Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

A noite em que cruzei a linha no posto de gasolina

O motor ainda vibrava sob minhas mãos quando desliguei a ignição no canto mais afastado do posto de gasolina. Já passava da meia-noite e aquele canto, longe das bombas e da lanchonete, ficava a salvo das câmeras e dos olhares decentes. A única luminária funcionando derramava uma luz amarela e doente sobre o asfalto molhado, desenhando sombras longas que transformavam o lugar num cenário apartado do mundo.

Fiquei um instante em silêncio, ouvindo o zumbido distante da rodovia. O cheiro de gasolina e borracha quente entrava pela janela entreaberta e se misturava ao meu próprio perfume, denso e adocicado. Eu não tinha ido até ali por acaso. Havia semanas imaginando essa cena, rolando na cama com a mão enfiada entre as coxas, gozando sozinha pensando em picas anônimas, e agora que a tinha diante de mim o coração me batia como se fosse sair do peito. Já sentia a buceta úmida, escorregadia, pedindo guerra.

Baixei o espelho retrovisor e me olhei. Os lábios pintados de um vermelho profundo, o delineado perfeito, a peruca escura caindo sobre os ombros como eu havia ensaiado durante horas. Passei a pontinha do dedo mínimo em um cílio e sorri para o meu reflexo. Aquela mulher que me devolvia o olhar não era tímida nem pedia licença: era eu, Bianca, na versão mais livre e atrevida de mim mesma. Uma safada faminta, pronta para engolir o que quer que me dessem.

Saí do carro com cuidado para não torcer o tornozelo. O vestido preto e justo me abraçava cada curva que tanto me custou construir, marcando os peitos túrgidos sob o tecido fino, e as meias brilhavam de leve sob a luz suja da luminária. Por baixo eu não usava calcinha: queria sentir o ar frio subindo pelas coxas, roçando minha buceta depilada. O salto tilintava no asfalto com um eco que me arrepiava. Cada passo era um desafio, um convite silencioso lançado à escuridão.

Que venha alguém, pensei. Que alguém me olhe de verdade. Que alguém me foda sem perguntar meu nome.

Apoiei o quadril na porta do carro e deixei o frio da lataria subir pela minha coxa. Não tinha pressa. Eu tinha aprendido que a espera fazia parte do jogo, que a antecipação tinha seu próprio sabor, espesso e elétrico, e que desfrutá-la sozinha, sabendo-me observada pela escuridão, já era um prazer em si mesmo. Acendi um cigarro só para ter o que fazer com as mãos e o deixei consumir entre os dedos sem quase fumar. Com a outra mão, alisei distraída a barra do vestido, erguendo-a apenas um pouco, deixando a luz suja acariciar minha coxa.

Os caminhões estacionados ao fundo eram volumes negros com as luzes de posição vermelhas ainda acesas. Em alguma daquelas cabines havia um homem desperto, olhando, decidindo-se, provavelmente já com a pau dura na mão. Eu sentia no ar, aquela tensão muda de alguém calculando se tinha coragem. Soltei a fumaça devagar na direção da luminária e esperei a noite tomar sua decisão por mim.

Não demorou muito. Da fila de caminhões estacionados ao fundo, onde os motores dormiam ainda mornos, desprendeu-se uma sombra larga. Um homem grande, de barba desgrenhada e camisa aberta, se aproximou com passo firme, sem pressa, como quem sabe o que procura e sabe também que vai conseguir.

— Bonita noite para se perder — disse, parando a um palmo de mim.

— Eu não estou perdida — respondi, sustentando seu olhar —. Estou exatamente onde quero estar.

Seus olhos me percorreram inteira, dos saltos à boca, sem disfarce. Ele cheirava a tabaco e couro, e quando suas mãos se fecharam sobre meus quadris não pediu permissão nem precisava. Me apertou contra ele, marcando território, e eu arqueei as costas e deixei escapar um suspiro que não fingi. O volume duro da sua pica me cravava no ventre através da calça, grosso, promissor, e sem pensar desci a mão e apertei por cima do tecido. Um gemido escapou de mim ao sentir o tamanho.

— Então você sabia a que veio — murmurou perto do meu ouvido, com a voz rouca.

— Sabia perfeitamente — respondi —. E eu quero toda ela.

Mordi o lóbulo da orelha dele enquanto desabotoava o botão da calça. Meti a mão dentro da cueca boxer e a envolvi: quente, dura, pesada, com as veias marcadas contra a minha palma. Comecei a masturbar ali mesmo, com as costas ainda coladas no carro, tirando-a aos poucos para o ar da madrugada. Ele ergueu meu vestido até a cintura e encontrou a surpresa: a buceta nua, encharcada, brilhando sob a luz amarela.

— Que puta — murmurou com um sorriso escuro, e me enfiou dois dedos de uma vez.

Gemido sem disfarce. Seus dedos grossos me preenchiam, arrancavam de mim um som úmido, obsceno, e com o polegar ele apertava o clitóris inchado. Eu empurrava o quadril contra a mão dele enquanto continuava a masturbá-lo, lambuzando os dedos com o líquido claro que jorrava da ponta. Levei a mão à boca e chupei o que tinha arrancado dele, sem parar de encará-lo.

— Vamos ver a que você sabe — soltei.

Escorreguei devagar para baixo, sem desviar os olhos, até ficar de joelhos sobre o asfalto frio. O vestido subiu e as meias engancharam no chão áspero, mas eu não ligava. Desci a calça dele até as coxas e a pica saltou livre, grossa, pulsante, com os ovos pesados pendendo sob a luz suja. Dei uma lambida longa da base à ponta, saboreando o suor e o almíscar, e depois a enfiei inteira na boca. Sem ânsia, sem dúvidas, engolindo até a ponta me bater na garganta.

— Porra… assim, não para — rosnou, jogando a cabeça para trás.

Eu não parei. Tirei-a escorrendo saliva, cuspi sobre a glande e voltei a engolir até o fundo. Chupei os ovos um por um enquanto continuava a masturbá-lo com a mão, depois voltei à ponta, apertando-a contra o céu da boca e brincando com a língua. Babeei a pica dele até ela brilhar inteira sob a luminária, saliva pendendo do meu queixo e pingando sobre meus peitos pelo decote. Acelerei, alternei a profundidade com carícias da língua, desfrutando do poder que tinha sobre aquele homem enorme que minutos antes nem me conhecia. Com a outra mão, enfiei dois dedos na buceta e me fodi no mesmo ritmo em que o chupava. Cada estremecimento dele era uma vitória minha. Minha respiração se misturava aos seus suspiros, e a noite inteira parecia prender o fôlego ao nosso redor.

Ele me ergueu pelos cotovelos antes que eu perdesse o controle e me virou com um movimento brusco. Minhas costas ficaram contra a luminária, o frio do metal atravessando o vestido, e ele se colou atrás de mim. Ergueu o tecido até a cintura sem a menor delicadeza, cuspiu na mão e a passou pela pica para lubrificá-la ainda mais, e eu apoiei as palmas no poste de ferro, afastando os pés o quanto os saltos permitiam e arqueando o cu para trás para oferecê-lo.

— Aguenta — disse.

Esfregou a glande para cima e para baixo pelos meus lábios encharcados, passeou pelo clitóris até me fazer tremer, e quando eu já não podia mais se afundou de uma vez até o fundo. Gritei. A pica me abria, me preenchia, me batia no útero, e eu mordi o lábio para não uivar. Entrou devagar da segunda vez, abrindo caminho com uma mistura de força e paciência que me arrancou um gemido longo do fundo do peito. Depois marcou um ritmo perfeito, profundo, cada investida me empurrando contra o metal gelado com um chapinhar úmido entre as coxas. Os ovos dele batiam ritmados no meu clitóris. Minhas pernas tremiam, meus quadris iam ao encontro dele pedindo mais, e as mãos firmes me seguravam pela cintura como se tivesse medo de eu sair voando. Eu cravava os dedos no ferro e jogava a cabeça para trás, perdida.

— Mais forte — supliquei —. Me arrebenta, porra.

Ele me agarrou pelos cabelos, puxou minha peruca para trás e acelerou. Agora sim me fodendo de verdade, como uma cachorra contra o poste, e eu gemia sem vergonha, sentindo a buceta se contrair ao redor da pica dele, sentindo a primeira gozada subir dos pés. Gozei na verga dele com um grito que rebateu nas cabines dos caminhões, tremendo inteira, amolecendo os joelhos.

— Não cala a boca — ele ordenou, e eu não calei.

***

Foi então que o senti. Outra presença na borda da sombra, uma respiração contida. O segundo homem vinha observando desde o início, encostado na cabine do caminhão dele, batendo uma na sacanagem enquanto nos via, e já não aguentava mais. Saiu da penumbra com a pica já fora da calça na mão, mais fina que a do outro, mas longa e muito dura, os olhos acesos, e se plantou diante de mim enquanto o primeiro continuava se movendo atrás.

— Incomoda? — perguntou ele, embora soubesse a resposta.

— Pelo contrário — ofeguei —. Mete na minha boca.

Era mais jovem, mais nervoso, e isso me agradou ainda mais. Abri a boca o máximo que pude e o recebi sem hesitar, presa entre os dois corpos, o calor de um me empurrando para o outro. Ele me enrabava o rosto ao mesmo tempo em que o de trás me enrabava a buceta, e por alguns segundos eu fui só um corpo atravessado por duas picas, sacudida no ritmo duplo daqueles dois desconhecidos. Eu alternava língua, carícias e mão, chupava, cuspia, deixava me foderem a garganta até fazer o rímel me escorrer em lágrimas. A combinação de sensações — um atrás marcando o compasso, o outro na frente tremendo contra meu paladar — era tão avassaladora que eu mal conseguia pensar. Só existiam o frio do metal, o calor da carne, o gosto salgado na língua e minha própria buceta transbordando, escorrendo pelas coxas.

O mais novo tirou a pica da minha boca e cuspiu nos meus peitos pelo decote; depois arrancou o vestido para baixo de um puxão, deixando-os expostos. Abaixou-se e chupou meus mamilos duros, mordendo-os, enquanto o outro continuava me perfurando por trás. Depois se ajoelhou e lambeu meu clitóris ali mesmo, com a pica do outro ainda enterrada até o fundo, saboreando meus fluidos misturados. Levei as mãos à cabeça, tremendo, e gozei outra vez, sobre a língua dele, com um uivo longo.

Os dois me usavam e eu os usava. Não havia nomes, não havia histórias, não havia nada além daquele círculo amarelo de luz suja onde três desconhecidos havíamos decidido, sem falar, perder a vergonha ao mesmo tempo. Eu me sentia poderosa e entregue ao mesmo tempo, dona da cena que eu mesma tinha vindo procurar. Trocaram de posição sem perguntar: o mais jovem se deitou de costas sobre o capô do meu carro e eu subi em cima, me empalando na pica dele com um gemido gutural enquanto o mais velho se posicionava atrás e me metia de novo na boca. Eu os cavalgava ao mesmo tempo, subindo e descendo sobre um, engolindo o outro até a campainha, com saliva e porra pré-gozo escorrendo do meu queixo.

O de trás acelerou. Percebi pelo jeito como me cravava os dedos, pelo modo como a respiração dele virou um bufar entrecortado. Ele tirou a pica da minha boca, deu a volta no capô, afastou o mais jovem e voltou a me enterrar por trás. Segurou meus quadris com as duas mãos, mergulhou até o fundo e se entregou com um rosnado abafado, o corpo inteiro estremecendo contra o meu, despejando-se dentro de mim em investidas cada vez mais lentas até se esvaziar por completo. Eu gemi com ele, arqueada, sentindo cada jato quente bater lá dentro, a porra transbordando e escorrendo pelas minhas coxas.

Quase sem pausa, o mais jovem me agarrou pela nuca e baixou meu rosto até sua pica. Masturbou-a com as duas mãos contra minha língua para fora e mal teve tempo de avisar antes de gozar. A primeira porra caiu dentro da minha boca, espessa e salgada; a segunda salpicou meus lábios e minha bochecha; a terceira pendurou-se no meu queixo até pingar sobre meus peitos nus. Fechei os olhos, engoli o que tinha na língua e fiquei quieta, respirando fundo, com a buceta escorrendo a gozada do outro por dentro e o rosto pintado por este, ainda presa no pulsar da minha própria batida.

Nos separamos devagar, os três respirando com dificuldade. O silêncio que se seguiu tinha sua própria textura, carregada de adrenalina e de algo parecido com espanto. Eu me ergui apoiando-me na luminária, as pernas ainda inseguras sobre os saltos, sentindo a porra continuar escorrendo pela coxa.

Olhei para as minhas mãos. O vestido amassado e baixado até a cintura, os peitos expostos brilhando de saliva, as meias puídas numa coxa, o cabelo desgrenhado colando na minha testa úmida. Minha pele brilhava de suor e de porra sob a luz amarela, e o ar frio da madrugada me acariciava a nuca e me trazia aos poucos de volta ao mundo. Passei um dedo pela bochecha, juntei um fio de porra morna e levei à boca sem desviar os olhos do mais jovem. Depois tirei um lenço da pequena bolsa pendurada no meu pulso e limpei o rosto sem pressa, quase com ternura por mim mesma.

— Você é incrível — disse o mais jovem, ainda sem fôlego, me olhando como se não conseguisse acreditar.

Não respondi. Dei a ele um sorriso enviesado, o mesmo que havia ensaiado no retrovisor, e isso foi toda a resposta que ele merecia.

Um deles vestiu a calça de novo, resmungou algo parecido com uma despedida e foi em direção ao caminhão arrastando os pés, como quem volta de um sonho. O outro ficou. Encostou-se na luminária, acendeu um cigarro e a fumaça se enrolou na luz, misturando-se com a névoa que começava a subir do asfalto. Ele me observava em silêncio, aproveitando o momento, sem pedir mais nada.

— Você vem muito por aqui? — perguntou por fim, soltando a fumaça pelo canto da boca.

— Depende da noite — respondi, erguendo o vestido e ajeitando de novo os peitos dentro do tecido —. Depende da vontade.

Voltei para o carro sobre meus saltos, sentindo o olhar dele cravado no meu cu até o último passo, com a porra ainda pingando devagar por dentro da coxa. Sentei no volante, baixei outra vez o retrovisor e encontrei a mesma mulher de antes, só que agora havia algo diferente em seus olhos: uma satisfação serena, profunda, a certeza de ter feito exatamente o que desejava sem pedir perdão a ninguém.

Lá, no meio do estacionamento silencioso, enquanto o último motor diesel tossia e pegava ao fundo, me senti dona absoluta do meu prazer e da cena que eu havia imaginado e tornado real. A buceta ainda pulsava morna, encharcada de porra alheia e minha, a adrenalina levaria horas para baixar, e eu sabia disso. Dei partida no carro, acendi os faróis e entrei devagar na rodovia vazia, com um sorriso que não me deixaria até muito depois de deixar para trás aquela luminária amarela.

Ver todos os contos de Trans

Avalie este conto

Comentários(1)

LunaLectura

amei demais!! continua essa história por favor

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.