A primeira vez que uma mulher madura me escolheu
Eu tinha vinte anos e a habitual falta de jeito de quem nunca tinha estado com ninguém quando meu amigo Rodrigo me arrastou para uma academia do bairro com o argumento mais duvidoso que eu já tinha ouvido na vida.
—Você vai conhecer mulheres —me disse, como se isso bastasse para convencer alguém a subir numa bicicleta ergométrica às sete da noite.
Fui. Não por causa das mulheres, mas porque fazia meses que eu não me exercitava e a culpa era maior que a preguiça.
A aula de spinning era numa salinha pequena no fundo da academia, com luz baixa e uma música que já entrava forte nos primeiros dez segundos. Me sentei numa bicicleta lá no fundo, ajuste o selim sem saber muito bem como e esperei. Foram chegando pessoas de idades diferentes. E então Patricia entrou.
Ela devia ter uns quarenta anos, talvez quarenta e cinco. Eu só soube disso muito depois. Era morena, de estatura mediana, com o cabelo preso num rabo de cavalo alto e um jeito de se mover que não pedia licença. Se sentou na bicicleta ao lado da minha, me lançou um sorriso breve, como quem diz oi sem se comprometer, e começou a pedalar.
Eu desviei o olhar. Eu tinha vinte anos e nenhum filtro.
***
Durante as primeiras semanas não aconteceu nada em especial. Nos cumprimentávamos ao entrar, às vezes trocávamos algum comentário sobre a aula ou sobre o instrutor, que tinha fama de não baixar o ritmo nem quando alguém implorava. Patricia sempre terminava sem suar demais. Eu sempre terminava como se tivessem me tirado do mar.
—Você tem que respirar melhor —me disse certa tarde enquanto eu tentava me recuperar apoiado no guidão.
—Eu já respiro —repliquei.
—Você está respirando como se fosse a primeira vez que usa os pulmões.
Eu ri. Ela também. Foi a primeira conversa de verdade que tivemos.
A partir daí ficávamos alguns minutos depois da aula conversando sobre nada: o trânsito, o calor, a música que o instrutor tinha colocado ao fundo. Era fácil conversar com ela. Não havia tensão, não havia expectativa. Só duas pessoas que se encontravam duas vezes por semana numa sala com bicicletas estacionárias.
Um dia ela me pediu para segui-la no Instagram para me mandar uma rotina de respiração que ela fazia antes de treinar.
—Parece desculpa —disse.
—É uma desculpa —ela confirmou, sem baixar o olhar.
***
Começamos a nos escrever por mensagens. No começo era o que ela tinha prometido: rotinas, dicas de postura, algum meme sobre academia. Mas numa noite, sem nenhum dos dois forçar, a conversa tomou outro rumo.
Foi ela quem disse primeiro, sem rodeios:
“Você me atrai. Desde a segunda semana.”
Fiquei olhando para a tela mais tempo do que precisava. Imaginei que ela estivesse me zoando. Perguntei se estava falando sério. Ela respondeu que sim, que sempre falava sério no que importava. Depois me perguntou se eu tinha experiência com mulheres mais velhas.
Disse a verdade: não tinha experiência com ninguém.
Veio uma pausa. Depois outra mensagem:
“Isso muda tudo. Para melhor.”
Depois veio outra:
“Vou te ensinar a transar. Com calma. Do jeito certo.”
Li essa frase três vezes. Minha boca secou. Meu pau ficou duro contra a calça do pijama antes mesmo de eu decidir se aquilo estava acontecendo ou não. Respondi a única coisa que consegui: “Sim.” Ela respondeu com um emoji e mais nada.
Não dormi bem naquela noite. Não exatamente por nervoso, mas por aquele tipo de energia que não sabe para onde ir e fica te fazendo virar na cama com os olhos abertos, pensando como será a voz de alguém quando não está no modo casual, quando não sobra mais nada para fingir. Eu me masturbei pensando nela. A primeira vez rápido e sem jeito, a segunda mais devagar, tentando imaginar sua boca, seus peitos, como seria enfiar meu pau nela. Nenhuma das duas vezes foi suficiente para eu dormir.
***
Levamos mais duas semanas para marcar. Ela não tinha pressa. Isso também era novo para mim: alguém que não acelerava, que deixava as coisas chegarem à temperatura natural antes de agir. Eu era do tipo que se nervosa com o silêncio. Ela usava o silêncio como ferramenta.
Na terça à tarde ela me escreveu: “Na sexta. Passo para te buscar às oito, perto do parque.”
Não era uma pergunta.
Eu disse que sim.
Na sexta eu coloquei a melhor camiseta que tinha e cheguei ao ponto de encontro dez minutos antes. Ela chegou pontualmente, num carro pequeno e escuro, com o cabelo solto pela primeira vez desde que eu a conhecia. Estava com um vestido simples e cheirava diferente da academia: a algo quente, com madeira e um toque doce que eu não soube identificar.
—Você está com cara de assustado —disse enquanto arrancava.
—Estou com cara de concentrado —respondi.
Ela riu. Aquela risada me relaxou mais do que qualquer coisa que eu pudesse ter dito a mim mesmo nos últimos quatro dias.
Fomos para um hotel pequeno, mas limpo, numa área que eu não conhecia bem. Ela já sabia onde estacionar. Pagou na recepção sem hesitar, com a naturalidade de quem tem experiência em não dar satisfações a ninguém.
***
O quarto era simples: cama de casal, luz quente, uma janela com a persiana meio abaixada. Havia uma geladeirinha, e ela tirou da bolsa duas cervejas que trouxera geladas.
—Para a tensão —disse.
—Que tensão? —perguntei.
—A que você está carregando nos ombros desde que entrou no carro.
Tomamos as cervejas sentados na beira da cama. Não havia pressa. Isso me surpreendeu. Na minha cabeça eu tinha imaginado que tudo seria mais brusco, mais mecânico. Mas Patricia não funcionava assim.
Ela me perguntou se eu tinha alguma dúvida, se havia algo que eu não quisesse fazer. Eu disse que não, que estava tudo bem.
—Tem certeza?
—Tenho.
—Porque, quando eu começar, não vou parar até você gozar pelo menos duas vezes. Quero que você saiba disso.
Engoli em seco. Ela percebeu e sorriu.
Levantou-se e tirou da bolsa algo embrulhado em papel de seda: um conjunto de lingerie preta, com renda fina nas bordas. Entrou no banheiro sem dizer mais nada. Saiu três minutos depois.
Não sei descrever exatamente o que senti. Era algo entre o espanto e a incapacidade física de me mexer. Os peitos dela marcavam por dentro do sutiã, cheios, com um decote profundo. A calcinha era mínima, apenas um triângulo de renda que deixava ver a sombra escura da sua buceta e a curva perfeita da bunda quando ela se virou por um segundo para deixar a roupa dobrada na cadeira. Ela tinha corpo de mulher feita, com quadris largos, coxas firmes e uma barriga macia que não tentava esconder. Tudo nela estava no lugar certo.
Ela se aproximou devagar, pôs uma mão no meu peito e me empurrou suavemente para trás até que eu ficasse deitado. Depois subiu em cima de mim, um joelho de cada lado, sem pressa. Senti o calor da sua buceta através da calcinha, apoiada bem em cima do meu pau, que já estava duro e pressionava a calça.
—Vou te guiar —disse—. Você só tem que me seguir.
Assenti.
***
Ela começou pelos beijos. Lentos, sem pressa, com uma calma que eu naquele momento era incapaz de imitar. Nada de filme em que tudo acelera desde o primeiro segundo. Ela tomava o seu tempo com cada coisa, explorava cada reação antes de passar à seguinte. Beijou meu pescoço, desceu até o peito, voltou para cima. Tinha um jeito de se mover que parecia completamente deliberado, como se soubesse com exatidão o efeito de cada gesto. Enquanto me beijava, movia os quadris em círculos lentos em cima do meu pau, esfregando a renda molhada da calcinha contra o tecido da calça, e eu sentia que ia gozar só com aquilo.
Ela me ajudou a tirar a roupa com a mesma tranquilidade com que tinha organizado todo o resto daquela noite. Tirou minha camiseta, abriu minha calça, baixou minha cueca com dois puxões curtos. Quando meu pau saltou livre, duro e já com uma gota de líquido na ponta, ela ficou olhando por um segundo longo.
—Bonito —disse, sem ironia—. Grande.
Eu a ajudei com o sutiã, atrapalhado com o fecho. Ela riu mais uma vez.
—Não tem problema —disse—. Você vai aprender.
Ela mesma abriu com uma mão e os seios caíram pesados, cheios, com os mamilos escuros e duros. Levou um deles à minha boca sem perguntar.
—Chupa —sussurrou—. Forte. Não tenha medo.
Chuquei um mamilo, depois o outro, apertando-os com os lábios, dando pequenas mordidas que a faziam gemer baixinho. Sentia sua buceta encharcada se movendo sobre minha virilha, a calcinha afastada para o lado, a umidade quente grudando na minha pele.
Quando ela me pegou nas mãos pela primeira vez, tive que controlar a respiração. Envolveu meu pau com os dedos, apertou suavemente, moveu para cima e para baixo num ritmo lento e firme. Levou os dedos à boca, molhou-os com saliva e voltou a deslizá-los pelo meu membro, agora com mais suavidade, com mais delícia. Passou o polegar pela ponta espalhando o líquido que já escorria, e eu cerrei os dentes.
—Aguenta —me disse—. Ainda não.
Depois baixou a cabeça e o enfiou inteiro na boca. O mundo se reduziu a isso: ao calor úmido dos lábios fechando-se ao redor do meu pau, à língua o envolvendo por baixo, ao fundo macio da garganta quando ela engolia tudo e voltava a subir. Sugava num ritmo que não se parecia com nada que eu tivesse imaginado em meses de punheta. Tirava meu pau da boca, lambia de cima a baixo, brincava com a ponta com a língua, metia meus testículos na boca um de cada vez e depois o engolia inteiro de novo. O cabelo solto caía sobre minhas coxas. Ela me olhava de baixo com os olhos brilhando enquanto chupava, e só esse detalhe já me deixava a segundos de gozar na boca dela.
—Vou gozar —avisei, apertando o lençol.
Ela parou, ergueu o olhar e me encarou fixamente. Limpou a saliva do queixo com o dorso da mão.
—Agora —disse.
Ela se sentou em cima de mim, abrindo as pernas. Afastou a calcinha para o lado com dois dedos, deixando ver pela primeira vez sua buceta aberta, rosada, escorrendo. Me guiou com a mão. Colocou a ponta do meu pau na entrada e começou a descer devagar, muito devagar, deixando-o entrar centímetro por centímetro.
Entrei devagar, com mais cuidado do que talvez fosse necessário, mas ela me empurrou para frente com as palmas nas minhas coxas e eu soube que aquilo era o certo. Quando o recebeu inteiro dentro de si, ficou um segundo imóvel, com os olhos fechados, mordendo o lábio.
—Caralho —sussurrou—. Que grande o seu pau.
A sensação era impossível de comparar com qualquer outra coisa que eu tivesse vivido antes. Calor apertado, molhado, envolvente. Sua buceta apertava meu pau como se tivesse vida própria, contraindo-se ao redor da base, me engolindo até o fundo. Fiquei imóvel por um segundo tentando organizar algo coerente na cabeça e não consegui. Só podia sentir.
—Mexa-se —sussurrou.
Eu me mexi. Empurrei de baixo, primeiro com atrapalho, depois encontrando um ritmo. Ela se apoiou no meu peito com as duas mãos e começou a cavalgar meu pau, subindo e descendo em cima de mim, com os seios se movendo diante do meu rosto no compasso de cada investida. O som da bunda dela batendo nas minhas coxas enchia o quarto. A buceta fazia barulho de molhada cada vez que eu a penetrava até o fim.
—Isso —ofegava—. Me fode assim. Forte. Não para.
***
Em algum momento perdi a noção do tempo. Não sei quanto aquilo durou nem me importava saber. Ela me guiava com pequenos gestos: uma mudança de posição, uma mão nas minhas costas indicando mais devagar, outra no meu quadril dizendo mais forte. Às vezes pedia algo em voz baixa e eu fazia sem pensar, como se ter passado vinte anos sem fazer aquilo não tivesse sido obstáculo nenhum.
Ela me fez sair de dentro dela e ficar por trás. Se colocou de quatro na beirada da cama, com a bunda erguida, arqueando as costas para me oferecer aquilo. Agarrei seus quadris e enfiei de uma vez. Ela soltou um grito abafado e empurrou para trás.
—Me dá com vontade —me pediu olhando por cima do ombro—. Como se me odiasse.
Eu a fodi por trás, segurando-a primeiro pelos quadris, depois pelo rabo de cavalo que ela tinha prendido no fim da tarde, puxando sua cabeça para trás cada vez que ela me pedia com um suspiro. Dei uma palmada na bunda dela. Ela riu e pediu outra. Dei mais duas, marcando a pele morena com a palma da mão. A buceta dela escorria em cima dos meus ovos, encharcando minhas coxas, deixando o lençol molhado sob nossos joelhos.
—Vou gozar —anunciou ela, e a voz soava diferente, mais rouca, mais animal—. Não para. Não para. Não para.
Eu não parei. Enterrei o pau nela com investidas curtas e rápidas e senti sua buceta se apertar inteira ao redor do meu membro, o corpo todo se convulsionando, um gemido longo escapando contra o travesseiro. Ela gozou se apertando tão forte que eu quase gozei junto.
Segurei. Tirei a tempo, respirando fundo, apertando a base do pau com a mão.
Quando ela me pediu para deitar e se pôs sobre mim, senti que entendia algo novo sobre o que podia significar estar com alguém. Não era só a sensação física, embora a sensação física já fosse suficiente para me enlouquecer. Era ela me olhando de cima com uma expressão que não era encenada, que era genuína, que dizia que o que estava acontecendo importava de verdade para ela. Ela voltou a subir em mim, meu pau deslizando outra vez para dentro da sua buceta molhada, e desta vez cavalgou mais devagar, me olhando nos olhos, movendo os quadris em círculos que me mantinham à beira o tempo todo sem me deixar chegar lá.
Ela me pediu que a beijasse. Eu a beijei.
Ela me pediu que eu pusesse as mãos nos seus quadris. Eu pus.
Ela me pediu que eu apertasse seus peitos enquanto ela se movia. Eu apertei, beliscando seus mamilos entre os dedos.
—Me fala que quer gozar dentro —ofegou.
—Eu quero gozar dentro.
—Pede.
—Deixa eu gozar dentro. Por favor.
Eu pedi que ela não parasse. Ela não parou.
Quando me aproximei do limite pela segunda vez, falei sem articular direito, rosnando, apertando suas coxas para afundá-la até o fundo. Ela entendeu mesmo assim, saiu a tempo, deixou-se cair ao meu lado e segurou meu pau com a mão justamente quando comecei a gozar. Ela sacudiu meu pau com duas, três, quatro passadas rápidas e o esperma saiu em jatos quentes que caíram sobre os seios dela, sobre a barriga, sobre os próprios dedos. Levou-os à boca sem tirar os olhos dos meus, chupando o esperma do polegar como se nada fosse.
O que veio depois foi inevitável, intenso e breve como tudo o que não consegue se sustentar.
***
Ficamos deitados um tempo em silêncio. A luz da rua entrava pela persiana e projetava linhas finas no teto. As cervejas continuavam na mesinha, já pela metade e mornas.
—Você está bem? —ela perguntou.
—Sim —disse eu, e era a verdade mais simples que eu tinha pronunciado em muito tempo.
Tomamos banho. O banheiro era pequeno, mas a água saía quente. Ela lavou o cabelo sem pressa. Eu tentei não atrapalhar e não consegui totalmente. Sob o jato, ela me abraçou por trás, passou as mãos ensaboadas pelo meu peito, pela barriga, pegou meu pau outra vez com a mão cheia de espuma e o massageou devagar até ele voltar a ficar duro. Ela riu contra meu ombro.
—Aos vinte —murmurou—. Que inveja.
Ela se virou, apoiou as palmas nos azulejos e me ofereceu a bunda de novo debaixo da água quente. Entrei nela em pé, segurando sua cintura molhada, e a fodi devagar contra a parede do chuveiro até ela gozar pela segunda vez naquela noite, mordendo o antebraço para não gritar. Eu gozei na água, tirando-o no último momento, vendo o sêmen descer pelo ralo entre os pés dela.
Nenhum de nós mencionou isso depois.
Saímos do hotel já passava da meia-noite. Ela me levou de volta ao bairro de carro, com a música baixa e pouca conversa, que também não fazia falta.
Antes de eu descer, ela pôs uma mão no meu braço.
—Foi bom —disse.
—Foi —confirmei.
—Quer repetir?
Não levei nem um segundo para responder.
—Quero.
***
Patricia e eu nos vimos por vários meses depois disso, sempre com o mesmo acordo tácito: sem promessas, sem complicações, sem explicações que ninguém tinha pedido. Continuei indo às aulas de spinning. Continuei sem suar menos do que ela ao final.
O que aprendi nesses meses não tem nome exato em nenhum manual. É algo que só se entende quando alguém que sabe o que faz decide te ensinar, sem em nenhum momento te fazer sentir que você não sabe nada.
Tive sorte. Nem todo mundo tem.