O que aconteceu com meu melhor amigo naquela cabana de pesca
No segundo dia, o vento sacudia a cabana com tanta força que só nos restava ver filmes. Um deles nunca deveria ter saído daquela caixa molhada.
No segundo dia, o vento sacudia a cabana com tanta força que só nos restava ver filmes. Um deles nunca deveria ter saído daquela caixa molhada.
Desfiz minha mala sem saber que uma gaveta do armário guardava algo que mudaria o rumo daquele fim de semana na casa da família da minha namorada.
Eu ia à loja do engraxate para lustrar os sapatos e ler quadrinhos. Nenhum dos dois imaginava o que ele acabaria guardando no bolso da camisa, nem até onde chegaríamos.
As duas taças de vinho sobre a mesa de centro e a luz suave do quarto me avisaram que naquela noite eu veria algo que jamais deveria ter visto.
Naquele dia na empresa, vimos vídeos estranhos no computador dele. O que eu não esperava era que, meses depois, essa mesma curiosidade acabasse no sofá, debaixo do cobertor.
Achei que fosse só curiosidade. Até ver a foto dele, sentir meu pulso acelerar e entender que eu vinha fugindo havia três anos do que já estava decidido.
Até aquela noite, eu tinha sido completamente hetero. Bastou um filme mal escolhido, um travesseiro improvisado e a respiração de um desconhecido na minha nuca.
Fechei a porta do hotel, olhei para as mãos trêmulas dele e soube que aquele desconhecido estava tão assustado quanto eu. E nenhum dos dois pensava em ir embora.
Eu o massageei depois da praia, sem pensar. Senti a ereção sob a sunga e soube que aquele verão não terminaria como os outros.
Subi os quatro andares com o coração disparado. Queria um brinquedo, mas saí com algo mais: o olhar da garota atrás dos óculos gravado para aquela noite.
Anos depois, ainda me lembro da calcinha ao vento, da mão entre as pernas e do beijo que ela me mandou da calçada antes de desaparecer. Nunca dissemos uma só palavra.
Saí do banheiro sem roupa e ele estava ali, no corredor, tão nu quanto eu. Nos encaramos sem conseguir nos mexer. Esse segundo bastou para mudar tudo.
Andrés sabia exatamente o que fazia com as mãos. Cheguei com dor nas costas e saí com algo sem nome, em que ainda penso quando adormeço.
Contratamos Valeria para cuidar do meu sogro, o homem que me insultava há anos. Ninguém imaginou o que aconteceria naquela manhã no banheiro.
Carmen me olhou do outro lado da cozinha e, sem dizer nada, fechou a distância entre nós. A filha dela estava a cinco metros. Isso só tornava mais difícil resistir.
Eu tinha voltado cedo do bar. O corredor estava escuro e a porta do quarto dele, entreaberta. Parei só um segundo. Aquele segundo mudou tudo.
Eu o esperei com uísque e quase nada de roupa. Ele não sabia que aquela noite era só o começo de um plano que eu vinha montando em silêncio há semanas.
Há tardes em que o maior prazer é não fazer nada. Deitei no sofá, abri os braços e disse que ela mandasse.
As cordas me marcaram a pele de vermelho. A culpa me marcou a alma de preto. E aquele homem continuava procurando a fenda por onde me quebrar de vez.
A TV ligada, as luzes apagadas, uma manta cobrindo nós três. Ninguém disse nada. Foi meu amigo quem moveu a mão primeiro, devagar, como se já esperasse aquele momento.