A tempestade nos prendeu, a meu filho e a mim
Vim descansar numa ilha de luxo com meu filho adolescente. Não imaginava que seria ele quem não me deixaria dormir naquela noite de tempestade.
Vim descansar numa ilha de luxo com meu filho adolescente. Não imaginava que seria ele quem não me deixaria dormir naquela noite de tempestade.
O assento ao lado era ocupado por ela, com aquelas pernas cruzadas na penumbra. Ela disse que era melhor falar comigo do que com desconhecidos. Eu não sabia aonde aquilo iria nos levar.
Aquela tarde eu não conseguia me concentrar na prova. Minha mãe percebeu. Minha avó também. E quando as duas decidem algo, nenhum livro basta para pará-las.
Passamos a noite inteira nisso, mas vê-la de costas, prestes a entrar no banho, me lembrou que a manhã também tinha suas regras.
Nuria tinha quarenta e dois anos, um bar à beira da falência e um único ativo que o agiota queria gravar: ela e o filho, uma noite, sem testemunhas.
Quando senti o corpo do meu filho dormindo, apertado contra minhas costas naquela madrugada, não me afastei. Algo mais velho do que eu decidiu por mim, e eu soube que já não queria detê-lo.
Fazia uma semana que ele dormia colado às costas dela para acalmar a bebê. Uma semana fingindo não notar o que acontecia entre os dois no escuro.
Minha mãe se levantou da cadeira, me beijou na boca e, sem dizer nada, enfiou a mão debaixo do meu pijama. Só então entendi o que meus pais tinham combinado durante a noite.
Não havia portas, nem janelas, nem um amanhã. Só ela e eu naquela sala branca, e um calor entre nós que já não fazia sentido continuar negando.
Assim que ouvi as chaves brigando com a fechadura, soube que ia ter de disfarçar. O que eu não sabia era que ela tinha vindo decidida a não me deixar em paz.
Aquele beijo no rosto virou em direção à minha boca e, embora eu não tenha aberto os lábios, senti a língua dele. Ali soube que frear meu próprio filho me custaria mais do que eu admitia.
Desci para pegar um copo d’água às três da manhã. O que encontrei ali, com a casa em silêncio, jamais deveria ter acontecido.
Ela aceitou dividir a cama só para não me perder. Não imaginava até onde eu estava disposto a ir para não perdê-la.
Minha sobrinha entrou na minha cama com uma proposta indecente, e eu não imaginei que meu filho estaria nos espionando da porta do corredor.
Quando a porta do elevador se fechou atrás da minha cunhada, meu filho entendeu que a mentira que contou à mesa não sairia de graça.
Quando desci suas malas e ela se abaixou diante de mim sem o menor pudor, soube que aqueles dias sob meu teto não terminariam como eu imaginava.
Voltei do hospital com o braço engessado e uma ideia que não me deixava dormir. Naquela madrugada entrei no banheiro, e minha mãe apareceu na porta justo quando eu achava que estava sozinho.
Abri os olhos no meio do prazer e a vi apoiada no batente da porta, nos olhando. Ela não disse nada. Só deslizou uma mão dentro do short.
Eu escrevi achando que ninguém jamais leria. No dia em que minha mãe abriu aquele caderno, tudo entre nós deixou de ter volta.
Quando o iate afundou, Renata achou que o mar era o pior que podia acontecer. Não imaginava que a verdadeira tempestade a esperava naquela noite, numa caverna, ao lado do filho.