Confesso que não consigo esquecer a garota da chupeta
Chegou com a mochila no ombro e se trancou no banheiro. Quando saiu, o sorriso já prometia que aquela noite ia bagunçar minha vida inteira.
Chegou com a mochila no ombro e se trancou no banheiro. Quando saiu, o sorriso já prometia que aquela noite ia bagunçar minha vida inteira.
Sete da manhã e o desejo já estava ali. Ao longo do dia ele se infiltrou no banho, no supermercado, no sofá com ele. Um fogo que eu tentava apagar e que sempre voltava.
A voz do comandante paralisou as duas. Tinham acabado de ficar sozinhas na enfermaria do barco, e o tempo que tinham já não bastava para nada.
Atravessei o corredor no escuro esperando dar um abraço e acabei colado à fresta do quarto dele, vendo o que duas mulheres maduras tinham preparado.
O envelope chegou ao estúdio numa noite de terça. Papel grosso, meu nome escrito à mão, uma oferta que não devia ter me tentado tanto quanto tentou.
Quando ela trancou a porta do escritório, entendi que as pastas de documentos eram só uma desculpa que nenhum dos dois queria desmentir.
Lucía soltou o leme, se apoiou contra meu peito e senti ela mover os quadris em busca do que já não podia disfarçar sob a bermuda de banho.
Antes da campainha tocar, me ajoelhei diante dele na cozinha. Queria abrir a porta com o gosto dele ainda nos meus lábios e receber os amigos com um sorriso cúmplice.
Ouvi seus gemidos na primeira noite, do outro lado da parede. Eu não podia saber que aquele casal mais velho acabaria na minha cozinha pedindo muito mais.
Cruzei as pernas, desabotoei três botões e sustentei o olhar dele no retrovisor. Faltava meia hora de caminho, e eu já sabia que não chegaríamos direito ao hotel.
Todo o povo fechou os olhos. Rodrigo fez um buraco do tamanho de uma ervilha na veneziana e colou o olho. Precisava vê-la.
Eu vinha há semanas sem plano e uma tarde entediante mudou tudo. A foto dele era honesta: era exatamente o que apareceu na minha porta duas horas depois.
Quando ele desceu do avião e me apertou nos braços, eu soube que não deixaria nada — nem mesmo o calendário — nos impedir naquela noite.
Treze quilômetros a pé, meias grossas e tênis fechados. Nessa noite eu ia dar a ele o presente que preparei desde que entrei no avião.
Três ativos, um cubículo e eu deitado de costas com as pernas erguidas. A melhor noite da minha vida na sauna.
A mensagem chegou na noite anterior: “Amanhã você será minha professora. Traga uniforme”. Fiquei com o celular na mão, sem conseguir dormir.
Eu tinha comprado o brinquedo semanas atrás e o deixado na gaveta por medo. Nessa noite, decidi que já era hora de parar de esperar que outra pessoa fizesse isso por mim.
Eu ia há semanas à mesma academia entediada, até que o dono apareceu: quarenta e poucos, braços marcados, com aquela calma que intimida mais que qualquer gesto.
Estava na cozinha com uma roupa que eu nunca tinha visto, e quando roçou meu ombro ao passar, algo em mim que não tinha direito de existir despertou.
Desci para ajudá-lo com uns documentos. Ele tinha mãos grandes, cheiro de oficina e um jeito de me olhar que me deixava nervosa desde que chegamos.