A viúva de quem sempre gostei voltou à minha vida
Na adolescência, eu me trancava para imaginar seus seios e seu cabelo negro-azeviche. Trinta anos depois, sua voz ao telefone me acendeu igualzinho.
Na adolescência, eu me trancava para imaginar seus seios e seu cabelo negro-azeviche. Trinta anos depois, sua voz ao telefone me acendeu igualzinho.
Pensei que seria um beijinho inocente, só para rir. Mas a boca dela ficou na minha tempo demais e eu soube que, naquela noite, não íamos dormir como amigas.
Ela ria das minhas piadas, tocava meu braço, e eu achava que já a tinha no papo. Não imaginei que seria ela quem tomaria o controle naquela noite no hotel.
Faziam duas semanas desde a derrota, e ela ainda não entendia como uma rival magra e provocante a havia colocado de joelhos. A irmã queria saber a verdade.
Minha tia baixou a voz ao me contar, naquela tarde na casa de Pilar: a porta ficou aberta de propósito, e ela não conseguiu desviar os olhos do que acontecia lá dentro.
Estava havia dois anos sem tocar em ninguém quando ela respondeu minha mensagem com uma única pergunta: «quando nos vemos?». Não imaginei como aquela noite terminaria.
A carioca se sentou entre eles como se a noite fosse dela. «Suaves ou dos que quebram?», perguntou. Nenhum dos dois imaginava o que ainda havia para descobrir.
Nunca tinha pensado em outra mulher assim, até que o jaleco branco dela roçou meu joelho e eu entendi que aquele exame não se pareceria com nenhum outro.
Noelia nos olhou por cima da taça de espumante e soltou a pergunta que ninguém esperava: como andava nossa vida sexual depois de tantos anos juntos?
Maquiei-me, escolhi o vestido preto mais justo e desci para o restaurante sabendo que aquela noite com o outro casal não terminaria à mesa.
Eles nos agradavam, nós agradávamos a eles, e a água morna fez o resto. O que veio depois nenhum dos quatro tinha planejado por completo.
Quando criamos o perfil, não queríamos sexo às cegas, e sim alguém que entendesse o nosso lance. Diego e Valeria nos escreveram uma noite, e tudo mudou.
“E não te importa que ela tenha pau?”, soltou o primo antes de nos apresentar. Respondi que primeiro queria conhecê-la. Na mesma noite, terminei de joelhos aos pés dela.
Abri os olhos com a cabeça prestes a explodir. Ao meu lado dormia uma mulher que não era só minha esposa, e eu não lembrava absolutamente nada de como tinha ido parar ali.
Pedi uma única coisa para a última noite: dançar. O que aconteceu depois, na cabine no fim do corredor, eu não contei a ninguém.
Chiara pedalava bem atrás dele em cada subida, e cada parada à sombra era uma nova desculpa para chegar mais perto do que o necessário.
Quando os trovões começaram a sacudir o prédio, eu soube que ela bateria na minha porta. O que eu não imaginava era que aquela noite terminaria na minha cama.
Cruzei a porta da suíte esperando encontrar uma mulher assustada. Não imaginei o que ela escondia sob aquela saia longa, nem a vontade com que pensava me mostrar.
Aceitei o desafio sem imaginar que a quinta foto me levaria a uma enseada deserta, diante de um desconhecido deitado sob o último raio de sol.
O e-mail não era uma consulta, era um desafio: uma foto, uma mulher que vencia o tempo e um marido disposto a me entregá-la. Só faltava ela dizer sim.