A fantasia que minha madrasta me confessou naquela noite
Chegaram em casa bem pior do que tinham saído. A caminhada para espairecer não servira de nada; o álcool continuava subindo. Adrián quase teve que carregar Nuria até o quarto, onde ela desabou na cama, sem forças. Ele a observou de cima a baixo e, por um instante, invejou a sorte do pai.
Ele hesitou. Teve vontade de ficar, mas acabou indo para o próprio quarto do mesmo jeito que tinha chegado, com o pau apertado contra a calça. Fechou a porta, se despiu e entrou debaixo dos lençóis. Estava duro, como todas as noites, mas bebia demais para a punheta que tinha planejado. Deixou para o dia seguinte.
Você está amolecendo, Adrián. Ver se essa mulher não vai te deixar burro.
***
Não conseguia dormir, e não era por causa da ereção que tencionava a cueca. Também não era por falta de sono. Na quinta vez em que mudou de posição, ouviu a porta abrir devagar.
Não soube por que fez isso, mas ficou imóvel, com os olhos semicerrados, fingindo dormir.
A silhueta de Nuria se recortava contra a luz. Ela usava uma camisola curta que deixava ver o contorno inteiro das pernas contra a claridade que vinha do corredor. Adrián engoliu em seco sem fazer barulho. Ela avançou, passo a passo, até parar junto da cama. A respiração dela soava pesada, diferente da dele, que mal ousava puxar ar.
— Sei que você está acordado.
Ele demorou a se mexer, mas acabou se apoiando no cotovelo. Nuria deu um passo para trás e se inclinou um pouco. As mãos dela sumiram sob a camisola, os polegares prenderam as laterais da peça, e ela foi baixando-a com calma até tirá-la pelos pés.
— Só queria te dar isso. Como prêmio por essa noite tão boa que você me fez passar. Nem eu sabia o quanto estava precisando. Aproveite.
Deixou o tecido sobre a mesinha de cabeceira e saiu como entrara, em silêncio absoluto. Depois, só o roçar da porta ao fechar e, segundos mais tarde, o da porta do próprio quarto. Adrián acendeu a luminária e pegou a calcinha com um sorriso torto.
Agora sim eu vou me acabar, porra.
Eram as mesmas que ela tinha usado durante o jantar, enquanto dançavam, enquanto voltavam para casa falando do pai dela, com ela pendurada no braço dele. Ele levou a peça ao rosto e inspirou fundo, devagar, como quem não quer perder nada. O cheiro entrou direto no cérebro: buceta de mulher quente, suor de dança, um rastro adocicado de perfume misturado ao aroma inconfundível de uma fêmea que passara horas molhada sem se dar trégua. O pau deu um tranco sob o lençol, saltou contra o umbigo como se tivesse vida própria.
Depois ele examinou a calcinha com calma, percorrendo-a com as pontas dos dedos, tentando adivinhar que dobra cada parte tinha tocado. Não era uma calcinha qualquer, daquelas de trabalhar. Era de renda fina, com transparências que insinuavam demais. Passou o dedo pela parte interna e o sorriso mudou, ficou com cara de lobo. A renda estava ensopada, uma mancha escura e pegajosa na virilha que se esticava entre os dedos como um fio. O tecido brilhava de tanto fluido, tão carregado que quase escorria.
Desgraçada.
Jogou os lençóis para o lado com um chute. O pau se erguia duro contra a barriga, latejando, com a ponta já perlada por uma gota grossa de líquido. Cuspiu na palma, agarrou o pau pela base e o envolveu com a mão esquerda de cima a baixo, apertando forte. Com a direita, colou a calcinha no nariz e inspirou de novo, e de novo, até encher os pulmões com o cheiro de Nuria. Cada inspiração mandava um choque para a ponta.
Com o polegar, puxou o prepúcio para trás e arrastou a parte úmida da renda bem pela cabeça, esfregando o gozo dela contra a carne mais sensível. A sensação arrancou dele um gemido rouco que teve de abafar mordendo o lábio. Enrolou a calcinha em volta do pau, apertando-a contra a glande, e começou a se masturbar com o tecido entre a pele e a mão, sentindo como a renda molhada o arranhava e grudava ao mesmo tempo, como se fosse ela própria que estivesse batendo uma punheta nele.
Você estava com tesão, madrasta. Estava escorrendo.
Levou de novo a virilha à boca e mostrou a língua. Passou-a pelo rastro salgado, chupando o tecido até arrancar todo o sabor. Amargo, denso, brutal. Fechou os olhos e a imaginou abrindo as pernas em cima dele, guiando seu rosto até enterrá-lo na buceta. Começou a bater mais rápido, apertando o pau com as duas mãos, o tecido enrolado como um punho de mulher. Os testículos já se contraíam contra o corpo, subindo, e as pernas tremiam com aquela vibração de antes do estouro.
Aguentou o quanto pôde. Quando gozou, foi na calcinha, disparando dentro da renda jato após jato, um sêmen grosso que encharcou o tecido até atravessá-lo e manchou os dedos. Ficou ofegante, com o pau ainda duro, mexendo nele devagar para espremer até a última gota. Depois levou a calcinha ao rosto, agora duplamente: o gozo dela misturado ao dele, tudo embaralhado no mesmo tecido. Riu sozinho.
Agora somos dois.
O pau não baixou. Nem com o orgasmo, nem com os dois minutos de calma que se deu. Pelo contrário, inchou de novo ainda mais teimoso, pulsando, como se o cheiro de Nuria tivesse despertado nele uma fome impossível de saciar. Cerrou os dentes, levantou nu da cama com o pau apontando para o teto e saiu para o corredor.
***
A porta do quarto de Nuria se abriu com o mesmo sigilo com que ela tinha entrado no dele. Havia uma luz fraca lá dentro, a necessária. Nuria deu um pulo entre os cobertores ao vê-lo se enfiar como um ladrão.
— Ai, Adrián, porra, que susto!
— Calma — sussurrou ele —. Vim retribuir o favor. Pra você dormir direto. Você me ajuda, eu te ajudo, você sabe.
— Hoje não precisa. Estou muito cansada e, com a manguaça que estou, apago na hora.
— Não me custa nada. Faço com prazer.
— Que não, escuta. Eu disse que não.
— Vai, você está louca para isso.
— Estou falando sério. Hoje, não.
Ele não parava de se aproximar. Ao chegar à cama, abriu os cobertores e entrou. Nuria se afastou para o próprio lado num solavanco. Ele, por outro lado, sorriu de orelha a orelha assim que percebeu algo que reconheceu na mesma hora.
— Ou eu te faço uma punheta e retribuo o favor do outro dia.
— O quê? Nem a pau.
— Era o que você estava fazendo, não era? Então eu termino. Fecha os olhos e relaxa, que do resto eu cuido.
— Mas que palhaçada é essa?
— Não me engana. Aqui dentro está com cheiro de sexo, e dos fortes. Dá para sentir assim que levanta os lençóis. Você estava se tocando como uma loba.
— Está com cheiro porque... porque eu não estou de calcinha, idiota. Acabei de te dar e fui pra cama sem nada embaixo.
— Nada disso. Está com cheiro de fêmea porque você está quente. Aposto que deixou a calcinha que me deu. Fazia um bom tempo que você estava com tesão.
— Cala a boca. Cala a boca!
— Dá para ver de longe — ele sibilou —. Você queria que a gente se tocasse ao mesmo tempo, cada um pensando no outro, como se estivesse transando junto. Por isso entrou para me dar sua calcinha, para garantir que eu também me masturbasse pensando em você. E eu entendo. Nós dois fantasiamos com o outro. Um jogo perverso só nosso. Juntos, mas separados.
— Você enlouqueceu de vez. Não devia ter bebido tanto.
— Está me dizendo que isso não é verdade?
Sem avisar, ele se jogou sobre ela e cravou os dedos na barriga e nas laterais do corpo. Nuria soltou um grito de riso e começou a se retorcer, tentando escapar das mãos dele.
— Admite — insistia ele sem trégua —. Me diz que te deixa doida a gente se tocar ao mesmo tempo.
— Basta! Basta, por favor — ela ficava sem ar, as súplicas virando um emaranhado de palavras desconexas —. Vou mijar... idiota... sai... da minha cama... por favooor.
Adrián ria com ela sem lhe dar um segundo de sossego. Quando enfim parou, Nuria se afastou como se ele estivesse com a peste, arrumando os cobertores, com o cabelo bagunçado cobrindo metade do rosto.
— Adrián, porra! Você é idiota.
Ela estava furiosa, mas ele levava na brincadeira, sorrindo como um menino travesso. Mesmo assim, ela lhe pareceu linda demais.
— Desculpa. É que eu adoro te ver rir.
— Pois não tem a menor graça. Eu sofri pra caralho. — Ela afastou o cabelo do rosto e o jogou para trás —. E quase me engasguei. Idiota.
Apesar da bronca, ele continuava sorrindo. Até que percebeu uma coisa, um brilho azul entre os lençóis revirados.
Ele pegou e ergueu. Era um objeto grosso e comprido. Os dois o olhavam com atenção. O rosto de Nuria passou do pânico para um vermelho vivo em um segundo.
— Me dá isso! — ela rugiu, arrancando da mão dele com um golpe.
O espanto de Adrián se transformou em pura euforia, como a de quem encontra um tesouro escondido, até ele cair na gargalhada.
— Você estava se masturbando com um vibrador. Mentirosa do caralho, e dizia que não.
Nuria, vermelha como um tomate, escondeu o objeto na gaveta da mesa de cabeceira e a fechou com força. O vibrador brilhava, encharcado, com fios grossos de gozo escorrendo pelo silicone azul. Dava para ver de longe que ela o tinha enfiado até o fundo e estava há um bom tempo se dando prazer com ele antes de Adrián aparecer.
— Eu disse que não queria você se metendo comigo, porra!
Ela se virou e se deitou de costas, encerrando a conversa. Adrián se apoiou no cotovelo e ficou olhando para ela.
— Suponho que esse era eu?
— Vai se foder.
— Sério. Você usava pensando em mim, então tinha que ser eu. Um pouco pequeno, não?
— Vai pra sua cama, Adrián. Me deixa em paz.
— Com o quanto se dorme bem aqui? Deixa eu ficar.
Ela não respondeu, obstinada em não entrar no jogo dele.
— Uma dúvida... você fazia devagarinho ou mais na brutalidade?
Silêncio.
— Vai, me conta como você imagina a gente transando.
— Para com isso, Adrián. Para! Vai pro seu quarto ou fica pra dormir, mas para com isso de uma vez.
O garoto travou na hora e não abriu mais a boca. Depois de alguns segundos de hesitação, apoiou a cabeça no travesseiro e se aproximou dela por trás, sem chegar a tocar, deixando um palmo de distância entre os dois.
***
Ergueu a mão para acariciar o ombro dela, mas pensou melhor e a apoiou sob o próprio rosto. O cheiro do cabelo dela vinha com nitidez. Apenas a respiração dela, ainda agitada, perturbava a quietude da penumbra. Foi ela quem rompeu o silêncio.
— Eu não sou de pedra.
— Eu sei.
— E estou sozinha há muito tempo. Também tenho minhas necessidades.
— Eu sei. E entendo.
— Você, pelo menos, tem a Lucía.
— É verdade. E você não tem ninguém. Não é justo.
— Pois é. Eu também tenho direito a...
— Nuria, eu não te censuro por nada. Claro que você tem o direito de aproveitar o próprio corpo. Ainda mais se meu pai não está aqui para fazer isso por você.
De novo o silêncio, mas desta vez veio com um pouco de calma. Ele bagunçou o cabelo e arejou os cobertores; ela os ajeitou para se cobrir melhor.
— E é só uma fantasia, porra. Cada um pode imaginar o que quiser enquanto não fizer mal a ninguém, não é? Pois era isso que eu fazia, ponto final.
— Exato. Você pode sonhar com o que quiser, e eu acho ótimo. Ainda mais depois do que eu faço toda noite com suas calcinhas.
A tranquilidade voltou ao quarto. Adrián teve vontade de se colar a ela como todas as noites, mas preferiu ficar quieto. A respiração de Nuria ainda não tinha terminado de se acalmar.
— E não era com você que eu estava fantasiando.
Adrián se apoiou no cotovelo. A conversa acabara de ficar muito mais interessante. Ela percebeu tarde demais que aquele comentário tinha passado do ponto. Agora ele esperava o nome do sortudo e quase dava para sentir o sorriso de lobo dele à espera de carne.
Nuria acabou se virando de barriga para cima, soltou um suspiro longo, já arrependida do que ia dizer.
— Aquele puto do Bruno me deixou a mil. Que homem bonito do caralho.
Adrián sorria ao ver a mulher de gelo derreter. Não imaginava que ela pudesse arder assim por alguém que acabara de conhecer. Com ele acontecia a mesma coisa, mas todos os dias, sempre que via um belo par de peitos.
— Não reparou no volume da cueca dele? — ela insistia —. Eu acho que ele estava duro. Ou então olha o tamanho do que o cara veste. E diz que é produtor. Produtor de quê? Porque não me explicou direito, embora eu faça uma ideia de por onde vem a coisa.
Levou as mãos às têmporas e começou a massageá-las com todos os dedos.
— Passei o caminho todo imaginando ele lá, metendo e tirando, pelado na frente de uma câmera, com toda a produção.
Ela o olhou pela primeira vez com os olhos avermelhados pelo álcool que ainda corria nas veias.
— Te dar a calcinha antes de dormir não tem nada a ver com isso. Foi coincidência. Eu quis te dar e pronto.
Adrián desviou o olhar.
— Desculpa por tirar a conclusão errada. — Ele roçou o ombro dela com as pontas dos dedos, num gesto de paz —. E, sobre o vibrador... eu não queria rir de você.
— Parecia.
— Não era isso. Fiquei feliz de ver que você é de carne e osso. Como se a mulher mais impressionante do mundo descesse do pedestal e se mostrasse capaz de sentir o mesmo que eu. Gosto de poder falar disso com você.
Nuria fez um biquinho, tomada pelo constrangimento.
— Não é fácil mostrar esse lado da gente. E eu menos ainda que qualquer um. Ainda morro de vergonha.
Escondeu o rosto nas mãos e soltou uma risada nervosa. Quando as afastou, estava vermelha de novo, como uma menina pega no flagra. O sorriso de Adrián, de pura cumplicidade, dizia tudo.
— Vamos fazer uma coisa — disse ele depois de um tempo —. Eu te deixo em paz e volto para o meu quarto. Entre a Lucía, que está me deixando maluco, a faculdade e o que bebi hoje, eu não me aguento em pé.
— Não vai embora. — Ela disse isso quando ele fez menção de afastar os cobertores —. Por favor. Já passou a hora, e eu não quero dormir sozinha.
Adrián assentiu e aceitou o trato tácito de todas as noites. Nuria acariciou seu rosto antes de se virar. Ele finalmente se colou às costas dela, envolvendo os ombros dela com o braço, que ela apertou contra o peito.
A calma enfim chegou ao quarto. Logo as pulsações dos dois batiam no compasso do silêncio.
— O que eu ainda não entendo — ele sussurrou contra a nuca dela depois de um tempo — é por que você acabou com meu pai e não com alguém como Bruno.
— Já te disse — respondeu com a voz um pouco sonolenta —. Escolhi a segurança de um homem bom. Cara como Bruno não foi feito para mulher como eu.
— Por quê?
— Porque esses nunca se prendem a uma só. Fidelidade não corre nas veias deles.
Adrián franziu a testa. Ele também era “desse tipo de cara” e, mesmo assim, estava preso à Lucía, disposto a qualquer coisa para mantê-la ao seu lado. Fantasiar em comer Nuria era outra história; sexo com ela não tinha nada a ver com amor.
— Eu acho que eles se prendem, sim. Só que tem que ser à garota certa.
Nuria sorriu para si mesma.
— Na minha vida inteira, só conheci uma mulher capaz de prender um homem assim, de pô-lo de joelhos. E te asseguro que ela era muito, muito especial.
— Mais do que você?
— Muito mais do que eu — ela riu —. E, ainda assim, também acabou escolhendo alguém anônimo que lhe desse segurança, em vez de fascínio.
Adrián ficou pensativo, remoendo cada detalhe, até intuir que ela falava de alguém da família, uma mulher que ele conhecia bem.
— Então, para evitar complicação, você se afasta dos caras como Bruno.
— Exato. E o único lugar em que eu deixo ele entrar é aqui dentro — disse, tocando a própria têmpora.
— Bom, e, hum, metaforicamente, em mais algum lugar azul.
Nuria escondeu o rosto no travesseiro, rindo envergonhada por um segredo que o enteado jamais esqueceria.
— Porra, Adrián, não piora pra mim, que já estou mal o suficiente. — Passou os dedos entre o cabelo para se refrescar do calor da vergonha —. A partir de hoje, toda vez que eu olhar para você, vou morrer de vergonha.
— Comigo? Com tudo o que você sabe sobre mim? Sua calcinha, meus vídeos com a Lucía... sem falar do meu problema para aguentar.
Comparado com isso, o dela já não parecia tão grave.
— Além disso, fica entre nós. E eu juro — baixou a voz para soar mais sincero — que acho foda a gente compartilhar esses segredos. Você é minha melhor amiga!
Nuria entortou a boca para um lado, tocada na alma pelas palavras dele e pelo alívio de encontrar nele a confiança de que precisava. Algo que para ela tinha sido um drama acabara de uni-los um pouco mais.
— Ei — sussurrou ele, aproveitando o momento doce da intimidade compartilhada —. Qual era a fantasia que você tinha com o Bruno?
— Ih, menino, isso é muito pessoal. Não, não, tenho muita vergonha.
— Vai, por favor. Você sabe tudo sobre mim — pediu ele —. Me conta uma coisa sua. Me deixa chegar um pouco mais perto de você.
Nuria se calou, dividida entre compartilhar o segredo com o garoto ou manter sua imagem de mulher impenetrável. Apertou a mão dele contra si com mais força, como se procurasse onde se segurar.
— Se for uma bobagem.
— Como todas as fantasias.
— É, mas é muito nerd. Uma viagem total.
— Melhor ainda. Essas são as mais legais.
— É que você vai rir.
Ele encostou a testa na nuca dela e sussurrou com sinceridade.
— Juro que é a última coisa que eu faria com uma fantasia sua.
No fim, ela cedeu e se abriu.
— Pois... eu imaginava que, quando você foi ao banheiro e me deixou sozinha, ele me tirava da pista puxando minha mão. Sem pedir licença, sem delicadeza. Me obrigando a ir atrás dele, tropeçando para não cair.
— A gente chegava aos banheiros e furava toda a fila, entre os protestos do povo, e entrava no feminino. Todas as cabines estavam ocupadas por casais transando. Bruno abria a mais próxima de um puxão, arrastava o cara para fora e o jogava contra a fila com um empurrão.
— Depois me empurrava para dentro, onde estava a outra, que era um mulherão, e dizia: “Sai”. Ele tomava o lugar dela. Ela me olhava com nojo, mas não dizia nada e saía com a calcinha meio descida nas coxas, tentando subir como podia.
— As minhas ele não tirava pelos pés. Ele rasgava em pedaços, arrancava em tiras. E depois... — fechou os olhos e soltou um suspiro fundo, revivendo o que sentia só de lembrar.
Ele me vira e me choca contra a parede da cabine, a bochecha colada no azulejo frio, a bunda empinada. Levanta meu vestido de uma puxada só até a cintura. Tira o pau da calça e eu o ouço bater contra a própria barriga antes mesmo de vê-lo. Quando finalmente baixo o olhar entre as pernas, fico sem ar. Ele é monstruoso. Grosso como meu punho, longo até o umbigo, com as veias marcadas e a glande violeta, ensopada, pingando. Não sei como vai caber em mim. Não sei se quero que caiba.
Ele cospe na minha buceta de cima. Um cuspe espesso que escorre entre minhas nádegas e chega ao clitóris. Depois se agacha, abre minhas carnes com dois dedos e me enfia a língua inteira de um só golpe, me chupando do cu à glande, de cima a baixo, como um animal. Ele suga meu gozo com a língua, morde os lábios da vulva, lambe meu cu sem nenhuma vergonha. Eu grito e me agarro ao que consigo, com as pernas tremendo.
Ele se levanta. Me agarra pelo cabelo, joga minha cabeça para trás e me obriga a me ajoelhar. “Chupa pra mim, vadia”. E me enfia nele na boca sem esperar resposta. Crava até o fundo, até a garganta, até me fazer chorar e babar. Tira e enfia de novo, fodendo minha boca com investidas de quadril, enquanto eu o olho de baixo com as bochechas inchadas e um fio de saliva pendurado até os seios. Tenho ânsia de vômito e não ligo. Peço mais com os olhos.
Quando ele me põe de pé de novo e me empurra contra a parede, eu já não aguento mais. Imploro que ele me meta. Ele ri. Coloca a cabeça dele na entrada, passa a ponta pelos lábios da minha buceta, enfia um centímetro e tira. De novo. E outra vez. Até eu empurrar a bunda para trás para enfiar em mim mesma. Então ele me agarra pelas cadeiras e mete de uma vez, até o fundo, até me quebrar por dentro. Grito tão alto que meus pulmões ardem.
O pau dele é enorme, e grosso. Ele me come devagar, muito devagar, até o fundo. E, ao chegar no final, investe com um golpe de quadril, e mais um, e mais um, enquanto eu enrolo as pernas na cintura dele e minha cabeça bate na madeira do compartimento a cada investida. Bum, bum, bum.
Ele me fode como se me odiasse. Como se quisesse me partir ao meio. Cada estocada é um chicote, um choque de quadril contra minha bunda que ressoa em todo o banheiro. Meus peitos pulam soltos, se chocando, e ele os agarra por trás, torcendo, puxando meus mamilos até me fazer uivar. Ele morde meu ombro, minha nuca, chupa o suor do meu pescoço. Eu estou escorrendo por dentro e por fora, uma poça de gozo misturada com a saliva dele escorrendo pelas coxas até a meia.
Os do cubículo ao lado se debruçam por cima. Ele abre meu vestido de um puxão, rasgando a parte da frente, e meus peitos ficam à vista de todo mundo, pulando a cada investida. A multidão começa a se juntar em roda. As mulheres não falam nada, só olham e mordem o lábio, excitadas; os homens o xingam, chamam de filho da puta, de canalha, de merda. Na verdade, estão morrendo de inveja.
Um deles estende o braço e apalpa meu peito, sem nenhum cuidado. Eu não faço nada. Os outros se encorajam, também querem a sua parte, e de repente há um monte de mãos por todo o meu corpo, na bunda, entre as pernas, enfiando o dedo. Um deles abre minhas nádegas e cospe no meu cu. Outro me enfia dois dedos pela frente junto com o pau de Bruno, me alargando, e eu sinto o estiramento, a queimadura, e gozo pela primeira vez com um tremor que me deixa as pernas de pano. Alguém enfia o pau na minha boca de lado, empurrando-o contra minha bochecha, e eu chupo sem pensar, engasgando, enquanto Bruno continua me destruindo por trás.
Bruno dá uma cotovelada no rosto de um e o derruba de costas, arrastando vários outros. A coisa fica feia, e ele distribui golpes às cegas enquanto os demais tentam afastá-lo para ficar comigo.
Nuria fez uma pausa longa demais, revivendo cada momento, cada soco.
— Cotoveladas, socos, golpes no rosto... — outra pausa —. E ele sem parar de me foder nem por um segundo, como um martelo. — Suspira —. Enquanto eu gozo gritando.
Ele tira o pau de mim e me vira. Me ergue no colo, me choca contra a porta da cabine e me enfia de novo de uma vez. Agora me come de frente, cara a cara, olhando nos meus olhos, com as mãos apertando minha bunda, abrindo ela. Eu mordo o lábio dele, chupo, babando na boca dele. Cravo as unhas nas costas dele até fazê-lo sangrar. Imploro para que ele me encha de leite, goze dentro de mim, me deixe prenha ali mesmo, na frente de todo mundo.
E ele faz. Ele ruge como uma fera, crava o quadril até o osso, e eu sinto o jorro dentro de mim, quente, longo, como se nunca fosse acabar. Ele me enche por completo e continua saindo, transbordando pelas laterais, escorrendo até minha bunda, caindo no chão. Gozo com ele, agarrada ao pescoço dele, gritando o nome dele. E quando finalmente me põe no chão, com as pernas tremendo e a buceta aberta pingando porra, o povo ainda continua olhando, aplaudindo, batendo uma.
Nessa altura a respiração dela já estava ofegante e o corpo ardia num calor impróprio para a noite. Mas não era essa a razão de ela ter ficado em silêncio.
Adrián também não disse nada. Sentiu contra o braço o coração dela, disparado, e soube que aquele silêncio não era um fim, mas uma pergunta que nenhum dos dois ousava formular em voz alta. Fechou os olhos, inspirou o cheiro do cabelo dela e ficou muito quieto, esperando, com a certeza de que o quarto ao lado nunca mais pareceria tão longe.