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Relatos Ardientes

A noite em que abrimos a porta para outro casal

Irene e eu estávamos juntos havia nove anos, nove anos de risadas, brigas bobas e aquele tipo de cumplicidade que só se constrói quando dois corpos aprendem a se reconhecer no escuro. Sabíamos o que o outro pensava antes mesmo de dizer. E, ainda assim, nos últimos meses, algo novo tinha se instalado entre nós.

Era um desejo diferente. Surgia nas conversas mais idiotas, nos olhares que duravam um segundo a mais, nos silêncios que de repente pesavam demais. A ideia nos rondava havia tempo: um terceiro, outro casal, uma noite sem regras. A fantasia nos acompanhava a todos os lugares, para a cama, para os passeios, para os copos de vinho que se arrastavam até a madrugada.

No começo era só um jogo. Dizíamos em tom de brincadeira, rindo, como quem tateia uma porta sem a intenção de abri-la. Mas com o tempo deixamos de rir. Numa noite, sentada de pernas cruzadas no sofá e com a taça apoiada no joelho, Irene me olhou com os olhos incendiados.

— E se a gente fizesse isso de verdade? — perguntou, com a voz calma, mas o pulso visível no pescoço.

Não me surpreendi com a pergunta. O que me surpreendeu foi que, ao ouvi-la em voz alta, tudo ganhasse um peso novo. Tinha deixado de ser fantasia para virar possibilidade.

E uma possibilidade assusta muito mais do que um sonho.

Começamos a conversar sobre isso com calma. Sobre o que nos atraía e o que não. Sobre os limites, o respeito, o que significava abrir uma fresta sem derrubar nada do que já tínhamos. Descobrimos que o simples fato de imaginar aquilo nos unia mais, que nos olhávamos com outros olhos, como se voltássemos a nos desejar pela primeira vez. Naquela noite não decidimos nada concreto, mas o ar ficou carregado de algo elétrico.

***

As noites seguintes viraram nosso pequeno ritual. Quando a casa ficava em silêncio, abríamos uma garrafa e o notebook. Não era preciso dizer nada; bastava um olhar para saber aonde iríamos.

No começo, só olhávamos. Fóruns, blogs, casais contando suas experiências sem pudor. Irene lia alguns trechos em voz baixa e às vezes ria, com aquela mistura de surpresa e malícia que me desarmava.

— Será que o povo realmente conta tudo isso? — me perguntou uma noite, com uma sobrancelha erguida.

— Imagino que, quando se sentem livres, sim — respondi, sem desviar os olhos da tela.

— E você? — ela provocou, se aproximando um pouco. — Se sentiria livre contando algo assim?

— Com você... sim.

Ficamos em silêncio por alguns segundos. Era aquele tipo de silêncio que não incomoda, que em vez de esfriar o ambiente o esquenta.

Com o tempo, nos atrevemos a mais. Criamos um perfil simples, sem mostrar demais, só algumas linhas honestas: “Um casal que busca descobrir sem perder o que já tem”. Gostei de como soava. As primeiras conversas vieram logo. Gente simpática, curiosa, que nos contava suas histórias. Respondíamos com cautela, mas cada mensagem nos aproximava um pouco mais, nos tornava cúmplices de um segredo que era só nosso.

Numa noite, enquanto eu fechava o computador, Irene ficou me olhando.

— Você percebe o quanto chegamos longe? — disse quase num sussurro.

— Sim. E como isso é bom — respondi.

— Acho que estamos prontos, Mateo.

A forma como ela pronunciou meu nome me deixou sem palavras. Só consegui pegar a mão dela e sentir seu pulso, rápido, igual ao meu.

Nessa mesma noite, comemoramos à nossa maneira. Beijei-a como se fosse a primeira vez, mas com a fome de quem conhece cada centímetro e, ainda assim, descobre algo novo. Mordi seu lábio até fazê-la gemer, e Irene subiu em mim de pernas abertas, com a saia ainda vestida, esfregando a xana no volume que já empurrava dentro da minha calça jeans. Arranquei a blusa dela de uma vez e ela riu com aquela risada rouca que lhe escapa quando está molhada. Os seios ficaram livres, os mamilos duros e escuros, e eu me atirei a chupá-los um depois do outro, mordendo-os com os dentes até ela arquear as costas e soltar um longo suspiro ofegante.

— Me fode, Mateo — ela pediu ao meu ouvido, com a voz trêmula. — Me fode como se fôssemos outros.

Eu a deitei de costas e arranquei a calcinha dela com dois dedos. Sua xana estava encharcada, brilhante, a carne rosada pulsando de vontade. Abri suas pernas até deixá-la completamente exposta e mergulhei de cabeça entre suas coxas. Lambei devagar primeiro, saboreando cada dobra, e depois com mais fome, chupando seu clitóris até suas pernas tremerem e ela cravar os calcanhares nas minhas costas. Introduzi dois dedos dentro dela enquanto continuava a chupá-la, e senti sua xana me apertar, como ela se retorcia sob mim gritando meu nome.

— Não para, porra, não para…

Ela gozou na minha boca, com um espasmo longo que sacudiu o corpo inteiro. Levantei o rosto molhado da sua gozada e limpei-o com o dorso da mão, olhando para ela com um sorriso. Ela se ergueu, ofegante, e me empurrou até eu ficar sentado na cama. Ajoelhou-se entre minhas pernas e tirou meu pau da calça com fome real, segurou-o com as duas mãos e o enfiou inteiro na boca, engolindo-o até a garganta. Chupou com aquela forma sua de me olhar de baixo, com os olhos úmidos e os lábios esticados ao redor do meu cacete, e eu precisei segurar seu cabelo para não gozar cedo demais.

— Vem aqui — eu disse, puxando-a para cima.

Eu a sentei em cima de mim e ela mesma guiou meu pau até sua xana. Desceu inteira de uma vez, com um gemido que lhe saiu do ventre, e começou a cavalgar em mim sem piedade, apoiando-se nos meus ombros enquanto eu devorava seus seios. Agarrei sua bunda com as duas mãos, apertando, e marquei o ritmo cada vez mais forte. Cada investida fazia seus quadris baterem contra os meus, e seus suspiros ofegantes ricocheteavam no teto. Eu a deitei de bruços, levantei sua bunda e a fodi por trás, enterrando-a até o fundo. Dei uma palmada na nádega dela e ela gritou pedindo mais. Puxei seu cabelo com a outra mão, obrigando-a a arquear o corpo, e dei tudo a ela, investida após investida, até sentir sua xana começar a me apertar de novo.

— Eu vou gozar com você, amor — sussurrei, mordendo seu ombro.

Gozamos quase ao mesmo tempo, ela tremendo sob mim, eu me esvaziando dentro dela com um rugido rouco. Fiquei sobre ela por alguns segundos, ainda duro, ainda enterrado, sentindo sua xana espremer as últimas gotas. Quando finalmente saí de dentro, um fio de sêmen escorreu pela coxa dela e ela riu, mordendo o lábio. Estávamos descobrindo uma versão mais desinibida, mais faminta de nós mesmos, e o melhor de tudo foi perceber o quanto gostávamos dessa versão.

***

Tudo começou com uma mensagem curta, quase tímida. Um casal jovem, Diego e Valeria, tinha nos escrito depois de ler nosso perfil.

“Adoramos a forma como vocês se descrevem. Dá para ver que vocês são reais, não só curiosos”, diziam.

Respondi sem pensar demais e, desde a primeira troca, houve algo diferente. Eram próximos, simpáticos, com aquela mistura de frescor e nervosismo que reconheci na hora: eram como nós alguns anos atrás, com mais vontade do que experiência.

As conversas passaram a fazer parte das nossas noites. Quatro pessoas se descobrindo entre risadas, perguntas e brincadeiras. Valeria tinha o dom de fazer você se sentir à vontade com uma única mensagem. Diego tinha um humor que conectou comigo imediatamente. Aos poucos, as mensagens ficaram mais atrevidas, embora nunca vulgares: insinuações suaves, frases que acendiam a imaginação sem cruzar a linha.

Numa noite, depois de vários dias, chegou a pergunta inevitável.

— E vocês, como são? — escreveu Valeria, com aquele tom brincalhão que já reconhecíamos.

Irene me olhou com um sorriso maroto antes de digitar.

— Digamos que Mateo tem... presença — respondeu, deixando a frase suspensa.

Diego soltou uma gargalhada do outro lado.

— Isso soa como se a gente devesse sentir um pouco de inveja.

Ri, um tanto corado, enquanto Irene me lançava uma daquelas olhadas que dizem tudo sem uma única palavra. Depois daquela noite, as mensagens mudaram de ritmo. Havia mais confiança, mais desejo contido. As risadas ficaram mais suaves, os silêncios mais longos. O magnetismo dava para sentir até pela tela.

E então chegou a mensagem que mudou tudo: “Vocês topam nos ver neste fim de semana? Sem pressa, só para nos conhecer”.

Olhei para Irene. Ela tinha aquele sorriso que sempre aparecia logo antes de algo importante acontecer.

— Acho que já está na hora — disse ela.

***

A sexta-feira chegou antes do esperado. A tarde foi embora entre preparativos: Irene escolheu a música, eu cuidei dos detalhes do vinho e da iluminação. Queríamos que tudo parecesse natural, mas sob essa calma pulsava um arrepio constante que nenhum dos dois ousava nomear.

Marcamos em um bar tranquilo, daqueles com mesas na rua e velas em cada canto. Ao vê-los, foi impossível não sorrir. Diego e Valeria eram ainda mais bonitos pessoalmente, simples, com aquela energia de quem está descobrindo algo novo e não finge saber tudo. As risadas surgiram logo e, com elas, a sensação de que tudo fluía sozinho.

Quando a conversa ficou mais íntima, Irene propôs continuarmos em casa. Eles aceitaram encantados. Ao chegarmos, Valeria parou diante da janela da sala, olhando o reflexo das luzes sobre a água da piscina.

— Uau... isso é lindo — disse.

— E essa piscina parece um convite perigoso — brincou Diego.

Jantamos na varanda, sob as luzes suaves e o murmúrio da água. Depois de um tempo, as conversas tomaram um tom mais profundo. Foi Valeria quem quebrou o gelo.

— Posso perguntar uma coisa? — disse, com aquele sorriso travesso. — Como tudo isso começou para vocês?

Irene respondeu antes de mim.

— Acho que começou como um jogo. Fantasias compartilhadas, brincadeiras no meio de uma taça de vinho... Até que um dia paramos de rir e começamos a falar disso a sério.

— Exatamente — acrescentei. — No começo, queríamos só entender o que nos atraía na ideia. E no fim percebemos que era mais sobre nós do que sobre qualquer outra pessoa.

Diego assentiu, pensativo.

— Com a gente aconteceu algo parecido. A gente via isso como algo distante, alheio. Até que um dia entendemos que nos dava mais confiança imaginar juntos do que evitar.

— E aqui estamos — completou Valeria, rindo com doçura. — Com os mesmos nervos de um primeiro encontro.

Irene ergueu a taça.

— Então brindemos a isso. Às primeiras vezes.

O cristal tilintou e se misturou ao rumor da água. A conversa continuou entre pequenas confissões e silêncios que pesavam exatamente o necessário. Não era preciso falar de desejo: ele estava ali, em cada gesto, na forma como os olhares se cruzavam e se desviavam com uma timidez deliciosa. Quando foram embora, depois da meia-noite, não tínhamos cruzado nenhuma linha, mas tínhamos aberto todas as portas necessárias.

***

No dia seguinte, acordamos tarde, com o sol entrando forte e a casa cheirando a café. O celular de Irene vibrou na mesa de cabeceira. Ela leu a tela e deixou escapar um sorriso que não conseguiu disfarçar.

— Quem é? — perguntei, embora já intuísse.

— Valeria — disse, me mostrando a mensagem.

“Nos divertimos muito ontem à noite. Vocês dois foram ótimos. E eu fiquei com vontade de continuar falando com você, Irene. Ou com vocês dois.”

— Acho que eles gostaram da gente — ela riu.

— “Gostaram” fica curto — respondi, beijando seu ombro. — Eu também adorei os dois.

Nessa mesma tarde surgiu a ideia de aproveitar o feriado prolongado do fim de semana seguinte para nos vermos de novo, dessa vez sem a formalidade de um primeiro encontro. E, como se tivéssemos combinado, chegou outra mensagem de Valeria: “Aliás, no próximo fim de semana temos o feriado livre. Topam?”

Nos olhamos e não foi preciso dizer nada.

A simples ideia nos incendiou a ponto de terminarmos a conversa enroscados nos lençóis. Irene se jogou em cima de mim sem me dar tempo para nada, arrancou minha roupa aos puxões e grudou a boca no meu pescoço, mordendo, chupando, como se precisasse me marcar. Segurei seus seios por baixo da camiseta, puxei-a para cima de uma vez e apertei seus mamilos até arrancar dela um gemido agudo. Ela riu e se deixou cair de joelhos no chão, à minha frente. Tirou meu pau da cueca e ficou olhando para ele por um segundo, mordendo o lábio, antes de cuspir no glande e começar a lambê-lo de cima a baixo, devagar, como se estivesse chupando um doce.

— Porra, Irene...

Ela o levou inteiro, sem engasgar, com a garganta aberta, e começou a me chupar com vontade, me olhando fixamente. Eu segurei sua cabeça com as duas mãos e fodi sua boca. Ela aceitou tudo, deixando-se usar, com fios de saliva escorrendo pelo queixo e caindo sobre os seios. Quando a soltei para respirar, os olhos dela brilhavam e havia um sorriso provocador nos lábios inchados.

— Você está pensando nele? — me perguntou, com meu pau ainda roçando sua bochecha.

— Estou pensando em você chupando meu pau enquanto Diego te fode por trás — respondi, sem filtro.

Ela soltou um gemido rouco só de imaginar. Puxei-a do chão e a joguei de barriga para cima na cama. Abri suas pernas de par em par e mergulhei o rosto em sua xana. Lambi com fome, com a língua inteira, chupando seu clitóris até ela começar a se retorcer. Enfiei três dedos de uma vez e ela soltou um grito.

— Você deixaria ele entrar enquanto eu olhasse? — perguntei, entre lambidas.

— Sim... porra, sim...

— E deixaria a Valeria chupar meu pau enquanto eu te fodo?

— Sim, filho da puta, sim, tudo o que você quiser...

Fodi-a com os dedos até ela gozar, encharcando minha mão, o corpo todo tremendo. Sem lhe dar trégua, a coloquei de quatro, me ajoelhei atrás e enfiei meu pau até as bolas. Sua xana estava tão quente e tão molhada que quase gozei de uma vez. Agarrei seus quadris e comecei a fodê-la forte, cada investida fazia minha barriga bater contra sua bunda, e ela gemia cada vez mais alto, me empurrando ela mesma para eu enfiar mais fundo.

— Mais forte, porra, mais forte...

Mordi sua nuca e dei a ela o que pedia. Molhei o polegar com a própria saliva dela e o enfiei no cu dela enquanto continuava a fodê-la, e ela soltou um gemido gutural, apertando meu pau com tudo. Fodi-a assim, com os dois buracos cheios, até ela gozar gritando no travesseiro. Saí de dentro dela, a virei de barriga para cima e subi em cima dela com o pau pingando. Enfiei de novo e fodi sua boca com o polegar enquanto a olhava nos olhos.

— Goza dentro de mim — ela pediu, apertando minhas pernas em volta da cintura. — Me enche.

E eu a enchi inteira, gozada atrás de gozada, sentindo meu sêmen transbordar e escorrer pela xana até os lençóis. Cada vez nos desejávamos mais, e era incrível.

***

Na quinta-feira à noite, sentamos na varanda com uma taça para organizar tudo.

— A gente precisa falar com eles sobre os limites — disse Irene, girando a taça entre os dedos. — Quero que tudo fique claro antes de sexta.

— Eu também. Quero que isso some, não que complique nada.

Escrevemos para eles e, em poucos minutos, os quatro estávamos em uma videochamada. Diego e Valeria apareceram sorridentes, à vontade, quase como se já fizessem parte dos nossos fins de semana.

— Para nós — comecei —, o essencial é que isso seja bonito, divertido e seguro para todos.

— Totalmente — assentiu Diego. — A gente quer que seja natural.

Irene segurou minha mão, como uma reafirmação.

— A gente conversou muito sobre isso — disse — e acha que o melhor é que cada um preserve sua intimidade com o seu parceiro. Não buscamos uma troca completa.

— Mas estamos abertos a compartilhar certa proximidade — completei, escolhendo cada palavra —. A deixar a química fluir, sem perder nossos espaços.

Valeria sorriu, suave, quase agradecida.

— É exatamente o que queríamos dizer. Não queremos pressionar nem cruzar linhas que não estejam claras. Queremos curtir juntos, sem forçar nada.

— Com uma regra de ouro — apontou Irene —: falar tudo. Se algo incomodar, diz. Se algo agradar, também.

As quatro cabeças assentiram quase ao mesmo tempo. Foi um momento simples, mas intenso. Saber que todos pensávamos igual fez a tensão se tornar bonita em vez de esmagadora.

Nessa noite, depois de desligar, Irene se aninhou contra mim na cama. Começamos a nos beijar devagar, e me veio uma ideia.

— E se a gente gravar um áudio nosso e mandar para eles? — sussurrei contra o pescoço dela.

O rosto dela se iluminou.

— Adorei a ideia.

O que veio depois não foi nada tranquilo. Apoiei o celular na mesa de cabeceira, com o gravador ligado, e me virei para Irene. Ela já tinha tirado a roupa toda, deitada de barriga para cima, com as pernas levemente abertas e um sorriso cúmplice. Desci minha mão pelo ventre dela até a xana e passei dois dedos pelos lábios já encharcados.

— Fala para eles — sussurrei no ouvido dela, me certificando de que o microfone pegasse tudo.

— Enfia, Mateo — ela gemeu, alto e claro. — Enfia logo, porra...

Afundei os dois dedos dentro dela e ela soltou um gemido longo, daqueles que nascem do ventre. Comecei a fodê-la com a mão enquanto mordia seu pescoço, e cada movimento fazia sua xana molhada soar, chapinhando ao redor dos meus dedos. Desci pelo corpo dela até ficar entre suas pernas e enterrei a língua em seu clitóris. Ela se agarrou ao meu cabelo e empurrou os quadris contra minha boca, gemendo sem filtro para o áudio.

— Chupa essa xana, amor, chupa ela toda...

Lambi-a até deixá-la à beira e subi sobre ela. Coloquei meu pau na entrada e afundei devagar, inteiro, até o fundo. Ela deixou escapar um suspiro agudo, prolongado, que ressoou por todo o quarto.

— Que pau, porra, que pau...

Comecei a fodê-la com investidas longas e profundas, deixando que o som dos nossos corpos se chocando fosse a trilha sonora da mensagem. Os lençóis rangiam, a cabeceira batia contra a parede, e ela não parava de gemer. Virei-a de lado, com uma perna sobre meu ombro, e fui mais fundo, mais forte. Agarrei um seio e apertei, puxando o mamilo enquanto a penetrava e retirava.

— Você está ouvindo? — sussurrei ao ouvido dela, sabendo que Valeria e Diego ouviriam —. Eles estão ouvindo como eu te fodo.

— Que ouçam — respondeu ela, com a voz quebrada. — Que ouçam como eu gozo...

Fodi-a ainda mais forte, com a mão na sua cintura, marcando o ritmo. Ela começou a tremer e a me apertar, e gozou gritando, sem nenhum pudor, com um orgasmo longo que sacudiu suas pernas. Aguentei mais algumas investidas e gozei dentro dela, ofegante, dizendo o nome dela para o microfone, sentindo meu sêmen se misturar à gozada dela e escorrer pela bunda.

Quando terminamos, Irene enviou a Valeria uma mensagem de voz acompanhada de três palavras: “Um presentinho de vocês”. Na gravação se ouviam gemidos, o atrito dos lençóis e o som de dois corpos se procurando sem pudor. Eles ouviram na hora. E, pouco depois, o telefone de Irene vibrou de novo: era um áudio de Diego e Valeria, muito parecido com o nosso. Dava para ouvir Valeria chupando o pau de Diego, depois ele fodendo-a e ela gemendo alto, pedindo para ele enfiar mais forte. Aquilo colocou nós quatro a mil. Só queríamos que a noite passasse para que finalmente fosse sexta-feira.

***

Desde cedo eu sabia que aquela noite seria diferente. Não pelo que pudesse acontecer, mas pelo que representava.

Irene circulava pela casa com aquela energia sua que mistura calma e entusiasmo, o cabelo preso num coque frouxo e um sorriso que não desaparecia do rosto. Ajudei com as velas ao redor da piscina e com a playlist que tínhamos preparado juntos, suave, de violões e vozes quentes. Olhei-me no espelho da sala: uma camisa preta dobrada nas mangas, deixando à mostra as tatuagens nos antebraços, linhas finas que com o tempo tinham terminado contando minha história. Irene sempre dizia que meus braços eram um mapa, que ao olhá-los encontrava calma.

Ela desceu naquele momento, com uma elegância simples que não exigia esforço.

— O que você acha? — perguntou, girando sobre si mesma.

— Perfeita — eu disse, e senti isso de verdade.

Às oito em ponto a campainha tocou e meu coração deu um salto. Diego estava com uma camisa branca que contrastava com a pele bronzeada; Valeria, com um vestido leve que brincava com a luz toda vez que se movia. Os cumprimentos foram calorosos, com abraços longos e brincadeiras fáceis. Valeria parou um segundo diante da janela panorâmica.

— A casa de vocês parece um refúgio — disse.

— A gente tenta — respondeu Irene, sorrindo. — Gostamos de cuidar dos detalhes.

Num momento da noite, Valeria pediu a Irene que subissem um instante; queria mostrar algo. Vimos as duas se afastarem pela escada entre sussurros e risadas. Diego e eu ficamos na cozinha servindo vinho. Era fácil falar com ele; tinha a tranquilidade de quem não precisa fingir.

— Dá para ver que vocês se entendem bem — comentou.

— Muitos anos de prática — respondi. — A gente se conhece demais... e, ainda assim, continua se surpreendendo.

Quando as ouvimos voltar, o ambiente ficou mais suave. Irene e Valeria desceram com aquela luz no olhar que uma conversa íntima deixa. Sentamos nós quatro na varanda e, de repente, tudo se encaixou. A música tocava baixo, o ar estava morno e o vinho ajudava as palavras a fluírem. Falamos sobre viagens, filmes, sobre como cada um tinha acabado descobrindo esse mundo. Entre as risadas, havia pequenos silêncios confortáveis, que diziam muito mais.

— O que eu mais gosto nisso — disse Valeria em certo momento, girando a taça —, é a sensação de liberdade. Não por fazer algo diferente, mas por poder falar sobre isso sem culpa.

Irene assentiu devagar.

— Totalmente. Para mim, só poder compartilhar isso com vocês já faz valer a pena.

O cheiro de jasmim se misturava ao do vinho e ao ar fresco do jardim. Passada a meia-noite, Valeria e Irene se levantaram ao mesmo tempo, com aquela coordenação que vem da afinidade.

— Acho que a gente precisa de algo mais confortável para continuar a noite — disse Irene, marota.

— Prometemos não demorar — acrescentou Valeria.

Vimos as duas subirem entre risadas. Diego e eu ficamos recolhendo algumas taças, sem falar muito. Não era necessário. E então elas voltaram, com toalhas nos ombros e o cabelo solto, prontas para descer até a piscina, onde a água refletia as luzes do jardim. Não era espanto nem puro desejo o que sentíamos, mas uma admiração sincera pela confiança que ambas irradiavam.

Valeria se aproximou da mesa com a taça na mão.

— Vocês vêm ou vão só olhar? — disse, divertida.

Irene me olhou por cima do ombro.

— Acho que eles estão confortáveis demais aí, não é, amor?

Diego ergueu a taça, aceitando a brincadeira.

— Talvez — respondeu —, mas dá gosto ver vocês curtindo.

As luzes do jardim lançavam reflexos dourados sobre a água, o ar estava morno, e em seus rostos brilhava aquela faísca que mistura alegria e curiosidade. Naquele instante entendi que o encanto daquela noite não estava no que pudesse acontecer depois, mas no que já estava acontecendo: quatro pessoas compartilhando um momento autêntico, cheio de confiança, desejo e uma energia que não precisava de explicação.

Ficamos ali, os quatro, rindo entre taças e reflexos, enquanto a noite seguia crescendo no seu próprio ritmo. E, embora não tenhamos dito isso em voz alta, todos sabíamos que, a partir dali, nada voltaria a ser exatamente igual.

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