Entrei na academia como ele e saí sendo ela
Sempre fui o garoto bonitinho, magrinho e de olhos verdes. Até cruzar a porta de uma academia e alguém me olhar como ninguém jamais tinha olhado.
Sempre fui o garoto bonitinho, magrinho e de olhos verdes. Até cruzar a porta de uma academia e alguém me olhar como ninguém jamais tinha olhado.
Naquela tarde a mãe dele não estava em casa e ele tinha uma surpresa preparada. Eu ainda não sabia que aqueles minutos iam despertar em mim um gosto que nunca mais larguei.
Eu vinha imaginando isso há meses: um vestido preto, saltos brilhando sob as luzes e eu parada numa esquina, à vista de todos que passassem.
Eu vinha imaginando aquilo havia anos, mas ainda era virgem por trás. Naquela tarde de dezembro, num quarto de motel, finalmente deixei que cruzasse essa última fronteira.
Sentei-me entre os dois no carro e, quando minha amiga desceu em casa, fiquei a sós com o pai dela e com uma tensão que nenhum dos dois ousava nomear.
Cruzei a porta do bar de saltos novos e o coração na garganta. Eu não imaginava que naquela noite alguém do meu passado entraria.
Entrei pensando que pararia a qualquer momento. Que diria basta, que aquilo não era para mim. Quinze minutos depois, eu gritava exatamente o contrário.
Eu lhe neguei durante meses. Naquela noite, em um quarto de hotel que cheirava a desinfetante barato, decidi que ia parar de dizer não.
Todas as noites ela se tocava às escondidas e chorava de culpa. Naquela madrugada, caminhou rumo às dunas sem saber que o deserto guardava um templo e, dentro dele, uma figura que mudaria tudo.
Paguei a entrada, procurei a cabine do fundo e achei que seria um minuto. Então ouvi aquela voz grave perguntar se havia alguém do outro lado da parede.
Ela veio pedir a impressora e acabou olhando para a tela com uma pergunta na ponta da língua que mudou tudo entre nós.
Subi para segurar a escada sem imaginar o que ia encontrar quando erguesse a cabeça. Naquela tarde, na despensa, aprendi quem mandava de verdade.
Me arrumei como uma deusa para passar a noite diante da câmera. Quando a campainha tocou, não era o entregador: era ele, real e com o fim de semana inteiro pela frente.
Saí da água tremendo de frio e a vi ajeitando o biquíni ao sol. Nenhum de nós sabia que aquela manhã mudaria tudo entre a gente.
O pedido vinha de um garoto tímido, amigo do meu sobrinho. Levei semanas para responder e um mês para admitir que queria ele na minha cama.
Naquela sexta-feira, ele subiu no carro com uma mala e umas caixas que eu não entendi. Dentro não havia trabalho: estava o presente que, enfim, me deixaria ser quem sempre fui.
Naquela tarde, não planejávamos nada. Mas quando ele baixou as calças na minha frente, eu soube que ia provar algo que nunca tinha provado.
Ela lhe mostrou o celular com as mãos trêmulas. Não era uma mensagem de outro garoto: era uma lista de buscas que confessava tudo o que ela guardava havia anos.
Sempre tive uma fixação estranha. Naquela tarde, decidi que meu melhor amigo seria o primeiro a obedecer a mim, de joelhos e sem nada para esconder.
Carmen havia planejado tudo: as duchas do porão, os casais nervosos e uma única regra, que ninguém ficasse olhando de fora.