A nerd da turma me esperava no banheiro
Achei que o banheiro estaria vazio. Carolina estava diante do espelho e o olhar dela não era de surpresa: era o de alguém que sabia exatamente o que eu tinha acabado de fazer.
Achei que o banheiro estaria vazio. Carolina estava diante do espelho e o olhar dela não era de surpresa: era o de alguém que sabia exatamente o que eu tinha acabado de fazer.
Senti o corpo dele tremer contra o meu no banco do calçadão. O que ele me confessou naquela noite mudou tudo e não houve volta atrás.
Duas semanas sozinha, sem ninguém para tocar a porta. Tirei a lingerie vermelha, abri uma cerveja gelada e prometi não parar até ficar tremendo.
Ela estava com o vestido amarelo mais justo do armário e a cabeça cheia de argumentos contra aquela mulher. Uma hora depois, já não sabia se a odiava ou a desejava.
Quando a professora de Tobías me deu o número pessoal dela «se surgisse algo urgente», eu soube que aquilo não tinha nada a ver com as notas do meu filho.
Eu a desejava em segredo havia meses. Naquela tarde, durante a aula, ela ergueu os olhos do livro e me disse: você precisa ser mais cuidadoso com a porta do banheiro.
Eu sabia que ele me observava tempo demais, que tentava disfarçar. E, como sempre, decidi que não ia deixar passar.
Bateu à minha porta à meia-noite com os olhos vermelhos e a voz embargada. Eu não esperava que a última noite da viagem terminasse com minha aluna na minha cama.
Naquela manhã de setembro, vi entrar a garota mais tímida da sala. Levei duas semanas para entender que a tímida da sala não era ela, era eu.
Cheguei à praça esperando um café cordial com a mulher que me ensinou a ler poemas aos dezessete. O que aconteceu depois não estava em livro nenhum.
Quando a vi descer do ônibus com a mochila rosa no ombro, entendi que ela já tinha decidido tudo e que eu só ia cumprir a minha parte do combinado.