Aquela volta de bicicleta com o vizinho da quadra
Morávamos na mesma quadra e fingíamos ter esquecido os jogos de infância — até uma volta de bicicleta no inverno fazer minha mão ir parar onde não devia.
Morávamos na mesma quadra e fingíamos ter esquecido os jogos de infância — até uma volta de bicicleta no inverno fazer minha mão ir parar onde não devia.
Passei vinte anos achando que conhecia meus próprios desejos. Bastaram dez minutos no elevador com um rapaz nervoso para entender que eu não sabia nada.
Abaixamos as calças diante dos outros quatro e, quando ele se inclinou sobre mim, eu soube que daquela tarde não sairia da sala sendo o mesmo.
Nunca pensei que atravessar a porta de um bar discreto usando a roupa íntima da minha esposa acabaria me levando a um quarto de hotel com um desconhecido.
Na viagem até o apartamento, o motorista me passou o celular com uns vídeos. O que veio depois não estava nos meus planos e eu nunca tinha feito com outro homem.
Passei meses beijando-a às escondidas sem que nada além disso acontecesse; naquela tarde, com a garrafa quase vazia, foi ela quem me arrastou até a janelinha do motel.
Ele era o garoto do bairro que entrava como reserva quando faltava alguém. Levei um ano inteiro para entender que ele também estava me olhando.
Minha esposa queria me ver sendo fodido, não o contrário. O que descobri naquela noite na suíte do hotel ainda me obriga a me perguntar coisas que não ouso responder.
Entrei no consultório por causa de uma dor no abdômen. Saí com um número salvo no celular e uma pergunta que evitei responder por anos.
Às três da manhã, com o vento gelado batendo na barraca, eu me enfiei sob a manta dele sem pedir permissão. Mauri não se mexeu, mas eu sabia que ele não estava dormindo.
Eu vinha pensando nisso há meses. Numa noite, num hotel longe de casa, abri o app e deixei subir ao meu quarto o primeiro cara que apareceu a um metro.
Naquele dia na empresa, vimos vídeos estranhos no computador dele. O que eu não esperava era que, meses depois, essa mesma curiosidade acabasse no sofá, debaixo do cobertor.
Me olhei no espelho com a lingerie dela, os saltos e os lábios pintados, e soube que não podia ficar em casa. Eram duas da manhã.
Achei que fosse só curiosidade. Até ver a foto dele, sentir meu pulso acelerar e entender que eu vinha fugindo havia três anos do que já estava decidido.
Cheguei ao motel quinze minutos antes, com as mãos suando. Quando o vi cruzando o estacionamento, soube que não sairia daquele quarto sendo o mesmo de antes.
Naquele sábado minha tia saiu às pressas. O amante dela continuava dormindo no quarto. O que fiz em silêncio mudou tudo o que eu pensava sobre mim.
Ao abrir a porta do quarto, o último que eu esperava era ver minha namorada debaixo da amiga dela, com as pernas abertas e um olhar que me proibia de entrar ainda.
Lá fora chovia e ela me olhava como nunca ninguém da minha família havia me olhado. Eu sabia o que ela ia me pedir, e sabia que não ia conseguir negar.
Até aquela noite, eu tinha sido completamente hetero. Bastou um filme mal escolhido, um travesseiro improvisado e a respiração de um desconhecido na minha nuca.
Voltávamos da praia para o camping quando uma garota pediu carona no meio do caminho. Eu não sabia que naquela noite descobriria outra coisa.