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Relatos Ardientes

O segredo que guardei o dia todo para ele

4.3(27)

Em destinos turísticos caros, há coisas que se pagam com tempo e esforço, não com dinheiro. Uma dessas coisas é andar. E eu, naquele dia em Florença, andei com um propósito muito específico.

Acordei naquela manhã em um quarto pequeno no centro histórico, perto do Duomo, envolta no calor dos lençóis e no cheiro de Rodrigo. A luz que filtrava pelas persianas tinha aquele tom dourado específico das cidades italianas às nove da manhã. Ele ainda dormia, com um braço sobre minha cintura e a respiração lenta e regular de alguém que não tem nenhum plano urgente.

Peguei o celular sem me mexer demais. "10°C de máxima, nublado, sensação térmica de 7°C".

Perfeito.

Frio suficiente para os pés ficarem fechados o dia inteiro. Suficiente para o calor se acumular dentro das tênis durante horas de movimento. Suficiente para dar a ele exatamente o que ele precisa sem que eu precise fazer nada de especial, só andar.

Levantei devagar para não acordá-lo. Eu tinha um plano e queria executá-lo sem contar nada ainda. Fui direto à bolsa e tirei as tênis brancas que tinha trazido de casa: as mesmas que usei nos primeiros dias da viagem, sem lavar. Segurei-as por um momento e as cheirei discretamente. Quase nada, bem de leve, o começo de alguma coisa. Ótimo.

Procurei as meias. As de algodão grosso, as que eu tinha usado durante o voo de quatorze horas. Guardei-as num saquinho no fundo da bolsa justamente para esse momento. Cheirei-as também. Sim. Era exatamente o que eu queria.

Calcei-as. Calcei as tênis. Vesti o jeans mais justo que eu tinha e uma jaqueta comprida de frio. Meus pés iam passar o dia inteiro fechados, acumulando calor, acumulando aquele cheiro específico que deixa Rodrigo louco e que para mim custa bastante produzir. Não sou do tipo que sua muito. Mas depois de doze horas andando com tudo isso, alguma coisa se consegue.

Quando saí do banheiro ele já estava acordado, sentado na cama com o cabelo desgrenhado e um sorriso sonolento.

—Bom dia, linda.

—Bom dia —disse, me aproximando para beijá-lo—. Levanta. Temos muita coisa para ver hoje.

Não disse mais nada. O segredo era meu.

***

Saímos depois do café da manhã e não paramos até a tarde. Primeiro a Piazza della Signoria, onde ficamos vinte minutos olhando a réplica do David e discutindo se a estátua original valia a fila de duas horas no Accademia. Depois atravessamos a Ponte Vecchio duas vezes: uma para ver as joalherias que não íamos poder comprar e outra porque Rodrigo queria fotografar a luz do meio-dia sobre o rio Arno.

Subimos até o Piazzale Michelangelo pela escadaria longa, que são quatrocentos degraus de pedra irregular que, aos vinte minutos, fazem você se arrepender de tudo, mas a vista de Florença lá de cima é daquelas coisas que não se discutem. Descemos pelo outro lado, atravessamos o bairro Oltrarno, entramos numa trattoria pequena onde o menu do dia estava escrito à mão num quadro-negro.

Calculei depois: entre doze e treze quilômetros. Tudo em tênis fechados, tudo sobre paralelepípedos que fazem os músculos do pé trabalharem o dobro do que no asfalto. No meio da tarde eu já sentia o calor acumulado dentro do couro, a umidade suave no algodão apertado contra os arcos. Percebia como as meias tinham se adaptado à temperatura dos meus pés, e cada vez que pensava na noite me custava me concentrar nas placas informativas dos monumentos.

Será que ele ainda vai ficar assim depois de cinco anos? Depois de dez meses de distância, vai continuar precisando disso com a mesma urgência de antes?

Não respondi a mim mesma. Ia ver.

***

Na trattoria pedimos massa e vinho tinto. Era tarde para jantar pelos padrões italianos, mas cedo para os nossos. O lugar estava quase vazio, a iluminação era de vela, e lá fora se ouvia o barulho da cidade esfriando com a chegada da noite.

Rodrigo ergueu a taça quando o vinho chegou.

—Pelas duas semanas que nos restam —disse, me olhando com aquela seriedade macia que ele usa quando algo realmente importa.

—Pelas duas semanas —respondi, e tomei um gole longo sem deixar de olhar para ele por cima da borda da taça.

Ficou em silêncio por um momento, olhando o vinho girar devagar.

—Você está muito calma hoje à noite —disse depois—. Eu te conheço. Você está tramando alguma coisa.

Ri.

—Tramando? Eu?

—Você. Definitivamente você.

Enrolei spaghetti no garfo e o encarei com toda a inocência que consegui reunir.

—Andei muito hoje. Meus pés estão doendo.

Vi a mudança nele. Foi sutil, só por um segundo, mas vi: os olhos escureceram um pouco, ele baixou o garfo, engoliu em seco antes de responder.

—É? —disse, com a voz ligeiramente mais grave.

—É. O dia todo com as mesmas tênis. Com as meias que usei no voo.

Silêncio.

—Marina… —murmurou, e naquela única palavra havia tudo: súplica, excitação, uma repreensão suave por eu ter dito aquilo no meio de um jantar em que ainda havia meia garrafa de vinho.

—Come a massa, amor —lhe disse, doce, sem pressa—. Ainda tem sobremesa.

—Que sobremesa?

—Uma que não está no cardápio.

Passou a mão pelo rosto. Riu, mas era uma risada tensa, de alguém que já está pensando em outra coisa e tem dificuldade para disfarçar.

—Não sei se vou conseguir terminar de comer.

—Vai conseguir —disse—. E vai comer devagar. A noite é longa.

Jantamos assim: com aquela tensão silenciosa que só existe quando duas pessoas sabem exatamente o que vai acontecer e mesmo assim decidem ir com calma. Ele me olhava nos olhos e eu deixava. Às vezes cruzava as pernas debaixo da mesa e sentia o calor concentrado dos meus pés dentro das tênis, o peso do que eu estava guardando para depois. Eu olhava o volume endurecido sob o jeans cada vez que ele se remexia na cadeira e sabia que ele estava duro havia tempo, que chegaria ao quarto com a rola pronta para o que eu quisesse fazer com ele.

Quando finalmente pagamos, saímos para o frio da noite florentina. Ele pegou minha mão apertando um pouco mais do que o normal.

—Vamos rápido —me disse no ouvido.

—Não —respondi, caminhando tranquila—. Devagar. Quero sentir o frio mais um pouco.

Ele me olhou. Entendeu. Caminhamos devagar.

***

Quando fechamos a porta do quarto, me encostei nela e o beijei. Primeiro com calma, depois com mais fome, enfiando a língua até o fundo da boca dele, mordendo o lábio inferior até arrancar um gemido. Afrouxei a jaqueta dele, tirei. Ele tirou a minha. Passei a mão por cima da calça e apertei com força contra a palma: ele estava duríssimo, inchado, pulsando através do tecido.

—Você está assim desde a trattoria, não está? —sussurrei no ouvido dele, apertando a rola por cima do jeans.

—Desde que você disse "meus pés estão doendo", porra.

—Segura mais um pouco.

Fomos nos despindo sem pressa, aproveitando o processo, até chegar ao ponto que eu tinha planejado desde a manhã.

As tênis. As meias.

Sentei na beira da cama, cruzei as pernas e o encarei.

—Vem. Ajoelha.

Falei com voz tranquila, sem drama. Era uma ordem, não um pedido. Ele recebeu exatamente assim: ajoelhou diante de mim sem dizer nada, com os olhos fixos nos meus, esperando o que vinha.

—Tira as tênis primeiro. Devagar.

Ele as soltou com cuidado, uma por uma, deixando-as de lado. Depois ficou imóvel, com meus pés nas mãos, me olhando e esperando a próxima ordem.

—Agora as meias. Ainda mais devagar.

Ele começou a descer o elástico da primeira, enrolando-a centímetro por centímetro com uma paciência deliberada que me mostrava que ele entendia perfeitamente o jogo. E quando a tirou, o cheiro veio junto: concentrado, quente, com aquela intensidade que se constrói durante horas de movimento e confinamento. Não era desagradável. Era exatamente o que a gente havia construído juntos ao longo dos anos: algo que para qualquer outra pessoa não significaria nada, mas para ele era como abrir uma coisa que lhe pertencia.

Ele fechou os olhos. Inspirou fundo. Levou a meia ao rosto e afundou o nariz na planta, na parte que tinha ficado apertada contra o arco o dia inteiro. A respiração dele se entrecortou.

—Meu Deus —murmurou—. Meu Deus, Marina, que cheiro.

—É —disse—. O dia todo. Só para você.

—Já estou molhando, olha.

Baixei o olhar: a ponta da rola estava marcada contra a cueca boxer, com uma mancha escura de líquido pré-gozo crescendo no tecido. Sorri.

—Depois.

Levei o pé até o rosto dele e deixei que se apoiasse contra o nariz, contra a boca entreaberta. Passei o arco devagar dos calcanhares até os dedos, e ouvi a respiração dele se cortar e se recompor. Ele pôs a língua para fora sem que eu pedisse e lambeu meu calcanhar, subiu pela borda do pé, enfiou a ponta do dedão na boca e chupou com fome, com os olhos fechados, gemendo baixinho como se estivessem fazendo algo com ele.

—O outro.

Ele tirou a segunda meia com mais urgência. Pousei a mão na cabeça dele.

—Devagar.

Obedeceu.

Com os dois pés descobertos, fiz ele recuar um pouco e me deitei na cama. Pele macia, arco pronunciado, unhas pintadas de borgonha escuro que eu tinha feito três dias antes da viagem pensando exatamente nesse momento. Ligeiramente úmidos ainda pelo confinamento do dia. Ele os olhava com uma atenção que é difícil descrever: não era só excitação, era algo mais parecido com reverência, com a concentração total de alguém que finalmente tem diante de si o que esperou tanto tempo para ter.

—Massageia —pedi—. Com as duas mãos. Começa pelas plantas.

Ele começou a trabalhar com os polegares nos arcos, pressionando em círculos do calcanhar até a base dos dedos. Gemei de verdade, porque treze quilômetros sobre paralelepípedos florentinos cobram dos músculos de um jeito bem concreto, e as mãos dele naquele momento eram exatamente o que eu precisava. Mas não era só isso. Era o quadro inteiro: ele ajoelhado diante de mim, obedecendo cada instrução, com toda a atenção voltada a me dar exatamente o que eu pedia.

—Os dorsos agora.

—Os tornozelos.

—Entre os dedos.

Cada instrução ele recebia e executava sem reclamar, sem pressa, sem pedir nada para si ainda. Eu gostava de vê-lo assim: contido, expectante, completamente concentrado nos meus pés, com a rola saltando entre as pernas a cada vez que respirava fundo.

Quando já fazia um bom tempo, eu o encarei.

—Agora chupa.

Ele começou pelo dedão, fechando os lábios com cuidado, usando a língua devagar. Depois foi um por um, tomando o seu tempo, lambendo a base, passando a língua entre eles. Saboreava o suor acumulado com aquela expressão de concentração intensa que me indica que ele está exatamente onde quer estar. Enfiou meus cinco dedos juntos na boca e os chupou como se estivesse me chupando a rola, com as bochechas fundas e a língua trabalhando entre eles.

—Toda a planta agora. Passa a língua de baixo para cima.

Ele fez. Uma vez, duas, três. Quatro. Eu tinha uma mão no cabelo dele e o guiava sem apertar demais, só marcando o ritmo. Apertei um pouco mais quando quis que ele demorasse no arco, soltei o cabelo quando quis que ele subisse até os dedos de novo. Passei a planta por todo o rosto dele, pela testa, pelas bochechas, pela boca aberta. Apoiei os dedos na língua dele e deixei ali um tempo, vendo como engolia em volta deles, como respirava pelo nariz porque eu tinha a boca dele ocupada.

—Sentiu falta deles? —perguntei baixinho.

Ele assentiu com os pés na boca, incapaz de responder com palavras.

—Fala.

Ele tirou só o suficiente para falar.

—Senti pra caralho. Dez meses pensando nisso toda noite.

—Agora você tem. Chupa.

Ele voltou a enfiá-los na boca.

Cinco anos e ainda a mesma coisa. Cinco anos e ele ainda se ajoelha assim, sem que eu precise insistir ou negociar.

Me ergui um pouco.

—Tira a roupa e deita de barriga para cima.

Ele tirou tudo com rapidez, quase arrancando a cueca boxer. Se jogou na cama. Eu me sentei aos pés da cama e observei o que o dia inteiro de antecipação e trinta minutos de obediência tinham produzido: completamente ereto, tenso, a rola apontando para o umbigo, vermelha na ponta, com uma gota brilhante pendurada e molhando a pele do abdômen. Os ovos apertados, erguidos contra o corpo. A rola inteira pulsando com o pulso.

Apoiei uma planta no peito primeiro, só para sentir como ele respirava. Desci devagar, deixando marca sobre o esterno, e arrastei o pé pelo ventre até que o calcanhar roçasse a ponta da rola. Ele se arrepiou por inteiro.

—Nem pense em tocar em si mesmo —avisei.

—Não —disse, com a voz rouca—. Não.

Baixei o outro pé. Envolvi a rola com os dois, um de cada lado, fazendo pressão nas duas direções. A rola desapareceu entre meus arcos, dura e quente, pulsando contra a pele macia das plantas. Comecei a movê-los num ritmo lento, deslizando de cima para baixo, sentindo o líquido pré-gozo me molhar os pés e facilitar o movimento.

—Não goza ainda —disse—. Me avisa quando estiver perto.

Ele assentiu, com os olhos semicerrados e as mãos agarradas aos lençóis como se precisasse de algo para se segurar. Um gemido longo escapou dele quando apertei um pouco mais os pés contra os lados da rola.

—Marina, pelo amor de Deus.

—Cala a boca e olha.

Passei as plantas por todo o comprimento, devagar no começo, depois com mais pressão e firmeza. Acariciei a ponta com o dedão do pé, sentindo como ele inchava ainda mais cada vez que eu pressionava. Desci até os ovos e os envolvi com um pé enquanto com o outro continuava subindo e descendo pelo tronco. Apertava e soltava, variava o ritmo de propósito para que ele não chegasse antes da hora. Cada vez que o via ranger os dentes, afrouxava. Cada vez que o via relaxar, aumentava a velocidade.

—Estou perto —ofegou poucos minutos depois.

Parei de repente. Deixei a rola dele pulsando no ar, latejando sozinha sem nada que a tocasse. Ele se contorceu.

—Não, não, não…

—Sim —disse—. Ainda não.

Esperei até a respiração dele se acalmar um pouco. Depois apoiei de novo as plantas contra os lados da rola e recomecei, devagar, apertando com força. Fiz isso mais três vezes: levá-lo à beira, deixá-lo pendurado, esperar, começar de novo. Cada vez mais vermelho, mais brilhante, com os ovos mais tensos. Cada vez custava mais conter-se.

—Olha para mim —disse.

Ele abriu os olhos. Me olhou.

—Assim. Sem fechar.

Continuei me movendo, sem perder o contato visual. Enfiei os dedos de um pé na boca dele enquanto com o outro mantinha o ritmo ao redor da rola.

—Chupa —disse—. E continua me olhando.

Obedeceu: lábios fechados em torno dos meus dedos, língua se movendo entre eles, olhos fixos nos meus. A língua dele se mexia com desespero entre meus dedos, chupava com as bochechas fundas, e eu sentia o gemido vibrar na garganta dele cada vez que eu apertava mais forte o pé contra a rola. Assim por um tempo que eu não soube dizer quanto durou porque eu tinha parado de medir.

Senti como ele ficava mais tenso, como a respiração se tornava mais curta e menos controlada, como as coxas começavam a tremer.

—Estou… —ofegou em volta dos meus dedos—. Marina, não aguento.

—Agora sim —disse, quando vi que ele já não aguentava mais—. Goza. Nos meus pés. Tudo.

Apertei os pés com mais força ao redor da rola e acelerei o ritmo. Ele se enrijeceu dos ombros até as plantas, fechou os olhos por um segundo apesar da ordem, e então gozou com a força acumulada de todo o dia e de três cortes seguidos: o primeiro jato saltou até o peito, quente e espesso, e os seguintes caíram um após o outro sobre as plantas, entre os dedos, sobre as unhas borgonha que eu tinha preparado três dias antes pensando exatamente nesse momento. Ele gozou muito. O gozo continuou saindo em jorros enquanto ele tremia e gemia sem parar, com a rola latejando entre meus pés, até que a última gota escapou e escorreu pelo tronco. Fiquei imóvel, sentindo o sêmen quente escorrer entre os dedos, vendo como se acumulava nas cutículas, como se grudava na pele do arco.

—Abre os olhos —disse, quando a respiração dele começou a se acalmar.

Ele abriu.

—Olha o que você fez.

Ergui um pé para que ele visse. As plantas estavam cobertas, escorrendo, com o gozo escorrendo pelas laterais do calcanhar. Ele olhou com aquela expressão de depois, aquela mistura de satisfação plena e algo que se parece muito com gratidão.

—Agora limpa —disse.

Ele se ergueu de joelhos e baixou a cabeça sem hesitar. Passou a língua por toda a planta, recolhendo o próprio gozo, engolindo sem fazer caretas. Chupou cada dedo um por um, enfiou os cinco juntos na boca para levar o que havia se acumulado nas bases, lambeu meu arco de cima a baixo até deixá-lo brilhando de saliva em vez de sêmen. Eu o observava trabalhar sem dizer nada, com a outra planta apoiada contra sua bochecha, vendo-o engolir uma e outra vez.

—O outro também.

Ele trocou de pé. Fez o mesmo com a outra planta: língua inteira, dedo por dedo, a cutícula onde tinham ficado gotas presas contra o borgonha das unhas. Deixou impecável.

—Bom menino —disse, passando os dedos pelo cabelo dele—. Muito bom menino.

***

Depois ficamos um tempo em silêncio, eu apoiada no peito dele, ele com uma mão no meu cabelo. O quarto cheirava aos dois misturados.

—Rodrigo —disse, depois de um longo momento.

—Hm.

—Ainda temos duas semanas. E depois mais quatro meses de distância.

Senti ele apertar um pouco mais.

—Eu sei.

—Quero gravar uma coisa para você antes de a gente se separar. Para você ter quando sentir minha falta.

Ele ergueu a cabeça e me olhou com aquela mistura de amor e curiosidade que me derrete há anos.

—Que coisa?

—Pega o celular —disse—. E filma.

Ele esticou o braço até a mesinha de cabeceira, pegou o telefone e abriu a câmera. A luz baixa do quarto era suficiente para mostrar tudo bem.

Sentei diante da câmera, encarei diretamente a lente e comecei. Devagar, com os pés ainda brilhando com a saliva dele e com algum resto de sêmen que havia escapado do resgate, aproximei um pé da boca. Coloquei a língua para fora e passei a ponta pela planta lentamente, saboreando o que tinha sobrado, sentindo o gosto salgado do gozo dele misturado ao sabor da minha própria pele. Chupei o arco inteiro, fechei os lábios em torno de um dedo e o chupei como se fosse uma rola pequena, com a língua girando na ponta e as bochechas fundas. Depois fui para o seguinte. Um por um, sem pressa, olhando para a câmera o tempo todo. O que restava no arco eu recolhi com os dedos da mão e levei à boca também, chupando os dedos com a mesma calma com que ele tinha chupado meus pés.

—Isso é para você —disse baixinho, com a voz ainda rouca—. Para os meses que vêm. Para quando sentir minha falta. Para quando estiver sozinho na cama, do outro lado do hemisfério, com a mão na pica pensando em mim.

Mostrei a língua para a câmera, com o pouco que restava brilhando sobre ela. Fechei a boca e engoli devagar, sem deixar de olhar para a lente.

—Tudo seu.

Fiz um sinal. Ele encerrou a gravação.

Nos jogamos os dois na cama. Ele me abraçou forte, com o rosto enterrado no meu cabelo. Acariciei o braço dele em silêncio.

—Faltam duas semanas —repetiu ele, em voz bem baixa.

—Sim —disse—. E ainda tem coisas que eu quero fazer antes de voltar.

Ele se afastou um pouco para me olhar.

—Que coisas?

Beijei-o devagar e sussurrei contra os lábios dele o que eu tinha guardado para o final da noite: que eu queria ele dentro de mim, que fazia dez meses que eu não transava com ele pessoalmente, que queria senti-lo até o fundo enquanto mordia meu pescoço, que depois queria que me virasse e me comesse por trás com as mãos apertando minhas ancas, que ele ia gozar dentro de mim as vezes que fossem necessárias até esvaziar os ovos, e que na manhã seguinte, se ainda tivesse vontade, íamos repetir tudo com as meias do dia seguinte.

Ele riu baixinho, com o calor da respiração na minha boca. Já estava duro outra vez. Senti contra minha coxa enquanto me abraçava.

—A noite toda é nossa —disse.

—Exatamente —respondi, subindo em cima dele e sentindo como se encaixava entre minhas pernas—. Por isso eu não tenho pressa.

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