O que aconteceu quando o fruteiro tocou à minha porta
Abri a porta convencida de que era meu marido. Estava de lingerie, desgrenhada e descalça. Quando vi quem era, soube que não ia conseguir fechá-la a tempo.
Abri a porta convencida de que era meu marido. Estava de lingerie, desgrenhada e descalça. Quando vi quem era, soube que não ia conseguir fechá-la a tempo.
Naquela manhã decidi sair sem nada sob a saia. Eu não queria ser tocada, só observada. E na sorveteria do segundo andar alguém percebeu.
Vi o motorista nos observando pelo retrovisor e, em vez de me cobrir, deixei que ele abaixasse meu top. Às três da manhã, meu ex e eu éramos um espetáculo grátis.
A cerveja tinha nos deixado carinhosos e o terraço parecia vazio. Até eu ver o brilho de uns binóculos nos mirando do morro.
Eu estava meio dormindo, com a camisola na cintura, quando vi no espelho da penteadeira a silhueta do homem debruçado na minha janela.
Passei o verão inteiro esperando a enseada esvaziar. Encontrei-a deserta, sim, mas o vento me trouxe uns gemidos atrás das dunas que precisei ir buscar.
Cada vez que entro num provador, deixo a cortina só um pouco aberta. Quem olha do outro lado nunca imagina que eu estou esperando por ela. E quase sempre alguma entra no jogo.
As camas rangiam em sincronia. Se ela gemia, minha namorada gritava mais. Era uma competição silenciosa entre quatro pessoas separadas por poucos centímetros de parede.
Ninguém esperava que eu voltasse tão cedo. O que vi naquela garagem — minha mãe, sem camiseta, com os punhos enfaixados — não dava para desaprender.
Quando entendi que o que me excitava não era olhar, mas ser olhada, procurei o barracão vazio atrás de casa no Ano-Novo e deixei a calcinha cair de propósito.
Ofereci meu assento quando ela entrou e, poucas estações depois, a mão dela já buscava o zíper da minha calça, enquanto a enfermeira da frente olhava sem disfarçar.
Desci do carro convencida de que a casa estava vazia. Então ouvi os gemidos vindos do andar de cima e liguei a câmera do quarto.
Eram duas da manhã, abri a janela procurando ar e a vi estendida no sofá da sala da frente, sem a menor ideia de que alguém a observava.
Achei que a sesta deixaria a praia vazia. Quando voltei do mar, ela tinha uma mão dentro do biquíni e os olhos fechados, sem notar que eu a observava.
Subi ao banheiro com a calcinha de Camila ainda morna entre as mãos. Eu não imaginava que, minutos depois, sua mãe estaria ajoelhada diante de mim.
Eu tinha passado a noite em claro estudando com café, até que um rangido na parede ao lado me fez abaixar o travesseiro e perceber quem fazia aquele barulho.
Desci descalço para beber água e a encontrei largada no sofá, com as pernas apoiadas no encosto. Ela nunca virou a cabeça. Eu não me mexi.
Estacionei no andar mais vazio do subsolo e perguntei se ela ainda estava segura. Ela assentiu. Entreguei o envelope com o dinheiro e pedi que apenas olhasse, nada mais.
A primeira vez que encontrei a embalagem no lixo, pensei que tinha me enganado. Na quarta vez, já sabia exatamente o que estava acontecendo naquele quarto.
Toquei a campainha com o coração a mil. Eu usava um vestido vermelho e, sob o tecido, uma decisão que eu vinha adiando havia seis meses.