A noite em que Valeria cruzou todas as suas fronteiras
O apartamento cheirava a vinho tinto e a resina de pinho. Valeria passara a tarde inteira colocando guirlandas, enchendo taças de expectativa e tentando se convencer de que o que ela e Rodrigo tinham combinado semanas antes era uma boa ideia. Uma ideia dela, na verdade. Ele só tinha escutado, com aquele meio sorriso dele que significava que estava disposto a qualquer coisa, se ela pedisse.
—Tem certeza? — Rodrigo lhe perguntara naquela noite de novembro, quando ela confessou a fantasia pela primeira vez. Não com alarme nem ciúme, mas com uma curiosidade genuína que a surpreendera.
—Tenho — ela respondera, embora a voz lhe tremesse um pouco—. Quero que dois homens me comam enquanto você assiste. Quero sentir dois paus ao mesmo tempo, quero provar como é o gosto de outro sêmen. Quero que você me veja fazer isso.
E agora, enquanto os convidados enchiam a sala e a música competia com as risadas, Valeria olhava para o relógio. Onze da noite. Uma hora.
Nicolás e Diego chegaram juntos, como sempre. Eram amigos de Rodrigo desde a universidade, dois homens que Valeria conhecia bem: jantares de aniversário, partidas de futebol na televisão, longas conversas sobre nada em particular. Homens de confiança. Foi o que Rodrigo dissera quando escolheu a quem contar o plano. Homens com quem você se sente à vontade.
Nicolás era alto, de cabelo escuro cortado curto e um jeito de se mover que transmitia calma. Diego era mais compacto, de riso fácil e olhos claros. Os dois a cumprimentaram com um beijo no rosto como sempre, mas naquela noite havia algo diferente em como a olharam: uma consciência nova, um respeito misturado com algo mais quente que a amizade. Valeria soube, pelo modo como os olhos de Diego desceram por um segundo até seus seios sob o vestido, que Rodrigo já tinha contado tudo a eles.
Valeria bebeu sua primeira taça de champanhe de pé, junto à janela, observando a cidade que se preparava para se despedir do ano. Se eu me arrepender, é só dizer. Era o combinado. Uma única palavra e tudo voltava a ser uma festa normal. Rodrigo deixara isso bem claro para ela.
Mas ela não queria se arrepender. Já sentia o sexo molhado sob o vestido, apertando só de imaginar o que vinha pela frente.
Rodrigo apareceu ao seu lado sem fazer barulho, como tinha o costume. Pousou uma mão em sua cintura e aproximou os lábios do ouvido dela.
—Nicolás e Diego vão ficar quando os outros forem embora — disse, em voz baixa e tranquila—. Se você quiser.
Valeria sentiu o calor subir pelo pescoço. Assentiu devagar.
—Quero — sussurrou—. Quero que os dois me comam.
***
À uma da manhã, o último convidado fechou a porta. Rodrigo enxugava alguns copos enquanto Valeria apagava as luzes do corredor, deixando acesas apenas as da sala, mais suaves. Nicolás e Diego esperavam sentados no sofá, com a calma de quem sabe exatamente por que ficou.
O silêncio durou só um instante. Foi Rodrigo quem o quebrou, aproximando-se de Valeria por trás e afastando o cabelo de seu pescoço.
—Esta noite é sua — disse ele, e a frase soou como promessa, não como ordem.
Nicolás se levantou primeiro. Caminhou até ela devagar, perguntando com os olhos antes de se aproximar mais. Valeria assentiu, e ele segurou o rosto dela com as duas mãos e a beijou. Foi um beijo medido no começo, paciente, mas quando ela entreabriu os lábios ele enfiou a língua até o fundo e mordeu o lábio inferior dela. Valeria percebeu que o corpo respondia antes que sua mente terminasse de processar o que estava acontecendo: o calor no peito, as mãos se agarrando à camisa dele sem pensar, os mamilos endurecendo contra o tecido.
Diego se aproximou por trás. As mãos dele chegaram primeiro aos ombros dela, depois desceram pelos braços, contornaram a cintura e subiram para cobrir seus seios por cima do vestido. Ele apertou os mamilos entre os dedos e ela gemeu dentro da boca de Nicolás. O hálito quente de Diego chegou à nuca dela justamente quando percebeu a pica dele já dura empurrando sua bunda por cima da calça. Estou entre duas pessoas que me desejam e que eu conheço e em quem confio. O pensamento a acalmou e a enlouqueceu ao mesmo tempo.
Rodrigo se sentou na poltrona à frente deles. Não para se afastar, mas para assistir. Aquele era o lugar dele nessa fantasia, o que ele mesmo escolhera quando conversaram: observar a mulher se entregar a algo que nenhum dos dois havia vivido juntos.
Nicolás baixou o zíper do vestido com uma lentidão que pareceu quase insuportável para Valeria. O tecido caiu no chão com um sussurro. Diego soltou o fecho do sutiã e o afastou, e quando os lábios dele se fecharam sobre um dos mamilos expostos e o chupou com força, ela soltou o ar de repente e cravou os dedos no cabelo dele. Nicolás também desceu e tomou o outro mamilo entre os dentes, mordendo devagar até fazê-la gemer.
—Está bom? — perguntou Nicolás, afastando-se só o suficiente para encará-la.
—Muito bom — respondeu ela, e era verdade—. Continuem.
***
Os três a levaram para o quarto. Rodrigo fechou a porta e se reclinou na poltrona do canto, com os olhos fixos nela. Valeria notou que ele a olhava de um jeito que nunca tinha visto antes: com uma mistura de orgulho e desejo que lhe pareceu mais íntima que qualquer outra coisa. Viu também Rodrigo levar a mão ao volume da calça e começar a apertá-lo por cima do tecido.
Nicolás a deitou na cama ainda de lingerie. Inclinou-se sobre ela e começou a percorrê-la com a boca: o pescoço, a clavícula, os seios nus que chupou um depois do outro até deixá-los duros e vermelhos. As mãos dele sabiam o que faziam. Abriu as pernas dela sem pressa e passou dois dedos por cima da calcinha encharcada.
—Olha como ela está — murmurou para Diego, com um sorriso—. Escorrendo.
Diego tirou a camisa e depois a calça. Quando a cueca boxer também caiu, Valeria viu a pica que minutos antes ele tinha cravado na bunda dela: grossa, dura, com a cabeça já brilhante. Ele se ajoelhou na cama ao lado dela e pegou a mão de Valeria para levá-la até si. Valeria fechou os dedos ao redor da rola de Diego e começou a masturbá-lo devagar, sentindo o calor e o peso, a consciência daquele poder disparando pelo corpo.
Nicolás arrancou a calcinha dela com um puxão e se instalou entre suas pernas. Abriu o cu dela com os polegares e ficou um momento olhando antes de baixar a boca. Quando a língua dele tocou seu clitóris pela primeira vez, ela arqueou as costas e soltou um som que não reconheceu como seu. Nicolás chupava buceta com uma técnica diferente da de Rodrigo: mais rápido, mais brutal, sugando e lambendo sem pausa enquanto enfiava dois dedos e os curvava dentro dela. Valeria agarrou a cabeça dele com a mão livre e começou a foder o rosto dele sem perceber, esfregando-se contra a língua dele.
—Isso, isso, não para — ofegou.
Diego se ajoelhou junto ao rosto dela e aproximou a pica dos lábios dela. Valeria a abriu sem pensar muito, guiada mais pelo instinto do que pela razão, e o engoliu inteiro até quase se engasgar. O som que ele fez foi suficiente para confirmar que ela estava fazendo certo. Ela começou a chupá-lo com fome, subindo e descendo, brincando com a língua ao redor da glande, enquanto Nicolás continuava comendo sua buceta lá embaixo. Primeira vez, pensou, com uma pica desconhecida na boca e outra língua desconhecida entre as pernas, e a palavra reverberou em algum lugar entre o prazer e a incredulidade.
Ela podia ouvir Rodrigo se mexendo na poltrona. Pelo canto do olho, viu que ele abrira a calça e estava se masturbando enquanto a observava. Essa consciência acrescentou uma camada de intensidade a tudo o mais: era ao mesmo tempo mais íntimo e mais exibicionista do que qualquer coisa que já tivessem feito juntos. Valeria sustentou o olhar dele enquanto chupava a pica de Diego, e o viu cerrar os dentes.
***
Nicolás se ergueu, despiu-se de uma vez e colocou uma camisinha. Sua pica era longa e curva, com as veias marcadas. Posicionou-se sobre ela e passou a glande pelos lábios da buceta, de cima a baixo, ensopando-se nela, sem ainda entrar.
—Me diga que quer — falou, com a voz rouca.
—Quero — respondeu Valeria—. Mete logo.
Ele entrou com uma única investida e ela gritou. Era mais grossa que a de Rodrigo, a abria de outro jeito, tocava outros pontos. Ele ficou quieto por um segundo dentro dela, encarando seu rosto, e então começou a foder com um ritmo constante, fundo, tirando-a quase toda e tornando a enterrá-la até o fim. Cada estocada arrancava dela um gemido.
Diego se deitou ao lado deles e seguiu com as mãos o que Nicolás fazia com o corpo: apertava os seios dela, beliscava os mamilos, acariciava o clitóris com dois dedos enquanto a pica de Nicolás entrava e saía. A boca de Diego encontrou um mamilo e o chupou com força, e Valeria deixou escapar um gemido que não tentou conter.
Da poltrona, Rodrigo falou pela primeira vez em muito tempo, com a voz pesada:
—Você é a coisa mais linda que eu já vi na vida. Olha pra você. Olha como estão te comendo.
Valeria o olhou. Ele estava com a pica de fora, na mão, e a manipulava devagar, sem pressa, saboreando aquilo. Em seus olhos não havia arrependimento nem distância. Só uma espécie de espanto erótico.
Nicolás aumentou o ritmo. Os quadris dele batendo contra os dela com insistência úmida, chapinhando, e o som enchia o quarto junto com os gemidos. Diego se posicionou de modo que ela pudesse virar a cabeça e chupar sua pica enquanto Nicolás a penetrava. Agora ela estava preenchida por dois lados ao mesmo tempo: a rola de Nicolás na buceta e a de Diego na boca. A combinação era avassaladora: mãos demais, bocas demais, calor demais, pica demais.
Valeria sentiu o primeiro orgasmo como algo que vinha se construindo havia muito tempo sem que ela soubesse. Chegou com uma sacudida que a fez cuspir a pica de Diego, morder o ombro de Nicolás e fechar as coxas ao redor dele enquanto sua buceta se contraía em espasmos ao redor da rola que continuava a golpeá-la. Ele rosnou e continuou se movendo, levando-a até o fim daquela onda e depois um pouco além, até ela empurrar o peito dele porque já não aguentava mais.
***
Mudaram de posição. A colocaram de quatro no centro da cama. Diego ocupou o lugar de Nicolás atrás dela, colocou a camisinha e agarrou seus quadris com as duas mãos. Valeria sentiu a diferença de imediato quando ele a penetrou: mais corpulento, mais grosso, um ritmo mais direto e contundente que o anterior. Entrava nela usando toda a largura dos quadris, fazendo seus seios sacudirem a cada golpe, e dava palmadas em sua bunda entre uma investida e outra. Ela se adaptou a ele com uma facilidade que a surpreendeu. O corpo aprende rápido.
Nicolás se colocou diante dela e ela tornou a levar a pica à boca, desta vez com mais confiança. Provou a si mesma na pele dele, misturada com o látex retirado, e gostou. Gostava de poder fazer duas coisas ao mesmo tempo, cuidar de duas picas ao mesmo tempo. Havia algo naquela exigência simultânea que esvaziava a cabeça de qualquer pensamento desnecessário: só restavam as sensações, uma sobre a outra, sem espaço para dúvida nem vergonha. Nicolás pegou o cabelo dela com as duas mãos e começou a foder sua boca no ritmo com que Diego fodia sua buceta.
Diego parou um momento e perguntou em voz baixa se podia tentar algo mais. Passou o polegar, molhado com os próprios sucos dela, pelo buraco do cu. Valeria entendeu o que ele propunha. Já tinha pensado nisso antes, de forma abstrata, com certa apreensão. Nunca tinha feito isso com Rodrigo. Olhou para Rodrigo de onde estava, com a boca ainda cheia da pica de Nicolás, e ele assentiu devagar, sem parar de se masturbar. Ela também assentiu.
Diego foi cuidadoso. Paciente de uma forma que Valeria não esperava de alguém que a desejava com aquela urgência evidente. Tirou a pica da buceta, passou lubrificante no cu dela e começou a trabalhá-lo com os dedos, primeiro um, depois dois, acalmando-a com a outra mão na lombar. Quando a sentiu pronta, colocou uma camisinha nova e empurrou devagar contra o buraco. A queimação inicial a fez se contrair e soltar um gemido longo ao redor da pica de Nicolás. Diego parou, esperou e depois continuou avançando milímetro por milímetro até entrar por inteiro.
—Porra — murmurou Diego, a voz apertada—. Você está tão apertada.
Quando a queimação cedeu lugar a um preenchimento novo, a uma sensação de ocupação total que lhe pareceu estranha e depois, aos poucos, inacreditável, Diego começou a se mover. Nicolás não havia parado de enfiar a pica em sua boca. Ela estava cheia dos dois lados. Cada investida de Diego por trás a mandava para a frente contra a rola de Nicolás, e cada investida de Nicolás a mandava para trás contra a pica de Diego. Os dois homens encontraram um ritmo alternado, coordenado, que a atravessava por inteiro.
Rodrigo se levantou da poltrona e se aproximou da beira da cama sem parar de trabalhar a própria pica. Ficou à altura do rosto dela, e quando Nicolás tirou a rola para respirar, Valeria virou a cabeça para o marido, abriu a boca e chupou a dele também. Rodrigo fechou os olhos e acariciou a bochecha dela com o dorso da mão.
—Isso, meu amor — sussurrou—. Isso.
Era demais para processar: a pica de Diego no cu, a de Nicolás e a de Rodrigo se alternando na boca, três mãos diferentes em seus seios e em seu clitóris. Valeria fechou os olhos e se entregou àquilo sem tentar catalogar nem entender.
O segundo orgasmo foi diferente do primeiro. Mais fundo, mais longo, construído a partir de um lugar que ela nem sabia que existia. Veio em ondas enquanto Diego continuava a foder seu cu e ela gozava de boca cheia, gemendo ao redor das picas que se revezavam. Quando acabou, a deixou pesada e luminosa sobre a cama, tremendo nos joelhos.
***
Diego se retirou, arrancou a camisinha e gozou sobre as costas dela com um som grave que reverberou na coluna. Ela sentiu o jato quente escorrer pela pele. Nicolás não aguentou muito mais: tirou também a camisinha e pediu que ela se virasse, e quando ela se deitou de barriga para cima ele terminou de gozar sobre seus seios e seu pescoço, em vários jatos espessos que respingaram até o queixo. Rodrigo gozoou por último, olhando nos olhos dela, sobre o ventre dela, misturando o próprio sêmen ao dos outros dois.
Ela ficou assim um instante, coberta, ofegante, com os três homens ao redor da cama. Passou os dedos pelo peito e levou à boca o que havia recolhido. Rodrigo a viu fazer isso e ela soube que aquela imagem ficaria com ele para sempre.
Rodrigo atravessou o quarto, trouxe uma toalha úmida do banheiro e começou a limpá-la com cuidado. Sentou-se na beira da cama e pegou a mão dela. Valeria o olhou: ele ainda era ele, o mesmo de sempre, só que com algo novo nos olhos que ela ainda não sabia nomear.
—Como você está? — perguntou.
—Não tenho palavras — respondeu ela, rindo.
Ele também riu. Beijou-lhe a testa, a maçã do rosto, o canto da boca.
Nicolás e Diego se levantaram em silêncio, se vestiram sem pressa. Houve abraços breves, poucas palavras, o tipo de despedida que não precisa de muito idioma para dizer o que precisa ser dito.
Quando foram embora, Rodrigo apagou a luz e se deitou ao lado de Valeria. Lá fora, os últimos fogos de artifício do Ano-Novo trovejavam contra o céu.
—Foi como você imaginava? — perguntou ele depois de um longo silêncio.
Valeria pensou na pergunta. A fantasia que alimentara por meses era uma coisa abstrata, feita de imagens desconexas e de uma emoção difícil de nomear. O que vivera naquela noite era completamente concreto: cheiros, pesos, texturas, o gosto do sêmen de três homens, o som da respiração de três picas em um quarto escuro.
—Foi melhor — disse por fim—. Foi real.
Rodrigo a abraçou por trás. Ela sentiu o calor dele, tão familiar, tão diferente do calor dos outros dois, e compreendeu que havia algo que nenhuma primeira vez poderia substituir: a pessoa com quem você escolhia voltar ao final de tudo.
Fechou os olhos. Lá fora, a cidade celebrava o próprio começo.