O que negociei com meu tio para ficar com o celular
Há mais de um ano carrego este segredo, e já começava a pesar fazê-lo sozinha. Meu nome é Valentina, tenho dezenove anos, estudo design gráfico numa universidade pública, e esta história é sobre meu tio Eduardo, sobre um celular e sobre o acordo mais estranho que fechei na vida.
Eduardo tem trinta e sete anos e é gerente de operações de uma rede de restaurantes no centro da cidade. Ninguém diria que ele trabalha com gastronomia só de vê-lo vestido: está sempre usando roupas de marca bem passadas, um relógio que ganhou de um sócio de negócios, dirige um Mustang preto que comprou no ano passado e tem uma Kawasaki verde que só tira da garagem nos fins de semana, quando precisa espairecer. Não é o tipo de homem que passa despercebido em nenhum lugar onde entra.
Nossa história começou quando fiz dezoito anos e entrei na universidade. Foi numa reunião de família, depois de taças demais de vinho tinto, que as coisas entre nós cruzaram uma linha que nenhum dos dois tentou desfazer. A primeira vez foi no banheiro de cima da casa da minha avó: ele levantou minha saia contra a pia, arrancou minha calcinha de uma vez e me fodeu de pé enquanto eu tapava a boca com a mão para que ninguém ouvisse as batidas secas dos quadris dele contra a minha bunda. Ele gozou dentro sem avisar, e quando voltei para a sala de jantar ainda sentia o esperma escorrendo pelas minhas coxas enquanto cumprimentava minhas tias. Desde então, nos vemos quase toda semana. Eduardo me ensinou coisas que nenhum garoto da minha idade teria conseguido me ensinar, e eu aprendi que o desejo não tem muito a ver com lógica nem com aquilo que supostamente é correto sentir.
Ele é generoso sem fazer alarde. Roupas, sapatos, jantares, ingressos para shows. Em troca, sou obediente e entusiasmada, que é o que ele mais valoriza. Chupo o pau dele quando ele pede, fico de quatro quando ele pede, engulo a porra dele quando ele pede. Nossa dinâmica funciona porque os dois sabem exatamente o que estão fazendo e nenhum finge que é outra coisa. É um acordo honesto, à sua maneira torta.
Mas havia uma coisa que eu vinha me recusando a dar a ele havia meses. Eduardo me pediu pela primeira vez numa noite de outubro, num quarto de hotel que cheirava a madeira e sabonete de menta. Ele queria me foder por trás, queria enfiar o pau no meu cu, queria arrebentar o buraco que nenhum outro homem havia tocado. Eu disse não, de forma categórica. Ele tem um pau enorme — grosso, comprido, com as veias marcadas e uma cabeça larga que tenho dificuldade de abarcar até com a boca — e, francamente, senti medo desde o primeiro instante em que ele propôs isso.
— Só experimenta — ele disse naquela noite, com a mão aberta apoiada numa das minhas nádegas e o polegar roçando a borda do meu ânus. — Se você não gostar, paramos imediatamente.
— Não — respondi, apertando-me instintivamente sobre o dedo dele. — Não vou conseguir. É grande demais, você vai me partir ao meio.
Ele aceitou sem drama. Mas também não esqueceu. Começou a me acostumar de maneira quase imperceptível: sempre que estávamos juntos e eu ficava de joelhos na cama, com a bunda levantada e o rosto enterrado no travesseiro, os dedos dele encontravam o caminho até aquele lugar que eu sempre havia considerado intocável. Uma massagem suave e deliberada, com o polegar ensopado nos meus próprios fluidos, circulando ao redor do meu cu sem forçar. Eu o apertava instintivamente, e ele retirava a mão sem dizer nada, com uma paciência que, olhando agora em retrospecto, era mais estratégia do que resignação. Às vezes, enquanto me fodia pela frente, enfiava um dedo até a primeira falange na minha bunda e o deixava ali, imóvel, esperando que meu corpo relaxasse ao redor da invasão. Eu acabava gozando com uma força estranha, diferente, e ele sorria sem dizer nada.
***
Num sábado à tarde fomos ao cinema do shopping. Era um filme de ação que nenhum dos dois acompanhava de verdade; estávamos na última fila de uma sala quase vazia, e a escuridão fazia o que sempre faz quando estamos juntos: tornava-nos descuidados com as distâncias e as consequências.
A mão dele deslizou por baixo da minha saia sem que ninguém percebesse. Abri as pernas um centímetro, o que era permissão suficiente para nós dois. Os dedos dele encontraram minha boceta por cima da calcinha e esfregaram com calma até o tecido grudar nos meus lábios, de tão molhada que eu estava. Depois ele a afastou para o lado e enfiou dois dedos de uma vez, até os nós dos dedos. Soltei um gemido baixo, que abafei mordendo o lábio. Estávamos assim havia vinte minutos, com os dedos dele entrando e saindo da minha boceta num vaivém lento, quando senti que mudaram de direção com uma intenção que reconheci imediatamente.
Ele usou o que já havia recolhido de mim — a mão estava encharcada — para umedecer o dedo médio e o pressionou contra o meu cu com uma suavidade que me desmontou por completo. Tentei me fechar, apertar a bunda, mas não consegui. Ou não quis, o que é diferente. O dedo entrou até a primeira falange e ficou ali, movendo-se apenas em pequenos círculos, enquanto o polegar voltava para a minha boceta e esfregava meu clitóris com uma precisão aprendida ao longo de meses de prática. Depois o dedo entrou inteiro. Senti minha bunda aceitá-lo, abrir-se ao redor dele sem resistência, meu corpo cedendo numa doce traição a tudo o que eu havia dito obstinadamente. O que veio depois durou menos de dois minutos e me deixou com a mandíbula cerrada e os olhos fechados, tentando não emitir nenhum som naquela sala com seus quatro ou cinco espectadores ignorantes de tudo. Quando o orgasmo chegou, veio de um lugar que eu não reconheci como meu: mais profundo, mais longo, vindo de dentro, com o dedo de Eduardo enterrado até o fundo na minha bunda e os outros dedos apertando meu clitóris com violência.
Quando terminei, ele retirou a mão devagar, levou os dedos à boca e chupou um por um, sem tirar os olhos da tela, e se ajeitou no assento com uma calma que me irritou um pouco.
— Viu? — murmurou. — Não é tão grave quanto você imaginava. Seu cuzinho quer.
Não respondi. Esperamos os créditos terminarem e saímos sem olhar nos olhos um do outro.
Naquela noite, no hotel, ele tentou de novo. Me colocou de bruços, besuntou meu cu com um lubrificante espesso que tirou da mesa de cabeceira, enfiou um dedo, depois dois, e eu já estava disposta de uma maneira diferente, mais aberta do que nunca, respirando fundo, empurrando a bunda contra a mão dele. Mas quando tentou enfiar o pau — colocou-o na entrada, pressionou a cabeça contra meu cu, empurrou devagar — a pica dele continuava sendo demais para o que eu conseguia aguentar sem tensão. A cabeça abriu caminho por apenas alguns centímetros, e eu me contraí inteira, sem conseguir evitar. Tentamos por um longo tempo, mudamos de posição, ele me colocou de lado, experimentamos com mais lubrificante, e no fim ele desistiu sem ressentimento, enfiou o pau na minha boceta em vez disso, fodeu-me até gozar no meu rosto, deixou um beijo no meu ombro e disse que não importava.
— Algum dia — murmurou contra meu pescoço enquanto eu limpava o esperma do queixo com o dorso da mão.
— Sim — admiti, e chupei os dedos sujos sem pensar. — E foi a primeira vez que disse isso com algo parecido com uma convicção verdadeira.
Passaram-se dois meses. Continuamos nos vendo com a mesma regularidade de sempre, continuamos com nossa rotina habitual — ele chupava minha boceta até me fazer gozar duas ou três vezes antes de me penetrar, eu chupava o pau dele até o fundo da garganta, até ele gozar na minha boca —, e o assunto da bunda ficou pairando no ar como uma promessa sem data definida. Eu pensava nisso de vez em quando, sem angústia, com aquela curiosidade misturada a vertigem que o desconhecido provoca.
***
Num sábado fomos almoçar num restaurante de culinária coreana que Eduardo queria experimentar havia semanas. Foi uma tarde longa, com muita conversa e vinho tinto, e, ao sairmos, ele disse que precisava passar numa loja de tecnologia para olhar fones de ouvido sem fio. Eu o acompanhei sem pensar muito.
A loja estava cheia de gente e telas iluminadas. Eduardo foi direto para a área de celulares; os novos Galaxy S25 Ultra tinham acabado de sair, e ele vinha acompanhando o lançamento havia semanas, em resenhas e fóruns de tecnologia. O vendedor o atendeu com entusiasmo. Enquanto os dois conversavam sobre planos, armazenamento e garantias estendidas, fiquei olhando os aparelhos expostos nas vitrines com a resignação de quem contempla vitrines de viagens que sabe não poder pagar.
Eu queria um daqueles telefones havia dois anos. O meu tinha a tela rachada no canto inferior direito, e a bateria morria ao meio-dia se eu não o carregasse entre as aulas. Meus pais não me deixam trabalhar durante o semestre — insistem que devo me concentrar nos estudos —, então comprá-lo era, na prática, uma possibilidade completamente descartada.
Eduardo tirou o celular antigo do bolso interno do paletó e o colocou sobre o balcão para entregá-lo como parte do processo. Era um Galaxy S23 Ultra em estado impecável; ele cuida das coisas com uma disciplina que às vezes me parece excessiva, quase clínica. Vi a capa de couro original sem nenhum sinal de desgaste, a tela sem um arranhão, o cabo enrolado cuidadosamente ao lado do aparelho. Praticamente novo depois de dois anos de uso.
— O que você vai fazer com esse? — perguntei, apontando para o aparelho sobre o balcão.
— Um amigo vai comprá-lo — respondeu sem tirar os olhos do contrato. — Já combinamos desde a semana passada. Ele está esperando para me fazer a transferência.
O vendedor levou a papelada para os fundos da loja. Eduardo ficou um instante conferindo alguma coisa no aparelho novo que acabara de tirar da caixa. E eu, sem ter planejado absolutamente nada, fiz as contas em menos de um segundo.
— Ei — falei. — Tenho uma proposta para você.
Ele ergueu os olhos do celular e me encarou.
— Se você me der esse celular em vez de vendê-lo ao seu amigo, eu deixo você enfiar o pau no meu cu. Quantas vezes quiser, na posição que quiser, e sem condições. Durante todo o próximo ano você não precisa me comprar mais nada.
Eduardo me olhou durante três ou quatro segundos sem dizer nada. Havia algo em sua expressão que misturava a surpresa ao ceticismo mais honesto que eu já tinha visto nele.
— Nós já tentamos — disse enfim, em voz baixa, para que o vendedor não ouvisse dos fundos da loja. — Não entra. Nós dois sabemos que não entra.
— Porque eu não estava realmente convencida. Agora estou. Você vai enfiar tudo, até os ovos, e eu não vou me mexer.
Houve outro silêncio. Ele pegou o celular velho sobre a mesa e o segurou por um momento entre as mãos, como se estivesse avaliando algo além do peso do aparelho. O vendedor voltou com os documentos finais. Eduardo assinou sem pressa, recebeu o aparelho novo e guardou o antigo no bolso do paletó.
Quando saímos da loja, já estava escurecendo. Caminhamos dois passos em silêncio, e então ele parou.
— Fechado — disse.
***
Fomos diretamente para o hotel de sempre, aquele que conhecemos de cor: a recepcionista que jamais olha nos nossos olhos, o elevador lento, o quarto do terceiro andar com a janela voltada para o estacionamento. No caminho de carro, não conversamos. Eu estava nervosa de uma maneira que não reconhecia em mim: não era exatamente medo, mas algo mais parecido com a concentração antes de uma prova importante, aquela tensão que mistura adrenalina e determinação. Em algum semáforo, apoiei a mão no volume da calça dele e senti o pau duro, inchado, pulsando contra o tecido. Ele já sabia o que estava por vir, e o corpo vinha esperando por aquilo havia dois meses.
Assim que fechamos a porta do quarto, tomei o controle. Eu mesma me despi, devagar, sem que ele precisasse fazer nada, e pedi que se sentasse na beirada da cama. Queria chegar ao momento combinado com a cabeça lúcida e o corpo tranquilo, sem a ansiedade que às vezes o tornava impaciente. Desabotoei o cinto, baixei a calça e a cueca dele até os tornozelos e o deixei recostar-se, com o pau apontado para o teto, grosso e cheio de veias, a cabeça arroxeada e uma gota de líquido pré-ejaculatório brilhando na ponta.
Ajoelhei-me entre as pernas dele e enfiei o pau na boca sem preâmbulo. Passei a língua por todo o comprimento, da base até a ponta, e depois abri bem a boca e o engoli até a cabeça bater no fundo da garganta. Tive ânsia, meus olhos lacrimejaram, a saliva escapou pelos cantos da boca, e eu não parei. Subi e desci a cabeça num ritmo constante, apertando os lábios ao redor do tronco, brincando com a ponta da língua no freio toda vez que chegava ao alto. Com uma mão, segurei os ovos dele e os massageei com cuidado; com a outra, segurei a base e fui enfiando-o cada vez mais fundo.
O que fiz durante os vinte minutos seguintes foi a coisa mais deliberada e paciente que já havia feito na vida. Não para excitá-lo — isso era inevitável, ele estava com o pau duro como uma pedra —, mas para acalmar a mim mesma. Há algo nesse gesto de chupá-lo devagar, sem pressa, que me ancora no presente, que organiza os pensamentos. Concentrei-me no ritmo, na respiração, na pressão exata que sei que ele gosta depois de todo esse tempo. Chupei a cabeça como se fosse um pirulito, lambi os ovos dele um por um, passei a língua pelo períneo e até rocei seu cu com a ponta da língua para ver a cara que ele fazia. Ele não me apressou nem por um segundo. Apenas me observava com aquela expressão que mistura surpresa e orgulho, com a mão apoiada na minha nuca, sem empurrar, como se me descobrisse de novo toda vez que ficávamos assim.
— Vem aqui — disse por fim, com a voz rouca.
Subi na cama e montei nele, de pernas abertas. Segurei o pau com uma mão, esfreguei-o contra os lábios da minha boceta até ensopá-lo com meus fluidos e o cravei de uma vez, até o fundo. Soltei um gemido gutural quando o senti bater contra o colo do útero. Comecei a cavalgá-lo, subindo e descendo com as pernas abertas, apoiando as palmas no peito dele, sentindo cada investida me abrir mais por dentro. Peguei uma das mãos dele e a levei aos meus peitos, para que beliscasse meus mamilos; com a outra, ele encontrou meu clitóris e o esfregou em círculos enquanto eu me fodia sobre ele. Fiquei assim por um bom tempo, o necessário para que meu corpo se lembrasse de que conhecia aquele território, de que não havia motivo para ficar tenso. O quarto cheirava a ar-condicionado, suor e à colônia dele. Gozei duas vezes cavalgando-o, de boca aberta e sem fazer barulho, apertando o pau dele com as paredes da boceta em espasmos longos. Quando estava suficientemente preparada, parei, ainda empalada até o fundo, respirando pesadamente.
Saí de cima dele, ajoelhei-me na cama ao seu lado, peguei o frasco de lubrificante na mesa de cabeceira e despejei metade do conteúdo entre as nádegas. Senti o líquido frio escorrendo pelo rego da bunda. Com dois dedos, espalhei-o bem ao redor do cu, depois enfiei um até o fundo, depois dois, movendo-os em tesoura para me abrir por dentro. Eduardo observava sem se mexer de onde estava deitado, com o pau brilhando com meus fluidos apontado para o teto. Sua respiração havia mudado. Ele mantinha as mãos apoiadas no abdômen, os nós dos dedos quase brancos de tanto se conter.
— Deixe o pau na vertical — falei. — Vou me sentar em cima.
Agachei-me sobre ele, de frente para seu peito, com os pés firmes sobre o colchão, dos dois lados dos quadris dele. Peguei a mão dele para que a apoiasse na minha cintura e, com a outra, segurei o pau e o posicionei na entrada da minha bunda. Senti a cabeça grossa pressionada contra o cu. Encontrei o ângulo. Inspirei fundo uma única vez, soltei o ar de maneira lenta e controlada e me deixei descer aos poucos, permitindo que a gravidade fizesse metade do trabalho.
A cabeça entrou primeiro, com uma pontada brutal que me fez abrir os olhos e prender a respiração. Senti o músculo se esticando ao redor da glande, ardendo, cedendo milímetro a milímetro. A dor foi imediata e honesta. Não do tipo que faz você parar, mas do tipo que o obriga a ficar completamente imóvel e lembrar que ainda respira, que o corpo sabe se adaptar quando recebe tempo. Eduardo me segurou com firmeza, mas sem apertar. Não se moveu nem um centímetro, não empurrou de baixo, não me forçou. Esperou sem dizer nada, o que foi o mais difícil para nós dois.
— Me diga quando — murmurou enfim, com a voz alterada.
Levei quase um minuto para me acostumar à pressão de tê-lo apenas atravessando-me. Depois comecei a descer, um centímetro de cada vez, com os dentes cerrados e os olhos fixos no ombro direito dele, para ter onde focar. Senti o pau abrindo caminho para dentro, invadindo um lugar que nunca havia recebido nada maior que um dedo. Ele fazia caretas que eu nunca tinha visto antes, com a mandíbula tensa, como se também estivesse descobrindo algo novo em tudo aquilo, como se lhe custasse não investir para cima de uma só vez.
— Você está muito apertada — disse em voz baixa, quase para si mesmo. — Está apertando meu pau como um punho.
Quando metade dele estava dentro de mim, comecei a me mover com cuidado. Um pequeno vaivém, para cima e para baixo, controlado, subindo dois centímetros e descendo três. A dor foi se transformando em algo mais difícil de definir: incômodo e profundo ao mesmo tempo, uma sensação de preenchimento quase mais mental que física, como se ele estivesse me atravessando inteira, como se meu corpo todo tivesse se reduzido ao buraco que ele estava alargando. Continuei descendo, milímetro a milímetro, e senti como ele entrava cada vez mais, até que os pelos pubianos dele fizeram cócegas nas minhas nádegas e soube que ele estava todo dentro.
Quando cheguei ao limite, parei. Senti os ovos dele apoiados contra minha boceta, o pulso do pau latejando bem fundo nas minhas entranhas. Eu chorava sem ter decidido fazê-lo — não de dor, mas pela intensidade da situação em si, pelo quanto é estranho compartilhar algo tão íntimo daquela maneira, por me sentir absolutamente ocupada por dentro —, e ele limpou uma lágrima com o polegar sem dizer nada, sem me perguntar nada, sem tirar nenhuma conclusão em voz alta.
— Quer parar? — perguntou depois de um instante.
— Não — respondi. — Já está dentro. Está todo dentro. Agora me fode.
Comecei a me mover de verdade. As primeiras investidas foram desajeitadas e lentas; eu me levantava, deixando o pau sair quase inteiro, e voltava a descer até o fundo, com uma ardência que se misturava a algo elétrico que começava a subir pela minha coluna. Depois encontrei um ritmo que me permitia controlar a profundidade e a velocidade, e enfiei os dedos na boceta enquanto cavalgava, esfregando o clitóris com a palma. Eduardo deixava que eu fizesse, apenas segurava meus quadris para que eu não perdesse o equilíbrio, observando-me cavalgá-lo pelo cu com uma fixidez que nunca tinha visto nele. Eu podia sentir cada veia do pau dele roçando as paredes do meu ânus, cada sulco, cada pulsação. Apertei os músculos ao redor de propósito, e ele soltou um grunhido baixo.
— Assim — falei, ofegante. — Gosta do jeito que eu aperto?
— Você está me matando — respondeu entre os dentes cerrados. — Vai me fazer gozar.
— Ainda não. Ainda não.
Acelerei o ritmo. Comecei a pular de verdade sobre ele, deixando que o pau me fodesse de baixo para cima, sentindo cada golpe chegar mais fundo que o anterior. Minhas coxas ardiam. Meus peitos quicavam a cada descida, e ele os segurou com as duas mãos, apertando-os, beliscando meus mamilos. Eu continuava me masturbando com dois dedos no clitóris. Quando o orgasmo chegou, veio de um lugar que eu não conhecia, mais interior e mais longo que qualquer coisa que já havia sentido: foi como se meu cu inteiro se contraísse ao redor do pau dele em ondas e arrastasse a boceta junto, e todo o meu ventre convulsionou de uma vez. Gritei contra o travesseiro, que consegui agarrar a tempo para abafar o som. Senti o pau de Eduardo inchando dentro de mim, praticamente se movendo sozinho com a pressão que eu estava fazendo.
Minhas pernas pararam de responder completamente. Desabei de bruços na cama, sem forças nem para dobrar um braço, com o pau saindo do meu cu num som úmido e o ânus escancarado, palpitando, enquanto eu respirava entrecortadamente contra os lençóis.
Eduardo esperou um instante antes de se acomodar atrás de mim. Levantou meus quadris apenas um pouco com as mãos para me colocar de joelhos, com o peito encostado no colchão, o rosto de lado e a bunda bem empinada. Abriu minhas nádegas com os polegares e contemplou por um segundo o estrago: meu cu rosado e ainda dilatado, brilhando de lubrificante, palpitando aberto. Depois apoiou a cabeça do pau contra o buraco e voltou a entrar com uma única investida, até o fundo. Gritei, dessa vez sem travesseiro, e ele tapou minha boca com uma mão.
— Pronto, pronto — murmurou contra meu ouvido. — Aguenta.
Dessa vez foi ele quem ditou o ritmo: lento no começo, segurando meus quadris com as duas mãos, tirando o pau quase inteiro e voltando a afundá-lo até os ovos. Eu ouvia o som úmido e obsceno que nossos corpos faziam ao se chocar. Depois, com mais decisão e mais fundo, mais rápido, fodendo meu cu com investidas duras e secas que sacudiam meu corpo inteiro e me faziam gemer contra o colchão. Ele me agarrou pelos cabelos, puxou minha cabeça para trás e enfiou dois dedos na minha boca para que eu os chupasse enquanto me penetrava.
— Puta — disse com a voz rouca, sem parar de investir. — Olha como você gosta que eu enfie o pau no seu cu. Depois de passar meses me dizendo não.
— Sim — gemi, sem conseguir pensar. — Sim, sim, goza dentro, quero sentir.
Ele demorou menos do que eu esperava. As investidas ficaram mais curtas, mais rápidas, e senti o pau engrossar dentro de mim pouco antes de ele afundá-lo até o fundo uma última vez e ficar imóvel, apertando meus quadris com os dedos cravados. Quando gozou, senti dentro do meu corpo de uma maneira que nunca havia experimentado: jatos quentes e espessos se esvaziando lá dentro, um após o outro, enchendo meu cu. Ele permaneceu dentro por um longo tempo, respirando pesadamente contra minhas costas, sem querer tirá-lo ainda.
Quando finalmente o tirou, o pau saiu com um som úmido, e senti um fio de porra começar a escorrer pelo rego em direção à boceta. Fiquei de bruços, sem fechar o cu, sabendo que ele estava olhando. E isso também fazia parte do acordo.
Ficamos imóveis durante um longo tempo. O quarto estava em silêncio, exceto pelo zumbido do ar-condicionado e pela nossa respiração se recuperando.
***
Adormecemos por algumas horas. Quando acordamos, pedimos comida no quarto e assistimos a alguma coisa no celular dele — o antigo, que agora era meu —, apoiado no travesseiro entre nós dois. Era uma situação absurda e doméstica que me fez rir, e ele também. Foi a primeira vez que o vi rir de verdade em muito tempo. Antes de dormirmos de novo, ele voltou a enfiar o pau no meu cu com calma, sem ansiedade, e dessa vez entrou de uma só vez e sem ardência, como se meu corpo já o conhecesse.
Antes de sair do hotel, passamos no apartamento dele para que transferisse os dados e configurasse o aparelho no meu nome. Ele foi me explicando as funções que eu não conhecia com a paciência de alguém que realmente gosta de ensinar. Quando guardei o celular na bolsa e senti seu peso, tive a tranquila certeza de que havia tomado a decisão certa.
Já se passaram três meses desde aquela tarde. Eduardo e eu continuamos nos vendo com a mesma regularidade de sempre. O que combinamos está sendo cumprido: ele não me compra nada, eu não peço nada, e ele fode meu cu sempre que tem vontade, na posição que tem vontade, e já não dói como no começo. Às vezes ele pede duas vezes na mesma noite, e eu fico de quatro sem reclamar, com o cu ainda quente da gozada anterior, e ele ri e diz que sou uma bagunça. É surpreendente descobrir que existem sensações que simplesmente não podemos prever até vivê-las por dentro, sem filtros e sem a distância imposta pelo medo.
Uso o celular na universidade e o carrego no meu quarto à noite. Meus pais nunca perguntaram por ele; suponho que tenham presumido que o comprei com alguma economia acumulada. Não tenho como explicar a verdade, e também não sinto que deva fazê-lo.
Alguns segredos são melhores assim: guardados, completos, apenas entre aqueles que estavam presentes quando aconteceram.