A carona do professor terminou no mirante
Eu disse que queria ir pela estrada bem iluminada. Ele sorriu, pegou o desvio para o mirante e deixei o vestido subir até a coxa.
Eu disse que queria ir pela estrada bem iluminada. Ele sorriu, pegou o desvio para o mirante e deixei o vestido subir até a coxa.
Passei junto à carteira dele, deixei um bilhete sem que ninguém visse e saí ao pátio para fumar. Quando ele bateu à porta, eu já tinha esquecido o que era certo.
Levantei os olhos para a professora que todos temiam e senti o sangue gelar: era ela, a mulher com quem eu me masturbara pela câmera durante dois anos.
Cheguei à casa dele com uma saia curta demais e a desculpa de passar na matéria. Ele não parou de me olhar, e eu não estava exatamente ali para estudar.
Reconheci-a entre as prateleiras do supermercado: mais encorpada, mais segura, com o olhar de quem ainda se lembrava do que acontecera entre nós naquela sala vazia.
Quando tranquei a porta, ele se virou e me cobrou o beijo que eu tinha dado em outro homem. Não soube se era raiva ou desejo o que ardia nos olhos dele.
Só queria enganá-lo para que ele me subisse a nota, brincar de carteirista que distrai para roubar. Nunca imaginei até onde meu próprio blefe iria me levar.
Eu sabia que o professor Aníbal me olhava o corpo toda vez que eu me despedia. Naquela tarde, entrei na sala dele disposta a usar aquele olhar a meu favor, custasse o que custasse.
Reconheci-a no fundo do bar e meu coração deu um salto: era ela, a professora que roubou meu sono quando eu era criança. E dessa vez eu já não era aquele menino.
Nessa noite, enquanto eu corrigia os exercícios no quarto do hotel, senti o olhar dele cravado em mim e soube que já não conseguiria ser apenas sua professora.
Encontrei minha amiga tremendo no banheiro daquela festa. Quando perguntei quem a deixou assim, jamais imaginei que ela dissesse o nome do nosso professor mais temido.
Quando entrei naquele sótão com as cordas pendendo das vigas, entendi que aquela noite não me pertenceria.
Ela confiava cegamente nela, por isso não perguntou para onde iam quando o carro saiu da autoestrada e seguiu rumo à costa com a professora no banco de trás.
Eu achava que o mais difícil do ano seria passar no exame de inglês. Enganei-me: o mais difícil foi disfarçar o quanto eu desejava a mulher que vinha me ensinar.
Passei uma semana longe dela e, assim que atravessei a porta da sua casa, soube que aquela aula não teria nada de prova.
Pensei que a tinha encurralado contra a parede. Demorei um segundo para entender que a única presa naquela casa vazia era eu.
Eu vinha imaginando aquela cena na sala dela havia meses, mas nunca pensei que seria ela a dar o primeiro passo, com a tranca fechada e o perfume invadindo tudo.
Quando passei em frente ao banheiro entreaberto e a vi nua de costas, soube que aquela noite na minha casa não ia terminar como duas velhas conhecidas tomando chá.
Acreditei que estava sozinha corrigindo meus textos, até a mão dela pousar sobre minha perna e eu entender que o intervalo ia durar muito mais do que o previsto.
Cada desculpa que eu dava ao meu noivo era mais elaborada que a anterior. Saía daquele consultório tremendo, dolorida e com um sorriso que não sabia esconder.