O jantar naquele chalé onde aprendi a mandar
Depois daquela noite no trigésimo primeiro andar, Ariadna e Marcos souberam que não havia mais volta. Já faziam meses que transavam escondidos nas salas vazias do Banco Velmar, entre balanços e cafés frios, e daquela vez tinham sido gravados por uma câmera que nenhum dos dois sabia que existia.
Uma semana depois, Marcos levou suas duas malas para a cobertura dela, numa rua tranquila de Chamberí. Ariadna abriu a porta de robe de seda preta, empurrou-o contra a parede antes que ele pudesse largá-las no chão e o beijou até o vizinho do quinto andar tossir no elevador. Fecharam a porta rindo como duas crianças.
Alugaram juntos um apartamento claro em dois dias. Organizaram os armários como quem ergue um altar ao desejo. À esquerda, os ternos sob medida dele, as camisas brancas, as gravatas alinhadas. À direita, os vestidos justos dela e uma gaveta com coisas que nenhum visitante devia abrir: um vibrador de silicone preto, grosso como um punho, um harness de couro, presilhas prateadas, um frasco de lubrificante caro e uma chibata curta.
Qualquer desculpa servia. Ela fazendo café na cozinha, ele chegando por trás, erguendo a saia, arrancando a calcinha num puxão e enterrando a rola numa só estocada até a raiz. Ariadna se apoiava no mármore e abria as pernas, apertando o cuzinho molhado ao redor do pau enquanto ele mordia a nuca dela e sussurrava «minha puta» no ouvido. Ele a comia com estocadas longas, arrancando-a quase inteira e voltando a cravar de uma vez, até que ela gozava com a bochecha colada à pedra fria e a cafeteira transbordava, esquecida, sobre o fogo. Ele saía depois, com a rola brilhando e ainda dura, e pedia a boca; ela se virava e o chupava de joelhos ali mesmo, engolindo o próprio gosto, até que ele enchia a garganta dela de porra grossa e ela lambia a ponta limpa como se fosse sobremesa.
Ele saindo do banho, ela de joelhos sem dizer palavra, engolindo sua rola molhada até a garganta, se afogando de propósito para vê-lo semicerrar os olhos. Acolhia os ovos dele com uma mão, puxava a rola inteira para fora e passava a língua da base ao glande, depois a colocava de novo até roçar as amígdalas. Marcos agarrava o cabelo molhado dela e comia sua boca devagar, marcando o ritmo, até ela fazer sinal e ele gozar com um rosnado baixo, disparando jatos de leite quente na língua dela, que engolia olhando para ele, e depois abria a boca para que ele visse que não tinha sobrado uma gota.
Na sala, vendo qualquer série, ela se sentava de frente no colo dele, levantava o vestido, afastava a calcinha e se enfiava na rola sem deixar de olhar para a tela, como se nada estivesse acontecendo. Cavalgava devagar, apertando o pau a cada descida, até ele perder a paciência, erguê-la nos braços e os dois terminarem contra o vidro com a cidade acesa lá embaixo. Marcos separava as nádegas dela, cuspia no cuzinho, enfiava dois dedos e enrabava com a rola, primeiro devagar e depois com estocadas brutais que faziam a janela vibrar. Ariadna se tocava no clitóris com a mão livre, apertava a bochecha contra o vidro gelado e gozava gritando para ele encher o cu dela, para gozar dentro, para ela ser a puta dele. Ele obedecia com um rugido, esvaziando-se nas entranhas dela até a última gota.
Fecharam a operação Nordemar com um sucesso brutal. Um bônus de sete dígitos para cada um, uma foto dos dois na Torre Velmar com Damián sorrindo ao fundo, um brinde com champanhe na sala de reuniões. Tudo parecia perfeito.
E então chegou o primeiro envelope.
***
Papel grosso, cor de osso, letra manuscrita impecável. Ariadna o abriu com o café na outra mão.
«Sei o que vocês fizeram na sexta na sala trinta e um. Belo espetáculo. Uma palavra minha e tudo acaba.»
A xícara caiu no chão. Marcos chegou à noite, leu o bilhete em pé, sem mover um músculo. Naquela madrugada dormiram de costas uma para o outro pela primeira vez em meses.
Depois vieram mais. Fotografias borradas. E-mails de contas falsas. Mensagens às três da manhã: «Gostam de risco? Eu também.» Deixaram de se tocar no escritório, deixaram de dormir bem. Quando transavam, era com raiva, como se quisessem apagar o medo à base de quadriladas. Ele a punha de quatro na cama, segurava-lhe os quadris e a enfiava até o fundo, sem preliminares, arrancando gritos que eram mais de fúria que de prazer. Dava palmadas na bunda dela até deixá-la vermelha, puxava-lhe o cabelo, enfiava o polegar no cu enquanto a comia no xoxota, e ela gozava chorando de raiva, apertando o pau dele em espasmos violentos, mordendo o travesseiro para não acordar ninguém. Marcos gozava dentro dela com a mandíbula travada, e depois a abraçava em silêncio enquanto o sêmen escorria entre as coxas dela.
O último envelope era creme e tinha um leve cheiro de perfume caro.
«Jantar privado na minha residência no sábado. Assunto: seu futuro profissional. Venham sozinhos. Damián Veltrán.»
Ariadna e Marcos se olharam através do vidro fosco que separava suas salas. Não precisaram de palavras.
***
O chalé era um bloco de concreto e vidro escondido entre pinheiros, nos arredores. Piscina interna aquecida, luzes baixas, música mínima ao fundo. Quem abriu a porta foi uma mulher que não era a governanta.
Vestido preto de gasa, cabelo escuro até a cintura, um sorriso que despia em dois segundos. Beiraria os quarenta e os carregava como uma ameaça elegante.
—Entrem —disse—. Meu marido espera vocês.
Damián os recebeu na sala com um sorriso estranho, quase nervoso para um homem que comandava o banco inteiro. Terno cinza-pérola, sem gravata. Durante o jantar falaram da operação, dos investidores, do bônus. Tudo normal demais.
Na sobremesa, Damián pegou um controle remoto e apontou para uma tela enorme.
O vídeo começou sem som nos primeiros segundos, e isso foi o pior. Ariadna reconheceu a si mesma inclinada sobre a mesa da sala de reuniões, com a saia levantada na cintura e a calcinha pendurada num tornozelo. Marcos atrás, com as calças meio abaixadas, a rola entrando e saindo brilhante entre as nádegas abertas dela. A luz de Madri ao fundo. Depois veio o áudio, e ela sentiu o ar lhe faltar ao se ouvir pedir a Marcos, com a voz quebrada, «mais forte, mais forte, goza dentro». Marcos cerrou os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos.
Damián falou com uma calma ensaiada.
—Não vou despedir vocês. Só quero uma noite. Uma só. Depois o vídeo desaparece para sempre.
A mulher do vestido preto —Olivia, disse ele, minha mulher— se levantou e acariciou o cabelo do marido como se fosse um bicho doméstico.
—Ao meu Damián gosta de olhar —disse com uma voz doce e cruel—. Ele adora ver outros homens me comendo. Adora ser deixado de lado, que coloquem limites nele, que o façam esperar de joelhos com a rola dura sem poder se tocar. Não é, amor?
Damián assentiu, o rosto ardendo, a respiração curta.
—É —sussurrou.
Olivia olhou para Ariadna, depois para Marcos, e semicerrrou os olhos como quem já tinha vencido.
—Subam comigo. Vamos escolher como passar a noite.
***
Subiram para o andar de cima. Damián ficou embaixo, sentado na beira de uma poltrona, esperando uma permissão que ninguém lhe dera.
No quarto principal, Olivia abriu duas gavetas com a teatralidade de quem ensaiou a cena muitas vezes. Cintos, antifaces, vibradores, arnês, presilhas para os mamilos, um chicote fino, brinquedos alinhados como instrumentos cirúrgicos.
—Para o meu marido —disse, entregando a Ariadna um antifaz de couro—. Você decide quanto ele vê. E para você, querida, escolha o que quiser. Hoje à noite vamos usar os dois juntos.
Deu um passo na direção dela, perto demais, invadindo o ar que ela respirava.
Ariadna não recuou. Olhou-a nos olhos, voz baixa e firme.
—Fora.
Olivia piscou.
—Como é?
—Eu disse fora. —Não elevou a voz. Não precisou—. Aqui quem decide sou eu, e decido com o meu homem. Desce, fica ao lado do seu marido e esperem os dois. Avisamos quando estiverem prontos.
Olivia abriu a boca para responder. Algo no olhar de Ariadna a fez fechá-la. Saiu sem dizer palavra, descalça sobre a madeira.
Ariadna se virou para Marcos. Tocou o rosto dele com as duas mãos e o beijou, devagar, profundo, sem pressa pela primeira vez em semanas.
—Hoje à noite quem manda somos nós —murmurou contra os lábios dele—. Não para pagar nada. Por nós. Eu marco o ritmo, você me segue, e eles só existem para o que decidirmos. Entendido?
—Entendido —respondeu ele, e na voz havia alívio, não derrota.
***
Quando desceram, Olivia e Damián estavam exatamente onde tinham sido mandados ficar, sentados bem juntos no sofá baixo, as mãos sobre os joelhos, como dois alunos esperando a nota.
Ariadna se aproximou primeiro de Damián. Passou o antifaz pelo rosto dele devagar, ajustando-o, deixando-o no escuro dentro da própria casa.
—Você não toca —sussurrou em seu ouvido—. Nem na sua mulher, nem em mim, nem na sua rola. Você escuta. E agradece o pouco que deixarmos você ouvir.
O homem mais poderoso do banco tremeu sob os dedos dela, e esse tremor agradou Ariadna mais do que qualquer bônus de sete dígitos. Era poder de verdade, o único que não aparece em contrato nenhum.
Depois se virou para Olivia, que a observava com uma mistura de raiva e desejo.
—Você achou que comandava isso —disse Ariadna—. Olha só para você. Passou a noite inteira esperando alguém dizer o quanto você vale.
—E quanto eu valho? —perguntou Olivia, desafiando-a com o queixo erguido.
—O que eu decidir. Tira o vestido.
Olivia obedeceu, mais devagar do que o necessário, deixando a gasa negra cair sobre o tapete. Por baixo não usava nada. Seios pequenos e firmes, mamilos escuros já endurecidos, um púbis raspado e brilhante. Ariadna a examinou de cima a baixo sem o menor pudor, como uma negociante de gado.
—Pra cima. Na cama.
Empurrou-a com a palma da mão no peito. Olivia caiu de costas no colchão, o cabelo negro se espalhando sobre a colcha, e pela primeira vez em toda a noite não tinha nada espirituoso para dizer.
Marcos se aproximou por instinto, lendo Ariadna como vinha lendo há meses. Ela fez um gesto mínimo com a cabeça e ele entendeu. Despiu-se sem pressa, a rola já dura apontando para o ventre, e pegou Olivia pelos tornozelos, puxando-a até a beira do colchão, abrindo-lhe as pernas escancaradas. Ariadna subiu na cama e se pôs de frente no rosto dela.
—Me lambe —ordenou, segurando-a pelo cabelo—. E faz direito.
Olivia mostrou a língua e começou a lamber a xoxota dela com fome, chupando os lábios, afundando a língua na entrada, buscando o clitóris com a ponta. Ariadna se movia devagar contra a boca dela, cavalgando o rosto, olhando por cima do ombro para Marcos, que já passava a glande pelos lábios da xoxota de Olivia. A outra mulher gemeu contra o sexo de Ariadna quando Marcos a enterrou inteira numa única estocada.
—Você não vai gozar até eu mandar —ordenou Ariadna, apertando o cabelo dela com mais força—. E vai me pedir. Continua chupando.
Marcos começou a comê-la devagar, com estocadas longas e profundas, olhando para Ariadna o tempo todo. Segurava os quadris de Olivia com força, afundando até os ovos, e cada vez que a penetrava inteira, Olivia gemia contra a xoxota de Ariadna e a vibração arrancava dela um arrepio. Damián, no escuro da poltrona, só tinha os sons: o barulho da rola de Marcos entrando e saindo da xoxota encharcada da mulher, os gemidos abafados de Olivia, a voz de Ariadna dando ordens no próprio quarto.
—Mais forte —disse a Marcos—. Come ela como você me come. Para ela saber a diferença.
Marcos acelerou, os quadris batendo contra as coxas de Olivia com um som seco e úmido. Ariadna se inclinou para a frente, estendeu uma mão e apertou os mamilos de Olivia, primeiro um, depois o outro, torcendo-os até a outra abrir a boca num gemido mudo contra o sexo. Deu uma tapa suave, quase carinhosa, na parte interna da coxa dela.
—Continua lambendo, puta. Minha língua está ficando dormente.
Olivia redobrou o esforço, chupando o clitóris dela com sucções curtas, enfiando dois dedos na xoxota molhada. Ariadna sentiu o orgasmo subindo pelas pernas e não o conteve: gozou com um gemido baixo, apertando as coxas contra as bochechas de Olivia, obrigando-a a beber cada espasmo. Quando terminou, puxou-lhe o cabelo para cima e olhou o queixo brilhante dela.
—Boa garota.
Desceu da cama e fez sinal para Marcos, que saiu da xoxota de Olivia com a rola pingando, dura e vermelha. Ariadna se ajoelhou diante dele e o chupou até a garganta, saboreando o gosto da outra mulher na língua, olhando nos olhos dele enquanto mamava. Olivia gemia na cama, as pernas ainda abertas, a xoxota pulsando e vazia.
—Por favor —sussurrou—. Por favor, me deixem.
—Ainda não —disse Ariadna, soltando a rola de Marcos com um beijo úmido na glande—. Vira. De quatro. Bunda pra cima.
Olivia obedeceu com um tremor nas coxas. Ariadna pegou o frasco de lubrificante da gaveta, derramou devagar sobre a fenda das nádegas da outra mulher, viu o cuzinho contrair ao sentir o frio. Enfiou dois dedos no cu dela, bem devagar, até a junta, e Olivia gemeu com o rosto afundado na colcha.
—Marcos —disse Ariadna sem se virar—. No cu. É o que ela merece.
Marcos se posicionou atrás, passou a rola pela fenda lubrificada e empurrou devagar. Olivia gritou quando a glande venceu o anel, um grito longo que Ariadna abafou enfiando três dedos na boca dela.
—Chupa —disse—. E nem pense em gozar ainda.
Marcos a penetrou inteira, centímetro por centímetro, até afundar até os ovos no cu apertado de Olivia. Começou a comê-la com estocadas longas, puxando-a quase inteira para fora e voltando a cravá-la, e o cuzinho de Olivia se esticava obscenamente ao redor da rola. Ariadna se deitou sob ela, de costas, e começou a chupar o clitóris enquanto Marcos destruía o cu dela por cima. Cada estocada empurrava a xoxota de Olivia contra a boca de Ariadna, e Olivia chorava de prazer, já sem conseguir se sustentar.
Toda vez que se aproximava, Ariadna percebia pela respiração dela e a fazia parar com uma palavra, com uma mordida suave na coxa, com um dedo pressionando a base do clitóris para cortar o circuito. Toda vez que Marcos buscava o olhar dela, ela marcava o ritmo com um gesto da mão: mais devagar, mais forte, aguenta. Damián gemia baixinho na poltrona, sem permissão para se tocar, com a rola marcando a calça como uma humilhação pública.
—Pede —disse Ariadna por fim, com os lábios colados ao clitóris inchado de Olivia.
—Por favor —gemeu Olivia, irreconhecível—. Por favor, me deixa. Me deixa gozar, eu imploro.
—Pra quem você está implorando.
—Pra você. Só pra você. Por favor.
—Agora.
Olivia se partiu num grito longo, arqueada, agarrando os lençóis enquanto Marcos esvaziava dentro dela um jato grosso de porra que transbordava pelo cu e escorria pelas coxas. Ariadna segurou o queixo dela até o último tremor, sem soltar, obrigando-a a olhá-la nos olhos enquanto se desfazia e, ao mesmo tempo, lambia-lhe a xoxota para prolongar cada espasmo.
Só então Ariadna foi atrás de Marcos. Trouxe-o para perto, deitou-se de costas na beira da cama, passou as pernas pelos ombros dele e disse no ouvido algo que ninguém mais ouviu. Marcos, ainda duro, afundou nela com uma estocada lenta, até o fundo, e Ariadna suspirou como se voltasse para casa depois de uma longa viagem. Ele a comeu olhando nos olhos dela, sem acelerar, com aquela cadência que só os dois tinham, a rola deslizando por cada centímetro da xoxota. Ariadna gozou primeiro, com um gemido baixo que vibrou na garganta, apertando as nádegas para que ele afundasse mais, e Marcos gozou dentro dela um segundo depois, apoiando a testa na dela. Terminou como a noite tinha começado: mandando, mas entregue, porque com ele o poder nunca era contra, sempre era com.
***
Damián tirou o antifaz quando lhe deram permissão. Estava com os olhos úmidos e uma expressão absurda de gratidão, como se lhe tivessem feito um favor enorme. A virilha da calça estava escura, molhada, sem que ninguém o tivesse tocado.
Ariadna e Marcos se vestiram sem pressa. Beijaram-se na frente dos anfitriões, devagar, como quem sela um pacto privado, e saíram sem se despedir.
No carro, silêncio. Depois Ariadna, com a voz ainda tremendo de adrenalina:
—Acabou. Pagamos o preço.
—Nunca mais —disse Marcos, apertando o volante.
Chegaram à cobertura de madrugada e transaram por puro alívio, na entrada, no chuveiro, contra o vidro com a cidade dormindo lá embaixo. Marcos a prensou contra a porta antes mesmo de tirar o sobretudo, arrancou a calcinha dela e a enfiou em pé, segurando-a pelas coxas, enquanto ela mordia o ombro dele para não gritar. No chuveiro, ela se ajoelhou sob a água e chupou a rola dele até ele gozar na boca com um gemido rouco. Contra o vidro, ele a deitou de bruços no carpete, ergueu seus quadris e a entrou devagar, até o fundo, fodendo-a longo e fundo enquanto sussurrava no ouvido dela que ela era dele, só dele. Dormiram abraçados, sem pesadelos, pela primeira vez em semanas.
***
A segunda-feira amanheceu cinzenta. Sobre a mesa de Ariadna, dentro de um envelope lacrado com cera vermelha, havia um contrato oficial: nomeação como sócia do departamento de investimentos, com efeito imediato. A primeira mulher na história do banco a ocupar aquele cargo. Assinatura de Damián Veltrán.
Sobre a mesa de Marcos, outro idêntico: diretor-geral, substituindo Damián, que se aposentava por motivos pessoais.
Embaixo de cada um, um segundo envelope menor, preto, também lacrado. Ariadna abriu o dela primeiro. A mesma letra impecável.
«Contrato privado. Uma noite por mês. Assinatura necessária para que a nomeação seja efetivada. Bem-vindos. D. e O.»
Eles se olharam através do vidro fosco. Ariadna sentiu o chão se abrir sob os pés; Marcos, o sangue ferver. Sem dizer palavra, subiram ao escritório de Damián.
A porta estava aberta. Ele os esperava sentado, terno impecável, sorriso sereno. Olivia ao lado, vestido vermelho, uma perna cruzada sobre a outra, o salto balançando como um pêndulo.
—Vocês disseram que era só uma noite —disse Ariadna, a voz dura.
—Eu disse que uma noite apagaria o vídeo —respondeu Damián, abrindo uma gaveta e tirando duas canetas idênticas—. Não disse que seria a última.
Olivia se levantou e se aproximou de Ariadna até quase encostar nela. Ariadna sentiu o perfume dela, o mesmo do envelope, e também outra coisa: a lembrança úmida da língua dela, do seu sexo, do tremor com que lhe suplicara permissão para gozar.
—Vocês gostaram —murmurou Olivia—. Os dois. Do poder. Do controle. Da minha boca no seu sexo, da rola do seu homem no meu cu. Do gosto do proibido. Não nega, querida. Eu vi sua cara.
Ariadna não negou nada. Olhou para Marcos. Marcos olhou para ela. E entendeu algo que o jantar lhe havia revelado e que já não podia desaprender: que mandar lhe agradava demais, que aquela mulher que tinha chegado anos atrás à cidade para esquecer alguém já não existia. No lugar dela havia outra, mais fria, mais inteira, mais perigosa.
Foi ela a primeira a pegar a caneta. Escreveu o nome com letra firme e, enquanto a tinta secava, soube que não assinava por medo. Assinava porque queria voltar.
Marcos assinou depois, sem tirar os olhos dela.
Damián guardou os contratos num cofre com um clique satisfeito.
—Perfeito —disse—. O próximo jantar, daqui a um mês. Não faltem.
Olivia se inclinou para Ariadna ao passar e sussurrou, alto o suficiente para ecoar no corredor vazio:
—Bem-vindos. Aqui, uma vez que entra, não sai mais.
No elevador, sozinhos enfim, Ariadna falou primeiro.
—Somos uma bagunça, os dois.
Marcos a empurrou de leve contra a parede e a beijou, enfiando a mão sob a saia, afastando a calcinha, afundando dois dedos no sexo ainda sensível.
—E a gente adora.
Pensavam que tinham pago um preço. Na verdade, tinham acabado de descobrir um vício novo, e o pior de tudo era o quanto já desejavam o próximo jantar.





