Enterrei meu marido e o jardineiro ainda estava na casa
Abri a porta esperando cheiro de mofo e abandono. A casa cheirava a café recém-feito e a homem. E ele estava lá, servindo uma xícara como se fosse o dono.
Abri a porta esperando cheiro de mofo e abandono. A casa cheirava a café recém-feito e a homem. E ele estava lá, servindo uma xícara como se fosse o dono.
Prometi ao meu amigo que não tocaria na irmã dele. O que não disse é que a melhor amiga dela se sentava ao meu lado em cada aula, perto demais para eu me concentrar nos números.
Eu já fazia massagens em desconhecidos havia anos, mas nenhum tinha me feito tremer assim sobre a maca, esperando que fosse ele a implorar primeiro.
Saí do banheiro com o biquíni meio desabotoado e ele estava ali, secando o cabelo. Ficamos congelados. O que aconteceu depois ainda me faz sorrir.
Quando minha mãe abriu a porta e vi quem entrava para jantar, meu sangue gelou: era o homem com quem eu me deitava escondido havia dois meses.
Entrei no quarto vestida de mímica, com uma gabardine sobre a lingerie e a certeza de que aquela noite faria algo de que nunca me arrependeria.
Eu vinha há semanas ouvindo minhas amigas dizerem que eu precisava me soltar. Naquele sábado, depois do segundo vinho, decidi que seria eu a marcar o ritmo.
Todos na clínica achavam que ele era louco. No corredor escuro, ele me agarrou pelo braço e disse que eu era a rainha de que o reino dele precisava.
Abri a caixa na frente dele porque lá dentro vinha a desculpa perfeita. O que eu não esperava era que o vizinho se atrevesse tanto — nem que eu deixasse.
Ele andava meses imaginando as mãos dele, o perfume, a voz. Nunca pensou que uma tempestade bastaria para fazê-los parar de fingir que não se desejavam.
Aquele pau que a deixou trêmula no sábado pertencia ao homem que, na segunda, assinaria suas avaliações. E nenhum dos dois pensava em parar.
Nunca conheci meu avô, mas a última vontade dele me amarrou a uma mulher que eu não esperava e a uma casa onde tudo acabou mudando.
Acordei com cheiro de café e soube que aqueles dois dias trancado com ela, enquanto chovia lá fora, iam ficar gravados em mim para sempre.
Quando ela me disse que fazia anos que não sentia prazer no sexo, o normal teria sido me despedir. Em vez disso, levei a mão à perna dela e ela não a afastou.
Daniel dormia no banco da frente enquanto, a um metro, o tio e a namorada dividiam o beliche estreito do caminhão. E Noelia já não queria dormir.
Eu sempre o evitava por ser quieto e estranho. Até que um empurrão no metrô me fez descobrir o que ele escondia sob aquelas roupas enormes, e eu não consegui pensar em mais nada.
Quando ele ficou para praticar algumas posturas, notei o jeito como me olhava. Eu estava há meses sem um parceiro e meu corpo decidiu por mim muito antes da minha cabeça.
A gente se cruzava por acaso havia trinta anos. Naquela tarde chuvosa, na fila da farmácia, ela me olhou de um jeito diferente. E eu também.
Por fora eu era a namorada perfeita, a que apaga a luz e geme baixinho. Nessa madrugada voltei da pista incendiada e decidi que não ia mais fingir.
Subi para ver por que a moça do quarto do fundo estava gritando. Não imaginei que ela fosse soltar a toalha e me pedir para olhar, como se fosse a coisa mais natural do mundo.