A madura do quinto andar que me deixou louco
Eu vinha cruzando com ela na garagem havia semanas, com aquele sorriso. No dia em que ela se apertou contra mim no elevador, soube que aquilo não ficaria num simples oi entre vizinhos.
Eu vinha cruzando com ela na garagem havia semanas, com aquele sorriso. No dia em que ela se apertou contra mim no elevador, soube que aquilo não ficaria num simples oi entre vizinhos.
Ela cruzou as pernas, me olhou por cima do livro e eu soube que aquela mulher estava há anos sem pedir permissão para nada. A hora morta do metrô virou outra coisa.
Entrei naquele gabinete cinza pronta para implorar por um papel. Saí sabendo que, naquela noite, quem imploraria seria ele, de joelhos e na própria casa.
Tinha trinta e oito anos, um marido previsível e um corpo que ninguém soube ler. Numa noite sozinha em casa, decidiu que queria sentir algo de verdade.
Cada vez que ela se inclinava para anotar minhas respostas, o colete se abria um pouco mais, e eu já não conseguia me concentrar em nenhuma pergunta do questionário.
Eu só tinha descido para pegar um copo d’água. O que ouvi no andar de baixo me deixou pregada no último degrau, prendendo a respiração para não ser ouvida.
Quando a mulher mais elegante do salão me tomou pela mão e sussurrou «vem comigo», eu soube que aquela noite não se pareceria com nenhuma outra da minha vida.
«Vem às cinco. Temos que falar do sábado. Sozinha.» Eu mandei isso pela manhã e, desde então, só pensei em ouvi-la descer a escada.
Eu estava casada havia sete anos e nunca tinha olhado para outro homem. Até que meu marido pegou minha mão e confessou o que realmente desejava.
Sentei na borda do cais sem procurar nada, mas o olhar dele, de homem que sabe o que quer, me desmontou antes de eu dizer uma única palavra.
Sentei entre os dois no carro e, quando minha amiga desceu na casa dela, fiquei a sós com o pai dela e com uma tensão que nenhum dos dois ousava nomear.
Quando subi na caminhonete com meu namorado inconsciente no banco de trás, o pai dele já tinha aquele sorriso de quem sabe exatamente o que vai acontecer.
Desde o primeiro dia ela me pediu uma foto para se exibir às amigas. Nunca imaginei até onde iria o prazer dela em me mostrar para outras.
Ele só tinha feito seu trabalho de médico. Ela entrou sem bater, fechou a porta e lhe disse que aquela noite não vinha falar do filho doente.
Ela era casada há vinte anos com um homem que rezava antes de cada refeição. Naquela tarde, sob a árvore do parque, confessou de quem realmente sentia falta.
Deixei a cortina entreaberta de propósito. Naquela tarde não era só para Adrián e para mim: alguém mais esperava o espetáculo do outro lado da rua.
Ela era casada havia mais de quarenta anos e nunca tinha olhado para outro homem. Naquela manhã abriu a porta com a casa vazia, sem saber que nada mais seria igual.
Eu estava sozinha no balcão, entediada e com dois drinques a mais, quando ele se sentou ao meu lado e me olhou como se já soubesse tudo o que íamos fazer naquela noite.
Ele subiu com dois potes e uma simpatia suspeita. Tinha vinte e dois anos, o fim de semana livre e uma ideia que sabia que não devia ter.
Ela bateu à porta encharcada pela chuva, sem orgulho e sem nada a oferecer além do próprio corpo. Eles a olharam, se olharam, e ela soube que tudo recomeçava.