O pacto que herdei na noite de lua cheia
O testamento dizia que a fortuna da minha família tinha sido construída entre as pernas da minha mãe. Naquela mesma noite entendi que agora era minha vez.
O testamento dizia que a fortuna da minha família tinha sido construída entre as pernas da minha mãe. Naquela mesma noite entendi que agora era minha vez.
Desci descalça à capela à meia-noite para pedir perdão pelos meus sonhos. Não imaginava que algo me esperava enroscado nas sombras, pronto para me ensinar o que meu corpo calava.
Nunca tinha contado a ninguém que meu corpo não respondia. Confessei isso a ela, a amiga da minha mãe, sem imaginar que acabaria me ensinando tudo o que me faltava.
Naquela noite, ela cumpriria pela primeira vez o ritual: nua, amarrada ao potro, com um guerreiro veterano pronto para arrancar dela o prazer pertencente à deusa.
Passei dois anos imaginando esse dia. Não sabia que um homem de terno, com a idade do meu pai e os olhos cravados em mim, decidiria como seria minha primeira vez.
Eu estava havia dias sem saber dela, sonhando com suas ordens. Naquela tarde, atravessei uma porta que não devia e descobri até onde eu estava disposto a ir.
Nunca tive coragem de me expor. Até hoje. Amanhã vou para a aula sem nada por baixo da roupa, e deixar isso escrito aqui já parece sua primeira ordem.
Entrei por aquela porta convencida de conhecer meus limites. Três horas depois, entendi que eu mal começava a descobri-los, tremendo entre o medo e uma vontade que eu não sabia nomear.
Quando baixou os olhos para aqueles tênis brancos e suados, soube que obedeceria a qualquer coisa que aquela garota pedisse. E era só o começo.
Eu levava semanas treinando com os plugs, decidida a sentir dois paus ao mesmo tempo. Naquela tarde, chamamos a única pessoa em quem podíamos confiar para conseguir isso.
Um carro freou ao meu lado e me perguntou o preço. Eu tinha trinta e sete anos, era advogada e, pela primeira vez, decidi não dizer não à loucura.
Era meu melhor amigo, meu confidente. Naquela noite de feira, entre vinho e risadas, a mão dele na minha cintura acendeu algo que eu jamais tinha sentido por ele.
Achei que fosse um jogo inocente de olhares no semáforo. Não imaginei que, num sábado de manhã, eu bateria à porta dele com a desculpa mais boba do mundo.
Sempre soube que minha mãe era diferente das outras, mas foi só naquela madrugada que entendi o quanto — e até onde eu mesmo estava disposto a ir.
Esperei as portas se fecharem. Diego já beijava a namorada sem disfarçar, e a irmã dela me olhava de soslaio, mordendo o lábio, sem saber o que fazer com as mãos.
Nunca fiz isso, mas conheço cada detalhe: o café, o elevador, as mãos dele. Esta é a fantasia que se repete e que nunca me animo a contar em voz alta.
Eu tinha jurado que a virgindade dela era inegociável. Naquela manhã, no apartamento emprestado por um amigo, ela me mostrou até onde estava disposta a ir.
Começou com um tornozelo torcido na quadra e terminou muitas semanas depois, numa noite em que a casa dela ficou vazia e já não houve motivo para segurar o desejo.
Eu a vi pela primeira vez incentivando da arquibancada, com o cabelo molhado e aquele riso fácil. Dez dias depois, atrás da quadra de frontão, ela me ensinou algo que nunca esqueci.
Tínhamos combinado de trocar umas fotos. O que nenhum dos dois disse em voz alta era que esse reencontro já estava esperando há meses para acontecer.