Reconheci minha professora num bar vinte anos depois
Reconheci-a no fundo do bar e meu coração deu um salto: era ela, a professora que roubou meu sono quando eu era criança. E dessa vez eu já não era aquele menino.
Reconheci-a no fundo do bar e meu coração deu um salto: era ela, a professora que roubou meu sono quando eu era criança. E dessa vez eu já não era aquele menino.
Pedi trabalho de garçom num clube à beira da estrada. Três semanas depois, servia copas de tanga, salto alto e um nome novo: Adriana.
Paguei a entrada, procurei a cabine do fundo e achei que seria só um minuto. Então ouvi aquela voz grave perguntando se tinha alguém do outro lado da parede.
Aceitei o jogo só por uma noite: um vestido, uma peruca e um nome que não era o meu. Jamais imaginei que a garota do espelho me devolveria o olhar como se me esperasse.
Marcos achava que comandava o jogo. A esposa dele me olhou por cima do ombro, deixou a toalha cair e eu entendi que a única regra era a dela.
Disse que ele tinha esquecido uma camiseta só para tê-lo na minha cama. O que ele descobriu naquela noite não se parecia em nada com a esposa que deixou.
Ela veio pedir a impressora e acabou olhando para a tela com uma pergunta na ponta da língua que mudou tudo entre nós.
Subi para segurar a escada sem imaginar o que encontraria ao levantar o olhar. Naquela tarde, no depósito, aprendi quem mandava de verdade.
Eu disse que tudo seria adiantado. Ele sorriu, transferiu metade e me marcou num apartamento onde ninguém faria perguntas. Eu subi pronta para cobrar cada minuto.
Meus seios sempre foram minha arma secreta, e naquela sexta, com o escritório vazio, decidi usá-los para conseguir dele o que eu realmente queria.
Tínhamos pulado o gradil de uma chácara vazia. Ele marcava meu ritmo com a mão na minha nuca e eu me deixei levar sem pensar em mais nada.
Eu o observava da varanda havia dias, fingindo que não. Naquela tarde de calor, decidi parar de fingir e desci com um copo de limonada na mão.
Eram seis da manhã, eu ainda estava com o vestido de noiva e meu marido roncava inconsciente lá em cima. O garçom ainda não tinha ido embora, e eu já não pensava em dormir.
Acordo cedo para ter a academia só para mim. Mas, há três semanas, existe um motivo muito melhor para chegar antes de todo mundo: ele, e aquele sorriso de escândalo.
Aos quarenta e nove anos, eu achava que já tinha visto de tudo, até que aquele desconhecido encharcado tirou a camiseta no meu quintal e eu soube que a tarde não terminaria com jardinagem.
Tinha vinte e sete anos, uma namorada e uma vida regrada. Então aquele vizinho o olhou no ônibus como se soubesse algo que Tobías ainda não ousava nomear.
Cheguei à casa dela uma hora antes do jantar e a encontrei nua diante do espelho, em dúvida entre dois vestidos e prestes a mudar tudo.
Ele me pediu que segurasse umas ferramentas de cócoras. Eu sabia perfeitamente o que ele estava fazendo, e mesmo assim não me levantei.
Desliguei o motor no canto mais escuro do posto, retoquei os lábios no retrovisor e soube que naquela noite eu não iria embora sozinha.
Ela me pegou olhando para ela enquanto folheava um Cortázar. Sustentou o olhar por três segundos, sorriu de lado e eu soube que aquela tarde na livraria não terminaria entre livros.