O que vi pela janela naquela madrugada
Baixei a luz da sala para que ela não me visse, mas quando o lençol começou a se mexer sob seus quadris, soube que naquela noite eu não ia dormir.
Baixei a luz da sala para que ela não me visse, mas quando o lençol começou a se mexer sob seus quadris, soube que naquela noite eu não ia dormir.
Desceu para o restaurante sem calcinha e sem sutiã. Dizia que não sabia o que estava acontecendo com ela, mas eu começava a entender: naquele dia, iria cruzar todos os limites.
Naquela noite desci para pegar um copo d'água e nunca cheguei à cozinha. O que vi nas sombras do canto me deixou imóvel por uma hora inteira.
Cheguei cedo à piscina com um biquíni que deixava pouco à imaginação. Queria saber se a garota do sorriso safado topava algo a mais.
Um robe azul, um livro e um descuido. Bastou um segundo olhando pela janela da frente para minha manhã mudar para sempre.
Desci ao banheiro às três da manhã e ouvi a risada da minha tia atrás da cortina. Meu pai apareceu atrás de mim com o mesmo sorriso cúmplice.
Entrei por um croissant às quatro da madrugada e os vi de pé, ombro com ombro, junto à mesa do forno. Meu pai não me ouviu chegar.
Meus amigos passeavam rindo entre vitrines. Eu parei diante da dela e, pela forma como me devolveu o olhar, soube que aquela noite não era para eles.
Aos cinquenta e dois anos, com um casamento morno e meias de renda, Renata embarca num ônibus. O que não esperava era o homem que subiria duas paradas depois.
Eu apagava a luz do quarto para vê-lo melhor sem ser vista. Numa madrugada ele virou o rosto para minha janela, sorriu, e entendi que eu nunca tinha sido a única a olhar.
Reconheci-a no instante em que cruzou a soleira. Aquela garota de vinte e três anos vinha se despindo para mim na tela havia meses e nem sabia disso.
Quando vi o corpo nu dele sobre a toalha azul, soube que não iria embora sem cumprir teu pedido. Ainda não o tinha tocado e ele já começava a reagir ao meu olhar.
Eu passava dois dias fechando as cortinas para esconder o que fazia. Naquela última manhã, resolvi deixá-las abertas, e a mulher do uniforme ficou parada do outro lado do pátio.
Achei que a última fileira da estreia me deixaria em paz com ele. Demorei a entender que, naquela sala escura, ninguém estava realmente sozinho.
Quando vi as meias dele jogadas no chão do banheiro do hotel, soube que estava prestes a cruzar uma linha da qual jamais poderia voltar com meu melhor amigo.
Toda manhã eu a buscava para ir trabalhar. Nessa madrugada, no meio do campo, descobri que ela já não conseguia disfarçar o que sentia quando me olhava.
A maré me trouxe cadernos e lápis no mesmo dia em que tudo o que eu julgava firme entre Tomás e eu começou a desmoronar. Nunca imaginei para que isso me serviria.
Naquela noite eu fingi que iria viajar com amigos. Voltei escondido, me tranquei no quarto e liguei o monitor. Só então o verdadeiro espetáculo começou.
Quando vi minha calcinha em cima da mesinha do vidraceiro, soube que ele vinha me olhando há semanas. E, em vez de entregá-lo, resolvi lhe dar algo melhor para guardar na memória.
Havia nove meses que não nos víamos. Quando Renata abriu a porta e me abraçou, senti algo diferente contra o peito, algo que só entendi naquela tarde.