O homem maduro que despertou todos os desejos nela
Os dias viraram semanas, e as semanas se transformaram numa vertigem da qual Lucía já não queria descer. Por fora, sua vida continuava intacta: os turnos na clínica, os plantões longos, os jantares silenciosos com a mãe diante da televisão. Por dentro, porém, ardia sem trégua. Todas as manhãs, ao chegar ao ponto, procurava com os olhos a silhueta larga de Hernán entre os ônibus estacionados e sentia a umidade se instalar entre as pernas antes mesmo de cumprimentá-lo.
Ele sempre estava ali, com a planilha na mão e aquele sorriso lento que já não precisava explicar nada. Havia meses que tinham deixado de fingir indiferença. Hernán tinha quarenta e três anos, as têmporas grisalhas e mãos enormes que a haviam ensinado, com paciência e crueza, tudo o que ela ignorava sobre o próprio corpo. Ele a ensinara a pedir, a se abrir, a chupar o pau sem engasgar, a gozar em voz alta.
—Hoje o das sete vem atrasado —disse ele certa manhã, sem olhá-la, ajustando alguma coisa na tela do controle da frota.
—De novo? —perguntou Lucía, contendo o sorriso.
—De novo —confirmou ele—. Entra na van.
Os encontros rápidos já eram um ritual. Quando um serviço “atrasava” por causa de um ajuste discreto que Hernán fazia no sistema, ele a levava na van até um terreno baldio atrás das garagens, onde os plátanos antigos escondiam a vista da avenida. No banco traseiro, beijava-a com uma pressa que não admitia perguntas e enfiava a língua bem fundo enquanto arrancava sua calcinha de uma só vez.
—Tira a roupa, rápido —ordenava com a voz rouca, enquanto abria o cinto e baixava a calça até os joelhos.
Lucía obedecia, levantava a saia e se acomodava montada sobre ele. Já não restava nada da mulher tímida que, um ano antes, baixava os olhos quando ele sustentava seu olhar por um segundo a mais. Agora segurava o pau dele com as duas mãos, cuspia nele e o esfregava contra o clitóris antes de se deixar descer devagar, sentindo-o abri-la centímetro a centímetro.
—Não aguento, Hernán —ofegava contra o pescoço dele—. Agora. Enfia tudo.
Ele a segurava pela cintura e a guiava com firmeza, uma mão cobrindo-lhe apenas a boca para abafar os sons, a outra cravada em suas costas, empurrando-a para baixo. Lucía sentia o pau golpeando o fundo, duro e quente, e mordia a palma da mão de Hernán para não gritar. A van balançava devagar, os vidros embaçavam com a respiração dos dois, e a certeza de que qualquer colega poderia atravessar o terreno baldio e vê-los com a saia arregaçada e os peitos à mostra tornava tudo mais urgente. Ele apertava seus mamilos com os dedos ásperos, beliscava-os até fazê-la tremer e sussurrava em seu ouvido “fode comigo, puta, fode comigo com força” enquanto a fazia quicar sobre o pau. Quando ela gozava, apertando o pau dele dentro de si com espasmos, ele mordia seu pescoço e gozava dentro da buceta dela com um grunhido abafado. Terminavam suados, com o esperma escorrendo pelas coxas de Lucía, rindo baixinho e se recompondo antes que o relógio os denunciasse.
***
Nas tardes de folga, quando os filhos de Hernán estavam na escola, ela ia ao apartamento dele, um terceiro andar com varanda num bairro tranquilo da zona sul. Ali, o sexo era outra coisa: mais lento, mais curioso, sem o relógio pressionando. Ele tinha um jeito de não ter pressa, de olhá-la como se estivesse memorizando cada reação, cada gemido, cada tremor.
—Quero que você sinta tudo —dizia ao ouvido dela, enquanto percorria suas costas com a ponta dos dedos, descendo até separar suas nádegas—. Sem pressa.
Ele a despia devagar, colocava-a de bruços na cama e lambia suas costas até o começo da bunda; depois abria suas coxas e enterrava a língua na buceta dela por trás. Lucía se agarrava aos lençóis e arqueava a cintura, oferecendo-se, enquanto ele a chupava com fome, enfiava os dedos dentro dela e roçava o cu com o polegar até fazê-la gritar contra o travesseiro.
Certa tarde, mostrou-lhe um pequeno vibrador e observou-a descobrir sensações que não conhecia. Passava-o em círculos sobre o clitóris inchado, introduzia-o apenas um pouco na buceta encharcada e o retirava exatamente quando ela estava prestes a gozar, até que ela lhe suplicasse entre risadas e xingamentos. “Me deixa gozar, filho da puta, me deixa gozar”, pedia com os olhos úmidos, e ele ria e encostava o aparelho nela outra vez, com uma crueldade deliciosa, até finalmente deixá-la explodir enquanto mordia um mamilo. Lucía aprendeu a montá-lo olhando-o nos olhos, com as mãos apoiadas no peito largo dele, a se mover buscando o próprio ritmo, subindo e descendo os quadris; aprendeu a se ajoelhar diante dele sem vergonha e enfiar o pau inteiro na boca. Aprendeu a chupá-lo olhando para ele, a brincar com a língua na ponta, a chupar suas bolas, a engolir a porra e sorrir com a boca cheia de esperma. Encontrava um poder estranho em satisfazê-lo, em ver como aquele homem seguro, dono de cada gesto, perdia o controle por causa dela e agarrava seu cabelo com as duas mãos para meter até sua garganta.
—Você me tem na mão —dizia depois, quase irritado consigo mesmo, ainda respirando com dificuldade—. A esta altura da vida, e você me tem na mão como um moleque.
Ela gostava daquela confissão mais do que qualquer outra coisa. Gostava de ser a desordem na vida organizada de um homem maduro, a rachadura por onde se infiltrava algo que ele acreditava ter resolvido havia muito tempo.
—Você é incrível —murmurava ele depois, fumando junto à janela, com ela aninhada contra seu peito, ainda com o cheiro de sexo grudado na pele.
Foi num desses momentos, com a fumaça subindo em espiral em direção ao teto, que Hernán começou a confessar sua fantasia. No início, era apenas um sussurro, algo que dizia meio adormecido e parecia retirar logo em seguida.
—Eu ficaria louco vendo você com outro homem —disse certa vez—. Vendo você fodendo, com outro pau dentro, gozando enquanto eu olho, sabendo que no fim você volta para mim.
Lucía corou e não respondeu. Mas a ideia ficou girando, acesa em algum canto que ela preferia não nomear. Em suas noites sozinha, com os dedos enterrados entre as pernas, já não imaginava apenas Hernán: imaginava outros olhos sobre ela, outra respiração acompanhando cada movimento de seu corpo, outra boca agarrada aos seus mamilos.
***
A oportunidade apareceu alguns meses depois. Hernán conhecia Tomás havia anos, outro motorista da empresa, divorciado como ele, desses amigos a quem se confia qualquer coisa. Tomás tinha quarenta e seis anos, era magro, com tatuagens desbotadas nos antebraços e um sorriso torto que prometia travessura.
Certa noite, depois de algumas cervejas no bar do terminal, Hernán contou-lhe parte de sua história sem dar nomes, apenas que tinha uma mulher que o deixava perdido. Tomás riu, mas Lucía descobriria depois que, naquela noite, alguma coisa havia ficado pairando no ar entre os dois homens.
Hernán planejou tudo com cuidado. Num sábado à tarde, com as crianças na casa da ex-mulher, convidou Lucía para ir ao apartamento. Pediu que ela fosse com uma saia curta e uma blusa que ele conhecia bem, sem sutiã.
—Tenho uma surpresa para você —disse, beijando-a de leve na porta.
Na sala, sentado no sofá com uma cerveja na mão, estava Tomás. Lucía ficou imóvel por um segundo, com o coração batendo na garganta. Mas o modo como os dois homens a olhavam —aquele desejo contido, quase reverente— inundou-a com um calor que surpreendeu até a ela mesma. Sentiu os mamilos endurecerem sob a blusa fina.
—Calma —murmurou Hernán, aproximando-se por trás e envolvendo sua cintura com os braços. Falou colado ao pescoço dela—. Tomás só vai olhar. Nada além disso, se você quiser. Diga que sim e prometo o momento mais intenso da sua vida.
Tomás não disse uma palavra. Apenas a observava, paciente, com a fome mal disfarçada e um volume crescendo entre as pernas sob o jeans.
Lucía tremeu. Sentia a respiração quente de Hernán na nuca, o peso do olhar alheio sobre ela, e a fantasia que ele plantara meses antes floresceu de repente. Assentiu, quase sem voz.
—Sim —disse—. Eu quero.
Hernán levou-a até o sofá e a sentou entre suas pernas, de frente para Tomás. Com uma lentidão deliberada, levantou sua saia até a cintura, revelando uma calcinha minúscula já escurecida pela umidade.
—Olha como ela está sempre pronta —disse ao amigo, enquanto puxava o tecido para o lado e abria os lábios da buceta dela com dois dedos, expondo-a inteira—. Olha, olha como escorre sem eu quase tocar.
Lucía gemeu, e a vergonha se misturou a uma excitação brutal ao se sentir exposta, aberta diante de um desconhecido. Tomás se ajeitou no sofá, sem pressa, sem tirar os olhos da buceta molhada nem por um instante, e passou a língua pelos lábios.
—Diga a ele o que você sente —pediu Hernán ao ouvido dela, seus dedos penetrando devagar a carne quente, movendo-se dentro dela com a maestria de quem conhecia cada canto—. Diga o que acontece quando olham para você.
Ela, com a voz quebrada, levantou os olhos para o desconhecido.
—Eu… eu gosto que você olhe para mim —sussurrou—. Quero que veja tudo. Quero que veja como ele me fode.
Tomás grunhiu algo em voz baixa, uma aprovação quase inaudível, e apertou o volume por cima da calça. A tensão no cômodo era espessa, elétrica, como o ar antes de uma tempestade. Hernán abriu sua blusa de um puxão, os botões saltando, e deixou seus peitos à mostra. Apertou-os, beliscou seus mamilos até fazê-la arquear-se, enquanto continuava fodendo sua buceta com os dedos, agora três, entrando e saindo com um som úmido e obsceno que preenchia a sala. Lucía gozou assim, empalada na mão dele, com os olhos cravados em Tomás, mordendo o lábio para não gritar e não conseguindo.
Depois, Hernán tirou a calça, voltou a se sentar no sofá com o pau duro apontado para o teto e a guiou até que se ajoelhasse sobre o sofá, em cima dele, de costas para ele e de frente para Tomás, a poucos passos de distância. Segurou-a pelos quadris e a baixou devagar sobre o pau até enterrá-lo inteiro nela; depois fez dela o que queria com um ritmo profundo, cada movimento empurrando-a levemente para a frente e fazendo seus peitos quicarem.
—Olha para ele —disse, com a voz transformada num murmúrio rouco contra a orelha dela—. Olha o que você provoca. Olha como ele fica de pau duro vendo você me foder.
Lucía obedeceu. Sustentou o olhar de Tomás, que já abrira a calça e se masturbava devagar, com o pau grosso fechado no punho, sem desviar os olhos dela. Contemplava-a como se ela fosse a única coisa existente no mundo, observando o pau de Hernán entrar e sair de sua buceta, observando o esperma começar a se acumular na base. Ela descobriu que ser desejada por dois ao mesmo tempo, com um dentro dela e o outro se masturbando a um metro de distância, a levava a um lugar que não conhecia. O prazer era avassalador: a firmeza de Hernán atrás dela, fodendo-a com estocadas longas que faziam o sofá ranger; o peso de olhos estranhos à sua frente, acompanhando cada quique de seus peitos, cada movimento de sua boca aberta; a sensação vertiginosa de estar se entregando e, ao mesmo tempo, ter todo o controle. Abriu mais as pernas para que Tomás visse melhor, segurou os peitos e apertou os mamilos para ele, sustentando seu olhar enquanto gozava de novo, gritando desta vez sem filtro, apertando o pau de Hernán com toda a buceta.
Quando Hernán chegou ao fim, foi com um som grave que pareceu sacudir o cômodo inteiro, cravando-a contra o peito, esvaziando-se dentro dela com estocadas curtas e bruscas. Um segundo depois, Tomás soltou um gemido rouco e gozou também, a porra saltando entre seus dedos, caindo no ventre e no jeans, sem parar de olhá-la. Lucía ficou tremendo, ainda empalada, com o esperma de Hernán escorrendo pelas coxas, atravessada por réplicas que não terminavam de desaparecer.
***
Tomás foi embora pouco depois, discreto, com um tapinha agradecido no ombro do amigo e um último olhar que Lucía sentiu queimar em sua pele. Os dois ficaram na cama, exaustos, olhando para o teto, ela com a buceta ainda pulsando e a porra secando na virilha.
—Nunca senti ciúme e desejo tão juntos —confessou Hernán, acariciando-lhe os cabelos—. Ver você assim, com outro comendo você com os olhos, e saber que depois você vinha para mim…
—Quero repetir —sussurrou ela contra o peito dele, ainda estremecida—. Mas sempre com você controlando tudo.
Ele riu baixinho e beijou sua testa.
—Sempre.
Desde então, o que havia entre eles se intensificou até se tornar indispensável. Tomás participou mais algumas vezes, quase sempre como espectador, masturbando-se no sofá enquanto eles fodiam no chão; em certa ocasião, com permissão para tocá-la, chupar seus peitos enquanto Hernán a penetrava, gozar em sua boca enquanto o outro a fodia por trás. Mas o centro era sempre ela e aquele homem maduro que a despertara por completo.
O risco crescia em paralelo: mensagens apagadas às pressas, desculpas cada vez mais elaboradas para a mãe, o medo constante de que alguém do terminal ligasse os pontos. E, ainda assim, aquele perigo fazia parte do combustível. Cada encontro se tornava mais urgente, mais intenso, mais necessário que o anterior.
Lucía já não era a mulher reservada que baixava os olhos no ponto. Era a amante de um homem que a conhecia melhor do que ninguém, alguém que compartilhava seu prazer com uma testemunha escolhida e transformava suas fantasias mais secretas numa realidade que a consumia sem remorso. À noite, sozinha no quarto, com os dedos outra vez entre as pernas, já não se perguntava se aquilo era certo ou errado. Apenas contava as horas que faltavam para voltar à van, ao terreno baldio, ao apartamento do terceiro andar onde, enfim, se sentia completamente ela mesma.





