Desabotoei sua camisola enquanto a mãe dela dormia
Sua camisola branca com flores de lavanda mal cobria as coxas, e eu sabia que naquela noite iria desabotoá-la toda, botão por botão, em silêncio.
Sua camisola branca com flores de lavanda mal cobria as coxas, e eu sabia que naquela noite iria desabotoá-la toda, botão por botão, em silêncio.
Nunca pensei que uma cena do jogo acendesse algo entre nós, nem que naquela mesma tarde eu teria o gosto dele na boca e o nome dele repetindo na minha cabeça.
Naquela madrugada, vesti a saia, as meias e os saltos que escondia no armário. Eu não sabia que, do outro lado do corredor, alguém estava olhando.
Desci para pegar água à meia-noite e a encontrei acordada, disposta a dar à minha esposa a única aula que eu nunca tinha conseguido ensinar.
— Hoje só vamos cuidar de você — sussurrou, e entendi que depois de ser sua puta a noite toda, agora me tocava voltar a ser sua menina.
Marina deixou a lista aberta na letra C. Eu só ia falar do meu bloqueio na cama, mas aquela primeira consulta não terminou como qualquer um imaginaria.
O táxi chegou às duas e meia. Subi os quatro andares com duas sacolas nas mãos e a certeza de que não havia mais volta.
Só restava um nome na sua lista de pacientes, e quando ele chamou não imaginava quem atravessaria a porta do consultório naquela tarde.
Cada primeiro terça-feira do mês ele tocava a campainha com o galão no ombro. Eu o recebia cada vez com menos roupa, esperando que ficasse mais tempo do que devia.
Quando três batidas soaram na porta do banheiro, achei que fosse Carla. Mas quem entrou foi ele, sem esperar resposta, descalço e de peito nu.
O parque estava vazio às nove. Quando as três silhuetas escuras apareceram no fim do caminho, eu soube que não chegaria em casa como a mesma pessoa.
Nunca os vi. Só ouvi cada palavra, cada batida da cabeceira na parede, e de repente o prazer deles também virou o meu.
Ele morava bem em frente a mim e nunca tinha me olhado duas vezes. Naquela tarde, decidi que isso ia mudar, mesmo que eu tivesse que cruzar o corredor sem sutiã.
Aos cinquenta e um, depois de muitas mulheres, escrevi para um desconhecido num site gay sem saber que essa mensagem me obrigaria a aceitar o que sempre neguei.
Eu digitava o nome dela de vez em quando para ver se a encontrava. Nunca aparecia. Até aquela madrugada, quando o primeiro resultado foi ela, exata, sem dúvidas.
Começou como uma brincadeira vendo vídeos na cama. Terminou com as duas dobradas sobre o colchão, tentando algo que nunca julgamos possível.
Eu passava anos usando lingerie às escondidas. Naquela semana, longe de casa, resolvi descobrir como era fazer isso de verdade, na cama de um desconhecido.
Achei que seria só mais uma conversa para matar o tédio. Mas quando ele começou a escrever, fechei os olhos e deixei que as palavras dele fizessem o que nenhuma mão fazia há meses.
Fechei os olhos buscando o sono e o que encontrei foram umas mãos desconhecidas que me seguravam na escuridão e não me deixavam escapar.
Aos trinta anos, ninguém jamais havia me beijado. Na noite em que espiei meu colega pela fresta da porta, algo dentro de mim finalmente despertou.