O que imagino quando um desconhecido se senta ao meu lado
Há meses eu repito a mesma cena na minha cabeça durante a volta para casa. Hoje, quando o assento ao lado foi ocupado, quase perdi o fôlego.
Há meses eu repito a mesma cena na minha cabeça durante a volta para casa. Hoje, quando o assento ao lado foi ocupado, quase perdi o fôlego.
Cheguei em casa, joguei os saltos pelo ar e deixei minha imaginação fazer o que eu jamais me atreveria a fazer no escritório.
Há um banheiro que ninguém usa no fundo do estacionamento. Há dias imagino você ali, contra o espelho, enquanto sussurro tudo o que penso fazer com você.
A loja estava fechada e ela tinha a manhã livre. O motorista percebeu antes dela, e aquele sorriso no espelho fez ela pensar coisas que não devia.
Compartilhávamos corredor, elevador e cafeteira, mas nunca uma palavra de verdade. Só o que cada um imaginava quando o outro virava as costas.
Tropecei na raiz e, antes de me levantar, ela já estava sobre mim. Sua pele fria roçou a minha e eu soube que aquela noite eu não sairia da floresta sendo o mesmo.
Convencido de que uma criatura tinha roubado sua fortuna, Damián a amarrou à perna da mesa. O que ele não esperava era que ela lhe oferecesse saldar a dívida com o próprio corpo.
Bastava usar um certo tom de voz e meu filho largava o controle; minha mulher se despia. Levei duas semanas para entender o que fazer com algo assim.
Ele abriu a porta sem olhar pelo olho mágico e reconheceu aquele sorriso de mil telas. Sua vizinha era ela. E acabara de lhe pedir um favor inocente demais.
Ela foi ao claro em busca de silêncio e encontrou tochas, corpos nus e dezenas de máscaras de cervo que a esperavam como se sempre soubessem que naquela noite ela voltaria.
Eu passava semanas imaginando uma noite assim, sem nomes nem promessas. O que eu não imaginei foi que ele estivesse me olhando do bar como se já soubesse de tudo.
Eram três da manhã, a casa em silêncio, e eu com o celular colado ao peito esperando que aquela voz sem corpo me dissesse, enfim, tudo o que eu vinha imaginando havia semanas.
Dei dois beijos nele na frente da mãe dele e, sem que ninguém percebesse, decidi entrar no jogo até onde nenhum de nós imaginava chegar naquela manhã.
Vi-o me olhar pelo reflexo no espelho do elevador e algo se acendeu. Nessa noite soube que eu não queria só que ele me olhasse: queria que ele visse absolutamente tudo.
Nunca tinha contado a ninguém que meu corpo não respondia. Confessei isso a ela, a amiga da minha mãe, sem imaginar que acabaria me ensinando tudo o que me faltava.
Sou tímida com quase todo mundo, menos com meu marido. Por isso me surpreendi tanto ao desejar aquela desconhecida que se sentou na minha frente, como se me esperasse havia meses.
Esperava um marido mirrado para desprezar. Quando o rei se inclinou para beijar-lhe a mão, a ponta da língua roçou sua pele e ela soube que havia se enganado.
Ela me mandou tirar a roupa na sala e começar a varrer. Naquela tarde eu era só o brinquedo dela, e cada palmada na bunda me lembrava quem mandava.
Chegou ao covil reduzido a pouco mais que um esqueleto acorrentado. A loba prometeu ensinar-lhe o que significava servi-la... e ele aprendeu melhor do que ela esperava.
Sabia que aquela blusa o deixaria nervoso. O que não imaginei é até onde eu estaria disposta a levá-lo naquela tarde, com o apartamento vazio e a porta fechada.