mim. Limpei a ponta com a língua, chupando até a última gota, e mostrei-lhe a boca vazia.

Damián ficou de boca aberta, sem palavras, chocado, com o pau ainda duro, brilhando de saliva.

—Deite-se no sofá —sugeri, dando-lhe um tapinha suave.

Ele se livrou dos tênis, da calça jeans e da roupa íntima, e se deitou sobre o couro escuro. Fiquei um instante em pé, admirando sua ereção ainda firme apontada para o umbigo, ponderando se montaria nele. Mas antes queria descobrir se sabia me satisfazer. Sorri ao ver sua expressão quando levantei a saia até a cintura e lhe mostrei a boceta nua, a umidade brilhando entre meus lábios abertos e, atrás, a base preta do plug aparecendo entre as nádegas.

—Está com fome? —perguntei, deslizando um dedo pela minha fenda, recolhendo o fluxo espesso e dando-o para ele chupar.

Ele assentiu com entusiasmo e lambeu tudo. Levantei uma perna, subi no sofá e me posicionei sobre o rosto dele, descendo devagar até sentar sobre sua boca. Meu Deus, ouvi-o murmurar contra meus lábios antes que sua língua me alcançasse. Faltava-lhe experiência, mas compensava isso com uma língua inquieta que lambia, mordiscava e chupava, variando a todo momento. Começou pelos lábios, percorreu-os para cima e para baixo e depois cravou a ponta da língua na minha entrada, penetrando-me com lambidas curtas. Subiu até o clitóris, prendeu-o entre os lábios e o sugou, sacudindo-o de um lado para o outro com a língua.

—Isso —ofeguei, sacudindo os quadris contra sua boca, esfregando a boceta no rosto dele sem pudor.

Ele segurou minhas nádegas com as duas mãos e as abriu por completo, deixando o plug exposto. Senti um de seus dedos brincar com a base, empurrando-a de leve, e o prazer duplicou de repente. Puxava seus cabelos, montava seu rosto, pedia mais com gemidos que já não controlava. Ele não parou. Segurei sua cabeça com as duas mãos e esfreguei a boceta contra sua boca até meus gemidos se transformarem em gritos e o orgasmo me partir ao meio. Minhas coxas tremeram ao redor de seu rosto e caí sobre o braço do sofá, encharcada, incapaz de me mover, sentindo meu fluxo escorrer pelo queixo dele. Tive de me esforçar para abrir os olhos e ver seu sorriso orgulhoso, brilhante com o meu prazer, e seu pau, que agora me parecia descomunal, pulsando contra a barriga.

—Quer continuar? —perguntou, acariciando-o lentamente, sem esconder a vontade.

Diante do meu silêncio, ele se ergueu, deitou-me de costas e abriu minhas pernas de par em par. Encostou a ponta na minha entrada, mas o ângulo não estava correto e ele precisou se ajustar, procurando a abertura com a glande até encontrá-la e deslizar para dentro com uma única estocada.

—Porra —gemi enquanto o recebia inteiro, estremecida por sua imponência, sentindo-o abrir caminho até o fundo.

Com o plug ainda enfiado por trás, a sensação era brutal: os dois buracos cheios, a parede entre eles comprimida, cada centímetro da minha boceta esticado ao redor do pau. Ele elogiou como fora fácil entrar, como o interior era quente e apertado. Era grato, outro ponto a favor. Encontrou um ritmo constante, tirando-o quase por inteiro e voltando a enterrá-lo até as bolas, deliciando-se com o vaivém, e arrancou de mim um clímax inesperado em dois minutos, com o plug amplificando-o até torná-lo insuportável. Gritei contra seu ombro, cravando as unhas em suas costas, e ele continuou investindo enquanto eu me desfazia sob ele.

Depois notei que seus movimentos se tornavam mais urgentes, a respiração entrecortada, e decidi retomar o controle.

—Espere.

Contive-o o suficiente para que saísse de mim e para retirar o plug. Puxei lentamente a base e senti aquele vazio quando a parte larga atravessou meu anel. Eu não sabia se ele já estivera com alguma garota por trás e não me importava, mas ele ficou lívido ao ver minha entrada rosada e entreaberta, dilatada, pulsando diante de seus olhos.

—Use isto —disse, colocando o tubo de creme na mão dele—. Primeiro com o dedo, devagar.

Fiquei de quatro sobre o sofá, com a bunda bem empinada e o rosto apoiado no braço. Senti seu dedo besuntado e frio percorrer a rachadura, circular ao redor do buraco e afundar até os nós dos dedos. Gemi contra o couro, pressionando-me contra sua mão. Meus gemidos estimularam meu aluno. Logo eram dois dedos abrindo caminho dentro de mim, generosos no creme, entrando e saindo com um chapinhar obsceno. Ele os curvou para dentro, procurando um ponto, e, quando o encontrou, um grito escapou de mim.

—Aí, assim, mais —ofeguei, empinando a bunda no rosto dele.

Quando eu estava prestes a perder a cabeça, ordenei que parasse e que me penetrasse. Fazia séculos que ninguém entrava ali; eu sabia que precisava relaxar.

—Devagar —advirti.

Seguindo minhas instruções, ele espalhou mais creme no pau, besuntando-o inteiro, da base até a ponta, e apoiou a glande no meu buraco. Empurrou alguns centímetros, recuou, tornou a passar creme e avançou um pouco mais. Apoiado no encosto do sofá para que o único peso sobre mim fosse o de sua ereção, não se deixava levar: media a tensão a que me submetia, avançava e recuava sem parar, alargando pacientemente o caminho até meu corpo ceder e deixá-lo deslizar com facilidade, até que senti suas bolas baterem contra minha boceta encharcada.

Foi a vez de ele gemer, maravilhado, cerrando os dentes ao me sentir apertada ao redor dele. Tinha o rosto concentrado, então não me viu olhá-lo por cima do ombro com orgulho. Outros homens haviam tido tempo, lugar e oportunidade para foder minha bunda; nenhum conseguira.

Começou a se mover devagar, tirando-o quase inteiro e voltando a enterrá-lo sem pressa, deixando-me me ajustar a cada investida. A sensação era diferente de tudo, um preenchimento denso, uma pressão que irradiava por todo o baixo-ventre. Ganhou confiança e acelerou; o chapinhar do creme e da carne encheu a sala.

—Aí! —gritei, enfiando a mão por baixo e esfregando o clitóris desesperadamente enquanto ele abria minha bunda a pica.

Então decidiu brincar comigo. Cruel, tirava-o completamente, deixava-o pulsar contra meu buraco aberto por um segundo e voltava a enfiá-lo de uma vez até o fundo, obrigando-me a admitir em voz alta o quanto eu gostava.

—Diga —rosnou, com uma mão enterrada no meu cabelo, puxando-o para trás.

—Eu adoro, adoro que você foda minha bunda, não pare —gemi, apertando meus próprios mamilos, já sem dignidade.

Ele me virou de lado, prendeu um mamilo com a boca e mordeu-o enquanto voltava a investir com força, enfiando o pau no meu cu daquele novo ângulo. Levantou minha perna de cima, apoiando-a no ombro, e me manteve aberta como um livro, fodendo-me sem descanso. O prazer era tão afiado que meus olhos se semicerravam; entrei numa espécie de transe, drogada pela brutalidade com que ele me tomava, com dois dedos enterrados na boceta enquanto destruía meu outro buraco.

O fim chegou com uma última estocada. Ele abraçou minha cintura e, num impulso, ergueu-me contra si, sentando-me em seu colo enquanto permanecia ajoelhado no sofá. Nessa posição, o pau entrou ainda mais fundo. Começou a me fazer quicar sobre ele, segurando meus peitos para me sustentar, e de repente ficou rígido sob mim. Senti o primeiro jorro de gozo quente dentro da bunda, depois outro e outro, sua ereção convulsionando bem fundo. Gritei, ainda esfregando o clitóris, até que outro orgasmo explodiu sobre o dele, apertando-o com a bunda sem perceber, ordenhando cada gota. Supliquei entre berros algo incoerente, até que ele desabou comigo sobre o couro, com o pau ainda enterrado, ainda esguichando dentro de mim.

Quando ele se retirou, devagar, senti um rio morno escorrer pela coxa, seu sêmen escapando do meu buraco, e uma satisfação bestial que eu não lembrava de ter sentido. Nunca experimentara algo assim. Virei-me, colei um beijo nele e nossas bocas se devoraram, relutantes em se separar, misturando os sabores. Depois apoiei a cabeça em seu peito suado.

—Você gostou? —perguntei, porque mais cedo ou mais tarde eu iria querer repetir.

—Está brincando? —bufou—. Foi a melhor coisa que já me aconteceu na vida.

—Obrigada —respondi de coração—. Espero que possamos nos entender. Mas agora vou embora, preciso fazer um bolo.

Vesti minhas roupas, guardei o plug encharcado no bolso e me arrumei diante do espelho do hall até voltar a parecer uma dona de casa exemplar, com a bunda ainda escorrendo sob a saia.

—Obrigado você —repetiu, com um beijo curto e carinhoso—. Quer dizer, a senhora. Você.

—Uma coisa —disse no último momento—. Seu pai… ele nunca falou de mim?

—Não. Por quê?

—Nada. Coisas minhas.

De volta para casa, compreendi que não fora tola ao me deixar seduzir pelo pai dele vinte e cinco anos antes. A tolice veio depois, quando descartei para sempre certos prazeres por associá-los àquele homem que me fizera feliz e depois me expulsara de sua vida, deixando-me um vazio que julguei impossível de preencher. Impossível, não, sorri, ainda sentindo a agradável coceira entre as nádegas e o sêmen morno escorrendo pela coxa. Bastara esperar pela geração seguinte.

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