Sou a travesti que ele procura quando ela dorme
Quando ele bateu à minha porta à meia-noite, eu soube que tinha voltado a mentir para a mulher. E soube, também, que naquela noite ele seria só meu.
Quando ele bateu à minha porta à meia-noite, eu soube que tinha voltado a mentir para a mulher. E soube, também, que naquela noite ele seria só meu.
“Eu te ajudo”, disse Lorena antes de subir para se trocar. Quando desceu com aquela saia justa, nenhum dos dois imaginava até onde iriam naquela manhã.
Ela sabia muito bem o que aquele vestido provocava; o que não esperava era que ele se atrevesse a sussurrar isso no ouvido dela, na frente de toda a família.
Nessa noite ouvi um barulho baixo no corredor e me colei a uma cortina mal fechada. O que eu não sabia é que alguém, descalça no jardim, me observava havia seis minutos.
Ele vinha fingindo há meses que o uniforme dela não o afetava. Naquela tarde, com a coxa dela enfaixada e as mãos dele tremendo sobre sua pele, soube que não aguentava mais.
Meu marido tinha viajado a trabalho a semana toda e eu ainda carregava a culpa da vez anterior. Então aquele homem da fila me sorriu como se soubesse de tudo.
Toda noite, antes de dormir, Carla me sussurrava «boa noite, princesa». Levei meses para entender que essa palavra não era uma brincadeira, mas uma ordem.
O caderninho do fiado não dava mais conta, meu marido ficava vendo TV e o dono do armazém me olhava do outro lado do balcão com aqueles olhos azuis que pareciam me despir.
Toda vez que voltávamos à casa velha da avó, o mesmo jogo começava de novo: uma mão roçando a outra e ninguém olhando.
Passei duas semanas sem conseguir tirar da cabeça a irmã da minha namorada. Nessa madrugada, desci para beber água e a encontrei acordada, me esperando.
Nunca imaginei que uma tarde qualquer, esperando minha mulher voltar, terminaria com eu vendo pela janela aquilo que jamais deveria ter visto.
Vim descansar numa ilha de luxo com meu filho adolescente. Não imaginava que seria ele quem não me deixaria dormir naquela noite de tempestade.
Aos quarenta e quatro anos eu achava que nada mais podia me surpreender, até que um homem com as mãos sujas de graxa me olhou como ninguém fazia havia anos.
Quando abri a porta só de toalha, não imaginei que o amigo do meu pai me olharia assim — nem que eu retribuiria sem nenhuma vergonha.
Nunca me considerei submissa, mas na primeira vez que a voz dele me ordenou algo ao telefone, obedeci sem pensar. E descobri que ser de alguém podia me agradar mais do que jamais imaginei.
Camila e eu aceitamos o convite sem imaginar que, por trás daquela porta, vivia uma família onde todos compartilhavam muito mais do que a mesa de jantar.
Estreei os tênis num sábado cedo, sem imaginar que voltaria para casa com o short úmido por motivos que não tinham nada a ver com correr.
Tenho vinte e sete anos e uma vida normal: bom trabalho, uma família que me ama e um segredo que carrego dentro de mim e que hoje, enfim, ouso escrever.
A porta do banheiro estava entreaberta, saía vapor, e ela não se cobriu. Sustentou meu olhar como se toda a cena tivesse sido planejada para mim.
Tinha vinte anos e um namorado me esperando em casa. Naquela tarde de calor, junto à piscina, descobri o quanto o corpo pode arder quando alguém decide se deixar levar.